23 de junho de 2026

Manifestações sociais da última década podem gerar novo paradigma

Perspectiva de horizontalidade, trazida por novos movimentos, é uma crítica à falta de eficiência do Estado
 
 
Jornal GGN – Os movimentos sociais urbanos brasileiros da segunda década dos anos 2000 podem estar vivendo um período de mudança de paradigma em relação ao modelo de formação, articulação e atuação, e isso em decorrência tanto do impacto crescente da globalização, quanto do uso das novas ferramentas da comunicação. Essa tese foi o tema de debates de uma das edições de agosto do programa Brasilianas.org, exibido na TV Brasil. 
 
A especialista em movimentos sociais e professora da Unicamp, Maria da Glória Gohn, observou que as ferramentas virtuais não apenas revolucionaram as comunicações, como também a articulação e a atividade das manifestações sociais. “Hoje grupos se articulam sem necessariamente serem um movimento social com trajetória e pertencimento. Ao mesmo tempo, estão surgindo movimentos mais horizontais, sem a mesma articulação que observamos décadas atrás, quando os locais de formação política eram sindicatos, associações de base e eclesiástica”, destacou.
 
Ainda, segundo a especialista, parte considerável dos grupos que surgem, sobretudo entre o final e início dos anos 2010, não quer envolvimento com partidos. “A horizontalidade deles é uma crítica, não [necessariamente] contra o Estado, mas sim por eficiência. Não negam políticas públicas, e sim querem políticas públicas com qualidade”, arrematou.
 
Em outras palavras, o formato próprio da internet permite a atuação de múltiplos protagonistas, assim, na lógica kuhniana, podemos estar vivendo um momento de crise das antigas formas de mobilizações sociais, que tendem a monopolizar o conhecimento e o poder através de estruturas verticalizadas, para aquelas de caráter horizontal, que permite uma maior participação e formação política do indivíduo. Mas é claro que, entre a verticalidade e a horizontalidade existem infinitas graduações.
 
O filósofo e professor da EACH-USP, Pablo Ortellado ponderou que a negação ao sistema político é mais um dilema dos novos movimentos sociais. Isso porque ainda não é possível determinar se “essa valorização interna da democracia proposta por eles”, em oposição ao modelo político tradicional, “busca substituir a representação política a partir de uma negação mais profunda do sistema, com a construção de uma saída própria, ou se as manifestações sociais contra os políticos permanecerão como algo de fora do sistema, pressionando-o para garantir os direitos sociais não conquistados”, completou. 
 
Em relação ao papel das novas tecnologias na formação e construção dos movimentos sociais dessa década, Ortellado lembrou que a história da internet revela que o movimento de horizontalidade está na matriz da criação e de muitas de suas redes sociais, a exemplo do Youtube, Flicker e Twitter, “fundados por representantes de movimentos antiglobalização, ativistas do final dos anos 1990, ou do início dos anos 2000”. 
 
Para não homogeneizar o que é heterogêneo 
 
O escritor e militante do movimento negro, Allan da Rosa, ressaltou que os movimentos sociais na periferia, nascem, sobretudo, pela busca de melhor qualidade de vida (segurança), educação, transporte e saúde. “Só o tecle e o curtir [das redes sociais] não ia garantir nossa existência”, reiterou, destacando, porém, que a internet garante hoje a repercussão de notícias que jamais seriam reverberadas “pela mídia graúda”.
 
“A internet é uma teia onde você houve o que quer e o que não quer. Muitas vezes é caótica, mas garante um discurso, enquanto você tem [nas mídias tradicionais] um discurso de cima para baixo”, prosseguiu.
 
