Imagem falsa que Bolsonaro pinta do Brasil acirrará crise de reputação internacional

ONU e OMS mostram que "ninguém é ingênuo para acreditar" no que o Brasil vende em relações internacionais. Relatório da ONU em setembro responsabilizará governo Bolsonaro por mortes e contágios do Covid-19

Bolsonaro discursando na Assembleia Geral da ONU, em 2019 - Foto: Reuters

Jornal GGN – A prática do governo de Jair Bolsonaro de vender internacionalmente a imagem de um Brasil que não existe se reproduz em todas as suas esferas do poder. Quando se trata de direitos humanos, dois relatórios enviados, um este ano e outro em 2019, fingiram um país que lida com de maneira positiva com problemáticas como o desaparecimento forçado e, inclusive, simplesmente omitindo o período de 1964 a 1985, a ditadura do regime militar.

Os dois relatórios foram expostos por Jamil Chade, em sua coluna para o Uol, nesta quarta-feira (03). Nestes relatórios, “o Brasil ainda pintou um país onde os mecanismos de assistência às vítimas de abusos funcionavam e onde o estado de direito impera”. Como resposta, a ONU remeteu ao Brasil diversos questionamentos, “deixando claro que ali ninguém é ingênuo para acreditar”, cobrando explicações das autoridades brasileiras.

Mas a postura de fingir uma imagem não real permanece e é sistemática. Como exemplo, Jamil Chade menciona o discurso do ministro interino da Saúde, general Eduardo Pazuello, que na Assembleia Mundial da Saúde disse que tudo estava funcionando na estrutura criada pelo governo. Há duas semanas, o Brasil já despontava como um dos epicentros do coronavírus no mundo. Hoje, é o segundo país com mais casos.

No Conselho de Direitos Humanos da ONU, foi a vez da ministra Damares Alves “omitir todos os problemas”. A reação do país, em termos de relações internacionais, é ao mesmo tempo que vende essa imagem não real, ao ser cobrado por entidades como a ONU e a OMS, responde com pressão nos bastidores.

Tal situação foi exposta na declaração da embaixadora do Brasil na ONU, Maria Nazareth Farani Azevedo, que atacou os relatores da ONU que denunciavam a situação sanitária brasileira, uma vez que, segundo ela, o Brasil “estava fazendo muito” em políticas nessa área. Também adotam tom semelhante embaixadores brasileiros em outros países, que mandam cartas a editoriais de jornais que ousam criticar as medidas brasileiras.

“Um gesto típico de um governo autoritário que não suporta supervisão”, descreveu Chade. Mas, ao contrário do que espera o governo de Jair Bolsonaro, tais atuações têm sido alvo de chacota internacional. Não somente nos jornais, que estampam críticas e mais críticas, como as organizações já apresentaram mais de 30 queixas internacionais contra o Brasil, incluindo temas como a Amazônia, saúde, educação, violência policial, entre outros.

Jamil Chade adianta que em setembro, o relatório da ONU responsabilizará o governo de Jair Bolsonaro pelas mortes e contágios de Covid-19, “o que promete aprofundar a crise de reputação do país”.

“Os direitos básicos estão sendo violados, em muitas ocasiões pelo próprio governo. Compromissos assumidos pelo Brasil estão sendo rasgados e não há qualquer sinalização de que a atual administração esteja tentando mudar de direção. Por mais que o Planalto tente, a campanha de desinformação que é adotada internamente no país não funciona nos fóruns internacionais.”

 

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3 comentários

  1. o que não estava bom tende a PIORAR E MUITO! já estou vendo países como a china suspendendo compras sobretudo, de soja do brasil. talvez explique o da bolsa de são paulo estar acima de 90 mil pontos de novo. e desses”somos 70%”.

  2. Pois é…
    Todos coniventes com abusos: governo, grande mídia, pequena mídia, “pactos”, …
    Até mesmo com um destituído no Haiti, a pedido da ONU.
    Banco dos réus? Nunca!
    Vão testando os limites, se não encontram obstáculos, vão para o próximo passo.
    Resultado: o Haiti é aqui.

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