4 de junho de 2026

Serra, o anti-inovador

 

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Quando terminou o governo FHC, muitos quadros técnicos ficaram disponíveis para outros governos tucanos. Nenhum deles tão capacitado quanto o grupo de tecnologia e inovação, tanto os que foram para Brasília quanto os que ficaram por aqui, em instituições de ponta como Unicamp, USP e Fapesp.

Não foram aproveitados no governo Alckmin por absoluto desconhecimento do governador sobre temas contemporâneos.

Quando José Serra entrou, julguei que estava a caminho uma revolução, capaz de transformar São Paulo em um centro de inovação global. Afinal, há por aqui as melhores instituições de pesqiusa, os melhores laboratórios de empresas, os melhores centros acadêmicos. E alguns dos melhores quadros das áreas de ciência, tecnologia e inovação. Grande parte dos quadros eram egressos da Unicamp e, até então, serristas entusiasmados – iludidos pela suposta visão desenvolvimentista e pelo falso pique gerencial de Serra.

Governador, Serra não moveu uma palha em favor da inovação e da tecnologia. Creio que sua única contribuição foi a indicação do presidente do IPT.

Certa vez gravei um Brasilianas. Dentre os convidados, um desses lutadores pela inovação, até algum tempom antes serrista histórico. No intervalo, indaguei dele:

– E aí, quando Serra vai começar a revolução pela inovação em São Paulo?

E ele, desanimado:

– Nunca. O homem detesta universidade.

Por Alan Souza

Da Folha

Falando na eleição paulistana, Serra acha que mudando a embalagem ele consegue esconder o conteúdo…

10/06/2012 – 10h11Serra inova no guarda-roupa e mostra preocupação com imagem

DANIELA LIMA
DE SÃO PAULO

Há cerca de um mês e meio, o pré-candidato do PSDB à Prefeitura de São Paulo, José Serra, decidiu ir às compras. Desembarcou nas lojas do bairro dos Jardins e voltou para casa com quatro calças novas, algumas camisas e a ideia de modernizar o visual.

Aos 70 anos, Serra é o mais velho dos candidatos a prefeito da capital. Seu principal adversário, o petista Fernando Haddad, tem 49 anos de idade e procura realçar a diferença ao se apresentar aos eleitores. “Um homem novo para um tempo novo”, diz o slogan de sua campanha.

Para combater a ideia de que seria o representante da velha política na campanha deste ano, Serra introduziu em seus discursos a palavra “inovação”, que, segundo ele, é a marca que deixou em todos os cargos que ocupou.

“Os genéricos foram, ao seu tempo, uma inovação no Ministério da Saúde”, disse num evento recente de sua campanha, referindo-se ao período em que comandou o ministério, de 1998 a 2002.

Agora, Serra decidiu levar a inovação também para o guarda-roupas. O pré-candidato tem vestido peças diferentes das que usou na eleição presidencial de 2010.

Ele abandonou a combinação usual de calça caqui com camisa azul e tem aparecido em público vestindo jeans, camisa branca e sapatênis. Na última edição da Virada Cultural, evento que atrai público majoritariamente jovem, completou o visual com uma jaqueta preta de zíper.

Assessores do tucano negam que sua equipe de marketing tenha contribuído para que isso ocorresse e dizem que qualquer tentativa de mudar radicalmente a imagem do candidato seria vista pelos eleitores como falsa.

Mas o próprio Serra tem demonstrado preocupação com o rejuvenescimento de sua imagem. Na semana em que foram ao ar os primeiros comerciais do PSDB em que ele apareceu neste ano, o candidato disse ter ficado satisfeito com o resultado. “Minha tia me telefonou e disse que eu estou uma criança no vídeo”, contou num evento.

Há poucos dias, ele decidiu trocar os óculos por um modelo mais moderno. Os amigos procuram ajudar também. O ex-secretário de Cultura Andrea Matarazzo deu camisas novas de presente.

O governador Geraldo Alckmin deu apoio moral. Há uma semana, em evento da juventude do PSDB, ele disse que o mundo mudou: “Antes, a pessoa com 70 anos era idosa. Hoje, é um brotinho”.

(http://folha.com/no1102418)

 

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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