14 de junho de 2026

O século XXI será feminino, por Joênia Wapichana

Nem a direita nem as esquerdas respondem ao desafio das diversidades, sejam elas sociais ou naturais – sexuais, culturais, étnicas, de biomas, de aspirações ou visões de mundo. Precisamos ir além das dicotomias, de um mundo dividido em apenas duas opções

Por Joênia Wapichana

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O século XXI será feminino. Por enquanto, ainda é um século onde o patriarcalismo, a apartação e a desigualdade imperam. É um século de múltiplas crises: social, econômica, política, ética, ambiental, cultural, de identidade, de pertencimento, de escolha e de falta de escolhas. Mas o tamanho do problema, a soma das interações das crises múltiplas que assolam o planeta, não pode nos paralisar.

As autoras do manifesto Feminismo para os 99% consideram que o capitalismo está na base de todas essas crises. E para solucionar uma crise múltipla são necessárias múltiplas formas de enfrentamentos, próprias para cada local, cada cultura, cada situação, já que cada avanço é uma vitória. A chave é, no entanto, a coordenação dos esforços, a articulação das lutas, para que vitórias não se anulem.

Nem a direita nem as esquerdas respondem ao desafio das diversidades, sejam elas sociais ou naturais – sexuais, culturais, étnicas, de biomas, de aspirações ou visões de mundo. Precisamos ir além das dicotomias, de um mundo dividido em apenas duas opções.

As relações de poder precisam ser revistas, subvertidas, transformadas – sejam elas entre homens e mulheres, entre seres humanos de culturas e origens diferentes, entre seres humanos e o planeta, entre os donos do capital e dos meios de produção e os que entram com sua força de trabalho e de reprodução social, ou que trazem à humanidade cultura e criatividade. Assim, é fundamental um olhar específico de inclusão dos segmentos invisíveis nos espaços de poder – um olhar que abarque e seja abarcado pelos povos indígenas. O que queremos é um convívio sem dominante e nem dominado, com complementação e nunca exploração, cultivando relações colaborativas, coletivas, reestruturando a noção de poder e direcionando nosso pensamento para a igualdade – política, econômica e social.

É na busca dessa transformação que se situa o Manifesto do feminismo para os 99%, um grito feminista libertário, anticapitalista, complexo e em construção.

Para criarmos um presente e um futuro livres e acolhedores para todos os seres vivos, o século XXI deve ser feminino e feminista, disso não tenho dúvida!

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  1. Rui Ribeiro

    3 de abril de 2019 8:23 am

    Se precisamos ir além das dicotomias, de um mundo dividido em apenas duas opções, porque o século XXI será será feminino e não supra ou trans-gênero?

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