
Robin Williams dizia que sempre que a depressão o atacava, o humor o tirava do fundo do poço
Enviado por Demarchi
Da BBC Brasil
No fim de julho, o humorista Fausto Fanti, do grupo Hermes e Renato, foi encontrado morto em seu apartamento em São Paulo com um cinto em torno do pescoço. A Polícia investiga o caso, registrado como “suicídio consumado”.
Pouco antes de falecer por causa de uma doença pulmonar, Chico Anysio revelou no início deste ano, em uma entrevista na TV, que travou uma dura – e vitoriosa – batalha contra a depressão.
O ator e comediante inglês Stephen Fry sofria de transtorno bipolar e revelou no ano passado que tentou se matar em 2012.
Isso leva a nos questionar: os mestres do riso tem uma tendência maior à depressão? E, se for o caso, por quê?
Perfil contraditório
“Não é preciso ser um gênio para saber que comediantes são um pouco loucos”, disse a humorista inglesa Susan Murray no início deste ano, em resposta a um estudo que sugeria que comediantes têm traços psicológicos ligados a psicoses.
Em janeiro, pesquisadores da Universidade de Oxford publicaram os resultados de um estudo em que participaram 523 comediantes (404 homens e 119 mulheres) do Reino Unido, dos Estados Unidos e da Austrália.
“Descobrimos que comediantes têm um perfil de personalidade pouco comum e um tanto contraditório”, diz Gordon Claridge, do Departamento de Psicologia Experimental de Oxford.
“Por um lado, eles eram bastante introvertidos, depressivos e, poderíamos dizer, esquisitos. Por outro, eles são bastante extrovertidos e cheios de manias. Talvez a comédia – o lado extrovertido – seja uma forma de lidar com o lado depressivo. Mas, claro, isso não vale para todo comediante”
‘Vencível’
Em seu depoimento, Chico Anysio revelou que se tratava com um psiquiatra há 24 anos. Sem esse tratamento, ele disse, “não teria conseguido fazer 20% do que eu fiz”.
“Entendi que era depressão, pude pagar os remédios e o psiquiatra e, então, eu venci. Porque ela é vencível”, contou o humorista.
No caso do humorista Fanti, os investigadores à frente do caso disseram que consideram a hipótese dele ter se suicidado por estar passando por um momento difícil em sua vida.
Fanti estava se separando da mulher, com quem tinha uma filha de oito anos.
O humorista inglês Stephen Fry, que lançou em 2006 o documentário A Vida Secreta de um Maníaco Depressivo, revelou em uma entrevista em 2012 sua luta contra a depressão.
“Havia momentos em que eu estava gravando o programa na TV e rindo por fora, enquanto por dentro pensava ‘quero morrer'”, disse ele.
Criatividade

Stephen Fry conta que, mesmo enquanto fazia outros rirem, sofria com a depressão
John Loyd, produtor e ator de programas de comédia na TV britânica, sofre de transtorno bipolar, que afeta gravemente o humor.
Uma pessoa bipolar alterna entre fases de extrema felicidade e criatividade e depressão profunda.
Lloyd diz que esse tipo de problema é “muito, muito comum entre profissionais criativos”.
“Pessoas estáveis pensam que o mundo está bom como ele é hoje. Não acham que precisam mudá-lo. Pessoas criativas não pensam assim. E quem quer mudar o mundo sofre muito com isso”.
Robin Williams supostamente também sofria de transtorno bipolar.
Em público, ele sempre parecia estar atuando e fazendo os outros rir, mas nunca escondeu seus problemas com álcool e em seu casamento.
Mas, nas entrevistas, era mais reservado quanto a seus problemas de ansiedade e buscava ver o lado positivo da situação.
“Sempre que você se deprime, a comédia o tira do buraco”, disse ao jornal The Guardian em 1996.
Pagando o preço
Integrante do grupo Monthy Python, Terry Gilliam dirigiu Williams em O Pescador de Ilusões (1991) e diz que seu talento era um “milagre”, mas que isso “não vinha do nada”.
“Quando os deus te dão um talento do nível de Robin Williams, há um preço a ser pago”, disse Gilliam à BBC.
“Isso vem de profundos problemas internos. Uma preocupação. Todos os tipos de medos. Ainda assim, ele sempre conseguia canalizar tudo isso e transformar em ouro.”
Mas nem todos os comediantes passam por dificuldades assim, e a depressão está longe de ser algo exclusivo de personalidades criativas.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 350 milhões de pessoas no mundo sofrem desse problema.
Em seus casos mais graves, a depressão pode levar ao suicídio. Por ano, cerca de 1 milhão de mortes são causadas por suicídios.
