‘Homem de confiança de Bolsonaro’ é citado em diálogo de opositores que tentam golpe contra Evo na Bolívia

Série de áudios de opositores ao governo Evo Morales revela ainda o apoio "das igrejas evangélicas e do governo brasileiro”

Evo Morales cumprimenta Bolsonaro durante a posse (Reprodução)

Por Victor Farinelli
Da Revista Fórum

A tentativa de realizar um golpe de Estado na Bolívia ficou em evidência com uma série de áudios revelados pelo jornal boliviano El Periódico, onde é possível ver como alguns importantes líderes opositores convocam abertamente a uma “mobilização até a queda do presidente”. Em um dos áudios, um interlocutor revela o apoio “das igrejas evangélicas e do governo brasileiro”, e fala de um suposto “homem de confiança de Jair Bolsonaro, que assessora um candidato presidencial”.

O áudio não especifica qual, mas bate com as informações de que o Itamaraty está desde maio em conversas frequentes com o líder opositor Luis Fernando Camacho, do Comitê Cívico, o mesmo partido do candidato Carlos Mesa, segundo colocado nas eleições de outubro.

Presidente do Comitê Cívico de Santa Cruz, Luis Fernando Camacho, que convocou militares para um golpe em Evo Morales, foi recebido por Ernesto Araújo, chanceler de Jari Bolsonaro, em maio para tratar do assunto. Após encontro no Itamaraty, Camacho ressalta que recebeu instruções de Araújo sobre como agir diante da Constituição boliviana, que permite reeleições sucessivas no país e que teve o compromisso “governamental” do Brasil sobre a questão.

“Conseguimos o compromisso pessoal e governamental do chanceler Ernesto Fraga Araújo de elevar como estado brasileiro e garante da cpe a encomenda de interpretação da convenção sobre a reeleição indefinida para a cidh. O Chanceler instruiu de forma imediata e na mesma reunião que se realize a consulta”, relatou o opositor, que aparece na lista do caso que ficou conhecido como Panamá Papers como intermediáro e dono de empresas offshore que seria usadas para lavagem de dinheiro de origem duvidosa, especialmente em casos de corrupção.

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Ainda no áudio número cinco (a partir do minuto 8), um dos estrategistas da oposição fala que “temos que começar a nos organizar para falar de política nas igrejas, como já se faz a muito tempo no Brasil, que já tem deputados, prefeitos e até governadores da igreja (evangélica)”. No mesmo áudio, nos últimos 3 minutos, se fala no apoio do governo de Israel para o mesmo plano desestabilizador.

EUA e Israel

Entre as muitas gravações – todas elas teriam sido realizadas antes das eleições de 20 de outubro -, chamam a atenção as que mostram como os grupos desestabilizadores contaram também com o apoio dos governos dos Estados Unidos e de Israel.

O primeiro da série de 16 áudios (ouça todos os áudios na reportagem do jornal boliviano El Periódico) mostra a articulação dos opositores com o senadores norte-americanos Ted Cruz, Bob Menéndez e Marco Rubio e a participação da diplomacia estadunidense para fortalecer a estratégia desestabilizadora da oposição. Também se revelam ordens para “queimar estruturas do partido de governo e atacar também a embaixada de Cuba”.

Esta última ideia ainda não aconteceu, mas a estratégia de queimar sedes partidárias, de organizações sociais, e também as casas de figuras políticas de esquerda (como a da irmã de Evo Morales) já está em andamento.

No áudio número 10, um ex-coronel boliviano chamado Teobaldo Cardoso, comenta sobre os preparativos realizados por um grupo de altos oficiais militares, alguns retirados e outros da ativa, que estariam dispostos a iniciar uma guerra contra o governo de Evo Morales.

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No áudio 15, os líderes opositores Jaime Antonio Alarcón Daza, Iván Arias e outros membros do partido Comitê Cívicos falam sobre as medidas visando manipular a opinião pública a respeito dos resultados eleitorais, para assim declarar fraude. A conversa cita apoios por parte da Fundação Jubileo, da União Europeia, da Embaixada dos Estados Unidos e de igrejas evangélicas.

Paralelamente a isso, um último áudio, que não consta na matéria do El Periódico e que foi gravado pela ativista boliviana Adriana Guzmán do coletivo Feminismo Comunitário Antipatriarcal, relata o que ela considera “um golpe de Estado com claras características racistas”, com foco na destruição de sede de movimentos sociais ligados à comunidade indígena. Ela conta como as ações dos opositores “destrói sedes indígenas, e sempre atuam queimando as bandeiras indígenas nos locais e içado bandeiras da Bolívia”.

Ouça o áudio de Adriana Guzmán: clique aqui e continue lendo na Revista Fórum.

