Xadrez para entender as  teorias conspiratórias, por Luis Nassif

Nos dois lados, há uma dificuldade crônica incompreensível de juntar as duas pontas, como se fossem incompatíveis.

Peça 1 – a dificuldade de pensar fora da caixinha

No Brasil, sempre que um fenômeno exige explicações mais amplas, há uma enorme dificuldade de especialistas em juntar peças distintas. Na era do conhecimento intersetorial, das visões integradas, multidisciplinares, esbarram em duas dificuldades recorrentes: incapacidade de ir além de uma interpretação unilateral dos fatos; ignorar ou tratar como “teoria conspiratória” qualquer fato real ou explicação que não se enquadre na análise esquemática original. Qualquer análise fora do esquadro, em vez de ser estudada, incorporada e relativizada – e até rejeitada -, recebe a priori a sentença de morte de ser “teoria conspiratória”.

Retomemos a questão da geopolítica americana – e o papel da ultradireita – nas sucessivas primaveras que chacoalharam politicamente diversos países, incluindo o Brasil. E, especialmente, na Lava Jato.

O que dizem os críticos das ditas “teorias conspiratórias”?

Há um conjunto de fenômenos sociais e políticos deflagrados pelas novas tecnologias e pelas grandes mudanças provocadas pela globalização que explica todos esses episódios. Qualquer outra tentativa de explicar é “teoria conspiratória”.

O que dizem os defensores das “teorias conspiratórias”?

Esses movimentos foram planejados e construídos inteiramente pelos Estados Unidos, como se todos os atores internos não passassem de meros fantoches.

Nos dois lados, há uma dificuldade crônica incompreensível de juntar as duas pontas, como se fossem incompatíveis.

Peça 2 – geopolítica e as ondas de opinião

É evidente que a geopolítica americana não molda o mundo a seu bel prazer. Inclusive porque também é afetada pelas ondas de opinião pública do próprio país. E não derruba governos, fora dos períodos de guerra, sem contar com alianças com forças internas de cada país. O que ela faz é articular alianças com forças locais, através de suas longas mãos  e fornecer know how de conspiração.

Apoiava as ditaduras latino-americanas quando a onda da guerra fria lhe dava espaço para tal. Quando a onda democrática avançou, e a globalização exigiu novas estratégias, trocou a parceria com os militares por parcerias com a nova geração de políticos (FHC-Serra) e com o poder judiciário/ministérios públicos. Ou seja, ela atua dentro das circunstâncias do momento, potencializando as tendências dominantes, articulando as alianças internas e recorrendo, só quando necessário, ao poder de maior potência hegemônica do planeta.

Seus braços não são apenas diplomáticos, mas também as grandes corporações americanas, que sempre fizeram parte das estratégias geopolíticas americanas.

Peça 3 – as mudanças socioeconômicas

Vamos a uma relação esquemática das mudanças globais que marcam os novos tempos.

  1. Globalização da economia, concentração de renda, paralelamente ao desmonte do estado social e ao avanço da financeirização das economias.
  2. Insegurança nas empresas, com os novos movimentos, juntando novos modelos de negócio, novs tecnologias e abundância de capital de risco.
  3. Guerras e grandes movimentos migratórios que, juntamente com o avanço das novas tecnologias, geraram grandes inseguranças nas faixas médias da sociedade e nas empresas.
  4. Como resposta a essa insegurança, crescimento do radicalismo de ultradireita, da xenofobia e das seitas fundamentalistas.
  5. Redes sociais induzindo a um novo protagonismo político das massas e novas formas de organização horizontal.
  6. Questionamento do modelo político, da democracia representativa, pela dificuldade em dar respostas rápidas às novas demandas dos cidadãos e, especialmente, devido aos modelos de financiamento de campanha.
  7. Criminalização da política e crescimento do uso das bandeiras anticorrupção.
  8. Ascensão política de corporações como o Judiciário e o Ministério Público, que passam a disputar o protagonismo político com o voto direto.
  9. Telemática, ampliando enormemente as formas de controle e de espionagem sobre países, empresas e cidadãos.
Leia também:  O incidente de Hormuz e a política externa dos EUA, por Hannah de Gregório Leão

Peça 4 – as estratégias geopolíticas no novo tempo

  1. Aproximação com juízes e procuradores de países emergentes, através de cursos, parcerias e cooperação informal.

Trata-se de um processo amplamente documentado, das relações do Departamento de Justiça com o Judiciário brasileiro e a montagem de parcerias com juízes e procuradores.

  1. Doutrina da anticorrupção substituindo a guerra fria.

Nesse contato, a anticorrupção foi a bandeira central para montar uma rede de alianças internacionais com Judiciário e MPs de vários países, misturando intencionalmente organizações criminosas, terrorismo internacional com movimentos sociais e partidos de esquerda. Não há diferença entre o fervor de um Joseph McCarthy e um Deltan Dallagnol. Esse movimento ganha impulso após o atentado às Torres Gêmeas.

  1. Uso recorrente da espionagem eletrônica.

A NSA foi flagrada espionando Ângela Merkel e Dilma Rousseff. Os documentos de Snowden e da Wikileaks revelaram espionagem sobre a Petrobras. A denúncia inicial da Lava Jato foi inteiramente montada em cima de informações enviadas pelo DoJ, assim como o cerco à Odebrecht e o efeito-cascata sobre outros países com governos progressistas ou de esquerda.

  1. Parceria com a mídia para a difusão da nova guerra fria.

Na longa campanha de ódio, iniciada pela mídia em 2005 e ampliada após o mensalão, há nitidamente a incorporação de novos elementos nas catilinárias iniciais. Substitui-se a adjetivação rombuda de Veja e os factoides, por métodos mais sutis – como, por exemplo, em toda menção a Lula, ou ao PT, incluir a lembrança de que são acusados de corrupção ou sofreram tal condenação. Pode ter sido uma evolução natural do discurso conspiratório.

  1. Cooptação de atores políticos.

Do nada cai no colo do PMDB a Ponte para o Futuro. Senadores, como José Serra e Aloysio Nunes, são flagrados negociando a flexibilização da lei da partilha do petróleo. Acertado o impeachment, há uma corrida entre Serra e Eduardo Cunha para ver quem encaminha primeiro o projeto de lei flexibilizando a partilha.

  1. Desenvolvimento de tecnologias de comunicação para induzir a movimentações políticas através das redes sociais.

Espera-se que após o episódio Cambridge Analytics e a rede de WhatsApp de Bolsonaro, os nobres analistas do enfoque único parem de atribuir as primaveras a movimentos meramente espontâneos.

