Por jucemir rodrigues da silva
comentário ao post “O uso indevido das religiões em campanhas eleitorais”
Que ninguém se iluda com essa aparente isenção politicopartidária da CNBB – voz máxima da ICAR no Reino de Pindorama. (Posso citar inúmeros exemplos da partidarização dessa egrégia instituição.)
O se que camufla nessa querela com os evangélicos não é uma questão de princípio – isenção política das instituições religiosas – mas tão somente a tática conjuntural da ICAR brasileira em vista de ameaça insidiosa de perda de hegemonia no mercado dos bens de salvação. Qualquer um pode constatá-lo ao percorrer , por exemplo,a periferia suburbana carioca: há uma igrejinha evangélica a cada trezentos metros (Na Pauliceia deve ser o mesmo.).
O que ainda mantém a precária supremacia católica é a fragmentação e a rivalidade entre os pequenas, médias e grandes estabelecimentos que produzem a linha evangélica. Edir, Soares, Silas, Valdemiro e quejandos menores emulam no mercado; porém, se nalgum dia superarem suas diferenças mercadológicas e constituírem um único conglomerado, a ICAR ficará em posição difícil no ramo.
A ICAR vai aos poucos contatando que “deus” é um produto de baixo custo de produção. Em rigor, essa mercadoria já não mais necessita de uma megaempresa multinacional e milenária, pois pode ser produzido artesanalmente em qualquer quintal da periferia pois a satisfação do consumidor será a mesma.
(O protesto da CNBB esconderia uma certa familiaridade com a grita das grandes empresas com a invasão dos produtos piratas?…)
É forçoso reconhecer: o mercado de bens de salvação aproxima-se cada vez mais do ideal competitivo de mercado ensinado nos compêndios (Defendido desde priscas eras por Adam Smith , por Ricardo e por toda uma linhagem alimentada nesse líquido amnioticoliberal.): PLENA CONCORRÊNCIA.
A própria ICAR já dera o mapa da mina: o sucesso no mercado não pode prescindir de alianças políticas.
Quisera que o bispo Damasceno fosse coerente e sincero nesse desiderato de não imiscuir religião e sociedade laica…
…Há poucas semanas, ele se contrapôs à decisão Conselho Federal de Medicina de acatar a opção de pacientes terminais de recusar tratamento.
Será que a CNBB consideraria politicamente irrelevante a adesão ateísta de um candidato?
Ou a proposta de um candidato de deixar para cada mulher a decisão de abortar ou conceber?
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