Xadrez do Brasil na grande batalha da globalização, por Luis Nassif

O que estará em jogo em 2022 não será um provável 3º governo Lula, mas o desafio de manter o Brasil como Nação

É importante entender a dimensão do jogo político envolvido nas próximas eleições.

O Brasil está no epicentro de uma disputa política mundial, conduzida, de um lado, por uma coalizão de oligarcas, que denominaremos aqui, genericamente, de globalismo; do outro, pelos instrumentos civilizatórios do período anterior, órgãos multilaterais, instituições de Estado e movimentos de direitos humanos que a ultradireita internacional batizou de globalismo de esquerda..

Vamos por partes.

Etapa 1 da financeirização

Iniciada nos anos 70, o longo período da financeirização mundial repetiu, com impressionante semelhança, o ocorrido um século antes.

Primeiro, houve o advento de novas teorias econômicas, propondo a desregulamentação de mercados e o livre fluxo de capitais. Em ambos os casos, a teoria vendia falsas promessas: a de que, tratando bem o capital, ele transbordaria dos grandes centros para a periferia, trazendo prosperidade geral.

Desde o início da financeirização – nos anos 70 -, desregulamentação de mercados, controle das autoridades monetárias pelo mercado, novas tecnologias, bolhas especulativas permitiram enorme concentração da riqueza e perspectivas de grandes negócios com serviços públicos.

No século 19, esses negócios se concentravam nas ferrovias, navegação, iluminação pública. No século 21, nas grandes privatizações e na exploração dos mercados de energia, saúde e seguridade. E, em ambos os casos, uma ampla corrupção dos atores públicos, partidos políticos, Executivo e Judiciário, como sucedeu com o próprio Rui Barbosa, primeiro Ministro da Fazenda da República.

Na primeira fase, o discurso neoliberal tornou-se hegemônico, facilitando o trabalho de desmonte dos Estados de bem estar social, e provocando a explosão de grandes bolhas especulativas.

O passo seguinte foi a aliança global das oligarquias de vários países, alavancadas pelo sistema financeiro internacional. E, internamente, os capitais nacionais associados às grandes bancas globais. 

As pontas de lança do discurso neoliberal

Recomendo a leitura do livro “Democracia na Periferia Capitalista”, do cientista político Luiz Felipe Miguel. Ele traça um bom roteiro das diversas interpretações sobre a crise das democracias depois de 2008.

As ideologias se constroem assim:

  1. De início, teorias destinadas a dar substância teórica aos interesses do capital. Esse movimento se dá cooptando acadêmicos e usando a mídia para invisibilizar a crítica.
  2. A partir daí, um conjunto de bordões que entram no dia-a-dia da mídia e passam a ser utilizados corriqueiramente por jornalistas ou acadêmicos propagandistas, infiltrando-se por todos os poros da opinião pública.

Alguns deles:

  • A retirada de direitos tornará a economia mais eficiente e, com isso, todos ganham, inclusive os que perderam os direitos.
  • Em qualquer hipótese, uma empresa privada é superior à empresa pública. Nem se cuida de analisar características e objetivos de cada uma.
  • Toda medida que beneficia o mercado é virtuosa. Jamais analisam externalidades negativas ou positivas.
  • Qualquer medida em benefício da população é populismo ou é “medida eleitoreira”.
  • Há um desprezo por qualquer gestor que não pertença aos círculos do mercado, como se a política exigisse personagens iluminados e como se as medidas em favor do mercado obedecessem a princípios científicos.
  • A análise de desempenho de empresas públicas fica restrita à sua capacidade de distribuir dividendos aos acionistas, ignorando por completo seus compromissos sociais, de atendimento a metas, interesses nacionais e de reinvestimento.
  • Uma empresa que não reinveste lucro tem resultados melhores no balanço imediato, e compromete o futuro. Por aqui, quanto maior a distribuição de dividendos, menor a parcela de investimentos e maior o saque contra o futuro da própria empresa Mesmo assim, recebe os maiores elogios da mídia.
  • Se a “lição de casa” não produziu resultados, é porque foi insuficiente. Tem que radicalizar, inclusive para não jogar fora os sacrifícios já incorridos.

Etapa 2 da financeirização

A crise de 2008 representou o fim do modelo das democracias liberais com sua receita de bolo: um discurso ideológico consolidado, o desmonte dos Estados nacionais contra qualquer forma de direitos sociais. Com a crise, o jogo muda, cai o mote do eficientismo, deixando um legado de concentração de renda, de grandes tragédias migratórias. 

