O Ministério da Saúde e a Fiocruz anunciaram uma nova fase no processo de implantação do Complexo Industrial de Biotecnologia em Saúde (CIBS), localizado no Distrito Industrial de Santa Cruz, no Rio de Janeiro. O empreendimento é considerado estratégico para o fortalecimento do Complexo Econômico e Industrial da Saúde (Ceis) e para ampliar a capacidade nacional de produção de vacinas e biofármacos.
Integrado ao Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), o CIBS tem papel central na incorporação de tecnologias e na promoção da autonomia do país na área de biotecnologia, além de reforçar a capacidade de atendimento às demandas globais de saúde, com destaque para a cooperação entre países do Sul Global. Quando estiver plenamente operacional, o complexo terá capacidade para produzir até 120 milhões de frascos por ano, tornando-se o maior centro de processamento de produtos biológicos da América Latina.
A etapa anunciada nesta segunda-feira (24), durante reunião do Grupo Executivo do Complexo Econômico-Industrial da Saúde (Geceis), em São Paulo, marca o início de um novo processo para retomada da construção do complexo. A proposta inclui a qualificação do projeto no âmbito do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), da Casa Civil, e reafirma o investimento de R$ 6 bilhões, entre recursos públicos e privados, para garantir a operação plena da nova fábrica de vacinas e biofármacos. Desse montante, mais de R$ 2 bilhões serão provenientes do Novo PAC.
A retomada do projeto também envolve uma nova parceria entre Fiocruz, International Finance Corporation (IFC), integrante do Banco Mundial, e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). A partir do acordo, IFC, BNDES e a Secretaria Especial do PPI passam a apoiar a Fiocruz na realização de estudos técnicos, modelagem e estruturação do processo de licitação para uma Parceria Público-Privada (PPP). A previsão é que o edital seja lançado no segundo semestre de 2026, com o objetivo de selecionar a empresa responsável pela construção e operação do empreendimento.
A assinatura do contrato que viabiliza essa nova fase ocorre após a aprovação, pelo Tribunal de Contas da União (TCU), de uma solução consensual para o encerramento do contrato anterior, cujo consórcio vencedor não deu início às obras. O acordo envolveu o TCU, Ministério da Saúde, Fiocruz e Advocacia-Geral da União (AGU), garantindo à Fiocruz a titularidade dos estudos técnicos já realizados, que agora poderão ser aproveitados na continuidade do projeto.
Para o presidente da Fiocruz, Mario Moreira, a retomada do CIBS representa um avanço decisivo:
“Estamos diante de um momento em que a sustentabilidade e a soberania nacional na produção de vacinas e biofármacos assumem novo impulso. O CIBS é uma contribuição decisiva da Fiocruz e do Ministério da Saúde para reduzir as desigualdades no nosso país. Além disso, num contexto em que todo o mundo está mobilizado para a preparação e resposta a emergências, a Fiocruz assume papel estratégico na região”, afirmou.
A diretora de Bio-Manguinhos/Fiocruz, Rosane Cuber, reforçou a importância do empreendimento. “A retomada deste projeto é um pilar estratégico para o Complexo Econômico e Industrial da Saúde. O Cibs permitirá que Bio-Manguinhos possa não apenas internalizar com celeridade todas as PDPs já assumidas junto ao Ministério, mas também responder com a mesma eficiência e qualidade às crescentes demandas nacionais e internacionais, incluindo a oferta de vacinas essenciais, como febre amarela e tríplice viral para países do Sul Global.”
CIBS
O Complexo Industrial de Biotecnologia em Saúde integra uma política de Estado que busca reduzir a dependência externa na produção de vacinas e biomedicamentos, fortalecendo a capacidade tecnológica e industrial do país. Com 343 mil m² de área construída, o complexo será operado por Bio-Manguinhos/Fiocruz e abrigará unidades de produção, embalagem, controle de qualidade, armazenamento, distribuição e tratamento de resíduos.
A produção prevista inclui imunizantes estratégicos, como vacinas contra meningite, poliomielite, febre amarela, tríplice viral e a hexavalente, além de biofármacos usados no tratamento de diversas condições, como câncer de mama metastático, artrite reumatoide, psoríase, insuficiência renal, câncer de pulmão e deficiência de hormônio do crescimento. A iniciativa promete impactar diretamente o atendimento no SUS e reduzir desigualdades no acesso a tecnologias de saúde.
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