Nick Maguire, o principal palestrante em psicologia clínica da Universidade de Southhampton, diz que pode haver uma conexão entre a depressão e a comédia, mas que “certamente não é muito forte ou clara”.
Ele explica que as pessoas têm diferentes formas de lidar com a depressão.
“Normalmente, elas se isolam. Outra forma de amenizar temporariamente o impacto dessas emoções é fazer as pessoas rirem e gostarem de você”, diz Maguire.
“Infelizmente, isso é bom enquanto está ocorrendo, mas, quando você volta para casa, o que você faz?”
Tom
13 de agosto de 2014 1:06 pmAlém da depressão
http://veja.abril.com.br/noticia/saude/alta-dose-de-antidepressivo-aumenta-risco-de-suicidio-diz-estudo
Lionel Rupaud
13 de agosto de 2014 1:36 pmCitação da veja não!!!!
já fico deprimido só de olhar.
Tom
13 de agosto de 2014 1:47 pmahahah
Verdade, a revistinha é a depressão encarnada, ou melhor, impressa. Mas a literatura sobre o tema é tão abundante quanto ignorada nesses e em muitos casos. Merece maior atenção.
Dê
13 de agosto de 2014 1:11 pmMAL SECRETO
Se a cólera que
MAL SECRETO
Se a cólera que espuma, a dor que mora
N’alma, e destrói cada ilusão que nasce,
Tudo o que punge, tudo o que devora
O coração, no rosto se estampasse;
Se se pudesse, o espírito que chora,
Ver através da máscara da face,
Quanta gente, talvez, que inveja agora
Nos causa, então piedade nos causasse!
Quanta gente que ri, talvez, consigo
Guarda um atroz, recôndito inimigo
Como invisível chaga cancerosa!
Quanta gente que ri, talvez existe,
Cuja aventura única consiste
Em parecer aos outros venturosa!
Raimundo Correa….
André LB
13 de agosto de 2014 1:12 pmPara ser um bom comediante, é
Para ser um bom comediante, é preciso antes de mais nada ser inteligente EEE questionador. Questionar o mundo – e a si mesmo – e não sofrer é tarefa hercúlea. Por acaso ocorre que algumas pessoas inteligentes e questionadoras se voltam para a comédia.
Não é coincidência que péssimos comediantes (pois nem inteligentes nem questionadores) tenham uma taxa menor de suicídio.
Ataíde Coutinho
13 de agosto de 2014 1:38 pmMillôr
Segundo o mestre o humor é a forma mais contundente de se exercer a critica .
Deve ser por isso que humoristas são depressivos ou mau humorados.
Gilson AS
13 de agosto de 2014 1:44 pmA vida é interessante.
O
A vida é interessante.
O cidadão é rico, famoso, e mesmo assim é depressivo e suicida.
Por outro lado, o cidadão é pobre, carregador de papel, vive sorrindo e diz ser feliz com a vida que tem.
O cidadão com esse perfil foi entrevistado no Jornal da Record.
Vai entender !
JB Costa
13 de agosto de 2014 1:51 pmA felicidade, mesmo que
A felicidade, mesmo que eventual, não se relaciona diretamente com dinheiro ou fama. Nosso bem estar físico, e principalmente psiquíco, derivam de variáveis das mais diversas e algumas por demais complexas.
jc.pompeu
13 de agosto de 2014 1:54 pmuai… comediantes também são
uai… comediantes também são gente como a gente…humanos, perdidamente humanos.
altamiro souza
13 de agosto de 2014 2:01 pmé simples. os grandes
é simples. os grandes comediantes que se deprimem não querem deprimir o público…
já os falsos comediantes que não pensam a vida mais profundamente e repetem piadinhas banais e odientas preferem deprimir o público e chateá-lo e, talvez a ideia deles seja matá-lo – literalmente;
de tédio.
Patricinho
13 de agosto de 2014 2:08 pmDepressão, o nome do capitalismo
O articulista vai ao ponto, mas esquece da amplitude. Não são só os comediantes, nem parte deles que padecem de depressão. Tudo o que está dito aqui pode ser estendido por exemplo, aos artistas. Os artistas produzem arte para não consolidar sua loucura. É sua defesa. Como habitar um planeta doente, crivado de doenças trazidas das relações entre as pessoas, das relações entre as classes – sem ser depressivo? O número apontado de pessoas que sofrem com a depressão é tímido (350 milhões). Poderíamos colocar assim: a maioria possui o mal. Alguns levam a cabo suas soluções extremas, como o suicídio e o flagelo. Uma parcela imensa não manifesta sintomas, pois o sistema arrumou “meios” para evitar ou retardar os efeitos da epidemia: são os remédios que se ingerem pela boca ou pelos olhos, às vezes pelas mãos, às vezes pelos ouvidos e até mesmo pelo corpo. As pessoas estão substituindo seus anseios e suas vontades reais por whatsapps, facebooks, xboxes, modas, tatuagens, etc num comportamento massivo e impensado. Seguem um menu de soluções trazidas pelo próprio causador da doença, o mercado. O capitalismo.