E também oligarcas, os bilionários que passam a se articular para a preservação do seu poder mundial. No caso russo e ucraniano, bilionários mais rústicos; nos países ocidentais, bilionários mais refinados misturados com Véios da Havan da vida. Mas todos, igualmente, oligarcas.

Análise-se o caso brasileiro.

Jorge Paulo Lemann, dono de fundações de estímulo à educação e de renovação política. No governo FHC conseguiu o controle do mercado de cervejas, graças a um voto indecente de Gesner de Oliveira, presidente do CADE (Conselho Administrativo de Direito Econômico). No primeiro governo Lula, assumiu a Cemar (Centrais Elétricas do Maranhão), em uma manobra que nada ficava a dever a um oligarca russo. Agora, atua para privatizar a Eletrobras por valor ínfimo. Não despendeu um tostão na capitalização da empresa. Mas a mera privatização multiplicará por várias vezes o valor da sua participação.

Em uma das eleições, colocou um economista de confiança como assessor econômico do candidato Ciro Gomes, como condição para dar seu apoio. Tempos depois, colocou o assessor trabalhando diretamente com Antonio Pallocci, no governo Lula.

Daniel Dantas – graças ao apoio do governo Fernando Henrique Cardoso e cooptação de dirigentes de fundos de pensão, logrou o controle de várias estatais de telefonia privatizadas, sem precisar aportar capital. Depois disso, investiu em serviços públicos no Rio de Janeiro, em clubes de futebol e em fazendas na Amazônia.

André Esteves – no período Lula, participou de inúmeros empreendimentos gigantescos, como o Sete Brasil. Recentemente, venceu uma licitação viciada para a Zona Azul de São Paulo, levando de graça uma base de dados de 3,5 milhões de cartões de crédito.

Colocou um homem seu no BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) e outro no Ministério da Economia. Paulo Guedes foi flagrado em uma live com um terminal da Bloomberg em sua sala, próprio para operações no mercado.

Sem contar os fora de linha, como Luciano Hang, o dono do Madero e outros, associados ao submundo empresarial da China.

Desde a crise de 2008, essa articulação de bilionários passou a buscar novas formas de garantir politicamente seus ganhos.

Etapa 3 – os pactos antidemocráticos

A ofensiva antidemocrática juntou globalmente dois grupos distintos: os oligarcas e a ultradireita.

Do lado dos oligarcas, montou-se a aliança tradicional que inclui a OCDE e o Departamento de Estado americano e, internamente, grupos de mídia nacionais.

Uma comparação da história recente da Ucrânia e do Brasil fornece  paralelos interessantes. Confira no artigo “Xadrez de Zelensky, o heróico comediante inventado pela mídia”.

Em ambos os casos, houve uma orquestração de impeachment atendendo a interesses globalistas.

Os EUA já tinham utilizado o poder do dólar como ferramenta geoeconômica, quando conseguiu impor à OCDE o primado da jurisdição americana sobre qualquer ato de corrupção que, de alguma maneira, fosse em dólares.

Em seguida, a OCDE lançou a campanha “no corruption”, que influenciou imediatamente o Ministério Público Federal brasileiro e passou a montar parcerias com países emergentes, visando impor a lógica americana nos judiciários locais. Os episódios mais ostensivos foram a Lava Jato, no Brasil, e a intervenção na Ucrânia em 2014. No caso da Ucrânia, a OCDE e o Departamento de Justiça dos EUA garantiram até prerrogativa de nomear juízes e ministros.

Na Ucrânia, o golpe foi precipitado por decisões pró-Rússia de um governo eleito; no Brasil, pela resistência da presidente em aderir ao “Ponte para o Futuro”, uma pauta globalista.

Em ambos os países, a mobilização popular contra o governo ocorreu com a participação direta das maiores redes de televisão. No caso do Brasil, a parceria com os oligarcas da Globo. Em troca, a Globo garantiu blindagem nas investigações que aconteciam nos EUA sobre a corrupção na FIFA, que tinha sua participação direta na compra de campeonatos. Uma das delações-chave foi a de J.Hawilla, principal parceiro da emissora na corrupção da FIFA e da CBF. Mesmo assim, o grupo saiu ileso.

Na Ucrânia, o principal promotor das manifestações foi uma rede de emissoras do oligarca Ihor Kolomoisky.

Em ambos os países, na fase inicial a transição política foi conduzida por políticos impopulares e mal-afamados, Michel Temer no Brasil, Petro Poroshenko na Ucrânia.

