Sugerido por Rui Daher
Da Folha
“Rolezinho” é tão invenção do PT quanto queijo suíço. Dilma e Zuckerberg tentam entender o fenômeno
Barbara Gancia
Quem está por trás dos “rolezinhos”? E quais as intenções? Até onde essa turma quer chegar? São perguntas que valem um milhão. Ou zilhão, dependendo do que acontecer daqui até a Copa.
No sábado, a Folha mandou esta datilógrafa que vos fala cobrir um “rolezinho” marcado para ocorrer no shopping JK. Agi de acordo com as instruções, mas, infelizmente, não tive a boa sorte de ver de perto uma das manifestações mais eletrizantes (!) do funk ostentação do verão 2014.
Sabendo que a polícia não ia aliviar e que os shoppings haviam pedido liminar à Justiça, a meninada cancelou a fuzarca. Paralelamente e, sendo este um país livre, a Uneafro (União de Núcleos para Educação Popular de Negros), resolveu organizar, por sua conta e com o apoio dos grupos estudantis e partidos de esquerda de sempre, um protesto chamando atenção para a violência usada contra a criançada nos “rolezinhos” anteriores.
Explico: nos “rolezinhos” nos shoppings Itaquera e Interlagos, em que aparentemente houve um “furto tentado”, 23 menores acabaram detidos sem que nenhum BO fosse lavrado. Soltos, eles seriam ouvidos novamente ontem no 66º DP e dispensados. O delegado chegou à conclusão de que não valia mais a pena perder tempo com a história.
Pois é, mas a Uneafro não concorda. Segundo a entidade, shoppings fechados, presunção de crime sem ocorrência, borracha em cima de criançada, há crime cometido, sim. Estamos falando de discriminação e constrangimento ilegal.
A manifestação que vi no sábado no JK não podia ser mais inócua. Mães com crianças no colo, senhoras do samba… Onde foi que o JK sentiu-se ameaçado?
Ah, mas no baile funk da Penha…! Sei. Só que o baile funk da Penha que virou arrastão não nasceu de “rolezinho”. Nasceu baile funk turbinado por destilado e droga. E acabou mal como sempre acabam. Era outra galera, outra idade. Os “rolezinhos” de que estamos falando –é de “rolezinhos” que todos estão falando, não?– esses não são infiltrados ou orquestrados por ninguém, garanto. Por quê? Ora, porque os participantes são alienados demais até para servir de massa de manobra.
Quer conhecer um “rolezeiro”? Olhe para o adolescente ao seu lado. O que você vê? Na maioria das vezes, um ser cujo único compromisso é com a ostentação, não? Então é ele. Ele é o rei do camarote da ZL, o cliente da Petrossian de Paraisópolis. Passa pela cabeça que tenha algo a ver com o PSTU ou MTST? Necas! Mais fácil se unir ao PMR, o “Partido Mulheres Ricas”.
Usar a internet para estudar? Nunca. Computador existe para acessar a rede e jogar joguinho. Depois do “rolezinho” é direto para o WhatsApp. Por que houve tanto “rolezinho” em janeiro? Férias, ora!
Não há ninguém por trás dos “rolezinhos”. O que há é “excesso de zelo” da polícia e de comerciantes vergonhosamente aflitos. Há também um desejo secreto por parte da sociedade de que uma limpeza étnica mágica varra a periferia e extermine seletivamente só o que incomoda. Como se fosse possível fazer sobrar só os pobres e pardos que estão aí para servir (manobristas, frentistas e garotos que carregam pacotes no supermercado entre eles). Aqueles que não representam uma ameaça. O resto a gente lima, corta a cabeça e joga no rio.
“Rolezinho” é tão invenção do PT quanto terá sido o queijo suíço. Dilma está tentando entendê-lo como fenômeno, Mark Zuckerberg e Slavoj Zizek também. Já houve “rolezinho” em Londres, Roma e em Frankfurt. Trata-se de uma excrecência criada pelo apelo irresistível do mercado de consumo. Você não aprendeu a conviver com o pentelho do Facebook? Pois então, se vira.
Alessandre de Argolo
24 de janeiro de 2014 2:09 pmNa origem, parece ser isso
Na origem, parece ser isso mesmo. Mas há desdobramentos políticos, que inclusive foram reconhecidos pela Barbara Gancia na matéria (o preconceito que gera a proibição é um deles).
jc.pompeu
24 de janeiro de 2014 2:20 pmbarbarizou!
barbarizou!
perfeita!
afeita!
eita!
tá!
á
´
.
Tamára Baranov
24 de janeiro de 2014 2:30 pmComo a PM define o ‘rolezinho’
rui vasques
24 de janeiro de 2014 2:35 pmRolezinho
Por que se falou na midia tanto sobre “rolezinho” em janeiro? Férias, ora!
leonidas
24 de janeiro de 2014 2:37 pmBarbara Gancia é uma
Barbara Gancia é uma tola
Mais um “jenio ” querendo dizer para a periferia que eles sabem melhor do que nós o que sao e o que querem os vagabundos que fazem os ” rolezinhos “…
robson_lopes
24 de janeiro de 2014 3:10 pmSão adolescentes mané!
