Jornal GGN – A ingestão global média de sal em 2010 foi de cerca de 10 gramas diárias por pessoa, o que corresponde a 4 gramas diárias de sódio. Os valores, o dobro do recomendado pela OMS (Organização Mundial da Saúde), são resultados do primeiro estudo do tipo, realizado por pesquisadores da Universidade de Cambridge, no Reino Unido. A pesquisa apontou que, de 187 países pesquisados, em 181 (o que corresponde a 99,2 % da população adulta mundial) a ingestão de sódio era de 2 gramas por dia. Em 119 países (88,3% da população adulta do mundo ), o consumo nacional ultrapassou a quantidade recomendada por mais de 1 grama por dia de sódio.
“Quase todas as populações em todo o mundo estão consumindo muito mais sódio do que é saudável”, afirma Dariush Mozaffarian, da Escola Harvard de Saúde Pública. “Claramente, são necessárias políticas públicas fortes juntamente com a cooperação e colaboração da indústria para reduzir substancialmente sódio”. O estudo também revela grandes variações regionais em torno desta média global, como explica John Powles, do Departamento de Saúde Pública e Cuidados Primários da Universidade de Cambridge explicou. “Os maiores consumos são encontrados em regiões situadas ao longo da antiga Rota da Seda: do leste da Ásia, através de Ásia Central, para a Europa Oriental e do Oriente Médio”.
Não por acaso, a maioria dessas populações de alto consumo de sal têm taxas elevadas de casos de doenças cardiovasculares. Assim, programas para reduzir o consumo de sal devem ter impacto significativo na ocorrência de casos de problemas cardíacos, segundo os pesquisadores. O estudo usou o maior conjunto de fontes de dados primários ainda compilados para derivar estimativas médias para todos os países, entre 1990 e 2010. Os dados mostraram que praticamente todas as populações se beneficiariam, em algum momento, com a redução de sódio.
De acordo com os pesquisadores, o estudo recém-publicado torna possível estimar o ônus correspondente das chamadas doenças evitáveis em países específicos, assim como determinar os consumos por idade e sexo, criando subgrupos específicos. Em média, as ingestões de sal eram cerca de 10% maiores em homens do que em mulheres, mas eram muito semelhantes pela idade. A redução do consumo de sódio tornou-se prioridade para os formuladores de políticas globais que procuram reduzir as doenças não transmissíveis, mas a formatação das políticas tem sido dificultada pela falta de informações sobre a ingestão de sal na maioria dos países, e se tais entradas variavam de acordo com a idade ou o sexo.
Com informações do MedicalXpress.com
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