No momento seguinte, houve um processo de construção de “mitos” – Zelensky na Ucrânia, através da rede de emissoras de Kolomoisky – que simultaneamente financiou o grupo neonazista Batalhão Azov. Bolsonaro no Brasil – valendo-se das redes formais e das redes sociais.

Do lado da ultra direita houve a utilização intensiva das redes sociais e a constituição de milícias armadas de apoio direto aos presidentes.

Nos dois casos – Ucrânia e Brasil – o legado ultraliberal resultou no desmonte dos estados nacionais, queda significativa do PIB, manutenção de níveis elevados de corrupção.

Etapa 4 – a volta dos pactos regionais

Nos últimos anos, dois grandes eventos expuseram definitivamente o legado deletério do globalismo neoliberal: a pandemia do Covid-19 e o conflito Rússia-OTAN, seguido das sanções econômicas adotadas pelos Estados Unidos contra a Rússia.

A pandemia acelerou a desestruturação das cadeias globais de produção, trouxe de volta o conceito de segurança econômica nacional e jogaram em primeiro plano a questão da fome e da miséria. Já as sanções econômicas trouxeram um risco adicional para a manutenção do dólar como moeda global. 

A consequência imediata será o fortalecimento dos pactos regionais. Com Lula, provavelmente haverá uma radicalização dos acordos econômicos e monetários com vizinhos da América do Sul; um fortalecimento dos BRICs; da IIRSA (Iniciativa para a Integração da Infraestrutura Regional Sul-Americana), a Cooperação Andina de Fomento. E, agora, a partir da sugestão de Fernando Haddad, a criação de uma moeda sul-americana, passo mais importante para a integração do continente.

Etapa 5 – Brasil no epicentro da maior batalha global

A partir de agora, desenrola-se a, provavelmente, mais importante batalha mundial do ultraliberalismo. De um lado o liberalismo destruidor de estados e de direito. Do outro, a social-democracia redesenhada  – formada pela social-democracia europeia e países da América Latina – empenhada na reconstrução dos estados nacionais e das instituições multilaterais.

Logo após a derrota de Donald Trump, Valeria Huber, uma espécie de Damares de Trump, enviou e-mail para todos os colaboradores despedindo-se e informando que “o Brasil, gentilmente, ofereceu de servir agora como coordenador dessa coalizão histórica”, a agenda ultra-conservadora de Trump.  Antes dela, Steve Bannon – o guru da ultra-direita, já havia apontado Lula como o “o maior ídolo da esquerda globalista mundial”. 

Eleito Lula, haverá a necessidade de um pacto nacional onde não mais haverá o ganha-ganha dos dois primeiros governos. Será uma batalha titânica, sem espaços de mediação. 

Não há uma instituição em condições de ancorar a transição.

A cobertura da guerra mostrou uma mídia brasileira que não absorveu em nada as lições da cobertura da Lava Jato. O período do jornalismo de esgoto afetou radicalmente uma geração inteira de chefes de redação. A renovação será lenta – se houver.

No plano político-partidário, nem a criação do instituto da federação de partidos logrou homogeneizar os projetos de país.

Lava Jato e impeachment contaminaram todos os poderes nacionais. No Judiciário há até questionamento de decisões do STF por tribunais relevantes, como o Tribunal de Justiça de São Paulo. O modelo de indicação de desembargadores impede completamente a renovação nos principais tribunais, submetidos a cartas marcadas que eternizam estruturas herdadas do período ditatorial.

Nas Forças Armadas, currículos dos tempos da ditadura, e jamais renovados, eternizaram gerações de militares sem nenhuma informação sobre as mudanças globais, ainda presos à guerra fria e à noção de defesa do “mundo livre”. E, agora, parte deles contaminada pela possibilidade de negócios abertos pela invasão da área pública por militares negociantes.

Ao mesmo tempo, o vírus do ultraliberalismo continua arraigado na opinião pública.

Paradoxalmente, toda essa dificuldade será o fator de aglutinação da renovação. O que estará em jogo não será um provável terceiro governo Lula, mas o próprio desafio de manter o Brasil como nação.

21 Comentários

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José Américo

- 2022-04-06 11:50:21

Excelente análise. Poderia desenvolver mais o assunto das forças armadas brasileiras sem estudos, sem atualização e ainda presas à guerra-fria contra o comunismo.

