Em São Paulo, 9 morrem pisoteados em baile funk após ação policial

Tragédia aconteceu em Paraisópolis, zona sul de SP; testemunhas dizem que jovens foram encurralados por PMs usando "munições químicas"

Paraisópolis. Foto: reprodução

Jornal GGN – Pelo menos nove pessoas morreram e outras sete ficaram feridas durante uma ação da Polícia Militar em um baile funk, no bairro Paraisópolis, em São Paulo, na madrugada deste sábado (30) para domingo (1º).

A confirmação do número de vítimas aconteceu no início desta tarde, pelo delegado Emiliano da Silva Chaves Neto, do 89º DP. A polícia teria chegado ao local atrás de dois homens que usavam uma motocicleta e, segundo os agentes de segurança, teriam atirado contra eles durante uma operação na região.

Os policiais são do 16º Batalhão da Polícia Militar Metropolitana (BPM/M). Eles confirmaram que a chegada deles no baile, onde estavam mais de 5 mil pessoas, causou tumulto generalizado.

Testemunhas que estavam no local e familiares de vítimas disseram que os PMs encurralaram as pessoas usando armas químicas. “Chegaram atirando em todo mundo. A gente estava no baile e primeiro veio a bomba. Começaram a cair as pessoas, passando mal, e a desmaiar, sendo pisoteadas. Ficamos encurralados. Não tinha para aonde correr, para aonde ir. Muita gente caindo já morta, a polícia atirou. Muitas pessoas tentavam salvar a própria vida. Vi muito sangue e escutei bastante barulho de tiro”, contou um jovem de 18 anos ao portal G1.

Em nota, o governador João Doria (PSDB) disse lamentar o ocorrido: “Lamento profundamente as mortes ocorridas no baile funk em Paraisópolis nesta noite. Determinei ao Secretário de Segurança Pública, General Campos, apuração rigorosa dos fatos para esclarecer quais foram as circunstâncias e responsabilidades deste triste episódio”.

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Imagens do evento circulam pelas redes sociais causando indignação quanto à ação dos policiais. O fato levou o tenente-coronel Emerson Massera, em coletiva neste domingo (1º), afirmar que as imagens sugerem abuso e que o caso será investigado.

“Nós recebemos as imagens, todas as imagens estão incluídas no inquérito policial militar para ser analisadas. Não temos certeza que tudo tenha acontecido nesta madrugada. Algumas imagens nos sugerem abuso, ação desproporcional. Evidentemente, o rigor vai responsabilizar quem cometeu algum excesso, algum abuso”, disse.

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19 comentários

  1. O governador define a prioridade. Os comandantes da PM/SP organizam as operações (expedições punitivas na linguagem dos séculos XVI a XIX) e arengam a tropa elevando o moral e predispondo os soldados a cometer violências sem piedade e o resultado aí está: Collateral Murders.

    E depois o TJSP legitimará esses assassinatos, pois os juízes apoiam qualquer política genocida desde que recebam os Créditos Orçamentários Suplementares que garantem o pagamento dos seus salários acima do teto, penduricalhos odiosos e aposentadorias abaixo da moralidade.

  2. Se vc lê a chamada da Globonews, a puliça nem é citada.
    “Lamentamos este incidente, mas não fomos nós que morremos.”

  3. Que estranho este efeito que leva a pessoa a desmaiar…
    será que a PM de São Paulo está usando um novo agente químico desconhecido pelo Exército?

    pergunto porque entre os agentes químicos controlados ou autorizados não consta nenhum com este tipo de efeito, desmaio, quase o mesmo efeito permanente e/ou letal dos que são autorizados apenas para uso contra inimigos em tempo de de guerra.

    será que é feito em casa e e por isso liberado para ser testado em cobaias humanas?

  4. Parafraseando Alckmim ( ou Serra? )…
    só morreu pisoteado quem não correu por estar desmaiado

    ( tirando do paulista “só morreu quem correu” )

    e do carioca “só morreu quem não estava com a bíblia na mão”

  5. Pena? Nenhuma. Doria, Witzel e Bolsonaro não estariam no poder se não fosse pelo voto daqueles que agora exterminam. E olha que eles sempre deixaram bem claro o que iam fazer… Ninguém foi enganado. Ninguém pode dizer que não sabia.
    Em 2018 os brasileiros deixaram claro o que queriam. Agora que não chorem.

    • Sr. Marcos K, o povo vota mas não elege. Quem elege é o poder econômico. Os Empresários do Brasil custearam as fake news do Bolsonaro, por exemplo. O povo apenas legitima as eleições burguesas.

