O senador Flávio Bolsonaro (PL) recuou da intenção de pedir a anulação das eleições presidenciais que garantiram a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Segundo integrantes da campanha ouvidos sob reserva pela CNN Brasil, a estratégia agora é concentrar a ofensiva judicial em acusações de supostos abusos de poder político e econômico durante a campanha petista, sem questionar a validade dos votos.
Nas redes sociais, Flávio afirmou que pretende pedir a cassação da chapa de Lula, alegando abusos eleitorais e disseminação ilegal de notícias falsas. Segundo interlocutores da equipe jurídica, já foram apresentados 20 pedidos de cassação, e novas ações estão em preparação.
A mudança representa um recuo em relação ao pronunciamento feito na noite de domingo (25), após a confirmação da derrota. Na ocasião, o senador declarou que não reconheceria o resultado eleitoral e anunciou que pediria a anulação da votação, questionando uma decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), que prorrogou o horário de votação em razão de problemas no transporte de eleitores.
Zanin esclareceu posteriormente que a extensão valeria apenas para seções eleitorais que ainda não tivessem encerrado a votação, sem reabertura de urnas já fechadas.
O PL também reconheceu o resultado das eleições. Em nota, o partido presidido por Valdemar Costa Neto diz entender que “os questionamentos levantados precisam ser devidamente esclarecidos dentro de um debate político equilibrado e democrático. Seguiremos acompanhando os fatos e buscando respostas com responsabilidade, transparência e respeito às instituições”, segundo informações do G1.
Pressão de aliados e isolamento político
A mudança de estratégia ocorreu após aliados próximos aconselharem Flávio a reconhecer a derrota e evitar uma contestação ampla do resultado. Entre eles estavam o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), o coordenador da campanha, senador Rogério Marinho (PL-RN), e a senadora Tereza Cristina (PP-MS), além de uma integrante da equipe jurídica.
O grupo defendia que o senador reconhecesse a vitória de Lula, mas mantivesse a possibilidade de recorrer à Justiça Eleitoral para questionar supostos abusos cometidos durante a campanha. Eventuais pedidos de cassação dependerão da apresentação de provas e da análise da Justiça Eleitoral, não sendo suficiente a alegação de irregularidades para determinar a perda do mandato.
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