O mercado estabelece relações supérfluas e provisórias entre os seres humanos e os produtos. Coisifica o ser humano, e como somos uma mercadoria, somos objetos nas mãos dos outros. Legiões de gentes transformadas em capachos. É a vitória do banal sobre o humano. As vítimas da depressão serão sempre os mais fracos, na mesma medida em que os palestinos são vítimas dos crápulas de Israel. Do mesmo modo que os comediantes ou os artistas se desmoronam sem ver que existe uma mão invisível está manipulando suas vidas. Se você pensar diferente das massas, acabará como Fábio Hideki nas mãos da polícia do pensamento do Alckmin. Então, não é a depressão. É o mundo. É o mundo que escolhemos que nos põe amortecidos enquanto assistimos nossa própria tragédia. Com um sorriso nos lábios e um iphone no bolso.
alexis
13 de agosto de 2014 2:08 pmA felicidade parece ser relativa
A felicidade parece ser um estado de espírito, que mede (de algum modo) a diferença entre o que cada pessoa tem e o que deseja. Menino mimado pode cometer suicídio se o pai o brinda com um fusquinha ao invés da Ferrari que ele deseja.
Pessoas como Robin Williams recebem pacotes de 15 minutos de glória, em cada filme, cada jogo (esportistas) ou em cada atuação em público (artistas em geral). Esta alimentação homeopática de 15 minutos, quando falta, gera uma crise de abstinência, criando depressão, e aumentando esta quando o sujeito força a barra na procura das “doses” de fama, trocando penteado, fazendo maluquices em público, procurando a foto ou a matéria de jornal salvadora.
Marcos Mendonça da Silva
13 de agosto de 2014 2:58 pmMe desculpa, mas acho que não
Me desculpa, mas acho que não existe fórmula para medir ou constatar a felicidade.
Trata-se de uma coisa totalmente subjetiva.
alexis
13 de agosto de 2014 5:10 pmeu diz…”parece ser”
Reconheço a minha falta de conhecimento sobre o assunto “felicidade”, que é um tema realmente subjetivo.
Falei “parece ser”, justamente porque não tenho a convicção absoluta da verdade, como você parece ter.
edisilva
13 de agosto de 2014 2:21 pmRir é Viver
Vi este filme do Jerry Lewis no final de semana. É interessante notar o filme mostrando como o humorista lida com um espetáculo frustrado e a busca do riso. Tudo o quê se faz para conseguir aquela explosão do público no momento certo.
O título original é Funny Bones, com Oliver Platt e o engraçadíssimo Lee Evans, ator inglês.
http://www.imdb.com/title/tt0113133/?ref_=nm_flmg_act_8
Renato Kern
13 de agosto de 2014 2:27 pmDepressão e alcoolismo
Se o cara já é deprê e vira alcoolatra, sua doença é potencializada pela ação da bebida. Misturando estes dois com cocaína, o cara não se levanta mais.
Francy Lisboa
13 de agosto de 2014 4:03 pmEles sao (foram) atores de
Eles sao (foram) atores de comedia, nada mais. Eles representam…sacou?
NeyLima
13 de agosto de 2014 4:04 pmMuito se estuda a tristeza. Ficou comum. E a felicidade?
Depressão, ansiedade, stress, doenças degenerativas do cérebro. Tudo isto e mais, fazem parte do sistema nervoso. Os neurotransmissores são responsáveis por conduzir os estímulos físicos que manifestam em nosso corpo as sensações: boas ou más. Eles são as “estradas”, os instrumentos de transmissão apenas. Talvez a solução e as causas se encontram em nossa consciência, ou em “quem” está por trás delas. Somos os reféns do maquinário ou aqueles que escolhem como se conduzir na vida, onde o corpo é uma manifestação, é aquilo que exprime o “estar” da consciência. Bem estar ou mal estar, dependem de nossa atitude e visão da vida. De acordo com a atitude/visão, serão nossas decisões/ações e são suas decisões e ações que decretam o seu estar. A consciência intui este esado, por isto que não costuma ser uma consequência de ter algo ou de ser inteligente, emocional. Experimentar felicidade, ainda que na dor, é sinal de sabedoria.
DOCUMENTÁRIO LEGENDADO
[video:http://vimeo.com/93854208%5D
O dinheiro faz você FELIZ ? Crianças e família? Seu trabalho? Você vive em um mundo que valoriza e promove a felicidade e o bem-estar? Estamos no meio de uma revolução felicidade?
