10 de junho de 2026

Países africanos dão início à aplicação de medicamento que reduz em mais de 99,9% o risco de HIV

O início da aplicação ocorreu em eventos públicos nesta segunda-feira, durante as cerimônias do Dia Mundial da Luta Contra a Aids
Crédito: Reprodução/ CFF

1- África do Sul, Essuatíni e Zâmbia iniciam uso do Lenacapavir, injeção de prevenção ao HIV, em eventos públicos, marcando avanço na luta contra a epidemia.

2- Lenacapavir, administrado 2 vezes/ano, reduz risco de HIV em mais de 99,9%. Iniciativa financiada pela Unitaid e aplicada em países com alta incidência da doença.

3- Zâmbia e Essuatíni recebem doses do Lenacapavir em eventos do Dia Mundial da Luta Contra a Aids. Farmacêutica Gilead Sciences fornecerá doses a preço de custo.

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África do Sul, Essuatíni e Zâmbia deram início nesta segunda-feira (1º) à aplicação do Lenacapavir, uma nova injeção de prevenção ao HIV que marca o primeiro lançamento público do medicamento no continente africano, a região mais afetada pela epidemia no mundo.

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O Lenacapavir é administrado apenas duas vezes por ano e reduz o risco de aquisição do HIV em mais de 99,9%, funcionando de maneira semelhante a uma vacina altamente eficaz.

Na África do Sul, onde um em cada cinco adultos vive com HIV, o lançamento foi supervisionado por uma unidade de pesquisa da Universidade de Wits, dentro de uma iniciativa financiada pela Unitaid, agência de saúde vinculada à ONU.

“As primeiras pessoas começaram a usar o Lenacapavir para a prevenção do HIV na África do Sul (…) tornando-o um dos primeiros usos reais da injeção semestral em países de baixa e média renda”, informou a Unitaid em comunicado.

A agência não divulgou o número inicial de pessoas que receberam a dose. Nos Estados Unidos, o tratamento tem custo de US$ 28 mil por pessoa ao ano (cerca de R$ 150 mil), e a expectativa é que a implementação nacional na África do Sul se amplie em 2026.

Zâmbia e Essuatíni receberam 1.000 doses em novembro como parte de um programa financiado pelo governo dos Estados Unidos. O início da aplicação ocorreu em eventos públicos nesta segunda-feira, durante as cerimônias do Dia Mundial da Luta Contra a Aids.

Em Hhukwini, Essuatíni, dezenas de pessoas aguardaram na fila para receber a injeção, em um evento marcado por música e danças tradicionais.

“Hoje é um ponto de virada na nossa resposta nacional ao HIV. A injeção nos dá novas esperanças e uma ferramenta poderosa para proteger nossos cidadãos”, afirmou o primeiro-ministro Russell Dlamini.

Pelo programa norte-americano, a farmacêutica Gilead Sciences se comprometeu a fornecer o Lenacapavir a preço de custo para dois milhões de pessoas em países com alta incidência de HIV, durante três anos.

Apesar de ter participado dos ensaios clínicos do medicamento, a África do Sul não receberá doses desse programa, em meio a tensões políticas com Washington.

“Obviamente, encorajamos todos os países, especialmente países como a África do Sul, que possuem recursos próprios significativos, a financiar as doses para sua própria população”, declarou no fim de novembro Jeremy Lewin, do Departamento de Estado dos EUA.

Críticos afirmam que as doações americanas são insuficientes diante da demanda real e que o preço comercial do medicamento é proibitivo para a maioria da população africana.

Epidemia

Segundo relatório do Unaids (2024), a África Oriental e Austral concentra 52% dos 40,8 milhões de pessoas que vivem com HIV no mundo. Na Zâmbia, cerca de 1,4 milhão de pessoas têm HIV, com 30 mil novas infecções anuais. Em Essuatíni, país com 1,2 milhão de habitantes, aproximadamente 220 mil pessoas vivem com o vírus.

A expectativa é que, a partir de 2027, versões genéricas do Lenacapavir cheguem ao mercado por cerca de US$ 40 por ano (aproximadamente R$ 213) em mais de 100 países, graças a acordos firmados pela Unitaid e pela Fundação Gates com farmacêuticas indianas.

A profilaxia pré-exposição (PrEP) é usada há mais de uma década, mas a necessidade de tomar comprimidos diários sempre limitou seu alcance global. A chegada do Lenacapavir, com aplicação semestral e eficácia extremamente alta, é vista como um avanço potencialmente transformador nas estratégias de prevenção ao HIV.

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Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É repórter do GGN desde 2022.

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Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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