10 de junho de 2026

Tensões com EUA estreitam laços entre China e Brasil

Em conversa telefônica, Lula e Xi Jinping enfatizam disposição em promover aliança simbólica como exemplo de autossuficiência
Foto: Ricardo Stuckert/PR

Os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (Brasil) e Xi Jinping (China) discutiram a atual conjuntura internacional, a defesa do multilateralismo – em especial no papel do G20 e do BRICS – e os esforços pela paz entre Rússia e Ucrânia.

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A ligação durou cerca de uma hora e foi feita a pedido do presidente Lula. Entre outros pontos, a conversa destacou a parceria estratégica bilateral entre Brasil e China, com avanços já alcançados e compromisso em ampliar cooperação em setores como saúde, petróleo e gás, economia digital e satélites.

Pelo lado chinês, Xi Jinping destacou que a China está pronta para trabalhar com o Brasil para estabelecer um exemplo de unidade e autossuficiência entre os países do Sul Global, uma vez que a relação Brasil-China é vista como no melhor momento histórico, com avanços na cooperação e no alinhamento estratégico.

O presidente chinês também reafirmou apoio ao povo brasileiro na defesa de sua soberania nacional e convocou os países a se unirem contra o unilateralismo e o protecionismo – o que pode ser visto como uma crítica indireta, mas clara, às medidas unilaterais como o “tarifaço” imposto pelos Estados Unidos aos produtos brasileiros.

Xi Jinping indicou que a China estará representada por uma delegação de alto nível na COP30, que ocorrerá em Belém, e que colaborará com o Brasil para o sucesso da conferência.

Reafirmação estratégica

Pode-se dizer que o apoio de Xi Jinping à soberania brasileira como uma reafirmação estratégica e significativa em meio às tensões comerciais e políticas com os Estados Unidos.

A oposição ao unilateralismo e ao protecionismo, mencionada por Xi, foi interpretada como uma crítica direta às políticas restritivas dos EUA, e a declaração foi vista como um gesto de solidariedade e um convite para união dos países do Sul Global contra essas práticas.

O apoio chinês foi também interpretado como alinhamento político em torno da defesa do multilateralismo e do papel do BRICS como plataforma para proteger os interesses dos países em desenvolvimento.

Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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