AMBAR

- 2022-04-05 18:48:25

Ao Renato Cubas Caríssimo, um povo é um conjunto de pessoas com propósitos semelhantes, num mesmo espaço e com grande ânimo para que seus anseios se materializem. Sejam esses anseios materiais, sejam imateriais. Mais que uma torcida num momento, um povo pensa junto a sua sobrevivência. Quando um povo escolhe seus líderes, leva consigo o desejo de que esse lider cumpra as aspirações desse povo. Se você não gosta de um lider não deve confiar suas aspirações nele, pois que por mais que ele faça, ele nunca vai satisfaze-lo. Ele não é o seu escolhido. Faça um favor a você mesmo não votando em quem você não gosta e não confia. Dê a si esse testemunho de honestidade e não tire a confiança de quem realmente escolhe e espera de seu lider a realização de seus desejos. Votar é obrigação formal. Ninguém é obrigado a votar em quem não gosta. Mais uma coisa: Se você não puder falar bem de alguém que você não gosta, fique calado. Pelo menos você não erra.

Renato Cubas

- 2022-04-04 20:13:39

Eu nunca gostei do Lula, menos ainda eu gostei do PT, porque é e sempre foi um partido stalinista, desde que nasceu em 1982 - eu vi -, mas assim com em 2018 eu saí pra rua distribuindo santinhos do Fernando Haddad no segundo turno - tinha votado em Geraldo Alckmin no primeiro turno -, faço agora campanha pelo Lula, porque do outro lado é uma tragédia nacional. Elege Lula será o primeiro milagre, sustentar seu governo será o segundo milagre, até 2026. Não espero e não desejo mais do que isso. Bolsonaro foi um momento da sociedade brasileira na história. Eu jamais acreditei nesses demônios fabricados pela esquerda: Lava-Jato, Luiz Roberto Barroso, "mídia golpista" etc, entre tantas outras histórias de bicho papão que estamos aturando desde 2014. A derrocada do PT aconteceu por uma soma enorme de fatores; não fosse Sergio Moro, seria outro e o fim seria o mesmo. Lula sempre foi o que é e o PT sempre foi o que é, não adianta nada odiar algo ou alguém porque são o que são. A questão é a mesma faz 20 anos: por quê não há centro político no Brasil? Para quê servem 30 partidos? Mas tudo isso é secundário, porque ficou claro que só Lula tem força para tirar Bolsonaro. Então paciência, que seja esse demagogo vulgar e mentiroso.

José Carvalho

- 2022-04-04 17:04:15

A reconstrução do BRASIL como nação passa por um novo pacto político/institucional. O País vive uma continuada crise política e institucional desde o impeachment de DILMA ROUSSEFF. À partir daquele episódio, um permanente desfazimento das instituições republicanas foi iniciado, com a desmoralização intra por parte dos ocupantes dessas instituições. A quebra do pacto de perenidade, tão importante quanto a do próprio ESTADO, ocorrida, permanece como um cadáver insepulcro nas mentes e consciências. Um processo de irreverência e insubmissão entre os poderes e instituições; no Estado, na política, nas organizações privadas se instalou no País. O descrédito das submissões jurídicas que envolvem todas as relações institucionais dentro da sociedade brasileira. A normalidade quebrada num lugar onde já não havia estabilidade e segurança jurídicas, agravou-se. Tudo e todos desrespeitam de uma forma ou outra as regras. Há uma instabilidade com desconfiança geral. Executivo, Legislativo e Judiciário praticam uma queda de braço em torno de muitos e vários tipos de assuntos. Essa desconfiguração das relações internas do País, deve influenciar externamente tudo que se pensa e espera dele. Se o próprio BRASIL não se respeita institucionalmente (todas as relações regráveis que envolvem subordinação); qual confiança é oferecida? É preciso reconhecer a ruptura, e o quanto isso está afetando e influenciando negativamente toda segurança regida por essas indissociáveis partes. Até mesmo as fake news são reflexos, ao menos o exagero no uso insistente delas, desse estado de coisas. Existe um cadáver na sala e todos fingem que não está lá, ou que ainda não entenderam o que está acontecendo.

Marcelo.j

- 2022-04-04 16:52:23

ESSE MODELO ECONÔMICO EFETIVADO PELO GUEDES TÁ MARAVILHOSO,É UMA BALANÇA QUEBRADA DE 100 POR 1,UMA VERDADEIRA PONTE PARA O FUTURO(DA HUMANIDADE,DESGRAÇAS,FOME, MISÉRIA,ESCRAVIDÃO, EXPLORAÇÃO E DESINFORMAÇÃO)FAKE NEWS?Q BICHO É ESSE?É DE COMER?