Leia também:  Uso da palavra ‘empreendedorismo’ esconde a precarização do trabalho

Havia o mal-estar geral, a fossilização da democracia representativa, as desconfianças com políticos, os estímulos ao novo protagonismo do Judiciário e anos de campanha sistemática de fixação da imagem do inimigo. E também a propaganda exaustiva atribuindo o mal-estar geral, os problemas na saúde, segurança e educação à corrupção.

Mas, dentro do oceano de manifestações que se seguiu, era evidente o maior profissionalismo de grupos como o MBL, treinados e financiados por grupos americanos. Na balbúrdia oceânica daqueles dias, foi o grupo que deu o tom e as bandeiras mais estridentes.

Teria havido as manifestações sem esse impulso externo? Provavelmente. Mas registre-se que o grupo inicial, que iniciou o movimento, era de esquerda. Em poucos dias, uma ação articulada entre grupos de direita e a mídia mudou completamente o enfoque inicial e colocou o governo Dilma na linha de fogo.06

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Bem além do mito “Junho de 2013” Críticas à social-democracia estão longe de esgotar o entendimento de onde chegamos sem uma autocrítica da esquerda autônoma e anticapitalista. 23/07/2018 Por Leo Vinicius (...) MBL (Movimento Brasil Livre): sua formação data de novembro de 2014, segundo o Wikipedia. Vem pra Rua: segundo o Wikipedia, sua formação data de outubro de 2014. Ambas organizações de direita emuladas da esquerda, a partir do alcance que o MPL e alguns dos slogans e significações que caracterizavam suas mobilizações tiveram em junho de 2013. “MBL” é uma imitação fonética de “MPL” e “Vem pra Rua” é um slogan cantado frequentemente em manifestações da juventude mobilizada pelo MPL. Ora, o uso desses signos retirados ou copiados da esquerda tinha como objetivo trazer com eles significações a eles associadas: sim, significações como de rebeldia, apartidarismo, independência, ação direta, horizontalidade… Aquelas mesmas que estavam na constituição de um novo ciclo de lutas urbanas já na década passada, com potencial de mudar o panorama das lutas sociais no Brasil, como destaquei no início deste artigo. Amauri Gonzo chamou o dia 20 de junho de 2013 muito interessantemente de “revoada das bandeiras vermelhas”. No dia 20 de junho, o MPL de São Paulo foi às ruas para comemorar a revogação do aumento da tarifa. Naquele dia na Avenida Paulista toda a esquerda apanhou ou esteve em vias de apanhar da extrema-direita, a qual agia abertamente e à vontade sobre o terreno formado por uma classe média que foi às ruas de verde e amarelo com grande ajuda da convocação dos grandes meios de comunicação. Violência e hostilidade contra camisas vermelhas que iria se tornar relativamente comum em dias de manifestações anticorrupção nos anos seguintes, e até hoje, como em atentados com arma de fogo contra o acampamento Lula Livre ou contra a própria caravana de Lula antes de ser preso. Voltando àquela semana de junho de 2013, em quase todas as grandes cidades a situação era tensa entre a esquerda e a direita que começava a ir às ruas. Mas o que é muito ilustrativo do que queremos mostrar está no testemunho de Amauri Gonzo nesse dia 20 de junho. Ao encontrar por acaso um pequeno bloco anarquista de bandeiras vermelhas e pretas, percebeu que havia várias pessoas em volta, de verde e amarelo, gritando para esse bloco anarquista: “sem partido!”, “sem partido!”. Segundo o relato, os anarquistas estavam desesperados tentando explicar a essas pessoas que se alguém inventou isso de não ter partidos em manifestações eram exatamente eles![6] Significações que eram tidas como essencialmente de esquerda e libertárias tiveram penetração social, mas naquele “momento de virada”, como definiu Amauri Gonzo, pudemos descobrir ou perceber que elas não eram inevitavelmente emancipatórias, e se voltavam contra a própria esquerda que havia as criado e/ou difundido através de suas ações e lutas. Embora o fascismo em constituição que temos presenciado nitidamente no Brasil nos últimos anos tenha, como todo fascismo, elementos de diferentes origens políticas e sociais, o que liga os acontecimentos de junho de 2013 a ele é: i) a circulação de temas e significações entre esquerda e direita, mais especificamente a renovação e inspiração que a direita encontrou, durante aqueles eventos de junho de 2013, em um movimento de esquerda; ii) a penetração social de certas formas de ação e de significações que um movimento de classe trabalhadora, de esquerda, que ultrapassou a direção do PT e dos sindicatos mas que não conseguiu se sustentar de maneira estável, forneceu ao fascismo que foi se constituindo em seu lugar. A passagem abaixo de João Bernardo parece uma bela síntese descritiva do processo que também temos presenciado nesses últimos cinco anos no Brasil: Nenhum fascismo se limitou a ser uma resposta da ordem à revolução. Todos eles foram, antes de mais, uma revolta dentro da ordem, e por isso começaram por procurar na esquerda uma inspiração que permitisse renovar a direita, ao mesmo tempo que transportaram para a esquerda alguns temas gerados na direita. O cruzamento entre correntes da direita e da esquerda e a sua acção recíproca não foram o resultado de um processo, mas a condição prévia desse processo[7]. Ora, a composição ocorrida em junho de 2013 com a referência política do MPL, as significações a ele associadas, a legitimação-convocação às ruas pelos grandes veículos da imprensa após o dia 13 de junho e a pauta “anticorrupção” que veio com ela constituíram o modelo que a direita iria utilizar nos anos seguintes, particularmente no processo de mobilização, pressão social e consequente “legitimação popular” ao impeachment da presidenta Dilma Rousseff. O surto de revolta de junho de 2013 continha o modelo a ser usado pela direita[8]. (...) https://passapalavra.info/2018/07/121756/

LeoV

41 comentários

  1. Nassif, Nassif, em 2012 o “Todos Contra O PT” já estava sendo propagado pelo FH, por exemplo, em todos os salões. Teve artigo e tudo nos jornais (desde 2011) falando em “bater bumbo pra classe media…Lembre-se: os juros chegaram ao patamar mais baixo em setembro de 2012; a renda fixa “nao estava dando nada”, o pessoal correu para a caderneta de poupança…

    A infra estrutuura estava contratada; emprego e salario estavam em alta; os funcionarios da Petrobras foram exonerados…

    Bateu o P
    pânico de nunca mais ganharem eleiçoes para o PT, PT, PT, “hegemonico”…

    Fundos e mundos foram movimentados. E no primeiro trimestre de 2013 foi aquilo: colar de tomate; depois, manifestações, obras da Copa…e o resto é o resto.

