5 de junho de 2026

General Heleno atuou na “milícia digital” de Fake News, indica inquérito

Depoimentos de inquérito tornados públicos mostram que houve a participação direta do governo Bolsonaro, pelo chefe do GSI
Jair Bolsonaro e ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, general Augusto Heleno - Foto: Agência Brasil

O general Augusto Heleno, ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) de Jair Bolsonaro, participou ativamente da “milícia digital” de propagação de Fake News por bolsonaristas. A conclusão consta nas peças do inquérito 4.874, tornadas públicas.

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Além de revelar como funcionou a propagação das mentiras nas redes sociais e meios de comunicação, de forma calculada e organizada – o que levou à Polícia Federal caracterizar o ilícito como “milícia digital” -, os depoimentos mostram que houve a participação direta do governo Bolsonaro.

A deputada federal Bia Kicis (PSL-DF) e os apoiadores do presidente, Michelle Salaberry e
Fernando Luis Pires, são alvos do inquérito e prestaram depoimento às autoridades.

Na transcrição, revelada nas peças, eles levantam informações de como o esquema de atuação de notícias falsas atuou e afirmam que ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República, general Heleno, também atuou.

Michelle Salaberry descreveu que o general chegou a convidar o grupo a uma reunião no Palácio do Planalto e trouxe detalhes do encontro:

Chamados de “Grupo 300” bolsonaristas que atuaram para propagar as Fake News e promover atos antidemocráticos, Fernando Luis Pires admitiu à PF que “participou das negociações entre o grupo 300, a Polícia Militar e a Secretária DF Legal” e que tais “negociações foram bem sucedidas”.

No dia 4 de maio de 2020, Sara Winter envia uma mensagem a Fernando Luis Pires, confirmando que estava embaixo, “na porta” do gabinete de Segurança Institucional.

Posteriormente, no dia 19 de maio, ela volta a pedir a Fernando que faça o contato com general Heleno para marcar “outra reunião com a Secretaria de Segurança”. Segundo Sara Winter, desta vez o grupo teria conseguido 3 advogados “a nossa disposição” para participar de uma nova reunião.

Em resposta, no dia seguinte, Fernando Luis Pires envia a seguinte mensagem a Sara Winter:

Também chamado a depor, o general Heleno confirmou que houve o encontro, mas alegou se tratar de uma tentativa de amenizar “atitudes hostil” [sic] dos apoiadores do presidente “contra jornalistas”.

O Grupo dos 300, na época, estava tomando atitudes hostil contra jornalistas que acompanhavam o dia a dia do presidente; que tal situação não era do interesse do governo federal, o que levou o declarante a buscar contato com o Grupo dos 300 para mitigar ações hostis; que houve uma reunião, no gabinete do GSI, em que participaram alguns integrantes do Grupo dos 300, inclusive SARA WINTER”.

Posteriormente, Heleno confirma às autoridades que o grupo comentou com ele “posturas contra o STF” e que ele somente teria “desaconselhado qualquer tipo de ação contra tal instituição, pois não traria efeitos positivos”.

Por outro lado, o chefe do SGI não tomou nenhuma medida para evitar os atos antidemocráticos, apesar de ter tido conhecimento prévio a eles.

Patricia Faermann

Jornalista, pós-graduada em Estudos Internacionais pela Universidade do Chile. Coordenadora de Projetos. Repórter e documentarista de Política, Justiça e América Latina do GGN desde 2013.

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3 Comentários
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  1. +almeida

    11 de fevereiro de 2022 7:59 pm

    Me pergunto: afinal quantas FFAA existem de verdade no Brasil? Qual é a original e quais são as genéricas? Quem não fica confuso diante das noticias quase que diárias, que publicam intrigas e disputas entre altas patentes para conquistar o posto de vice, de assessor e até quem sabe, de papagaio de pirata do presidente Bolsonaro? Se uns querem puxar o tapete de outros e os demais terceiros assistem confortavelmente a degradação e ruína da instituição sem nada fazer, o que podemos esperar sobre o futuro dela e deles? Definitivamente entendo que militar e política em vez de construir, só faz destruir e política com militar em vez de agregar, só faz degradar.

  2. José de Almeida Bispo

    11 de fevereiro de 2022 8:07 pm

    Tá osso,,,, esse país!

  3. Vladimir

    12 de fevereiro de 2022 9:33 am

    Onde tem sujeira é só ver a pegada da bota e,com certeza,encontrará um milico miliciano.

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