Especialista diz que é possível parar com os testes em animais

Sugerido por Dani

Da Revista Galileu

‘Uso de animais para estudar doenças e testar drogas para uso humano é um grande erro’ 

Especialista em cardiologia nuclear e diretor do Comitê Médico Pela Medicina Responsável, John Pipp afirma que é possível parar com os testes agora

por Ana Freitas

O uso de animais em testes científicos e pesquisas acadêmicas poderia ser interrompido hoje mesmo sem nenhum ônus para o avanço científico: essa é a opinião do Dr. John Pippin, diretor de negócios acadêmicos da associação americana PCRM (Sigla em inglês para Comitê Médico Pela Medicina Responsável), sobre o uso de animais em pesquisas laboratoriais e acadêmicas.

O PCRM tem mais de 150 mil médicos e civis associados nos EUA e, desde 1985, defende uma medicina mais responsável e ética, e isso inclui a divulgação da importância da nutrição preventiva – em vez da prática de receitar drogas aos pacientes para corrigir problemas que poderiam ter sido evitados através de uma alimentação correta, por exemplo – e o fim do uso de animais em testes laboratoriais e pesquisas acadêmicas, entre outras coisas. De acordo com o PCRM, os resultados de testes com animais são tão imprecisos e incompatíveis com a maneira como o organismo humano reage que não faz sentido continuar submetendo os animais a eles. Para eles, não funciona, e se não funciona, não deveria estar sendo feito mesmo que não tivéssemos outras alternativas.

Em entrevista à GALILEU, John Pippin, especializado em cardiologia nuclear com mais de 70 artigos científicos publicados, falou sobre a ineficiência desse tipo de teste, as possíveis alternativas e sobre o caso do Instituo Royal.

GALILEU: Qual é a sua opinião sobre o uso de animais em pesquisas acadêmicas e testes laboratoriais?

Minha posição é que é errado sob todos os aspectos. É errado por razões éticas, e eu posso dizer isso, com autoridade porque eu já participei de pesquisas que testavam em animais, então posso dizer que, mesmo nas mãos de pessoas que cuidadosas e carinhosas, é horrível, cruel, e muitas vezes fatal para os animais que são usados nesse tipo de pesquisa. Essa é a questão ética.

A questão científica é que está provado que o uso de animais para estudar doenças humanas e testar drogas para uso humano antes que eles sejam mandadas para teste clínicos em pessoas é um grande erro. Os resultados geralmente têm uma aplicabilidade muito baixa em seres humanos, e é um sistema que claramente está demonstrado que não é eficaz, não prevê os resultados em organismos humanos, consome grandes recursos financeiros e produz poucos, quando nenhum, benefícios para pacientes.

Do ponto de vista científico, é errado porque não funciona. E do ponto de vista moral, é errado porque é cruel e fatal para os animais nos laboratórios.

Então porque os testes ainda são largamente usados por pesquisadores?

Há três grandes razões pelas quais isso continua e elas são dinheiro, dinheiro e dinheiro.As pesquisas em animais para doenças humanas, ao menos nos EUA, acontecem em universidades e ambientes acadêmicos, e essa pesquisa é paga por dinheiro público. Esses institutos gastam todo ano cerca de 13 bilhões de dólares em pesquisas usando animais. Obviamente isso é muito dinheiro, muitas grandes universidades nos EUA – Harvard, Yale, entre outras – ganham muito dinheiro para conduzir essas pesquisas. E sem esse dinheiro, carreiras e construção de infra-estrutura estariam em perigo. Há grande resistência no uso de animais em pesquisa porque é lucrativo.

Por que o governo continua a colocar dinheiro em algo que não funciona?

Eles não concordam que não funciona: eles acham que as vezes funciona, ou às vezes não funciona e que se esperarmos o suficiente, coisas que não funcionam agora funcionarão no futuro. Isso é nonsense. No caso dos EUA, por exemplo, o povo está pagando por essas pesquisas merece ver resultados que beneficiem sua saúde e bem-estar, e isso não está acontecendo.

Outra razão pela qual o governo continua a gastar dinheiro nisso é que as pessoas que tomam essas decisões são, eles mesmos, pesquisadores que usam animais nos testes, gente que acredita nisso. É por isso que pesquisa animal para doenças humanas continua.

Editora Globo

Ativistas contra testes em animais (Foto: David Navalha/Flickr/Creative Commons)

E na indústria farmacêutica? Se o senhor afirma que esses testes são ineficientes para prever resultados em organismos humanos, por que eles continuam sendo feitos?