    Lava Jato ainda nem existia. Só foi aparecer no ano seguinte, ano já de eleição. Mas o Plano B já estava prontinho.

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    • Lula foi tao certeiro quanto Moniz Bandeira

      “Livre-pensador acima de tudo, Moniz Bandeira deixou valiosas lições por meio de sua última trilogia,2 sobretudo no campo da História do Tempo Presente. Os acontecimentos políticos do Brasil o afetavam profundamente, como ficou inscrito em correspondência privada trocada entre nós em 2016, pouco antes da queda da presidenta Dilma Rousseff: “a situação do Brasil é realmente muito, muito, muito, triste”.3 Não é nenhum segredo que, para ele, Rousseff foi vítima de um golpe, que começou a denunciar ainda no ano de 2013 durante as Jornadas de Junho, percebendo naquelas manifestações os contornos da política de regime change levada a efeito em outros lugares como Ucrânia e Egito. Moniz Bandeira mudou-se para a Alemanha com a esposa Margot e o filho Egas ainda na década de 1990, mas jamais perdeu o vínculo pátrio, sendo, antes de tudo, um nacionalista apaixonado pelo Brasil e seu povo.

      Leia mais……….

      http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-01882018000100149

  2. O problema das teorias conspiratórias é que as pessoas tendem a colocars as teorias plausíveis junto com as estapafúrdias no mesmo balaio.

    Por exemplo: “Se você acha possível que os próprios EUA financiaram o ISIS com a intenção de desestabilizar o governo do Bashar Al Assad e substituí-lo com um governo pró-americano, então você também deve acreditar que a terra é plana.”

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  3. Em junho de 2013, eu estava com a TV ligada quando entrou aquela vinheta assustadora da Globo. Parei tudo para ver qual seria a catástrofe da vez. Era mais ou menos 18:30 h. E o tema de tamanho alvoroço era uma manifestação do MPL, em São Paulo, em razão de um aumento de 20 centavos nas passagens de ônibus dado por Haddad. Na tal manifestação tinha umas 200 pessoas, no máximo. Confesso que senti um calafrio. Por que razão a Globo estaria pronta para cobrir uma manifestação tão minúscula, furando toda a sua grade de programação e até mesmo a sua tradição de só fazer essas entradas, ao vivo, em casos muito sérios?

    E naquela noite, ela voltou ao ar várias vezes, sempre com o mesmo tom assustador. No dia seguinte, a mesma manifestação, com cobertura exaustiva, já tinha duas mil pessoas e foi crescendo. Chegou o momento em que os blacks Blocs assumiram a frente e o MPL sumiu e foi sumido.

    Em março de 2013, Dilma tinha 79% de aprovação e, pela primeira vez, tinha superado Lula. Logo, se havia tamanha revolta no seio da população, tal revolta não foi detectada por nenhuma pesquisa, afinal Dilma, no que pese seus vários defeitos, tinha criado inúmeros programas sociais de largo apoio popular.

    É claro,para mim, que a Globo não entrou nessa de supetão. Foi um movimento altamente planejado, com antecedência, com vários setores atuando em conjunto.

    Sob pressão, Dilma cometeu um de seus maiores erros: chamou para si a responsabilidade de cobranças que começaram em São Paulo, por 20 centavos, e que não tinham nada a ver com governo federal naquele momento. Ao trazer a crise para dentro do Palácio do Planalto, ela virou o alvo maior, perdendo de forma vertiginosa todo o seu cabedal de aprovação popular, caso se acredite nas pesquisas apresentadas.

    É claro que, mesmo errando feio, ela acertou em alguns pontos: criou o Mais Médicos, criou faculdades de Medicina abrindo milhares de vagas para futuros profissionais de saúde.

    Resumo: sem a Globo não teria havido movimento de junho de 2013, Dilma não teria caído e o Brasil ainda estaria no rumo certo. Resta saber, de forma explícita, quem foram os parceiros da Globo nessa conspiração.

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    • E a contagem esdruxula no dia da manifestação, a cada meia hora acrescentavam numeros estratosféricos, a cada entrada era 500 mil, depois 700 mil, logo chegou ao milhão……no final da tarde toda a cidade estava enfiada na paulista, e os desfile ridiculo de tres caminhões como se estivessem trazendo o apocalipse…….algum estudante de midia deveria fazer um estudo serio sobre aquelas patifarias……

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    • Sim Odorico, concordo com seu ótimo comentário, que pode ser enriquecido com as fotos da tal primavera, na verdade uma revolução autorizada pela polícia, mídia, empresários, bancos: vi isso pessoalmente : prédios sendo incendiados e a polícia fazendo vista grossa : quero ver isso se repetir agora e a polícia ter a mesma omissão : vai ser bem na cabecinha como já avisou aquele que virou presidente graças a tal primavera do demo

      https://www.google.com/amp/s/www.vice.com/amp/pt_br/article/aew9ba/fotos-ineditas-das-marchas-de-junho-2013

    • Vossa Excelência me permite um aparte?Ainda que seu comentário tenha qualidades,peca por certas ingenuidades.1) Dilma jamais deveria ter tentado a reeileição.Ela e o mundo mineral sabe que o combinado não era este;2) As tais jornadas de junho/13 foram o último prego no caixão,pois já era um cadáver insepulto,visto que,as raposas felpudas sabiam da fraqueza politica dela.Eduardo Cunha não me deixa mentir;3) De politica partidária,Dilma entende o que entendo quando resolvi responder uma missa cantada em latim.Foi o maior erro politico que Lula cometeu na vida. Agradeço pelo aparte.

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      • Amigo, enquanto Dilma tivesse 80% de aprovação popular ela jamais cairia. Na verdade, ela caiu em razão de suas virtudes, não pelos defeitos: 1) quando começou e fechar os torneiras da Petrobras e irritou o PMDB; 2) quado se recusou dar 71% de aumento ao Judiciário; 3) quando se negou a dar os três votos do PT para livrar Eduardo Cunha; 4) quando não puniu Temer por conspirar contra ela dentro do próprio palácio.

        Sim, há muitos “ses” no caso: se não tivesse ido para a reeleição e chamado Lula; se Lula tivesse no palácio desde o seu primeiro mandato; se Gilmar não tivesse impedido Lula, ilegalmente, de ser ministro e por aí vai.

        De qualquer forma, Dilma, mesmo em seus piores momentos, bate Bolsonaro de goleada em seus melhores, se é que que esse sujeito tem algum momento que se salve.

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        • Se lhe disser que + ou – 100% dos 80 % da aprovação dela vinham de Lula,mesmo assim vc ainda vai acreditar em migo?