Eduardo Pereira

- 2022-04-04 14:32:08

Análise corretíssima. Minha esperança esta na juventude. Se tirarem o título e forem pras urnas com vontade, Lula pode levar no 1º turno e não deixar dúvida ou portas abertas pra quem nunca vai aceitar a derrota eminente.

LidiaZ

- 2022-04-04 11:30:54

Nassif o, imprescindível. Uma explicação sintética e clara; ajuda entender onde estamos. Está entrevista, penso que ajuda também, sem ser sintética. https://thesaker.is/events-like-these-only-happen-once-every

José Carlos de Assis

- 2022-04-04 09:30:32

Muito muito esclarecedora suas informações para nos ajudar a ter uma melhor visão do fato político no nosso Brasil. Parabéns

Tropicália

- 2022-04-04 08:32:48

Na mensagem de Pessoa, Dom Sebastião cai no areal e Portugal, nação e Estado pré moderno mais poderoso da Europa desaparece. Caetano e os tropicalistas viam Sebastião, o rei virgem, protótipo de Jesus, acordando nos chapadões do Brasil debaixo de aviões ao som de a banda e Carmem Miranda. Nessa terra, em se plantando tudo dá, qualquer moda estrangeira brota aqui. Um imenso corpo, gigantesco, com uma pequena cabeça de propriedade de um colecionador argentino. Pedro II, Getúlio Vargas e ainda Lula. A Nação se formou depois do Estado em 1808 com a transferência da corte de D. João VI. Lá pelos anos 30 do oitocentos. As dores do parto foi na Abolição, o maior movimento de massas, esquecido de nossa história. A Gênesis da nação brasileira foi Os Sertões de Euclides da Cunha (jornalista, historiador ou escritor?), segundo o monarquista Nabuco, futuro embaixador nos EUA. Enquanto a nação não trocar a religião, não há risco. Difícil imaginar um Brasil protestante unido. Então que católicos se tornem protestantes e protestantes se tornem catolicos, pois o pastor desse rebanho é um só. A Nação continua. O Estado não sei.

Marcelo.j

- 2022-04-04 07:54:12

TENHO DÓ DOS EMPRESÁRIOS BRASILEIROS,SE PAGASSEM NENHUM IMPOSTO NO DICIONÁRIO GUEDIADO NEOLIBERAL O PAÍS GERARIA UNS TRILHÕES DE EMPREGOS, NÃO PODEMOS INTERFERIR NO LIVRE DIREITO DE LUCRO EXORBITANTE/EXCEPCIONAL E BEM ACIMA DA MÉDIA MUNDIAL DO MERCADO !!!

José de Almeida Bispo

- 2022-04-03 20:42:06

Depois de 2010, reiteradamente afirmei que "Deus nos livre de Lula precisar voltar". Infelizmente veio o pior: Lula como única saída para o inferno que os "oligarcas" (denominação perfeita!) nos meteram. Vai ser muito, mas muito difícil. Quase impossível.

Paulo Dantas

- 2022-04-03 20:16:47

"mas o próprio desafio de manter o Brasil como nação" achei a frase muito exagerada mas aí lembro de acontecimentos correntes ...

Luis Nassif

- 2022-04-03 19:50:47

Vamos atrás.

jossimar

- 2022-04-03 18:24:49

Se depender dos brasileiros para salvar o país pode esquecer Nassif. Este povo é burro demais para isso. Para minha tristeza, acredito que o Bozo será eleito pelo povo, porque a maior parte do povo é exatamente igual ao bozo: um jumento em pele de gente.

Moacir R. de Pontes

- 2022-04-03 17:33:31

Todos os profetas erraram em prever acontecimentos, mas alguns quase-profetas conseguiram desvelar tendências históricas bem alicerçadas na história humana.

Almeid

- 2022-04-03 17:20:35

A "biografia "exemplar" para outras futuras materias e que nem no CamaraF é respeitado Existem copia e cola e existem omissões! E não apenas neste partido. https://www.pdt.org.br/index.php/manato-assume-diretorio-municipal-do-12/ https://www.camara.leg.br/deputados/74163/biografia

Almeid

- 2022-04-03 17:02:55

Nassif, que tal tratar do xadrez no Brasil, não tirando mérito da matéria ! ? Antes, vc e equipe poderiam levantar os prefeitos que sairam para concorrer (se no primeiro ou segundo governo)e quem são? (´somente existem noticias de governadores), quero saber as cidades... Esta falta de informação sobre dá margem para pensar . Que cidades vão perder o voto dado? Minha intenção é ver quem está saindo depois de eleito em 2020, quem saiu em 2016 tb foi "esquecido" pela midia.

