Ciro Gomes (PDT) disse, em diversas ocasiões, que se sente “traído” no Ceará, seu estado e berço político. Apesar de não admitido pelo partido, a debandada do apoio foi vista amplamente entre candidatos a deputados federais e estaduais e também admitida pelo irmão, Ivo Gomes.
O pedetista e irmão mais novo de Ciro, que é o prefeito de Sobral, município do Ceará e berço da família, fez ataques públicos nas redes sociais contra a chapa PDT-PSD ao governo do Estado, que lança Roberto Cláudio (PDT).
Ivo disse que o canditado a governador e seu vice, além de outros candidatos do PSD, como Érika Amorim, ao Senado, e o presidente do PDT no Ceará, André Figueiredo, não declararam voto e apoio explícito a Ciro Gomes para a Presidência, durante as suas respectivas campanhas eleitorais.
Democracia é coisa frágil. Defendê-la requer um jornalismo corajoso e contundente. Junte-se a nós: www.catarse.me/jornalggn
Na publicação Ivo também usou imagens do seu irmão, o senador Cid Gomes. O indicativo de ruptura dentro da própria família vem sendo interpretado com as reincidentes declarações de “facada nas costas” de Ciro Gomes sobre o apoio no Ceará.
Os políticos negam que não declararam apoio a Ciro, mas as movimentações e imagens das campanhas revelam que, quando há, o apoio é sutil e discreto.
O candidato à Presidência pelo PDT chegou a desistir de agenda no seu estado, alegando a “traição”.
Ruptura começou com o PT de Izolda Cela
Nos bastidores dessa ruptura, que envolve também a insistência de Ciro Gomes permanecer na disputa presidencial, sem chances, para não apoiar o candidato progressista Lula, há nomes como o de Izolda Cela.
A atual governadora buscava a reeleição no Ceará pelo PT, mas foi Ciro Gomes quem deu a palavra final para lança o ex-prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio, na disputa.
Izolda Cela não foi somente a governadora da aliança PT-PDT no Estado, como também uma das principais responsáveis pela melhora no ensino público no Ceará, que hoje Ciro Gomes se apropria do crédito nos seus discursos.
Isso porque Cela foi a mente por trás da melhoria na educação, quando atuou na Secretaria de Educação de Sobral, em 2001, criando um projeto que pelo seu desempenho foi replicado em 48 municípios de 11 estados brasileiros.
O logro é usado reiteradamente por Ciro Gomes em sua campanha à Presidência. Mas ele sequer estava no Brasil quando Izolda implementou o modelo, a convite de Ivo Gomes na Secretaria de Educação. Na reportagem “A educadora que Ciro Gomes esqueceu“, a Piauí resgata a história e a ruptura de ambos.
Deixe um comentário