        • Quem te disse que na política brasileira virtudes conta alguma coisa?Ah já sei,foi esse turminha daqui,dos dedinhos pra cima e pra baixo.Todos eles sem exceção,não aguentam num round comigo.Procure Nassif o que ele acha?

          • Só falta você achar(tu e turminha dos dedinhos pra cima e pra baixo) que quem a elegeu foram as virtudes dela.Home quá o sinhor me deixa.As virtudes dela desapareceram nas urnas das Minas Gerais.Nem as recomendações de Nassifão surtiram efeito em Poços de Caldas.Foi a quinta colocada na disputada por uma das vagas da senatoria.Rapaz não cutuque o cão com vara curta.Vou lhe fazer de sapato e gato.Venha viu!!!!!!!!!!!

  4. Muita gente avisou, nesse início das manifestações de 2013 em que as esquerdas de jeans rasgados tentavam ser um novo PT derrubando a popularidade do “velho” PT, de Dilma e de Lula, que aquilo tudo ia dar merda. Eu, por exemplo, avisei tanto que passei a ser atacado pela esquerda antipetista e pelo petismo antipetista. E era evidente que aquilo terminaria em desastre porque os garotos imberbes que conduziram homens de meia-idade ao besteirol revolucionário-chic do antipetismo “pela esquerda” só tinham experiência em leituras dirigidas nos bunkers ideológicos em que viviam e ainda vivem. Não sabiam o que era direita. E os maduros haviam esquecido…

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    • quanta besteira sem fundamento… Se você tivesse ido a alguma das manifestações contra o aumento da tarifa de onibus em São Paulo saberia que a Juventude do PT participava dela. A juventude de todas as esquerdas estava lá.
      Assim como estava nas manifestações que derrubaram aumento de tarifas (e as que não derrubaram) durante uma década antes de 2013.
      Onde você estava que não viu?

      A pós-verdade é tanta que sequer consideram o fato de ter sido fundamental a juventude do PT na construção do MPL. Ler história contemporânea faz bem.

      Não siga o revisionismo e a pós-verdade típicos da extrema-direita.

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    • quero parabenizar o eduardo pela posição desde 2013, pois alguns ilustres articulistas da tal mídia dita alternativa quebraram a cara na época com suas interpretações metidas a chiquezinha de boutique de quinta categoria….diziam que as manifestações eram promovidas por uma vanguarda remoçada etc e tal e o escambau congenere e deu no que deu,,, parece um marxismo de periferia, que não suporta melhorias do capitalismo – bolsa-família,etc, e prefere a revolução,que aliás, sem brincadeira, pode estar logo ali na esquina….é só sair às ruas, ver e participar!!!!

  5. Teoria da Conspiração: Em maio de 2013, boatos espalhados de forma diversa, a partir do dia 17, anunciavam o fim do bolsa família:

    http://www.ebc.com.br/noticias/brasil/2013/05/boato-sobre-fim-do-bolsa-familia-levou-beneficiarios-a-sacar-r-152-milhoes

    http://www.ebc.com.br/noticias/brasil/2013/05/policia-federal-vai-investigar-boato-sobre-suspensao-do-bolsa-familia

    https://congressoemfoco.uol.com.br/especial/noticias/pf-descarta-crime-sobre-boatos-do-fim-do-bolsa-familia/

    https://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2013/05/19/boato-sobre-fim-do-bolsa-familia-causa-confusao-e-tumulto-em-estados-do-nordeste.htm

    https://www.brasildefato.com.br/node/13555/

    É interessante ler este último. Preparação para junho e para março de 2015. Mas também este:

    http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/2013/05/joe-biden-visita-laboratorios-de-pesquisa-da-petrobras-na-ufrj.html

    em que Joe Biden diz:
    “Na manhã desta quarta-feira, Joe Biden disse que ele e Barack Obama acreditam que o ano de 2013 marca uma nova era entre o Brasil e o seu país. O discurso do membro do Partido Democrata foi feito no Píer Mauá, na Zona Portuária do Rio.”

    Lembrando que Obama já havia discursado, em março de 2011, no Teatro Municipal, quando, aproveitando o descanso, autorizou o bombardeio e a invasão da Líbia.

    Ah! Lyliana já quase estava aqui, pois já havia saído do Paraguai e já havia sido indicada por Obama. Sua aprovação no senado estadunidense se deu em 01 de agosto de 2013 e ela assumiu aqui em outubro.

    As revelações de Snowden são de julho de 2013. Mas Dilma continuou usando o mesmo telefone e as mesmas táticas de segurança institucional.

    É claro que tudo isso só funciona se há atores internos dispostos a participarem. Mas esta questão nunca foi um problema em si no Brasil. Ou em qualquer outro lugar. Basta citar os colaboracionistas franceses. Mas, principalmente, frente a um governo petista, tendo José Eduardo como ministro e Patriota (sic!) como ministro das relações exteriores.

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  6. Prefiro as teorias reais. Exemplo: o prédio da sede da SIP (Sociedade Interamericana de Imprensa) em Miami, que congrega toda a velha mídia latino-americana (Globo, Abril Estadão, Abril, Clarín etc), foi batizado de Jules Dubois Building com inauguração no ano 2000. Com tantos jornalistas competentes em toda a América, por que foram homenagear logo Jules Dubois, falecido em 1966? Resposta: matéria do NYT acabaria revelando que Jules Dubois trabalhou para a CIA travestido de jornalista. Precisa dizer mais? Já escrevi sobre isto.

    Links:
    Texto meu:
    https://blogln.ning.com/forum/topics/entenda-o-que-a-sociedade-interamericana-de-imprensa

    Texto do NYT desnudando, entre outros, Jules Dubois – o herói da SIP:
    https://www.nytimes.com/1977/12/27/archives/cia-established-many-links-to-journalists-in-us-and-abroad.html