Roko Belic, diretor do Oscar ® nomeados “Genghis Blues” agora nos traz FELIZ , um filme que se propõe a responder a estas perguntas e muito mais. Levando-nos da igarapés da Louisiana para os desertos da Namíbia, das praias do Brasil para as aldeias de Okinawa, FELIZ explora os segredos por trás da nossa emoção mais valorizado.
HAPPY: O que faz você feliz?” Com essa pergunta, o diretor Roko Belic e o produtor executivo Tom Sahdyac (os mesmos de “Beyond The Call” e “Genghis Blues”, indicado ao Oscar) deram a volta ao mundo em buscas de respostas para o que chamam de “a emoção mais elusiva da humanidade”. Extrair da sabedoria das culturas mais tradicionais e da ciência mais moderna é o objetivo, e inclui uma breve passagem pelo Brasil, além de Calcutá, os desertos da Namíbia, Okinawa e outros lugares.
Sim, este é um filme sobre a felicidade. O filme tenta ser também uma espécie de movimento, no site oficial thehappymovie.com está escrito “The Movie, The Motion” (o filme, o movimento), promovendo ações, venda de camisetas e doações. A produção do filme é feita por uma instituição de caridade americana, chamada Creative Visions Foundation.
Estréia na direção de Roko Belic, “Genghis Blues” (1999), ganhou o Prêmio do Público de Sundance e foi indicado ao Oscar ® de melhor documentário. Belic dirigido recentemente a 44 minutos de documentário “Dreams: Cinema of the Subconscious” (Sonhos: Cinema do Subconsciente), que foi lançado no “Inception” Blu-Ray. Para o seu projeto atual FELIZ , Belic uniram-se com Hollywood Tom Shadyac pesado, que foi produtor executivo, para dirigir o documentário.FELIZ combina poderosas histórias humanas de todo o mundo com a ciência de ponta para nos dar uma compreensão mais profunda da nossa emoção mais valorizada.
Site oficial: thehappymovie.com/
JB Costa
13 de agosto de 2014 5:08 pmO suicídio, afirmou certa vez
O suicídio, afirmou certa vez Alberto Camus, é o maior problema filosóficodo nosso tempo. Divirjo: de todos os tempos. Vai de encontro ao instinto mais poderoso: o vital. Quem vence o sufocante e quase intransponível medo da morte é realmente digno de nota. Daí porque repudio os que taxam de covardes os suicidas.
Acho que mais covardes são os que simplesmente se alienam, fazem de conta que vivem num paraíso. Entregam suas vidas e se deixam manejar, tais quais cordeirinhos, por “forças superiores” e apostam no além-vida. Isso também não é uma espécie de suicídio? Viver e agir em função de um devir somente para amenizar nossas angústias existenciais???
A propósito, um dos mais notórios e notáveis depressivos da história foi Winston Churchill.
jns
13 de agosto de 2014 7:14 pmPartiu com o coração rasgado através da carteira
Robin Williams foi encontrado enforcado depois ter buscado tratamento para a depressão e de dizer a amigos que tinha “problemas sérios de dinheiro”, nas semanas antes de sua morte.
Robin disse que foi confrontado com a escolha de fazer uma turnê em uma comédia de stand-up e retornar à televisão depois de 31 anos, ou assumir papéis em filmes de baixo orçamento por salários muito baixos.
“Os filmes são bons, mas muitas vezes eles não têm sequer uma distribuição correta e há contas para pagar”, disse Robin.
Recém-casados, Robin Williams e Susan Schneider na lua de mel em Paris após o discreto casamento em Napa Valley | Fonte: Bauer Griffin
Robin foi casado com Marsha Garces entre 1989 a 2008.
Valerie Velardi foi a sua esposa entre 1978 a 1988.
Os divórcios de Williams podem ter custado 20 milhões de libras. Ele colocou uma soma substancial em fundos fiduciários para os seus três filhos Zachary, 31, Zelda, 25, e Cody, 22.
“O divórcio é caro (…) e rasga o seu coração através da sua carteira”.
Dulce X
13 de agosto de 2014 8:57 pmTerrivel, a maldade humana. A
Terrivel, a maldade humana. A filha de Robin Williams saiu das redes sociais após lhe mandarem FOTOS do pai morto, antes do levantamento cadavérico.
As vezes, eu gostaria de pertencer à ” raça humana” dos BICHOS.
Tom
13 de agosto de 2014 10:26 pmO risco pouco conhecido dos medicamentos anti-depressivos
https://www.youtube.com/watch?v=j63-8Ac3dh0