Lula defende Haddad e diz que ajuste fiscal não será feito ‘em cima dos pobres’

Tatiane Correia
Repórter do GGN desde 2019. Graduada em Comunicação Social - Habilitação em Jornalismo pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo.
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Em entrevista, presidente blinda ministro da Fazenda e destacou “que não será refém de um sistema financeiro que domina a imprensa”

Foto: Diogo Zacarias/MF

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu o trabalho do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e destacou o papel do ministro como copiloto de um projeto que tem por objetivo incluir os pobres no orçamento.

“Eu não sou presidente de um ano e já vivi isso muitas vezes: estamos cada vez mais reféns de um sistema financeiro que praticamente domina a imprensa brasileira”, disse Lula a jornalistas durante entrevista coletiva na Itália.

Na ocasião, Lula disse ter identificado uma campanha em andamento nos meios de comunicação e em alguns setores na tentativa de fragilizar Haddad em meio a dificuldades no Congresso de emplacar ações que melhorem a arrecadação do governo.

“O Haddad jamais ficará enfraquecido enquanto eu for presidente da República. Ele é o meu ministro da Fazenda, escolhido e mantido por mim. Então, é o seguinte: se o Haddad tiver uma proposta, o que vai acontecer? Ele vai me procurar esta semana pra discutir economia comigo”, resumiu. “E eu quero antecipar: a gente não vai fazer ajuste (fiscal) em cima dos pobres.”

Além disso, Lula avaliou que ser um presidente que se preocupa com os pobres incomoda a elite e disse que “eu não acabo porque eu não sou eu, eu sou vocês, e represento as aspirações que uma parte do povo brasileiro tem”.

Juros valem mais que inflação

O presidente também observou que a questão do déficit fiscal sempre tem muito mais destaque no noticiário do que os juros de 10,25% ao ano mantido pelo Banco Central, antes uma inflação inferior a 4%.

“Enquanto isso fazem festa para o presidente do Banco Central em São Paulo. Normalmente os que foram na festa devem estar ganhando dinheiro com a taxa de juros. Então, a questão econômica é coisa séria.”

Lula disse que os que “ficam criticando os gastos do governo” são os mesmos que foram para o Senado pressionar pela manutenção da desoneração que reduz as contribuições previdenciárias de 17 setores da economia – e responsabilizou parlamentares e os grupos empresariais a apresentarem uma alternativa.

O presidente lembrou aos jornalistas que seu o governo passou o primeiro ano construindo propostas para que o país consolide sua estabilidade em quatro níveis.

“Nós fizemos o que ninguém esperava e que precisava ser feito. Fizemos a regulação do marco fiscal e aprovamos a reforma tributária. Nós estamos demonstrando a nossa seriedade de garantir estabilidade jurídica, estabilidade política, estabilidade econômica e estabilidade social. Isso está garantido”, listou.

O presidente também reiterou aos jornalistas que trabalha por uma ascensão social dos pobres e que é desse modo que pretende reconduzir o Brasil à posição se sexta economia mundial, voltando a elencar compromissos.

“Presta atenção: a economia vai crescer mais do que todas as previsões; vamos continuar gerando empregos; vamos continuar fazendo parcerias com o setor privado para gerar investimentos; e vamos continuar investindo em saúde e educação, porque precisamos dar ao povo o respeito que ele merece”, afirmou Lula.

7 Comentários

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  1. Olha, ou Lula está doido, ou ficou burro, ou cínico.

    Quando os bancos saem em defesa do ministro do calabouço fiscal, não precisa dizer mais nada.

    Alguma manifesta sindical ou de movimentos sociais pelo ministro?

    Nada.

    O ajuste está bem andamento, pelego, e a carne que está moendo é a mesma:

    Pobre, e dente os pobres, as mais pobres, as mulheres pretas.

    Identificou ruídos da imprensa?

    É porque o Pantagruel financeiro quer mais, querido, cada vez mais e mais.

    A estabilização dos preços (por favor, não confundam alta de preço com inflação, que só pode ser chamada assim com emissão de meio circulante, ou seja, moeda) com geração de empregos, ainda que de baixo impacto (serviços e comércio), tem incomodado a Casa Grande, que fica com margem menor para tirar o couro da choldra.

    Por isso a grita pela alta de juros, para ganharem nas duas pontas recessivas, isto é, no monetarismo e na super exploração do trabalho.

    Acorda, pelego, acorda.

  2. Avisa ao Nassif que o homem tá vivo e com tezao. Vamos parar com esses vídeos derrotistas de ultimamente. Vamo pra cima, aproveitar enquanto ele tá por aqui.

    1. Uau, estamos salvos.

      Então é isso?

      O triunfo da vontade?

      Ops, eu já ouvi isso antes…

      IV Reich Tropical?

      Patrocínio Viagra Pfizer?

  3. A imprensa e o mercado financeiro devem ser enfrentados com medidas que minem seu poder, de preferência sub-reptícias e sem publicidade, e não com frases bombásticas que só se prestam a serem desmontadas, vilipendiadas e distorcidas por essa mesma imprensa e por esse mesmo mercado financeiro. Fernando Haddad tem, hoje, praticamente, a unanimidade do mercado financeiro, e uma certa condescendência da mídia, que só não é total porque há uma certeza virtual de que ele será o herdeiro político de Lula. Portanto, blindar contra quem?

  4. Numa coisa o presidente Lula está certo, não se pode entrar nesse tiroteio insano que acontece através dos veículos de mídias. Qualquer proposta sempre vai ter prós e contras. O País não pode ficar parado esperando sem tomar iniciativas. O grande problema fica justamente em relação à participação dos investidores nacionais e empresas que estão no Brasil. A desoneração foi feita no governo Dilma e foi sendo ampliada. O objetivo era que todos os envolvidos buscassem melhores formas de existir, ganhando mais competitividade. Tanto na abrangência do mercado doméstico, como numa maior inserção internacional. Toda vez que alguém olhar pro imediato, sejam os governos ou as iniciativas privadas, irá priorizar o próprio bolso. Se o País tiver esse horizonte de um objetivo de Projeto Nacional, todos os lados vão saber que algo maior e melhor será alcançado com os ganhos para todo o País. O que não dá é a acomodação diante desse rastejamento vivido tão longamente e que sacrifica os segmentos menos favorecidos da sociedade. O desenvolvimento e o crescimento do Brasil não vai acontecer sem que o País construa caminho pra esses resultados. Mesmo sem um diálogo afinado, o País mostra disposição pra mudar a situação de acordo com os números do PIB que se apresentam acima de previsões. Outros temas ganham mais destaque do que o que é positivo na economia. Caso o País fizesse mais pra crescer essas questões não teriam maior importância.

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