  7. A hegemonia falcoeira não se dá somente em seu poderio econômico e militar,eles são somente um sustentáculo da hegemonia cultural que é imposta por eles.
    Acompanho,já há algum tempo,as transformações nas séries americanas.
    Coincidência ou não,nos períodos ditos de distensão,a maioria das séries eram cômicas tanto é que ficaram conhecidas como sitcoms. Em determinado momento começaram a mudar para séries de investigação e policiais,ainda assim leves. Após essa transição,mesmo as séries investigativas,dificilmente escapavam de ter seu desfecho com a morte do acusado ou mesmo culpado. Banalizou-se a pena de morte como forma de detenção do suposto inimigo ou mesmo inimigo.
    É essa forma cultural que se espalha pelo mundo e que possibilita a aceitação de discursos pseudo-moralistas e de aniquilação dos oponentes.
    No caso dos falcões,para ficarmos somente neles,é absolutamente impossível pensarmos em um russo,sérvio,cubano ou muçulmano como heróis em algum filme,são sempre vilões e dos mais sanguinários.
    Este tipo de divulgação cultural serve de apoio interno e externo para a política devastadora deles.
    Internamente funciona muito bem como contraponto ao estilo de vida americano,sempre colocado em risco por essas outras forças,externamente serve como disseminação desta cultura aos baba-ovos dos falcoeiros que contentam-se com as migalhas por eles oferecidas pelo seu poderio econômico e militar,em troca de afagos muitas vezes humilhantes.
    Mesmo assim,com todas essas artimanhas dessa gente,o que parece estar ocorrendo é um momento de último suspiro dessa hegemonia. O crescimento Chinês e o desenvolvimento tecnológico obrigarão a todos a criação de uma nova forma de governar onde este tipo imperial tende a ser substituído.
    A dúvida que fica,no entanto,é se será substituído por um sistema melhor e mais justo ou por um outro sistema,mais controlador e menos democrático.

    • O cidadão que assiste esse enlatados sem um pé atras tem que ser muito lesado……por exemplo, pintam o presidente deles como um super-heroi, com uma pompa digna de reis…..e nada mais pernicioso do que os canais pagos de história, há uma vontade indisfarcável de reescreve-la que chega ser vergonhosa…..

  8. faltou dizer o essencial – a crise capitalista é tão evidente que a turma da elite infame que mama nas tetas dos juros altos e vive da fianceirização resolveu apostar no caos da produção para desviar a grana ainda mais para os bancos, por aí…
    o desespero da crise cria esses aBsurdos economicos e sociais,mas para quem nada tem e nada terá UMA REVOLUÇÃOZINHA A MAIS NÃO CUSTA TANTO QUANTO SUPÕE ESSES FANÁTICOS DA DIREITA…
    um dia de repente esse povo acorda e explode….

  9. Bem além do mito “Junho de 2013”

    Críticas à social-democracia estão longe de esgotar o entendimento de onde chegamos sem uma autocrítica da esquerda autônoma e anticapitalista.
    23/07/2018

    Por Leo Vinicius

    (…)
    MBL (Movimento Brasil Livre): sua formação data de novembro de 2014, segundo o Wikipedia.

    Vem pra Rua: segundo o Wikipedia, sua formação data de outubro de 2014.

    Ambas organizações de direita emuladas da esquerda, a partir do alcance que o MPL e alguns dos slogans e significações que caracterizavam suas mobilizações tiveram em junho de 2013. “MBL” é uma imitação fonética de “MPL” e “Vem pra Rua” é um slogan cantado frequentemente em manifestações da juventude mobilizada pelo MPL. Ora, o uso desses signos retirados ou copiados da esquerda tinha como objetivo trazer com eles significações a eles associadas: sim, significações como de rebeldia, apartidarismo, independência, ação direta, horizontalidade… Aquelas mesmas que estavam na constituição de um novo ciclo de lutas urbanas já na década passada, com potencial de mudar o panorama das lutas sociais no Brasil, como destaquei no início deste artigo.

    Amauri Gonzo chamou o dia 20 de junho de 2013 muito interessantemente de “revoada das bandeiras vermelhas”. No dia 20 de junho, o MPL de São Paulo foi às ruas para comemorar a revogação do aumento da tarifa. Naquele dia na Avenida Paulista toda a esquerda apanhou ou esteve em vias de apanhar da extrema-direita, a qual agia abertamente e à vontade sobre o terreno formado por uma classe média que foi às ruas de verde e amarelo com grande ajuda da convocação dos grandes meios de comunicação. Violência e hostilidade contra camisas vermelhas que iria se tornar relativamente comum em dias de manifestações anticorrupção nos anos seguintes, e até hoje, como em atentados com arma de fogo contra o acampamento Lula Livre ou contra a própria caravana de Lula antes de ser preso.

    Voltando àquela semana de junho de 2013, em quase todas as grandes cidades a situação era tensa entre a esquerda e a direita que começava a ir às ruas. Mas o que é muito ilustrativo do que queremos mostrar está no testemunho de Amauri Gonzo nesse dia 20 de junho. Ao encontrar por acaso um pequeno bloco anarquista de bandeiras vermelhas e pretas, percebeu que havia várias pessoas em volta, de verde e amarelo, gritando para esse bloco anarquista: “sem partido!”, “sem partido!”. Segundo o relato, os anarquistas estavam desesperados tentando explicar a essas pessoas que se alguém inventou isso de não ter partidos em manifestações eram exatamente eles![6] Significações que eram tidas como essencialmente de esquerda e libertárias tiveram penetração social, mas naquele “momento de virada”, como definiu Amauri Gonzo, pudemos descobrir ou perceber que elas não eram inevitavelmente emancipatórias, e se voltavam contra a própria esquerda que havia as criado e/ou difundido através de suas ações e lutas.

    Embora o fascismo em constituição que temos presenciado nitidamente no Brasil nos últimos anos tenha, como todo fascismo, elementos de diferentes origens políticas e sociais, o que liga os acontecimentos de junho de 2013 a ele é:

    i) a circulação de temas e significações entre esquerda e direita, mais especificamente a renovação e inspiração que a direita encontrou, durante aqueles eventos de junho de 2013, em um movimento de esquerda;

    ii) a penetração social de certas formas de ação e de significações que um movimento de classe trabalhadora, de esquerda, que ultrapassou a direção do PT e dos sindicatos mas que não conseguiu se sustentar de maneira estável, forneceu ao fascismo que foi se constituindo em seu lugar.

    A passagem abaixo de João Bernardo parece uma bela síntese descritiva do processo que também temos presenciado nesses últimos cinco anos no Brasil:

    Nenhum fascismo se limitou a ser uma resposta da ordem à revolução. Todos eles foram, antes de mais, uma revolta dentro da ordem, e por isso começaram por procurar na esquerda uma inspiração que permitisse renovar a direita, ao mesmo tempo que transportaram para a esquerda alguns temas gerados na direita. O cruzamento entre correntes da direita e da esquerda e a sua acção recíproca não foram o resultado de um processo, mas a condição prévia desse processo[7].

    Ora, a composição ocorrida em junho de 2013 com a referência política do MPL, as significações a ele associadas, a legitimação-convocação às ruas pelos grandes veículos da imprensa após o dia 13 de junho e a pauta “anticorrupção” que veio com ela constituíram o modelo que a direita iria utilizar nos anos seguintes, particularmente no processo de mobilização, pressão social e consequente “legitimação popular” ao impeachment da presidenta Dilma Rousseff. O surto de revolta de junho de 2013 continha o modelo a ser usado pela direita[8].

