Marina Silva diz que há abertura para diálogo com Lula e critica imprensa por abordagem “machista”. Assista

Cintia Alves
Cintia Alves é graduada em jornalismo (2012) e pós-graduada em Gestão de Mídias Digitais (2018). Certificada em treinamento executivo para jornalistas (2023) pela Craig Newmark Graduate School of Journalism, da CUNY (The City University of New York). É editora e atua no Jornal GGN desde 2014.
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Em entrevista ao GGN, Marina cita ameaça à democracia e agenda ambiental como condicionante para o diálogo

Marina Silva vesta uma blusa branca e um lenço off white no pescoço. está de óculos, sorrindo, com o cabelo preso em coque
Foto Flickr/Rede Sustentabilidade

Em entrevista exclusiva ao GGN, a ex-ministra do Meio Ambiente, Marina Silva (Rede Sustentabilidade), afirmou que tem “abertura para diálogo” com o ex-presidente Lula (PT) durante as eleições de 2022. Marina criticou a imprensa por fazer uma “abordagem machista” quando a pauta é sua aproximação com o petista. Ela também sinalizou que não nutre problemas pessoais com Lula ou o PT, mas sim “divergências políticas” que podem ser superadas.

“É muito fácil as pessoas dizerem que os homens estão conversando e se entendendo. Agora, quando envolve uma mulher, fica essa abordagem que vejo em alguns meios de comunicação, sobre mágoas e rancor.”

Segundo Marina, que é candidata a deputada federal pela REDE-SP, a democracia brasileira está em risco enquanto Jair Bolsonaro está – e tenta se manter – no poder, e o diálogo com Lula é viável, porém envolve recolocar a agenda ambiental entre as prioridades de governo.

“Infelizmente, tem sido feita uma abordagem [machista] em relação às questões que considero relevantes – o desenvolvimento sustentável, a agenda socioambiental. As pessoas esquecem disso e ficam dizendo que [as divergências] se tratam de questões de natureza pessoal, de ressentimento. Essa é uma abordagem inteiramente preconceituosa e machista quando se trata de uma mulher.

Com Lula, relação pessoal respeitosa

Na entrevista aos jornalistas Luis Nassif e Cesar Calejon, transmitida ao vivo na TVGGN, Marina avaliou que “estamos vivendo uma situação de emergência”, com “ameaça à democracia, além da desconstrução de políticas pública e do próprio Estado de Direito”. “Tenho dito publicamente há muito tempo que tenho, sim, abertura, para diálogo [com Lula]. E tenho colocado uma agenda para esse diálogo.”

“Sempre tive relação respeitosa e do ponto de vista pessoal, sempre conversamos. Inclusive em momentos dolorosos de nossas vidas – quando ele teve câncer; depois, quando meu pai morreu, e quando Dona Marisa morreu – o que indica que, do ponto de vista pessoal, não há diferenças.”

As prioridades para Marina Silva

Ao afirmam que a divergência com o PT é de ordem política, Marina listou algumas das ações que precisam ser “resgatadas” e que deram certo no primeiro governo Lula.

“No primeiro governo Lula conseguimos fazer muitas coisas. E isso em cima das diretrizes que eu e minha equipe no Ministério colocamos como base de referência para a política ambiental. Por exemplo, uma política ambiental tem que ser transversal, não dá para ser setorial. O Ministério do Meio Ambiente não pode correr atrás do prejuízo da agricultura, do transporte, da energia e de vários setores altamente impactantes do próprio governo.”

Outro ponto é a “questão da política nacional”. “Hoje, Bolsonaro destruiu tudo, é terra arrasada, mas quando fui para o governo, nós fortalecemos o sistema, inclusive fizemos concurso público onde cerca de 2,8 mil funcionários entraram no Ministério para fortalecer o Ibama, o ICMBio, para que a gestão ambiental junto com estados e municípios fosse fortalecida”.

Além disso, Marina citou o controle a participação da sociedade na gestão ambiental, com fortalecimento dos conselhos. “Por ultimo, a diretriz de investimentos em desenvolvimento sustentável. Não dá para continuar com 300 bilhões de reais do Plano Safra investidos na agricultura tradicional e só 1% para a agricultura de baixo carbono.”

Assista:

Cintia Alves

Cintia Alves é graduada em jornalismo (2012) e pós-graduada em Gestão de Mídias Digitais (2018). Certificada em treinamento executivo para jornalistas (2023) pela Craig Newmark Graduate School of Journalism, da CUNY (The City University of New York). É editora e atua no Jornal GGN desde 2014.

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