Para o escritor a movimentação dos grupos sociais que nascem na periferia é bastante complexa, logo é preciso tomar cuidado com a homogeneização do que não é homogêneo. “Quando você fala de periferia, você fala da maioria, da leva, que não é a que controla a caneta nem o carimbo, mas que faz a cidade ter a atmosfera que tem de norte ao sul do país. As lutas na periferia [criadas pela falta de políticas públicas e violência do Estado] vão desde a área da saúde, moradia, até transporte. As juventudes da periferia estão muito organizadas, mas não seguem essa pauta antiga das organizações. Tem desde aqueles que reivindicam qualidade nas escolas, até aquele que atua no neopentecostalismo ferrenho e o outro que abraça a ideia do individualismo do ‘vamos subir por nós mesmos’”, alertou. 
 
Acompanhe à seguir o debate na integra, coordenado pelo jornalista Luis Nassif.
 
https://www.youtube.com/watch?v=QAmXiVavNOY width:700
 

Redação

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11 Comentários
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  1. Conde de Rochester

    6 de setembro de 2015 4:14 pm

    Novo paradigma

    Para que aconteça um novo paradigma de como o poder é exercido e uma nova distribuição de renda é imprescindivel o surgimento de uma força politica encabeçado por uma personagem que lembre alguma coisa parecida com um estadista.

    Algo que lembre um centrão e uma figura de ilibada reputação como Ulisses Guimarães.

    Formação de cartel, empresas laranjas, doleiros, superfaturamento, financiamento de campanha eleitoral e propina a agentes públicos. Peças indispensáveis para o funcionamento da engrenagem que desviou pelo menos R$ 6 bilhões da Petrobras estão longe de ser exclusividade do maior caso revelado de corrupção no país. À imagem e semelhança da operação conduzida pela Justiça Federal, uma série de “Lava-Jatinhos” nos estados mostram que a base do esquema usado na estatal se repete até nas menores prefeituras brasileiras.

    O GLOBO reuniu investigações de cartéis feitas pelos Ministérios Públicos de São Paulo, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Bahia, Pernambuco e Goiás desde 2013. Elas apontam para um quadro desolador: nem mesmo serviços corriqueiros das administrações municipais, como compra de sacos de lixo ou tintas, têm passado ilesos pela corrupção.

    A primeira força politica que perceber isto sera aquela que governara o Pais pelos proximos vinte anos em consequencia de que sera esta força que finalmente colocara o Pais em uma nova rota de crescimento. Sera necessario um ministerio que efetivamente sirva para direcionar todos os outros em uma mesma direção, um ministerio que verdadeiramente fiscalize as verbas federais repassadas para os outros componenentes da administração da união.

    Este novo ministerio juntamente com as instituições que deverão combater diuturnamente a corrupção enrraizada nos escaninhos da administração, juntamente com um outro de igual importancia que debele de vez com a burocracia deverão levar o Pais pra um novo periodo de crescimento. Caso contrario, sera repetir o mais do mesmo, até a proxima crise.

    A recorrente prática de formação de cartel em fraude de licitações levou o MP do Rio Grande do Norte a realizar um curso no ano passado. O objetivo foi estreitar a atuação dos promotores com o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), órgão federal responsável por fiscalizar e coibir o crime de cartel. Em abril, o Cade multou em R$ 15 milhões seis empresas acusadas de formar um cartel em licitações no interior de São Paulo. Este devera ser o novo procedimento que instalara o novo paradigma de como os governantes tratam a coisa publica.

  2. MAAR

    6 de setembro de 2015 9:47 pm

    HORIZONTALIDADE SUBVERTE DEMOCRACIA

    Esta inovação chamada de ‘horizontalidade’ subverte os princípios da democracia, pois é constituída por instrumentos que propiciam a manipulação de mobilizações de massa desprovidas de estruturas de debate organizado e de deliberação coletiva. Por tais razões essenciais, esta dita ‘horizontalidade’ serve aos interesses que são beneficiados por fenômenos como o maidam ucraniano, responsável por gerar um conflito armado que resultou numa sangrenta guerra civil, ainda em marcha. Esta metodologia, caracterizada pela utilização das modernas tecnologias de comunicação para promover mobilizações de massa,com discursos difusos de crítica, desvinculada dos mecanismos políticos tradicionais, como partidos, sindicatos e demais instituições democráticas representativas, corrói, deturpa e subverte a democracia, e traz como consequência ‘primaveras’ trágicas como aquelas vividas hoje na Líbia e na Síria.