AMBAR

- 2022-04-03 15:35:26

Lula veio, viu e venceu. Sobreviveu e sobrevirá aos que lhe impuseram obstáculos. Se quando presidente Lula foi o único a conseguir aparelhar o estado em favor do cidadão, com a lição aprendida saberá aparelhar o estado também em seu favor, fortalecendo a administração pública e consolidando o seu poder, de modo a garantir um futuro para o país enquanto nação soberana. Lula está cansado, cercado de marginais políticos interesseiros , ainda que seu sustento moral conte com pessoas e políticos confiáveis. As circunstâncias, entretanto pesam em seu favor. É tempo de mudança e Lula, enquanto estadista, saberá angariar apoios incontestáveis na nova configuração do mundo. Um apelo ao GGN: por favor, mudem a fonte de escrita do blog. Essa "times new roman" é extremamente cansativa aos olhos.

Antonio Uchoa Neto

- 2022-04-03 15:04:00

Manter o Brasil como nação, ou CRIAR o Brasil como nação? A última NAÇÃO a “surgir” no mundo foram os Estados Unidos da América do Norte. Que se mantiveram isolados - de caso pensado, ou não - até que a Europa, incessantemente mordendo o próprio rabo como uma serpente, se afundava melancolicamente, em datas marcantes, 1885 ( Conferência de Berlim), 1914, 1917, 1918...até a debacle final, em 1945. Nosso destino, como Nação, ficou em hiato - aguardando os despojos do sistema colonial, previsível, mas que só se concretizou no pós-1945. Com mais de um século de independência, nos juntamos ao espólio da África, da Ásia, etc. A Índia, em 1948, China, em 1949, e a paulatina “libertação” da África, que reproduziu o modelo latino-americano. Liberdade, democracia (sic), auto-determinação; e escravidão econômica, que é o que importa. Não surgirão mais nações; e as que julgavam possuir esse status (América Latina, África), e que não escolheram - enquanto ainda havia essa escolha (como o pequeno Vietnam demonstrou), uma relativa independência aos dois mundos, o capitalista e o socialista (que, no fundo, se revelou mero ilusionismo), não foram e não irão a lugar algum. Não há - ao menos fora do cabotinismo e canalhice de suas elites - nações dignas desse nome em qualquer área colonizada desse mundo, salvo honrosas exceções. Cuba, é a única que me vem a mente - talvez haja outros exemplos. Países como a Turquia (autóctone), China, Índia, e Rússia, permanentemente assediados, resistiram. Não são santos, porque santos não há. Nenhuma foi, de fato, colônia, ao menos como exemplo de pleno desenvolvimento do colonialismo; e, das quatro, para nossa suprema vergonha, três fazem parte dos BRICS. Somos, ex-colônias, “nações” tuteladas. Autarquias do mundo capitalista, por assim dizer; nos permitem escolher nossos dirigentes e representantes, cuja liberdade de ação é delimitada por eles (Bancos/Corporações); saia desse raio de ação, e vá para o exílio, o caixão, ou uma masmorra em Curitiba. Uma, duas, três vezes, quantas forem necessárias. Nós, as ex-colônias, perdemos o trem da história; não nos tornamos nações, quando isso era possível; agora, simplesmente, não é mais possível. Não, Nassif, não está ao nosso alcance nos manter como Nação; porque nunca o fomos.

dja

- 2022-04-03 14:35:10

Nesse mundo moderno da informatização, tivemos várias bolhas políticas insufladas eleitoralmente, exemplo disso foram a bolha 'do olho por olho dente por dente, do anti-comunismo, do CEO gestor público. Dessa vez, seu pudesse prever diria que a bolha do programa de governo vai ser decisiva nas eleições 2022, e nos debates esse fenômeno vai atingir seu maior tamanho. Também, isso pode ser fator de renovação de até 20% dos parlamentares, já que a maioria tem eleitorado fiel. Mas e como viabilizar a maioria parlamentar? Se pode fazer um prognóstico, seria a pulverização dos candidatos mais viáveis em outros partidos aliados.

Paulo de Tarso Riccordi

- 2022-04-03 12:07:12

Extraordinária aula-síntese, Nassif! Parabéns e muito obrigado!

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