    (…)

    https://passapalavra.info/2018/07/121756/

  10. Enquanto acreditarem que acidente de avião é assassinato não tem jeito.
    Teoria da cons-piração é com o Fox Mulder!

  11. Ótimo artigo. A realidade é complexa demais, tecida com os mais diferentes fios. Não podemos esquecer nenhum se quisermos ao menos tangencia-la. Não podemos também atribuir sempre a terceiros nossa parcela de responsabilidade. Afirmar que 2013 foi culpa só dos EUA é risível. Li um pouco sobre a história recente da Itália, o aparecimento do M5E e a Liga. Tudo muito parecido com nossa miséria bolsonarista. Aí entra a força da conjugação internet/raiva e a irracionalidade acumulada explodiu. A esquerda fracassou no mundo todo e passou para a extrema direita a bandeira anti sistema. A corrupção, os privilégios da direita e esquerda foram faíscas para uma população já saturada com a representação política e com ausência total de República. Na minha modesta opinião não dá para descartar no mínimo duas coisas: a geopolítica descrita por Nassif, a guerra por outros meios e os erros e a falta de visão de mundo da esquerda, sem propostas para radicalidade do mundo atual que demanda soluções radicais. No sentido de ir a raíz, e sair das platitudes do mais do mesmo.

  12. Eu faria apenas uma observação.
    Os grupos de esquerda que sabotaram Dilma Rousseff imaginavam que o Brasil estava vivendo uma conjuntura revolucionária e que eles poderiam tomar o poder substituindo o PT como protagonistas de uma revitalização da esquerda brasileira e internacional. Ledo engano. Eles foram apenas inocentes úteis nas mãos dos canalhas da extrema direita brasileira e norte-americana. Muitos deles ainda são incapazes de fazer auto-crítica. Eles preferem continuar atacando o PT… pois isso sempre garante algum espaço na mídia hegemônica.

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    • Perdoe-me a minha curiosidade meu caro.Com todo respeito(se enganado não estou,você escreve e muito para o Blog),poderia enumerar quais os grupos de esquerda que sabotaram a ex Presidente Dilma Roussef?Incompetência,amadorismo político em seu estado mais puro,arrogância,e quejandos não combinam com politica,ademais se este País tiver o nome de Brasil.Uma tal “republica gaúcha” enfiou na cabaça dela que o sucessor dela era dela só dela,e a Lava Jato seria,eu disse seria,seu legado republicano segundo Mister Cardoso,que não teve condições sequer de nomear o Delegado Chefe da Policia Federal.Ou você me acorda,ou acordo você.

  13. Nassif, o comentário de Odorico Carvalho – 10:30 horas, aborda a grande questão até hoje não explorada e explicada, pois deixa claro que a conspiração esteve desde o primeiro ato presente no movimento do MPL, em São Paulo, derrubando as teorias do movimento espontâneo, tão caras a setores esquerdistas, então:

    O que a rede Globo, de forma inacreditável e inédita, estava querendo ao colocar ao vivo no JN e nos intervalos da novela, o primeiro ato do MPL em São Paulo, em 06/06/2013, com direito aos manifestantes de sempre (em torno de mil a mil e quinhentos) e o tradicional enfrentamento final com a tropa de choque, sendo que tal veterano movimento jamais mereceu em anos anteriores maiores atenções, quanto mais serem mostrados ao vivo e em horário nobre, de tal emissora?

    Com a transmissão ao vivo do 1º ato pela Globo, no dia seguinte, 07/06/2013, compareceram ao 2º ato mais de 3 mil manifestantes (a maior participação em anos do movimento Passe Livre), e a Globo estava lá de novo para transmitir ao vivo e fazer com que ao 3º ato, em 11/06/2013, comparecessem mais de 6 mil manifestantes, para nova divulgação ao vivo, em horário nobre, com direito a violenta quebradeira sem controle que chocou e permitiu a mídia ‘descer o pau’, chamando-os de baderneiros, vândalos e por aí vai, em crescente, pelas gargantas dos Datenas e Jabores, a repercutirem o vandalismo Brasil afora.

    Dois dias depois, em 13/06/2013, a grande virada. O 4º ato sai do Teatro Municipal rumo a Paulista com mais de 11 mil manifestantes, a maioria calouros presentes a manifestação pela repercussão das transmissões ao vivo da Globo, quando então, na metade da Consolação, o tradicional enfrentamento final, aconteceu antes, diante de imprevisto avanço da tropa de choque sobre a massa, que inexperiente e estática na reação, querendo dialogar, serviu de matéria prima para o massacre da tropa de choque, de tal maneira brutal, que os baderneiros e vândalos de antes-de-ontem, transformaram-se como num passe de mágica, em cidadãos em busca de seus direitos, barbaramente massacrados pela polícia, com direito a imediato cavalo de pau, da mídia e das gargantas dos Datenas e Jabores, que passaram a enxergar indefesos cidadãos a reclamarem por seus direitos, sendo massacrados pela polícia e na sequência evolutiva, que todos conhecem, terminando por cobrar-se tudo que pode-se imaginar, pendente no país, ao governo federal da presidente Dilma Rousseff.

    Enquanto isso, por ‘mera coincidência, certamente’, a Fiat, mantinha a campanha institucional, “VEM PRA RUA”, bombardeada em toda a mídia, desde meados de maio/2013, com término previsto para 22/06/2013, a tempo de virar hino do movimento, que do MPL, aquela altura, dominado por movimentos de direita ‘patrocinados do EUA’ e a agenda da mídia, nem sequer o cheiro restava, quanto mais o comando.
    Que teoria da conspiração, conspiração real e na veia, só não vê hoje quem não quer enxergar.

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    • Francisco, o que vc descreve sobre as manifestações do MPL de São Paulo em 2013 e a relação da mídia com ela, é e exatamente o mesmo que aconteceu na década anterior em várias cidades do Brasil em manifestações contra aumento da tarifa, e no Brasil no mesmo ano, em que revoltas populares foram geradas.

      Quando o bicho pega no centro da cidade vira notícia e as TVs vão lá. Quanto mais violência da PM mais infla de manifestantes jovens. Isso ocorreu década anterior inteira… Nao tem nada de conspiração, é a dinâmica normal.

      Faça uma pesquisa em todos os jornais e TVs da época e verás que toda a imprensa burguesa criminalizava e era contra as manifestações contra o aumento das tarifas…. até o dia 12 de junho. Ali, quando a violência atingiu severamente jornalistas, a coisa mudou (e não cabe aqui tentar explicar, é outra história…).