As empresas farmacêuticas estão interessadas em apenas uma coisa: ter os remédios aprovados pelo FDA (Foods and Drugs Administration, a vigilância sanitária dos EUA) para que sejam usados em humanos. A maneira mais fácil de fazer isso é dar ao FDA resultados de pesquisas com animais, porque o FDA está acostumado a ver resultados baseados nesse tipo de pesquisa, e é através de testes em animais que eles frequentemente aprovam testes em humanos.

E apesar disso, o próprio FDA já admitiu que testes em animais não são capazes de prever o comportamento do organismo humano diante de uma droga. 92% de todas as drogas testadas com sucesso em animais, e depois em humanos, falham de alguma forma[fonte]. Isso não é ciência, é bruxaria. Não deveria ser financiada e apoiado pela FDA, é uma fraude, e uma fraude que acontece por causa de dinheiro. Companhias farmacêuticas estão entre as maiores dos EUA, as mais ricas. O frustrante é que o FDA sabe que não faz sentido.

E quais são as alternativas mais eficientes ao teste com animais?

O princípio fundamental de achar alternativas melhores à política falida de usar animais é usar um sistema que se aplique a humanos.

Usando tecidos humanos, você consegue resultados que se aplicam a humanos, e você não precisa adivinhar se o que aconteceu com o rato também se aplica a humanos. É possível usar um tecido do fígado, colocar em contato com uma droga pra ver se vai causar algum câncer. Há vários tipos de tecidos possíveis, mas as amostras mais avançadas são ambientes tridimensionais, como partes de cânceres ou partes de tecido humano. E a área mais promissora nesse sentido é a de células tronco.

Hoje é possível obter células tronco que podem ser programadas para se tornar qualquer tecido que você queira a partir de outros tecidos. Dá pra criar corações, fígados, pulmões. Já foram criadas bexigas humanas a partir de células tronco. Isso mostra o potencial de usá-las para estudar o efeito de drogas e químicos em tecidos humanos. Há também métodos baseados em software: são vastos bancos de dados armazenando informações sobre o comportamento do organismo humano em geral e o que se observou até hoje que funciona e não funciona. É possível observar como uma droga influencia nos genes de alguém e pode vir a causar uma doença no futuro, ou como certos genes podem gerar uma pré-disposição para algumas doenças caso interajam com drogas. Empresas farmacêuticas já usam isso, porque eles sabem que funciona. Mas eles também usam testes em animais porque é isso que o FDA está acostumado a receber.

Se eu entendi bem, sua opinião então é que, se não funciona, não deveríamos nem nos preocupar em substituir o processo atual com alternativas, mas sim parar completamente?

Exatamente. Quando as pessoas me perguntam “mas se não usarmos animais, o que vamos fazer? Temos que fazer algo, não podemos dar remédios pras pessoas sem testá-los”, minha resposta é “Olha, se não funciona, consome seus recursos, usa dinheiro do contribuinte e prejudica as pessoas, como drogas como o Vioxx fizeram [Vioxx foi um anti-inflamatório testado com resultados inócuos em animais, mas que depois, no mercado, chegava a triplicar o risco de morte por ataque cardíaco nos pacientes. Foi retirado de circulação nos EUA em 2004], então temos de parar!

Mesmo que não façamos nada alternativo, vamos parar. Não está funcionando”. E aí eu digo que, poxa, ainda por cima há sim alternativas se a gente quiser usá-las.

Você ouviu falar do caso do caso do laboratório brasileiro que foi invadido por ativistas?

Dos beagles, não é? Sim, esse caso foi bastante repercutido nos EUA. Me entristece que as pessoas sejam obrigadas a agir fora da lei para fazer aquilo que acham que é certo. Essas pessoas são corajosas. Elas estão se arriscando por algo que sabem que é justo e não têm ninguém para protegê-las. Os beagles têm gente como elas.

Em quanto tempo você acha que os EUA vão parar de fazer testes em animais?

Acho que passamos do ponto em que pessoas discutem se pesquisas animais são abordagens científicas confiáveis. Todo mundo entende que não é. Gente como eu entende que essas pesquisas não têm valor nenhum, e outras pessoas da área acham que a abordagem é falha mas que de vez em quando ela traz alguns resultados úteis, e portanto têm que continuar fazendo.

