22 de maio de 2026

Estudo revela como células de defesa protegem o DNA em situações extremas

A descoberta amplia o entendimento sobre o sistema imunológico e abre novas perspectivas para investigações sobre doenças autoimunes, infecções e câncer
Crédito: Nature Communication

Estudo da USP revela que proteína XPC é essencial para reparo do DNA em linfócitos T sob estresse oxidativo.
Pesquisa mostra que XPC regula diferenciação de células Th17, ligadas a defesa contra infecções e doenças autoimunes.
Equipe planeja estudos em humanos e terapias para doenças inflamatórias e autoimunes, com foco na proteína XPC.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) e publicado na revista Nature Communications identificou um mecanismo essencial para a sobrevivência e o funcionamento das células do sistema imunológico. A pesquisa mostra como os linfócitos T conseguem preservar a integridade do DNA mesmo sob intenso estresse oxidativo, condição que, em geral, provoca danos significativos ao material genético.

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Os resultados indicam que a proteína XPC, já conhecida por atuar no reparo de lesões no DNA, também desempenha papel decisivo na diferenciação dessas células de defesa. A descoberta amplia o entendimento sobre o sistema imunológico e abre novas perspectivas para investigações sobre doenças autoimunes, infecções e câncer.

O trabalho foi coordenado pelo professor Niels Olsen Saraiva Câmara, do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da USP, com apoio da FAPESP e colaboração de pesquisadores de instituições brasileiras e internacionais, incluindo UFRJ, UFG, Unifesp, além das universidades de Mainz e Rostock, na Alemanha, e da Harvard Medical School, nos Estados Unidos.

Defesa e inflamação

No estudo, os cientistas analisaram os linfócitos T, células que circulam pelo organismo identificando e combatendo ameaças. Quando reconhecem antígenos, essas células são ativadas e passam por intensa multiplicação e especialização. Entre os tipos resultantes estão as células Th17.

Essas células são fundamentais na defesa contra bactérias e fungos, especialmente em superfícies como pele e intestino. Elas produzem a proteína IL-17, que atua como mensageira do sistema imunológico e induz processos inflamatórios necessários para combater infecções.

No entanto, quando a produção de IL-17 ocorre de forma excessiva ou desregulada, pode levar ao desenvolvimento de doenças autoimunes, como psoríase, diabetes tipo 1 e enfermidades inflamatórias intestinais, incluindo colite ulcerativa e doença de Crohn.

DNA

Durante sua ativação e rápida multiplicação, as células Th17 acumulam danos causados por radicais livres. Até então, não se sabia como elas lidavam com esse estresse oxidativo. O estudo demonstrou que a proteína XPC é fundamental nesse processo.

Sem a XPC, as células acumulam mais danos no DNA e não conseguem se diferenciar adequadamente em células Th17 funcionais. Em modelos experimentais de inflamação intestinal, camundongos com o sistema de reparo intacto desenvolveram colite, enquanto aqueles sem a proteína não apresentaram inflamação — justamente porque suas células Th17 não funcionavam corretamente.

Outro achado relevante foi que, na ausência da XPC, essas células passam a adquirir características de linfócitos T reguladores (Treg), que têm função anti-inflamatória e ajudam a conter respostas imunes exageradas.

Doença rara

A proteína XPC já era conhecida por sua relação com o xeroderma pigmentoso, uma doença genética rara que compromete o reparo do DNA e aumenta drasticamente o risco de câncer de pele. Pacientes com essa condição apresentam mutações que impedem o funcionamento da proteína, tornando-os extremamente sensíveis à radiação ultravioleta.

Os pesquisadores destacam que o novo estudo conecta dois campos tradicionalmente separados: o reparo de DNA e a imunologia. Além disso, pode ajudar a explicar por que pacientes com xeroderma pigmentoso apresentam maior suscetibilidade a infecções.

Segundo os cientistas, a combinação de maior acúmulo de mutações e menor eficiência do sistema imunológico pode favorecer tanto o surgimento quanto a progressão de tumores nesses indivíduos.

Próximas etapas

A equipe agora pretende avançar para estudos em humanos, investigando o sistema imunológico de pacientes com xeroderma pigmentoso, uma área ainda pouco explorada. Já foi formada uma coorte inicial com dez pacientes.

Outra linha de pesquisa busca explorar aplicações terapêuticas, especialmente em doenças inflamatórias. A ideia é desenvolver estratégias para inibir seletivamente a proteína XPC em células Th17, reduzindo a inflamação ou até reprogramando essas células para um perfil regulador.

Os pesquisadores também planejam investigar o papel da proteína em outros contextos, como câncer, doenças autoimunes e resposta a vacinas. Resultados preliminares já sugerem, por exemplo, que a ausência da XPC pode impedir o desenvolvimento de esclerose múltipla em modelos experimentais.

Para os autores, os achados abrem novas possibilidades de pesquisa e indicam caminhos promissores tanto para a compreensão do sistema imunológico quanto para o desenvolvimento de novas abordagens terapêuticas.

*Com informações da Agência Fapesp.

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Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É repórter do GGN desde 2022.

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