Tecnologias e mudanças climáticas aceleram desigualdades do mundo, conclui novo relatório da ONU

'Pessoas com capacidades avançadas se beneficiam mais dos progressos tecnológicos, e isso pode lançar os ricos ainda mais à frente no futuro', aponta organização

Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

Jornal GGN – A mudança climática e aceleração tecnológica aumentam os desafios para a superação das desigualdades sociais, não se resumindo agora apenas às questões ligadas a concentração de riqueza e renda. A avaliação está no Relatório de Desenvolvimento Humano de 2019, divulgado nesta segunda-feira (9) pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud).

Basicamente, o que a Pnud observa é que as estruturas de ciência, tecnologia e inovação se tornaram novos focos de desigualdades sociais. “A primeira mensagem-chave deste relatório é que ele fala sobre desigualdades emergentes e aspirações de pessoas que esperam viver vidas dignas no século 21. Isso se reflete no que estamos chamando de ‘nova geração de desigualdades’”, pontuou Pedro Conceição, diretor de Desenvolvimento Humano da ONU.

“À sombra da crise climática e da mudança tecnológica abrangente, as desigualdades no desenvolvimento humano estão assumindo novas formas”, diz um trecho do relatório publicado hoje.

“A crise climática já está afetando os mais pobres mais duramente, e os avanços tecnológicos, como o aprendizado das máquinas e a inteligência artificial, podem deixar para trás grupos inteiros de pessoas, até países”, prossegue a entidade no texto completando que o crescimento dessas desigualdades poderá ser “extremamente perigoso e altamente volátil”, no sentido de criar condições para novas convulsões sociais a semelhança do que vem ocorrendo em Hong Kong, Iraque, Irã, Líbano, Chile, Bolívia e Venezuela.

Em entrevista à Thompson Reuters Foundatin, o administrador da Pnud, Achim Steiner completou: “Nos países ricos e emergentes, e também nos países em desenvolvimento onde uma classe média emergiu, suas reações são cada vez mais violentas. Se não forem administradas bem e praticamente, elas se manifestam essencialmente no que vemos no noticiário noturno – carros em chamas, edifícios em chamas, infraestrutura em chamas, milhões de pessoas nas ruas protestando e depondo governos”.

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O relatório do Pnud destaca, por exemplo, que a proporção de população adulta com ensino superior nos países com desenvolvimento humano muito alto está crescendo seis vezes mais do que em países com baixo desenvolvimento humano.

As assinaturas de banda larga, por sua vez, cresceu 15 vezes mais rápido nos países com alto índices de desenvolvimento humano, enquanto nos países de baixo desenvolvimento o serviço não atende 1% da população.

Nos países mais atrasados, o índice de assinatura de telefonia móvel é de 67 por 100 habitantes – metade do número em países com desenvolvimento humano elevado.

A organização observa, portanto, que os avanços tecnológicos não estão favorecendo a sociedade igualitariamente, pelo contrário: “pessoas com capacidades avançadas se beneficiam mais dos progressos tecnológicos, e isso pode lançar os ricos ainda mais à frente no futuro”, diz release sobre o estudo publicado no portal das Nações Unidas em português.

“O Relatório de Desenvolvimento Humano de 2019 faz um chamado para a ação e recomenda políticas públicas que podem apoiar os governos de todo o mundo no combate às novas e variadas formas de desigualdade, para além da renda”, completa a nota.

Saídas

A organização sugere três medidas para atacar as desigualdades. A primeira são as políticas antitrustes, que “auxiliam os países a progredir em equidade e eficiência ao mesmo tempo”. “Elas restringem a capacidade das empresas, nivelando o campo de atuação e aumentando a eficiência, e levam a resultados mais equitativos, reduzindo a concentração da renda”, completa a organização.

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O Pnud sugere ainda o fortalecimento de arcabouço regulatório para garantir o funcionamento do mercado concorrencial. “Tais medidas contribuem para a redução da pobreza e para impulsionar o crescimento e a produtividade”, observam

Por último, foco na promoção do desenvolvimento na primeira infância, que “tem papel importante para garantir boas condições de partida, logo nos primeiros anos de vida das pessoas”.

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