Já passamos da parte em que provamos que testar em animais não é certo. Já estamos no caminho em direção a achar maneiras melhores de fazer isso Porque essa indústria não tem ética e só se preocupa com votos e dinheiro, eu diria 10 a 15 anos. E isso é porque demora um tempo até convencer a FDA que eles estão fazendo algo errado, mesmo com o comitê de ciência e o congresso dizendo que eles estão fazendo tudo errado.

33 comentários

  1. Acabem com a ciência

    Vão usar apenas tecidos, como por exemplo um pedaço de fígado? Até quero ver como serão testadas a ação das drogas no corpo como um todo, os sintomas, etc. Por causa de fundamentalistos burros como esses destes ecoativistas é que em alguns paises, como por exemplo aqueles cuja lei é a sharia, a ciência foi praticamente abolida. O Instituto Royal já foi fechado, qual será o próximo, o Fiocruz? No lugar da ciência, que tantos serviços já foram prestados à humanidade, na hora em que foram acometidos por um câncer, recorram à Santa Luisa Mel

     

       

    • Que tal expandir a mente e o coração?

      Aonde o sr. coleta tantos clichês simplistas? É coleção particular ( disponível para “cortar e colar”) ou vem de alguma enciclopédia ilustrada? Sair do lugar comum dá um pouco de trabalho mas fornece argumentos ao invés de ofensas aos burros fundamentalistas.

        • “Burros fundamentalistas”,

          “Burros fundamentalistas”, “senhorita”, você é o comentarista mais “capacitado” e “corajoso” do blog, bem escondidinho, é claro! E “colou” outro clichê, o do “Freud explica”! Vai fundo, estaremos acompanhando  p/ ver se vc bate o próprio recorde e se supera no guiness book da falta de coragem e argumentos.

  2. Aos ensandecidos

    Para quem imagina que pode vencer este debate no grito, favor deixar o fundamentalismo de lado e ler isso:

    Época: Em que casos os experimentos em animais são indispensáveis? 
    Higgins: Uma parte da pesquisa em animais é testar a toxicidade de remédios e substâncias químicas. A outra é para entender como o corpo funciona e o que acontece com ele no caso de doenças. Se queremos entender a doença de alzheimer, que é um problema de saúde gigantesco, precisamos estudá-la em animais antes mesmo de pensar em como tratá-la. Se estudarmos pacientes com alzheimer, só podemos fazer isso quando as pessoas estiverem mortas. Mas se quisermos entender como funciona o cérebro e o que acontece com ele devido à doença, temos de estudar os animais, e não há uma alternativa. Não podemos estudar uma célula, porque a célula não é um cérebro.

    Época: E os casos como o da talidomida (calmante que provocou deformações em milhares de fetos nos anos 60) e o do Vioxx (antiinflamatório que causou problemas cardíacos e foi retirado do mercado em 2005)? Esses medicamentos foram testados em animais se provaram perigosos aos humanos. 
    Higgins: Mas são poucos casos, se compararmos com medicamentos muito importantes, como a penicilina, que foram testados em animais. A razão pela qual a talidomida entrou no mercado foi porque não foi testada suficientemente em bichos. A talidomida não causa nenhum mal em animais normais e nem em humanos normais. Causa malformação em fetos. Se os cientistas tivesses testado suficientemente a droga em animais prenhes, provavelmente eles teriam visto os problemas. É um bom exemplo de como testes adicionais em animais nos teriam poupados dos problemas.

    Época: Poderemos um dia acabar com os testes em animais? 
    Higgins: Absolutamente não. Se queremos novos remédios, precisamos dos bichos para testá-los. Simplesmente não há alternativas. Cada remédio que temos foi desenvolvido com o uso de animais, tanto para entender como funciona uma doença como para testar drogas antes de elas serem usadas em homens.

  3. Aos ensandecidos – II

    Os animais são essenciais na pesquisa médica

    The Observer: a ciência animal tem um papel vital no desenvolvimento de tratamentos que salvam vidaspor The Observer — publicado 31/10/2013  Radek Mica / AFPChimpanzé

    O uso de animais em pesquisa é alvo de polêmica em diversos países

      

    É incorreto implicar, como faz a Animal Aid em sua carta (“Usem pessoas e não animais na pesquisa de tratamentos”), que os medicamentos para mal de Parkinson foram desenvolvidos somente com testes em seres humanos. As três drogas citadas envolveram pesquisas que usaram animais em seu desenvolvimento.

