Por douglas da mata
Caro Nassif,
A tecnologia é importante, mas deve sempre ser entendida como meio, e não como fim em si mesma. Este cuidado é fundamental para evitar duas situações;
1- A depredação do Erário com compras desnecessárias, que diminuem a capacidade dos já combalidos orçamentos.
2- A criação de “ilhas tecnológicas” nas polícias, o que aumenta a assimetria de procedimentos. Esta assimetria, comumente, privilegia os de sempre, os do andar de cima, que sempre contam com o que há de melhor do Estado, embora nossa elite adore denegrir os serviços públicos.
Há tecnologias disponíveis, que são baratas e eficientes, como, por exemplo, nos crimes de lavagem de dinheiro: basta aprovar uma alíquota de 0,000001% em todas as transações financeiras. Por que você acha que enfrentou um consenso contrário tão gigantesco e coeso?
Há a necessidade de conectar enormes bancos de dados, fragmentados ao longo do país, por diversos órgãos, que diante do atual estágio de informatização das polícias, pode ser considerado uma medida barata, pois o investimento principal já foi feito.
Mas a principal “tecnologia” é investir na carreira polcial, na capacidade de entender a importância da investigação, e investir na reforma do Judiciário (a tecnologia de aplicação das leis, e da valoração do fato delituoso), para dar isonomia da ação punitiva do Estado, alterando a lógica atual que privilegia a prisão das camadas mais pobres da sociedade.
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