Sabesp paralisa obras de despoluição do Tietê

Jornal GGN – Focada em evitar um colapso no abastecimento de água na Grande São Paulo e sem dinheiro para pegar empréstimos, a Sabesp, companhia de saneamento paulista, paralisou o andamento de obras de despoluição do rio Tietê. O Projeto Tietê já gastou US$ 2,4 bilhões desde 1992, e as obras atrasadas ou paradas fazem parte das duas últimas etapas do projeto, somando R$ 810 milhões, e estão entre os financiamentos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

Uma das obras é a construção de tubulações ao longo dos rios Tamanduateí e Tietê, que permitiria levar uma quantidade de esgoto para ser tratado em Barueri. Com custo de R$ 480 milhões, a Caixa Econômica Federal bancaria 95% da iniciativa, que teve seu contrato assinado em 2013. As obras foram congeladas, e, segundo a Caixa, elas não chegaram a ser iniciadas. 

Da Folha

Sabesp trava obras para despoluição do rio Tietê em São Paulo

Sem dinheiro para tomar empréstimos e com foco em evitar um colapso no abastecimento de água da Grande São Paulo, a Sabesp, companhia de saneamento ligada à gestão Geraldo Alckmin (PSDB), travou o andamento de obras importantes do Projeto Tietê, que visa despoluir o rio que corta São Paulo.

Bandeira do setor ambiental do governo paulista, o plano já consumiu US$ 2,4 bilhões desde 1992, sem considerar a inflação.

As obras atrasadas ou paralisadas fazem parte das últimas duas etapas do projeto, de um total de quatro. Ao todo, somam R$ 810 milhões.

Elas estão na carteira de financiamento do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), do governo federal, e deveriam ser conduzidas pela Sabesp.

INTERLIGAÇÃO

Uma medida essencial para despoluir o rio é o avanço da rede de esgoto de São Paulo e sua interligação com estações de tratamento.

Atualmente, a Sabesp capta 87% do esgoto na capital e trata 78% desse total. A bacia do rio Tietê recebe dejetos de 1,2 milhão de pessoas.

Para evitar que isso continue acontecendo, o Projeto Tietê prevê, entre outras medidas, a construção de tubulações ao longo dos rios Tamanduateí e Tietê.

Essa rede teria capacidade de levar uma quantidade maior de esgoto do que atual para uma estação de tratamento em Barueri.

 

Entre as obras previstas com essa finalidade está uma tubulação com três metros de diâmetro sob as pistas da marginal Tietê, ao longo de uma extensão de 7,5 quilômetros no total.

Ao custo de R$ 480 milhões, a iniciativa seria em 95% bancada pela Caixa Econômica Federal.

O valor só é liberado depois do início da obra. O contrato foi assinado em 2013, mas as obras foram congeladas –segundo o banco, nem começaram.

A Sabesp, que há um mês dizia que a obra estava parada, afirmou na semana passada que ela estava em em andamento. A empresa não informou, porém, qual o estágio da obra.

Outras obras relacionadas à despoluição do rio que ainda nem começaram são a ampliação de estações de tratamento e a extensão da rede de esgoto já existente ao longo do rio Pinheiros.

Iniciado em 1992, o Projeto Tietê tem financiamento internacional e federal, além de recursos do próprio governo do Estado de São Paulo.

Segundo a Sabesp, depois de sua implantação, a mancha de esgoto no rio Tietê foi reduzida em 86,6%. A atual etapa do projeto está prevista para acabar até 2018.

BALANÇO

Com represas secas e milhares de moradores da Grande São Paulo sob racionamento (entrega controlada de água), a Sabesp passou a vender menos água, o que impactou sua arrecadação.

Ao mesmo tempo, a companhia teve que investir em obras emergenciais para ampliar o abastecimento da região metropolitana e evitar um rodízio de água.

O lucro da companhia despencou de R$ 1,9 bilhão, em 2013, para R$ 903 milhões, no ano passado. A desvalorização do real também impactou no resultado.

OUTRO LADO

A mancha de poluição no rio Tietê, que em 1993 chegava a 530 quilômetros no sentido do interior, está 86,6% menor e atualmente tem 71 quilômetros de extensão, informa a Sabesp, companhia paulista de saneamento.

Segundo a empresa, há 22 anos o esgoto que a Grande SP lançava no Tietê chegava até Barra Bonita (a 267 km de São Paulo). Atualmente, os dejetos alcançam Pirapora do Bom Jesus, a cerca de 70 km da zona metropolitana.

Hoje, 87% do esgoto produzido na Grande São Paulo é coletado, e 78% desse volume é tratado, diz a empresa. Quando o programa começou, o sistema de saneamento tratava 19% da matéria orgânica gerada.

A Sabesp, empresa ligada ao governo Alckmin (PSDB), nega que as principais obras de despoluição do Projeto Tietê estejam paradas.

Segundo a companhia, a terceira fase do programa, iniciada em 2010, está em andamento. “Com essa etapa, estima-se que mais 1,5 milhão de pessoas passem a ter os esgotos de suas moradias coletados”, afirma em nota.

Algumas obras da quarta fase do projeto também já foram iniciadas, diz a empresa, que cita o coletor tronco Anhangabaú, uma das principais do sistema, e a rede de tubos Tamanduateí e Tietê. Mas, para a Caixa Econômica, as obras estão paradas.

A previsão é de que todas as ações programadas sejam entregues em 2018.

De acordo com a Sabesp, foram gastos na terceira fase do Projeto Tietê US$ 824 milhões, o que permitiu a construção de 302 km de coletores, 240 km de redes e 400 mil ligações de esgoto.

NOVAS CONEXÕES

Apesar dos avanços obtidos pelo programa desde os anos 1990, o rio Tietê ainda está sujo, segundo ambientalistas que acompanham de perto os resultados obtidos até agora, porque faltam milhares de ligações na região metropolitana.

As estimativas mostram que é preciso um esforço conjunto, entre União, Estado e municípios (alguns não são atendidos pela Sabesp) para conectar mais de 200 mil domicílios à rede de esgoto. O que representa, aproximadamente, 1,5 milhão de pessoas.

Sem isso, o rio Tietê, dentro da Grande São Paulo, continuará poluído. 

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