      • Sim, claro. Por essa ótica o povo nunca tem culpa de nada. Sinto, amigo, mas essa desculpa não vai rolar, até porque avisos não faltaram. Centenas de avisos.
        E tem outra: não faltam mais meios alternativos de informação, mas em quem o tal “povo” preferiu acreditar: na Globo e nas fake news.
        Finalmente: essa turma sempre deixou muito, mas muito claro o que ia fazer.
        Então, agora que esse mesmo povo pateta que se lasque.

  6. Esse tipo de festa de rua é comum em outros países como EUA, China ou Índia? Como funcionam essas festas, o que elas trazem de benéfico para o lazer e a cultura dos jovens? Tem bebidas, drogas? É lamentável que os jovens só tenham essa opção de lazer, falta leitura de bons livros, aprimorar o aprendizado de escrever e fazer contas, atividades esportivas, ginastica, aprendizado da vida e bom preparo. Enfim há tantas coisas nobres.

    • Exato. É mito essa história de que o povo das periferias “só tem essa opção de lazer”. Há muitas outras coisas boas e úteis para fazer. Notei que muitas das vítimas eram menores de idade. Os pais devem deixar seus filhos irem a baile funk no meio da rua?

      • Há muitas outras coisas boas e úteis para fazer na favela.

        Aponte 5 dessas coisas boas, Mundim, por favor.

        Diga o que você faz na favela a fim de que os Favelados também as façam.

        • – Ler um livro
          – Participar de atividades na igreja
          – Fazer trabalhos comunitários (limpar vielas, dar aulas de reforço, etc.)
          – Jogar bola (pelo menos um campinho sempre tem)
          – Ouvir samba e MPB ao invés de funk
          – Aprender a tocar um instrumento musical
          – Participar de atividades extra-curriculares, como fundar um clube de ciências
          – Capoeira

          Viu? Citei mais de 5.

      • O que diria George Orwell acerca do lazer para os pobres?

        “Num mundo em que todos trabalhassem pouco, tivessem bastante que comer, morassem numa casa com banheiro e refrigerador, e possuíssem automóvel ou mesmo avião, desapareceria a mais flagrante e talvez mais importante forma de desigualdade. Generalizando-se, a riqueza não conferiria distinção. Era possível, sem dúvida, imaginar uma sociedade em que a riqueza, no sentido de posse pessoal de bens e luxos, fosse igualmente distribuída, ficando o poder nas mãos de uma pequena casta privilegiada. Mas na prática tal sociedade não poderia ser estável. Pois se o LAZER e a SEGURANÇA fossem por todos fruídos, a grande massa de seres humanos, normalmente imbecilizada pela miséria, aprenderia a ler e aprenderia a pensar por si; e uma vez que isso acontecesse, mais cedo ou mais tarde veria que não tinha função a minoria privilegiada, e acabaria com ela. De maneira permanente, uma sociedade hierárquica só é possível na base da pobreza e da ignorância.”

  7. Nunca vou entender como a população vota em candidatos como estes do psdb, dem e psl (futuro aliança 3.8), que mantém sob pena de morte os pobres, os negros, os indios, os gays, ou qualquer ser que, na cabeça destes loucos, apresente um “status” social inferior.
    O povo precisa aprender que sua verdadeira arma é o voto, que precisa ser livre da influência de Religio$os, milicias, traficantes, etc..

    • “If voting made any difference they wouldn’t let us do it”. (Tradução: se votar provocasse alguma mudança, os poderosos não nos deixariam votar) – Emma Goldman

      O voto é uma arma sem munição (balas).

      “This is why I say it’s the ballot or the bullet. It’s liberty or it’s death. It’s freedom for everybody or freedom for nobody.” – Malcolm X, The Ballot or the Bullet

      Portanto, não vote, lute!

      • A tática destes desgovernos, tanto o central como os do RJ e SP, com suas constantes ações absurdas e infames, é gerar no povo uma revolta que leve exatamente a isso; uma reação de ódio. Mas desconexa, portanto sem, ou com poucas, chances de sucesso.
        Vale então lembrar o alerta deSun Tzu que: “jamais deve colocar em ação um exército motivado pela raiva; um líder jamais deve iniciar uma guerra motivado pela ira.”
        Particularmente creio na seguinte sequência:
        Fortalecimento e isenção das instituições garantidoras da democracia 》 Imprensa livre mas responsável 》 Punição imediata aos disseminadores de notícias fraudulentas 》 Separar Religião e Política 》Livre arbítrio no momento do voto.

