A Polícia Federal oficializou a nomeação da delegada Tatiana Alves Torres para o cargo de oficial de ligação junto ao Serviço de Imigração e Controle de Aduanas dos Estados Unidos (ICE, na sigla em inglês). A movimentação ocorre em um momento sensível da cooperação bilateral, logo após a operação que resultou na detenção do ex-diretor da Abin e ex-deputado Alexandre Ramagem em solo americano. As informações são da CCN Brasil.
Conforme portaria assinada pelo diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e publicada no Diário Oficial da União, Tatiana substitui o delegado Marcelo Ivo, que estava na função desde 2023. A nova representante terá um mandato de dois anos para intermediar o fluxo de inteligência e apoiar investigações conjuntas entre Brasil e Estados Unidos.
Trajetória e perfil técnico
Delegada de carreira desde 2002, Tatiana Alves Torres possui um currículo marcado por postos de comando. Ela já chefiou a Superintendência Regional da PF em Minas Gerais e, até a nova designação, ocupava a Coordenação-Geral de Gestão de Processos da Diretoria de Gestão de Pessoas.
Segundo informações da CNN, sua missão será garantir a fluidez na troca de dados em casos que envolvam cidadãos brasileiros com pendências judiciais em território norte-americano.
O papel da PF na captura de Ramagem
A troca de comando no posto de ligação ganha relevância diante dos detalhes sobre o monitoramento de Alexandre Ramagem na Flórida. Embora a PF não possua jurisdição para efetuar prisões no exterior, o trabalho de inteligência foi decisivo para a abordagem realizada pelo ICE.
Ramagem foi preso em 13 de maio, inicialmente por uma infração de trânsito. No entanto, agências de inteligência já rastreavam seus passos desde novembro do ano passado, incluindo o monitoramento terrestre de um veículo utilizado por ele. A investigação apura se o carro foi adquirido com o uso de um passaporte diplomático que já havia sido cancelado por ordem do Supremo Tribunal Federal (STF).
O ex-parlamentar estava com o visto de turista expirado desde março e permanecia em situação irregular no país. Durante a fase final da operação, policiais da Flórida intensificaram as reuniões com o oficial de ligação brasileiro para coordenar a “campana” — vigilância disfarçada — que localizou o paradeiro do investigado.
Apesar da detenção, Ramagem foi liberado dois dias depois.
Deixe um comentário