15 de junho de 2026

INCA e Fiocruz avançam para levar terapia de células CAR-T ao SUS

Pesquisadores buscam alternativas para baratear a produção de tratamento considerado revolucionário contra leucemia e linfoma
Antes e depois de petscan de paciente com linfoma taratado com CAR-T Cell
Paulo Pelegrino, de 61 anos, teve 100% de remissão de linfoma após a terapia celular. Crédito: Arquivo pessoal.

Pesquisadores do INCA e Fiocruz desenvolvem produção nacional de terapia CAR-T para viabilizar acesso no SUS.
Terapia reprograma células do paciente para combater cânceres como leucemia, linfoma e mieloma múltiplo.
Parcerias com CHOP e Caring Cross permitirão produção local e tratamento de pacientes a partir de 2026.

Esse resumo foi útil?

Resumo gerado por Inteligência artificial

Uma das terapias mais promissoras contra o câncer nas últimas décadas pode, em breve, chegar ao Sistema Único de Saúde. Pesquisadores do Instituto Nacional de Câncer (INCA), da Fiocruz e de outras instituições brasileiras trabalham para viabilizar a incorporação da terapia com células CAR-T ao SUS, enfrentando o principal obstáculo que ainda impede seu acesso público: o alto custo de produção.

Siga o Jornal GGN no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo

Seguir no Google

A terapia funciona reprogramando geneticamente células de defesa do próprio paciente para que identifiquem e ataquem o câncer. Por ser desenvolvida a partir do sistema imunológico de cada indivíduo, é considerada uma forma de medicina de precisão, e uma das mais eficazes já desenvolvidas para casos de leucemia, linfoma e mieloma múltiplo.

Três produtos baseados nessa tecnologia já têm aprovação da Anvisa no país. O Kymriah, da Novartis, é indicado para crianças e adultos jovens com leucemia linfoblástica aguda e para adultos com linfoma difuso de grandes células B. O Yescarta, da Gilead, trata adultos com linfoma difuso de grandes células B e linfoma de células do manto. O Carvykti, da Johnson & Johnson, é voltado para pacientes com mieloma múltiplo recidivado ou refratário.

Apesar das aprovações regulatórias, nenhum dos três foi incorporado ao SUS. O custo do tratamento, que envolve o envio das células do paciente ao exterior para processamento e retorno ao Brasil, inviabiliza a oferta pelo sistema público.

Produção nacional

Para contornar esse problema, pesquisadores do INCA desenvolveram uma plataforma de produção que substitui o vetor viral tradicional por um sistema não viral, composto por um fragmento de DNA capaz de reprogramar as células diretamente. Com essa abordagem, a expectativa é produzir células CAR-T em apenas oito dias, contra mais de um mês no processo convencional com produtos comerciais.

O projeto já passou pelas fases de validação pré-clínica e está em fase de preparação da documentação regulatória para avaliação pela Anvisa. O objetivo é testá-lo em ensaio clínico com pacientes com leucemia. Segundo os pesquisadores, a plataforma permitirá produzir o tratamento a uma fração do custo atual.

Outra frente de pesquisa envolve o desenvolvimento de novas moléculas CAR, as proteínas artificiais que transformam os linfócitos em células de combate ao câncer. Desde 2020, um consórcio formado por grupos da Universidade de Brasília, da Fiocruz do Ceará e do Centro Pasteur-Fiocruz trabalha nessa área.

Uma das apostas mais inusitadas é o uso de anticorpos produzidos por lhamas, animais que geram um tipo de anticorpo mais simples e com vantagens biotecnológicas em relação aos humanos.

Parcerias

Em paralelo, o INCA firmou parceria com o Children’s Hospital of Philadelphia (CHOP), referência mundial no tratamento de cânceres pediátricos, para transferência de tecnologia de produção de células CAR-T. O projeto, financiado pelo Ministério da Saúde, prevê o tratamento de até 20 pacientes pediátricos com leucemia linfoblástica aguda refratária ou recidivada ao longo de três anos, em uma primeira etapa.

A parceria inclui treinamento de equipes nos dois países e compartilhamento de pesquisas. A diferença em relação ao modelo atual é fundamental: as células serão preparadas nas próprias instalações do INCA, eliminando a necessidade de envio ao exterior.

A Fiocruz firmou ainda acordo com a organização sem fins lucrativos norte-americana Caring Cross para transferência de tecnologia de produção de células CAR-T e vetores lentivirais. O modelo prevê o uso de contêineres adaptados que funcionam como salas limpas de produção, instalados próximos aos centros de tratamento.

Pelo acordo, o INCA atenderá seus próprios pacientes e receberá encaminhamentos de outras instituições.

Em fases mais avançadas, o modelo poderá ser replicado em outras cidades do país. Os primeiros pacientes a se beneficiar dessa parceria devem receber o tratamento entre o final de 2026 e início de 2027.

*Com informações do The Conversation.

LEIA TAMBÉM:

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É repórter do GGN desde 2022.

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Mais lidas

As mais comentadas

Colunistas

Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

...

Faça login para comentar ou registre-se.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Recomendados para você

Recomendados