      Lembre-se que na Band, mais reacionária que a Globo, o Datena instigava seus telespectadores a votaram “não” “a manifestação com baderna”. Mas o pra surpresa de todos, o sim ganhou… Provavelmente esse foi um termômetro pra burguesia e a imprensa sair da criminalização pra legitimação e ressignificação. Esse segundo movimento da mídia foi luta de classes e foi novidade.

      O que vc descreve no entanto é lugar comum… quebra-quebra e enfrentameto com a política por jovens nos centros da cidade é notícia e a imprensa sempre cobriu. O que vc não diz é o viés da cobertura. Era criminalizante até o dia 13 de junho.

      • Você não observou direito, o que descrevo é como testemunha ocular, pois acompanhava o movimento do MPL não em décadas anteriores, mas em todos os anos imediatamente anteriores a 2013.

        Todo ano tinha a manifestação do MPL, que durava em torno de um mês, não passava de em torno mil e quinhentos manifestantes, terminava normalmente com enfrentamento contra a tropa de choque e a maioria absoluta da população da cidade de São Paulo sequer ficava sabendo, pois a mídia deixava passar batido, ‘apenas registrava’, jamais ao vivo, quanto mais no JN e intervalos da novela, da Globo.

        No PRIMEIRO ATO, em junho de 2013, em São Paulo, a manifestação saiu do Teatro Municipal, entrou pela Barão, ganhou a Ipiranga, rumo a Paulista, exatamente igual a anos anteriores, inclusive no número de manifestantes, e de forma INACREDITÁVEL E INÉDITA JÁ ESTAVA SENDO TRANSMITIDA AO VIVO NO JN da GLOBO (basta pesquisar o vídeo do JN), prosseguindo ao vivo nos intervalos da novela, aí então com cenas do enfrentamento contra a tropa de choque, ao final da manifestação, na Paulista e entorno.

        Nada que não tivesse acontecido em anos anteriores, com um PEQUENO DETALHE: JAMAIS ANTES a GLOBO DIVULGOU O MOVIMENTO AO VIVO, quanto mais NO PRIMEIRO ATO, NO JN E INTERVALOS DA NOVELA, e antes do enfrentamento com a tropa de choque.

        • Sinceramente, o seu é o único relato que conheco da Globo estar transmitindo ao vivo manifestação do MPL, desde a primeira. De toda forma, a cobertura da mídia sempre foi criminalizante até o dia 13 de junho. Os coxinhas da Globo só apareceram depois do dia 13, quando descriminalizaram e legitimaram.

  14. Nassif como de sempre,fez mais um Xadrez bonitinho,certinho,como manda o figurino.Tenho pra mim que não ouviu,sequer tomou conhecimento o que Bozo vomitou hoje pela manhã em mais um reencontro com “jornalistas”.”Eu acho que vou botar os jornalistas do Brasil vinculados ao IBAMA.Vocês são uma raça em extinção”,arrotou o troglodita.Se se olhar de forma ampla,geral e irrestrita para a Globo e adjacências ele tá coberto de razão.Ou não?Eu e meus desconfiadíssimos botões entendemos que não existe jornalismo no Brasil.Daria um Xadrez supimpa explicitar que no solo consolidado pátrio o jorra jornalismo por todos os poros,a ponto dos brasileiros e brasileiras só andarem suados.Taí,pago para ver.

  15. -> Mas, dentro do oceano de manifestações que se seguiu, era evidente o maior profissionalismo de grupos como o MBL
    -> Mas registre-se que o grupo inicial, que iniciou o movimento, era de esquerda. Em poucos dias, uma ação articulada entre grupos de direita e a mídia mudou completamente o enfoque inicial

    o espectro de Junho de 2013 continua assombrando como um espinho encravado na garganta, mas só daqueles se recusando renitentemente compreendê-lo…

    o Grande Líder Lula-lá alguns dias atrás voltou a repetir sua manjada versão de Junho de 2013 ser uma criação dos demiurgos da CIA.

    porém, todavia, entretanto… o Grande Líder nunca fez qualquer referência a presença documentada de agentes da CIA fazendo apologia ao golpe em cima de caminhões em plena Av. Paulista, nas manifestações anti PT e Dilma de março e abril de 2015.

    e aqui cabe indagar: como o governo Dilma permitiu isto? permitiu porque até o último segundo tentou compor com os golpistas, sem jamais enfrentá-los.

    em suas muitas leituras nos mais de 500 dias de prisão, a que voluntariamente se entregou sem resistência, parece ter faltado ao Grande Líder um texto clássico: “O 18 Brumário de Luis Bonaparte”.

    em Junho de 1848 na cidade de Paris, os insurrectos foram esmagados à bala por uma reação que contra eles uniu Nobreza, Igreja, Campesinato e Burguesia: em quatro dias morreram 1.500 manifestantes, 12.000 foram presos e 4.000 deportados.

    assim foram geradas as condições propícias ao Golpe de 1851, quando Luis Bonaparte se tornaria o Imperador Napoleão III.

    qualquer semelhança com Junho de 2013 e o Golpe de 2016 no Brasil não é apenas mera coincidência.

    o Grande Líder e seus seguidores ignoram seguidamente as lições da História, por isto vivem repetindo seus erros.

    outra coisa: o MBL não existia em 2013, surgiu em 2014.

    mais uma coisa: as manifestações prosseguiram até o maldito mega-evento da Copa de 2014, sempre com uma pauta de Esquerda – em especial no Rio de Janeiro, com as greves dos professores (2013) e dos garis (2014).
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    • Tenho a leve impressão que você anda me seguindo,principalmente depois que aprontou,gratuitamente bom que se diga,aquela cachorrada contra Lula.Deus permita que passe os restos dos seus dias adubando,principalmente se o adubo for esterco de galinhas.

  16. O problema da politica é que ela é envolve muitos atores e as pessoas tendem achar que qualquer especulação que se faça sobre o desenrolar dos acontecimentos, como nas manifestações de 2013, que sabemos não terem sido expontâneas em sua totalidade, ja taxam de conspiração. Assim fica facil para os atores politicos/sociais envolvidos continuarem manipulando as massas, pois, como diz Jessé Souza em seus livros, as pessoas acreditam que tudo que pensam é por sua propria vontade e que tomam decisões de livre arbitrio, sem levar em conta o quanto são influenciadas e controladas. A Marcia Tiburi esta lançando um livro que fala sobre o delirio coletivo que vivenciamos: “Delirio do poder: psicopoder e loucura coletiva na era da desinformação”.

