A vacina tetravalente Butantan-DV, desenvolvida pelo Instituto Butantan com apoio da FAPESP, demonstrou eficácia de 80,5% na prevenção de dengue grave e com sinais de alarme após cinco anos de monitoramento. Os dados, oriundos do ensaio clínico de fase 3, foram publicados na última quarta-feira (4) na revista científica Nature Medicine.
Financiada pelo Ministério da Saúde, pelo BNDES e pela Fundação Butantan, a pesquisa envolveu 16 centros distribuídos pelas cinco regiões do país. De fevereiro de 2016 a julho de 2019, foram recrutados 16.235 voluntários entre 2 e 59 anos, 10.259 receberam a dose única da vacina e 5.976 receberam placebo. Um resultado se destaca: nenhuma internação foi registrada no grupo vacinado, enquanto o grupo placebo somou oito casos. Para a dengue sintomática em geral, a eficácia foi de 65% ao longo do período.
SUS
A Anvisa aprovou a Butantan-DV em novembro de 2025 para pessoas de 12 a 59 anos. Desde então, 1,3 milhão de doses foram enviadas ao Programa Nacional de Imunizações (PNI) para distribuição pelo Sistema Único de Saúde. A vacinação teve início em janeiro deste ano em um projeto-piloto nas cidades de Nova Lima (MG), Maranguape (CE) e Botucatu (SP), com meta de imunizar 90% do público-alvo local. Em fevereiro, o programa foi estendido a profissionais de saúde da Atenção Básica. O calendário de imunização da população ainda não foi divulgado.
A vacina é composta por vírus vivos atenuados, enfraquecidos em laboratório para não causar a doença, mas ainda capazes de estimular o sistema imunológico. Sua formulação cobre os quatro sorotipos conhecidos do vírus da dengue (DENV-1, DENV-2, DENV-3 e DENV-4), com base em tecnologia originalmente desenvolvida pelos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos (NIH).
Para três deles (DENV-1, DENV-3 e DENV-4), a vacina utiliza genomas quase completos dos vírus correspondentes. Para o DENV-2, a abordagem é diferente: um vírus quimérico, construído com as proteínas de superfície do DENV-2 sobre a estrutura atenuada do DENV-4. Após a aplicação, ocorre uma viremia vacinal controlada, que leva o organismo a produzir anticorpos neutralizantes específicos para cada sorotipo.
“Esta vacina se consolida como uma ferramenta de grande importância no combate à dengue no Brasil, com potencial para contribuir para a diminuição da circulação do vírus, para além da proteção individual”, afirmou Fernanda Boulos, diretora médica de Ensaios Clínicos do Butantan.
*Com informações da Agência Fapesp.
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