 

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14 comentários

  1. O mesmo modus operandi, desde o canalha do aecio, com psdb e dem.
    Sempre contam com apátridas (em sua maioria corruptos e com contas em paraisos fiscais) que são cooptados por grupos infames de israel e eua.
    Mas, claro, as principais armas dos capetas oriundos dos eua e israel são as igrejas neopentecostais e militares sem compromisso com a defesa da Pátria e da Constituição do seu país.
    E não adianta Evo Morales convocar novas eleições, pois enquanto estes “homens de bem” da direita cinica e hipócrita não vencerem nao irão valer.

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  2. Tal como na Bolívia, aqui também os militares estão mancomunados com esta direita nazifascista. Dá para fazer um paralelo dos adventos após o fim da Primeira Guerra Mundial e que foi tomando forma e desaguou na Segunda Guerra Mundial. Se estes ideais bárbaros da ultradireita capitaneadas pelo Trump, steve bannon, bolsonaro, Olavo Carvalho, etc, vencer estaremos no limiar da Terceira Guerra Mundial. Cabe às pessoas de bem tomar partido, se engajar para evitar a catástrofe!!!!

  3. Golpe de estado em plena luz do dia e sem nenhuma tentativa de se esconder os responsáveis. O que sugere que os responsáveis estão completamente certos que ficarão impunes.

  4. Well… O jogo agora ficou claro até mesmo para o mais estúpido. Democracia na América Latina NÃO VALE NADA. E com o vergonhoso apoio dos cabeças brancas do meu próprio país.

    E só há um meio de se resolver isso.

  5. Como disse a negação das urnas quando não favorece a direita é uma tendência, que começou lá atrás com o zelaya e se alastrou atingindo o Brasil, a Bolívia é a bola da vez…..
    E os tais cientistas.politicos preocupados com o mea culpa do PT…..
    Sinceramente, duvido.muito que o país venha a ter eleições livres….. teremos um simulacro de democracia, mas liberdade, esqueçam, a mídia, aquela que se diz fiscal do governo, defensora da liberdade de expressão é quem.vai tratar de dar ares de normalidade à ditadura disfarçada, aliás, já está……

  6. Com esse, segundo um livro que tenho, os golpes na Bolívia somam a 183!!! Quanto às igrejas evangélicas, é de fundamental importância para elas, manter o povo na pobreza e na ignorância profunda, porque o discurso deles se baseia tão somente em superstições: e e bom lembrar que em Angola essas igrejas foram praticamente proibidas e aquelas que restaram, não podem pedir o dízimo!!! E na Bolívia, o “pastor” em maior evidência é um cara sul coreano, que mal fala espanhol. Segundo o livro “As veias abertas da América Latina”, na Bolívia, há uma cidade chamada Potosi, que tinha literalmente, uma montanha feita em prata.Tinha, porque os espanhóis levaram tudo embora. Agora sabe-se que tem outra montanha de lítio, um material muito procurado. É curioso que o segundo colocado nas eleições, um tal de Carlos Mesa, e ardoroso defensor do golpe ( lembra o Aécio aqui), esse cara, também já foi colocado de lado pelos generais.

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  7. tudo bem arquitetado, nos mínimos detalhe…lá, como cá!
    sem esquecer o dedo prá lá de podre do bolzoNERO: onde ele apóia ou abraça ou aperta a mão, como na foto acima com morales…tem gente querendo distância feito o candidato direitista do uruguai

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  8. Bolsonaro ensaia na Bolívia o golpe final que dará aqui.
    Hitler testou Guernica, Polônia.
    Bolsonaro testará a Bolívia, provavelmente enviando informações e armamento clandestinos.
    A Bolívia será seu laboratório.
    Nem Lula, nem ninguém conseguirão, em curto prazo deter o avanço dessas forças.
    Demoraram demais, deixaram a erva daninha tomar conta do terreno.
    Bolsonaro, aqui, na maior nação da AL é necessário para conter o avanço das forças de esquerda no continente.

    • Eu lamentavelmente compartilho da mesma opnião que você.
      O povo Boliviano tem mais tradição de luta e resistência que nosso povo aqui, na década de 50 os camponeses de lá um levante consequiram uma reforma agrária no braço, acho que um golpe aqui
      consolidando um regime de excessão alinhado aos States é tudo que eles sonham…
      O “Talibânato Coxinha” (Evangélicos, coxas, milicos e judiciário) aparenta estar disposto a dar isto a ele.
      Como dizia o Jornalista PHA , “Gilmar, como a democracia não se brinca”.

  9. Mais um crime de responsabilidade desta vez por violar princípios do país nas relações internacionais, art 4º incisos I, III e IV, caso provada (de qualquer forma, é 99% provável) a interferência do bolsonarismo fascista nos eventos lamentáveis na Bolívia, virtualmente derrubando um governo eleito democraticamente. O que mais o energúmeno troglodita terá que praticar ou falar para ser, junto com sua trupe de gangsters, defenestrado do poder?

  10. + comentários

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