  17. De xadrez Nassif entende tudo,o cabra é bom paca,já fez xadrez pra dédeo,cada um melhor que outro.Mas se permitem-me,lanço a ele um desafio:Que tal um Xadrez que nos trouxesse luzes pelo que passa debaixo das cabeleiras escalafobéticas do Presidente dos EUA Donald Trump,do Primeiro Ministro Britânico Boris Johnson e e a do Presidente Brasileiro Jair Messias Bolsonaro.O medo é tanto que não tenho dormindo um pingo madrugada adentro.Passo noite apos noite com aquela marchinha intrigante Cabeleira do Zezé zoado nos meus neurônios.No caso em tela,cabeleiras.PQP meu louro,é dose para o tiranossauro Rex.

  18. Nassif,

    Há um erro factual nesse artigo. E tal erro mostra a insuficiência da sua exposição para entender o ocorrido.

    O MBL não existia em 2013. MBL e Vem Pra Rua foram criados em 2014 em outtubro e novembro, ou seja, coincidentes coma reeleição da Dilma.

    Em 2013 a direita se renovou a partir de movimentos de esquerda (processo histórico típico da formação do fascismo). Explico isso em mais detalhes aqui: https://passapalavra.info/2018/07/121756/

    Embora em junho de 2013 após a grande imprensa e burguesia viraram da criminalização à legitimação e ressignificação das manifestações contra o aumento das tarifas de transporte, e com isso uma direita ter ido às ruas (além dos coxinhas que formaram sua base), no resto do ano de 2013 e ao longo de 2014 até as eleições, foi a esquerda que esteve nas ruas (a direita se recolheu).

    2013 foi o ano com mais greve na série histórica até então. Diversas ocupações autônomas de sem-tetos ocorreram em São Paulo em seguida a junho de 2013… No Rio houve fortes lutas no segundo semestre de 2013… o Cadê Amarildo.. Greve dos professores com black blocs juntos etc. Greve selvagem histórica dos garis em 2014… Greve selvagem dos motoristas e cobradores de onibus em São Paulo em 2014…

    Junho de 2013 renovou a direita mas também deu impulso a lutas autônomas da classe trabalhadora. Por que chegamos aqui é bem mais complexo…

  19. “Mas, dentro do oceano de manifestações que se seguiu, era evidente o maior profissionalismo de grupos como o MBL, treinados e financiados por grupos americanos. Na balbúrdia oceânica daqueles dias, foi o grupo que deu o tom e as bandeiras mais estridentes.”
    Salvo engano, o MBL (não confundir com MPL) nasceu no final de 2014, já bem distante das manifestações de junho de 2013 e com outro espírito, muito mais próximo dos movimentos de impeachment de Dilma. A sigla foi escolhida para se fazerem parecidos com o Movimento do Passe Livre (MPL), este sim um movimento importante dentro do contexto de junho de 2013, embora muito pequeno se comparado ao rumo que os acontecimentos tomaram dali para frente. Para isto, basta se lembrar que no momento em que as manifestações começam a crescer vertiginosamente chegando a milhões nas maiores cidades, o MPL divulga uma nota dizendo que estava se retirando das manifestações e que não convocaria mais nenhuma, pois sentiam que aquilo estava fora de seu controle. Inclusive, desde então o MPL só fez cair em ostracismo.
    Um erro que vejo muita gente tomando quando analisa junho de 2013 é querer colocar aquilo no mesmo saco das manifestações contra Dilma que começam já em 2015, como se ambos fossem obras do mesmo autor. As pessoas simplesmente tomam a proximidade temporal dos acontecimentos e acreditam que estão relacionados por isso, sem levar em conta que os atores de ambos os acontecimentos são completamente distintos.

  20. O PT e a sociedade progressista foram escoteiros. A Dilma foi Bandeirante. Se acoelhou diante da globo. E agora tamos aqui discutindo algo que não faz mais diferença. Quando fazia ficaram com medo de peitar black block e a Sininho.
    Agora o trabalho para reconstruir uma oposição que seja viavel eleitoralmente será muito maior. E isso é que importa.

  21. Nobre Jornalista irmão Mineiro Nassif,

    Faço a graduação de Defesa e Gestão Estratégica Internacional (DGEI) na UFRJ. Nada do que você disse é considerado absurdo neste curso. Pelo Contrário, bem plausível e acertado. E para mostrar que você vai em uma linha certa, cito um artigo típico do setor que garimpei ao longo do curso em pesquisas próprias: “FROM PSYOP TO MIND WAR – THE PSYCHOLOGY OF VICTORY” – Colonel Paul E. Valley and Major Michael Aquino.
    https://zerogeoengineering.com/2019/from-psyop-to-mindwar-the-psychology-of-victory/

    Tudo aí referenda o que você disse! Claro, falta a parte sobre elites Vira Latas que vendem a própria Nação! Os dois autores são militares dos EUA e nunca fariam isso, né? terei depressão crônica o resto da vida por entender um pouquinho o que ocorreu, acima da média do Brasileiro médio (principalmente o tipo estúpido que foi as ruas participar deste golpe lesa pátria).

  22. Afastar-se da realidade das ruas e das ruas é perder a força do poder político que da daí deriva. As esquerdas que governavam passaram a preferir os salões ao cheiro do povo e por isso a coisa deu no que deu. Apenas o velho Lula de guerra continuou impregnado e impregnando-se com o cheiro do povão, sabendo o que daí emana. Simples assim.

  23. Nassif, adoro suas teses, mas acho que você se esquece de um ponto fundamental: pessoas tem suas próprias opiniões, que ajudam a fazer crescer esta ou aquela “teoria da conspiração”.
    O Brasil, desde sempre, foi moldado por gente que acredita que não tem culpa de seu país ser a desgraça que é hoje – os culpados são “os políticos”, “os empresários”, “os funcionários públicos”… sempre tem alguém para você apontar e dizer “foi ele, não fui eu, que fez isso”.
    Ninguém plantaria a Lava-Jato no país se não tivesse um solo fértil para ela crescer, prosperar e dar estragos – e isso, infelizmente, não se muda da noite para o dia.

  24. Impressionante a esquerdização que assolou a cabeça do Nassif, moldando todos os fatos como mero xadrez americano no mundo. Você desacredita uma pessoa quando ela diz exclusivamente “ultradireita” em vez de direita, como faz qualquer radical de esquerda. E existem moderados em todo lugar. Piora quando credita à Lavajato e à luta anticorrupção, festejada com razão por todos que querem um país melhor, uma oportunidade de ascensão política de juízes e procuradores, ignorando dezenas de confissões que incriminam o PT e recuperaram mais de R$ 14 bilhões aos cofres públicos.

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