POR 4 COMUNIDADES
O GLOBO, por Gustavo Goulart
RIO – Havia muito medo no caminho de moradores dos morros do Borel, da Chácara do Céu e da Casa Branca, na Tijuca, e da Cruz, no Andaraí. O ir e vir era um direito torto, que acabava na última curva da subida do Borel, na altura do número 150 da Estrada da Independência e, do outro lado, na Chácara do Céu.
Além de assaltos, os tiroteios também ameaçavam os pedestres que se arriscavam pelo trajeto. O quadro mudou. Com a presença de policiais da Unidade de Policia Pacificadora (UPP) do Borel, a transfavela, como ficou conhecida a via construída em 2000 para interligar as quatro comunidades, se tornou uma alternativa de caminho seguro e agradável.
A transfavela do Borel tem 1.300 metros e começa na Rua São Miguel, passa pelo Morro da Casa Branca e vai até a Chácara do Céu, interligando-se com a Estrada da Independência. No mês passado, a presidente da Associação de Moradores do Morro do Borel, Roberta Ferreira, de 29 anos, esteve pela primeira vez na Favela Chácara do Céu, no alto do complexo, que era controlada por uma facção rival.
Para ela, foi emocionante estar no campo de futebol que era constantemente alvo de tiros trocados por integrantes das facções de traficantes. Nessas horas, as crianças saíam correndo desesperadas.
– Por causa da disputa do tráfico, muitas pessoas nunca estiveram lá em cima, na Chácara do Céu. Agora, é uma outra realidade, de paz e de alegria para as crianças – contou Roberta.
Antes, tiros e assaltos no caminho; hoje tranquilidade
A transfavela que liga as comunidades tijucanas já deu muitos sustos em pedestres e passageiros de veículos. Em determinado trecho da via, alguns metros antes da chegada à Chácara do Céu, uma curva descortina uma boa parte da paisagem do Morro do Borel.
– Éramos alvos constantes. Bandidos subiam a mata e surpreendiam quem passava por aqui. Às vezes, com tiros; outras, assaltos. Hoje podemos caminhar tranquilamente – lembra a estudante Viviane da Conceição, de 14 anos, moradora do Morro da Chácara do Céu.
As transfavelas mudaram a paisagem de outros morros cariocas, alguns deles ainda não foram pacificados. Uma delas fica no Morro dos Prazeres, onde a via faz a ligação com o Escondidinho, na parte baixa da comunidade. As duas favelas são dominadas pela mesma facção de traficantes. São 804 metros de pista entre as duas comunidades. Para o comandante do 1 BPM (Estácio), tenente-coronel Ranulfo Brandão, o trajeto só pode ser utilizado porque não há rivalidade entre o tráfico local.
– Seria um inferno ali – afirmou o comandante. – Seguindo pela via, temos ainda os morros do Fallet e Fogueteiro.
http://oglobo.globo.com/rio/mat/2010/11/14/transfavela-rota-proibida-que-agora-cumpre-seu-papel-923025507.asp
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