5 de junho de 2026

‘Brasil Faroeste’: a banalização da morte

Segundo recentes dados, divulgados pelo Centro Brasileiro de Estudos Latino-Americanos, constantes do Mapa da Violência 2013, chegou a 36.792 o número de pessoas assassinadas a tiros no país, em 2010. A média da taxa de homicídios foi de 20,4 para cada grupo de 100 mil habitantes, duas vezes a taxa considerada tolerável pela Organização das Nações Unidas (ONU), dez assassinatos para cada grupo de 100 mil.
 
 
 
O numero total de óbitos por arma de fogo no Brasil chegou a 147.343, entre 2004 e 2007. No mesmo período, na Guerra do Iraque, morreram 76.266 pessoas. O estado brasileiro mais violento é Alagoas com uma taxa de 55,3 homicídios, O maior percentual de aumento de homicídios por projéteis de arma de fogo, entre 2000 e 2010, se deu no Estado do Pará, com um crescimento de 307,2%.
 
 
 
A cidade brasileira que apresentou a maior taxa de óbitos, por assassinato, foi Simões Filho, na Bahia, com cerca de 141,5 para cada grupo de 100 mil habitantes.No Estado do Rio de Janeiro, as cidades de Búzios com 61,5; Cabo Frio com 57,8; e Paraty com 49,5, estão entre as 100 mais violentas cidades do país. O estado, com uma taxa de 26,4 é o oitavo em taxa de homicídios no Brasil, sendo observada uma redução de de 43,8% entre 2000 e 2010.O efeito UPP contribuiu.
 
 
 
Resumo da ópera: no ‘Brasil Faroeste’, da lei penal benevolente, onde há cerca de 16 milhões de armas em circulação, com apenas 50% delas sob controle, mata-se muito mais que nos mais violentos violentos conflitos armados no mundo, aí incluídas as ações de terrorismo. Os estudiosos da violência chegaram à conclusão que no Brasil, a “nacionalização da morte à bala” é um epidemia permanente, onde o tráfico de drogas, nos grandes centros urbanos, e a cultura da resolução de conflitos à bala no coronelismo dos sertões, são  fatos reais e de difícil solução. Ou seja, por enquanto o faroeste é aqui. 
 
 
 
Milton Corrêa da Costa é tenente coronel da reserva da PM do Rio de Janeiro

Redação

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