5 de junho de 2026

Enquanto PT nega alternativa a Lula, presidente vê em Haddad carta de sucessão

A internação do presidente Lula gerou um debate sobre a disputa eleitoral em 2026 e a sucessão presidencial
Foto: Ricardo Stuckert

A internação do presidente Lula gerou um debate sobre a disputa eleitoral em 2026 e a sucessão presidencial. Enquanto o presidente já admitiu que suas preferências pessoas são pela não continuidade no governo, mantendo-se somente em caso de decisão do partido, o PT, por sua vez, insiste que Lula permanecerá na disputa.

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“Lula é o nosso plano A, B e C para eleições de 2026”, afirmou o secretário de Comunicação do PT, o deputado federal Jilmar Tatto, em declaração nesta terça-feira (10), quando o assunto da idade do presidente – 79 hoje e 81 em 2026 – voltou ao debate de sua sucessão.

“Lula está se recuperando bem, em boa saúde. Ele é o nosso plano A, B, C, D, F, G e H… É o nosso candidato [à Presidência] em 2026. Ninguém discute isso no PT. Desejo uma pronta recuperação”, disse Tatto, ao colunista Paulo Cappelli, do Metrópoles.

A fala do secretário de Comunicação também resume os anseios de ala do PT que resistem ou se opõem às opções alternativas atuais, entre elas o ministro da Fazenda, Fernando Haddad. Haddad, que já disputou a Presidência em 2018 contra Jair Bolsonaro, é visto como um carta que não garante votos suficientes.

Naquele ano, contudo, Haddad recebeu 44,87% dos votos válidos no segundo turno. A vitória de Bolsonaro foi com pequena margem de diferença. Considerando, ainda, que a disputa de Haddad contou com menor tempo de campanha política – àquela altura, boa parte dos brasileiros fora do eixo Sudeste do país sequer conhecia Haddad e, ainda assim, conquistou um boa transferência de votos de Lula, o possível sucessor continua sendo uma aposta do próprio presidente.

Lula escolheu Haddad para o substituir nas eleições 2018, quando o presidente foi impedido de se candidatar em setembro daquele ano, a um mês da votação, pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

A escolha do ex-prefeito de São Paulo e ex-ministro da Educação dos antigos mandatos de Lula e Dilma entre 2005 e 2012, para assumir, novamente, em 2023 a pasta que é um dos maiores obstáculos do seu novo governo, a Economia, foi para Lula a estratégia de prepará-lo na sucessão presidencial.

E esse objetivo ainda permanece. Internamente, o presidente chegou a colocar Haddad, nos últimos meses, para tomar decisões, tomar a frente de articulações junto ao Congresso e, agora com o seu afastamento por repouso médico, assinar portarias federais.

Nesta semana, por exemplo, a atuação de Haddad foi intensificada. Enquanto o vice-presidente, Geraldo Alckmin, assumiu compromissos diplomáticos e protocolares, Haddad foi colocado a articular matérias de peso do governo.

Ele se encontrou com líderes do Senado, na residência oficial do presidente da Casa, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), para viabilizar o andamento de propostas do governo no Congresso. Ao mesmo tempo, Haddad assinou a portaria que libera emendas parlamentares que haviam sido bloqueadas, e que foi um dos pedidos dos parlamentares para destravar as votações do governo.

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Patricia Faermann

Jornalista, pós-graduada em Estudos Internacionais pela Universidade do Chile. Coordenadora de Projetos. Repórter e documentarista de Política, Justiça e América Latina do GGN desde 2013.

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Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

5 Comentários
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  1. Douglas da Mata

    11 de dezembro de 2024 6:17 pm

    Cada Joe Biden tem a Kamala Harris que merece.

    Não desejo o eclipse dessa era Lula desse modo.

    Com todos seus erros (não foram poucos) e seu acertos (não foram muitos) ele merece de afastar com saúde.

    Mas o fato é que Haddad é a pá de cal em qualquer chance de um retorno do PT ao campo progressista.

    Com Haddad vai ser mais fácil votar nulo em 2026.

    Lula tinha um apelo sentimental, uma trajetória, embora traída por ele mesmo, encantado com o papel que atribuiu a si mesmo de pelego do Brasil e do mundo, mas tinha.

    Era uma curiosidade estética da política chamada “popular”.

    Lula ja era, mesmo que fique até 2026.

    Que comecem os jogos.

    Alea jacta est.

  2. José de Almeida Bispo

    11 de dezembro de 2024 9:50 pm

    Votei em Haddad. E votarei novamente. Mas… se o paulista Alckmin já é pesado, o paulista Haddad é mais ainda. E o Brasil é mais importante que esquemas e vontades de petistas ou qualquer outros ‘istas’.

  3. José de Almeida Bispo

    11 de dezembro de 2024 9:51 pm

    (quaisquer outros)

  4. Morvan

    12 de dezembro de 2024 12:16 am

    São coisas bastante diferentes: a articulista comparou laranjas com peras. Haddad teve votação estupenda; basta dizer que precisou da “ex-machina” da facada para mudar a trajetória da eleição de 2018 (um dos filhos da pereba do cão, se não me engano o Car Luxo, chegou a comemorar, incontinenti, a facada, afinal, “acabara de ser eleito o Presidente do Brasil” (Sic!). Haddad é excelente!
    Mas aí vem a segunda parte da “comparação” da articulista: o problema é que, mesmo em Haddad sendo excelente, grifo do comentarista, Lula é fora de série (grifo idem)!
    Não dá, e ninguém, não só o PT não faria isso, para prescindir do Lula, que é mais do que uma agremiação. É o corolário de uma trajetória [linda, única] de um homem, totem, epônimo de uma era, de um povo, da resiliência deste. É por isso que o PT resiste tanto em superar Lula, enquanto este não sair de cena em definitivo. Lula é a esfinge e o El Cid do PT. Para o bem ou para o mal (dos que odeiam este país).

  5. Vladimir

    12 de dezembro de 2024 8:59 am

    O presidente Lula já deixou bem claro que somente se canditará a reeleição se for necessário para derrotar os golpistas,fascistas e milicos milicianos.
    Para quem não entendeu: O presidente Lula será candidato em 2026

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