São adolescentes mané! Vagabundos é outras história, pergunte ao FHC que ele tem um entendimento semelhante ao seu.
leonidas
24 de janeiro de 2014 4:25 pmSao adolescentes vagabundos
e
Sao adolescentes vagabundos
e vamos parar de romance que se esses tais irem para cima de sua propriedade seu discurso ridiculo muda de uma hora para outra ok?
E por favor eu entendo que uma mente limitida só veja e analisa tudo pelo aspectro PSDBxPT mas neste caso estamos falando de um mundo real nao o de seus delirios … rs
Bingo
24 de janeiro de 2014 2:57 pmTô adorando esta invasão da
Tô adorando esta invasão da periferia nos templos maiores do consumo.
A velha classe média se apavora,
a exclusividade acabou
Joel Miranda
24 de janeiro de 2014 3:00 pmRolezinho
Bárbara, na década de 50 eu já fazia rolezinho nas ruas de Salvador, na Liberdade, no entorno do colégio estadual em que estudava. Eu e muitos colegas saíamos correndo, em disparada, dribalando as pessoas que caminhavam pelos passeios e até os carros, nas ruas. O máximo que acontecia eram as tombadas e quedas, gozadas com muitas brincadeiras! Claro que tudo pode gerar, hoje em dia, violência e repressão, nada pior que os engarrafamentos!
Mas, aqui pra gente, existe muita gente besta, imaginando distúrbios, talvez, os afixionados dos jornais da lelevisão!
Obelix
24 de janeiro de 2014 3:04 pmDeixa eu ver se eu entendi.
Prezados e prezadas,
Eu concordo com o relato da moça. Até porque ela viu o que contou. A presunção é que esteja falando a verdade.
Mas eu posso discordar do discurso político anti-política que ela imprime.
Parece engraçado ler um monte de gente que não reconhece atos políticos ou movimentos sociais só porque eles não vêm embalados na roupagem clássica que eles estão acostumados a ver.
E como há um desespero para isolar qualquer movimento (juvenil), ainda que alienado (Marx já previu esta categoria há séculos), de um sentido político ou de um resultado político, no caso do texto, as ações de outros grupos que protestam contra a reação preconceituosa e classista dos que resistem aos rolezinhos, tratadas com indisfarçável sarcasmo.
Ora, ação policial destinada a perservação de espaços destinados ao público (mesmo que privados), motivada por sentenças judiciais e que se dirigem a um público específico com características de origem de classe e geográficas definidas é o quê?
Um nada político? Um raio? Um fenômeno casual e aleatório?
Confundir a ausência de um senso político direcionado dos garotos e garotas com a ausência de sentido político do evento é, me perdoem, uma tentativa de ampliar a alienação para além dos rolezeiros.
Destaco parte do texto:
“(…) O que há é “excesso de zelo” da polícia e de comerciantes vergonhosamente aflitos. Há também um desejo secreto por parte da sociedade de que uma limpeza étnica mágica varra a periferia e extermine seletivamente só o que incomoda. Como se fosse possível fazer sobrar só os pobres e pardos que estão aí para servir (manobristas, frentistas e garotos que carregam pacotes no supermercado entre eles). Aqueles que não representam uma ameaça. O resto a gente lima, corta a cabeça e joga no rio.”
Bom, se aqui não está uma descrição de um costume atávico da sociedade brasileira, e merecedor de toda atenção, embora os meninos e meninas em breve voltem para seus espaços “de confinamento” (escolas e suas periferias), eu não entendo mais nada mesmo.
O texto é engraçadinho. Nada mais que isto, talvez ainda mais vazio de sentido que os atores que descreve.
Mas não se pode esperar muita coisa de jornalistas mesmo, ainda mais, sendo a moça de onde é.
Juliano Santos
24 de janeiro de 2014 3:15 pmA Barbara Gancia deveria
A Barbara Gancia deveria substituir a Eliane Cantanhede como principal analista política da Folha. Dona Cantanhede pode ir para o caderno de arte&costura
robson_lopes
24 de janeiro de 2014 3:15 pmIsso não é novo, o problema é
Isso não é novo, o problema é que nunca paramos para observar o que acontece a nova volta. Isso sempre foi comum, natural, a diferença agora é que combinam no facebook, já tinha postado antes aqui, cansei de ver grandes grupos de jovens, da classe baixa, reunidos no shopping, juntos se sentem mais confortáveis naquele ambiente intimidador para eles, não ousam entrarem ali sozinho, no mínimo com um amigo.
Outro ponto, quando se é adolescente, e se está em grupo, são o rei da cocada preta, falam mais alto para chamar a atenção das meninas, fazem brincadeiras naturais para eles, que para a elite parece violência. Agora será que esse pessoal da elite já observou o comportamento dos seus filhos quando está em grupo? Podem apostar, é muito semelhante, muito barulho, confusão e brincadeiras violentas entre os meninos, nada mais normal, não fosse o bolso vazio, os trejeitos e a cor da pele. Bando de idiotas, nessa hora realmente da vergonha das pessoas daqui do Brasil.
tiao
24 de janeiro de 2014 3:55 pm” Barbara Gancia falou e
” Barbara Gancia falou e disse !!! “
Cristiana Castro
24 de janeiro de 2014 9:47 pmRolezinho é bem isso aí mesmo
Rolezinho é bem isso aí mesmo que a autora descreveu….