    O Levodopa foi desenvolvido depois de trabalhos premiados com o Nobel em coelhos para se compreender a dopamina, substância química que se perde gradualmente no cérebro com a doença de Parkinson e tornou-se disponível como medicamento na década de 1960. Ela ainda é o tratamento mais eficaz para Parkinson até hoje e transformou a vida de milhões de pessoas.

    Todos nos esforçamos para minimizar a necessidade de usar animais em pesquisas, e estamos comprometidos com melhorar seu bem-estar, mas a ciência animal tem um papel vital no desenvolvimento de tratamentos que salvam vidas. Não teríamos descoberto os antibióticos, a quimioterapia ou procedimentos médicos que incluem o uso de estimulação profunda do cérebro para o tratamento de Parkinson sem utilizar animais.

     

    Professor Sir John Tooke

    Presidente da Academia de Ciências Médicas

    Dr. Mark Downs

    Executivo-chefe da Sociedade de Biologia

    Dr. Kieran Breen

    Diretor de pesquisa e desenvolvimento da Parkinson’s UK

    Sharmila Nebhrajani

    Executiva-chefe da Associação de Instituições de Pesquisa Médica

           

    • Interesses pessoais em jogo, na questão dos testes em animais!

      Seria um caso de falsidade ideológica?  http://www.josecarloslima.blogspot.com.br/, que , se for o blog do IV AVATAR é patrocinado, entre outras empresas de outros ramos, pela “Bristol-Myers Squibb Company” que é segundo o que se encontra em http://www.pedalnaestrada.com.br/pages.php?recid=25 (outra página ligado a essa pessoa): “Uma das maiores empresas do setor farmacêutico brasileiro, a Bristol Myers Squibb está atuando em parceria com o Pedal na Estrada nesta jornada ao redor do mundo.Esta empresa, que faz da saúde sua meta, investe neste projeto social, sendo sua maior patrocinadora.Site: http://www.bristol.com.br“. Leiam , no blog acima mencionado , a incrível estória da “Cidade Spin”, por exemplo , um trecho:  “…Quanto aos 3 tipos de personalidade, a animal engloba desde o menor, como os vírus, aos maiores, como os dinossauros, enquanto as pessoas pessoas jurídicas, tantos as informais como as formais, de Igrejas a Supermercados.Lá, a luta não é apenas entre seres humanos e pessoas jurídicas mas, além destes, também os animais, com seus direitos, como por exemplo ao habitat e a preservação, por exemplo, contra os pesticidas, sendo-lhes garantido o direito à vida, como os demais sócios.”  Ele usa animais, também! Mas é só poesia!

  4. GALILEU PRECISA TIRAR A MÁSCARA E MOSTRAR A SUA CARA

    É muita hipocrisia por parte da revista Galileu, uma publicação ainda impressa em pleno século 21, que contamina o meio ambiente através de impressão gráfica ao utilizar tintas e solventes tóxicos, estar evidenciando notícias sobre animais de laboratórios sendo uma mídia distribuída pelas Organizações Globo, que veicula em sua programação comerciais publicitários de empresas que oferecem produtos provenientes de testes e experimentos em animais.

  5. OS ANIMAIS NÃO ESTÃO AQUI PARA NOS SERVIR

    Não somos melhores que os animais. Me atrevo a dizer que, na verdade, é o contrário. Os seres humanos são capazes de crueldade, enquanto os animais não são – sentem dor, amor, medo, assim como nós, mas ao contrário de nós, não são cruéis e são incapazes de praticar a maldade. Os animais NÃO SÃO uma posse, não estão aqui para nos servir. Termos um cérebro mais desenvolvido e a capacidade de raciocínio nitão nos dá o direito de abusar dessas criaturas, que são seres vivos, assim como nós. Eu repito: os animais não estão aqui para nos servir. Se temos algo em relação a eles, é a obrigação de cuidar e protegê-los das pessoas sem empatia que existem nesse mundo.

  6. O teste em animais é

    O teste em animais é retrógrado. É só ler esta matéria, e muitas outras por aí, pra saber que a eficiência dos testes em animais é nenhuma. E quando é alguma coisa, é quase nada. Não é ciência, é bruxaria, é praticamente conhecimento empírico. O teste em animal não serve, não tem nem como comparar a estrutura de um animal com a estrutura humana. E mesmo que os testes servisse, não deveríamos ter esse direito. Os animais não são uma coisa a ser possuída, são seres vivo, com direito a vida, muito mais do que nós. Não estão aqui para serem usados, não estão aqui para nos servir.

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