4 de junho de 2026

O radicalismo do PT antes de 2002

Por Marcuses

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Comentário ao post “Os caminhos do radicalismo pós-Serra

Prezado Nassif,

Apesar de achar que Lula foi um dos maiores presidentes que o Brasil já teve, ao lado de Getúlio e Juscelino, não esqueço o radicalismo do PT antes de 2002.

O impeachment era uma palavra de ordem constante na militância petista, que queria porque queria derrubar FHC. O “Fora FHC” era o seu lema permanente.

As críticas ácidas de Lula, de Dirceu e dos demais integrantes do partido a ‘tudo isso que está aí’ gerou um clima permanente de revolta, que levou muitos a acreditarem que o PT iria acabar com a bandalheira, com a corrupção, etc. Até o Paralamas do Sucesso fez uma música falando dos “trezentos picaretas” que haviam no Congresso, denunciados por Lula. O denuncismo e o discurso moralista anti-corrupção sempre foi parte da plataforma do PT.

De repente, tudo muda. Lula assume e se vincula, justamente, aos picaretas que havia denunciado antes (ou, pelo menos, a parte deles). Isso provocou um choque em grande parte da militância e simpatizantes. O próprio PSOL é orginado desse descontentamento.

Conheço muita gente que sempre votou no partido e que, hoje, tem ódio de Lula e do PT. Essa gente ajuda, e muito, a engrossar o caldo do radicalismo atual. A desilução é péssima conselheira. Para eles, partido nenhum mais presta e os políticos, e a própria democracia, são vistos com desconfiança, o que fomenta o caldo do golpismo.

Como podemos ver, o que semeamos, cedo ou tarde, colhemos de volta.  

Grande abraço,

Marcuses

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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