  3. C.Paoliello

    7 de setembro de 2015 2:23 am

    A traição do Syriza

    Como o Syriza traíu o povo grego em concluio com os banqueiros:

    http://www.iranews.com.br/syriza-saqueio-pilhagem-e-prostracao-como-a-esquerda-abraca-politicas-de-direita/

  4. luiz mattos

    7 de setembro de 2015 1:53 pm

    Esses teóricos me fazem

    Esses teóricos me fazem rir…não compreendem nada ou estão a serviço de alguém.

  5. arkx

    7 de setembro de 2015 2:55 pm

    ninguém viu

    o novo surge, mas ninguém vê, ninguém lê, ninguém escuta…

    Pablo Ortellado 24’32”: as manifestações apropriadas pela Direita apóiam pauta de Esquerda;

    Allan da Rosa 29’20”: a importância do rap e arte;

    Maria da Glória Gohn 49’20”: o resgate das idéias libertárias.

    só estes três momentos do programa já abririam enorme espaço para reflexão e discussão.

    .

  6. cldamasceno

    8 de setembro de 2015 2:02 pm

    Tem sempre um esperto

    Tem sempre um esperto querendo nos fazer crer que manifetantes “não querem nada com partidos”…

  7. Paulo F.

    8 de setembro de 2015 2:38 pm

    Quais ?

    As patrocinadas pela CIA?

    Dá um tempo!

  8. m.cubiak

    8 de setembro de 2015 4:29 pm

    nem tao novo

    o novo paradigma – que não é tão novo ele já vem sendo estimulado pela “cidadania” neoliberal há tempos, vide discussão de EScobar e Dagnino-  é o divisionismo e a invisibilidade de pautas diante da força de uma “massa” difusa, que ninguém sabe quem é.

  9. Anarquista Lúcida

    8 de setembro de 2015 7:41 pm

    Novo paradigma de manipulaçao de massas, isso sim

    Se no início ainda seria possível ter esperanças com esses movimentos, agora já está mais do que claro que eles só serviram à Direita. No Brasil e no mundo.

  10. Miguel A. E. Corgosinho

    9 de setembro de 2015 1:16 am

    Justamente o debate atual

    Justamente esse debate atual sobre formas de gerar um novo paradigma de formas não racionais para atender as reivindicações sociais exige a conquista da única forma de racionalidade: a originalidade prática.

    O dinheiro tem por objetivo a originalidade da realidade, cujos princípios não podem ser diferentes da teoria, seja na matemática, seja nos objetos, porque todas as atividades dependem de deliberação humana, porque – diz Aristóteles – deliberar e calcular é a mesma coisa.

    No novo paradigma temos a interpretaçao da realidade científica por um modelo = Ciência da Prática. Ou seja: o governo tem o poder de calcular a economia voltada a um fim; significa que os meios realmente necessários para alcança-lo ou deliberação – quer dizer o resultado do cálculo  – indica que tem-se a verdadeira originalidade prática do dinheiro.

    Ora, se o paradigma é um padrão de conhecer os princípios de métodos e valores que entram na ciência, não há dúvida que a origem do dinheiro, que passa por todas as ciências, não está acima da ciência e sua prática.

     

     

     

  11. DuraRealidade

    9 de setembro de 2015 8:09 am

    Impossível!

    Acredito que como nos últimos 12 anos tivemos uma explosão de desenvolvimento “nunca antes tido na história desse país”,  fica difícil colocar essa “nova classe C”, de maneira a ser apenas miseráveis (via IBGE) que continuam na favela, mas em seus barracos, possuem TV de tela plana e gato de tv a cabo.

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