  8. Nassif, encurralar cinco mil pessoas com tiros, bombas, spray de pimenta e muita pancadaria requer planejamento prévio, pois implica em aterrorizar um contingente humano considerável. Qual o motivo real para essa ação genocida, uma vez que a história de que tudo não passou de revide aos dois ocupantes de uma motocicleta não se sustenta? O que há por trás desses constantes ataques à população daquela área, ou melhor,  quanto vale uma área de 800.000 metros quadrados situada ao lado do Morumbi e dos condomínios de luxo do bairro Panamby, nas cercanias do Parque Burle Marx e prestes a ser servida pela linha 17 Ouro do metrô paulistano? Faz ou não jus ao nome de Paraisópolis (denominação datada dos anos 30 e 40, quando os filhos do banqueiro Agostinho Martins de Andrade venderam essas terras da Vila Andrade para uma empreendedora que tinha como sócio um proprietário atual do grupo Camargo Correa)? Enquanto esse “novo Morumbi” se valorizava, a gleba Paraisópolis serviu como acampamento ou moradia para os operários que construíram o Estádio do Morumbi entre 1952 e 1970, e os bairros do Brooklin e Real Park, bem como para a população expulsa da favela Água Espraiada e da atual avenida Roberto Marinho, além de abrigar os operários que transformaram a antiga chácara de Baby Pignatari no atual Panamby, com metro quadrado de valor equivalente ao dos jardins mais caros da cidade. Quando tudo ficou pronto, porém, o acampamento dos peões já tinha as atuais 23 ruas e 2.000 vielas paralelas, aonde moram mais pessoas do que nos bairros de Moema e Higienópolis juntos;  cerca de 100.000 pessoas que já serviram de figurantes para a novela global “I Love Paraisópolis” em 2015 e para a série Conquest, de Keanu Reeves. Desde os anos 90, entretanto, Paraisópolis estava destinada à gentrificação, como previa o plano diretor traçado por um secretário do então prefeito Celso Pita que mais tarde seria processado pelo MP por haver enriquecido 316% nesse período, muito acima dos seus vencimentos. Esse assessor, ligado ao setor imobiliário, era Gilberto Kassab, que mais tarde foi prefeito durante quase sete anos, durante os quais o processo de enriquecimento ilícito foi arquivado, bem como as ações judiciais envolvendo a gentrificação do bairro da Luz, que teve como subproduto a atual Cracolândia. Gentrificação, esse neologismo que entre nós implica na expulsão dos moradores de uma área a ser convertida em grande negócio, pode igualmente explicar o motivo pelo qual o monotrilho ou linha 17 do metrô deixou de ser inaugurado há cinco anos atrás pelo mesmo PSDB que governa o estado há trinta anos, sofrendo atrasos sucessivos, semelhantes aos que mantêm Paraisópolis no inferno da falta de saneamento e infraestrutura mínima para os seus cem mil habitantes, com o córrego Antonico alagando a maior parte da região com os excrementos que não foram coletados pelo programa de despoluição do Tietê e do Pinheiros aonde desemboca, em que pese o fato dos R$ 9 bilhões gastos nessa empreitada serem três ou quatro vezes superiores ao investido na despoluição do Tâmisa,  que permitiu o retorno até de golfinhos ao centro de Londres. Tudo isto precisaria ser melhor debatido pela população, a começar pela possibilidade atual dos antigos donos da gleba Paraisópolis terem suas dívidas para com a Prefeitura quitadas, caso a gentrificação genocida em andamento obtenha êxito e a maior parte da população da área possa ser expulsa, em que pese a mesma ter pleno direito à posse de seus imóveis, via usucapião ou posse continuada de boa fé dos mesmos. Para se ter melhor idéia sobre o abandono premeditado de Paraisópolis, basta lembrar que Tubarão, em Santa Catarina, Lavras, em Minas Gerais, e os municípios paulistas de Itanhaém, Leme e Mairiporã possuem igualmente 100.000 habitantes e contam com a infraestrutura sonegada aos paraisopolenses. A existência de dezenas de curadorias de urbanismo no MP paulista foi aprovada justamente para impedir essas lacunas lesivas aos direitos humanos e de cidadania — bem como a invasão que culminou com as nove mortes até agora admitidas já deveria ter levado o mesmo MP a condenar a normalização da mesma por parte da PM, que ao considerar normal a emboscada da madrugada de domingo (sem suspender ou no mínimo deter seus responsáveis até a averiguação total da ocorrência) demonstra que o excludente de ilicitude não faz falta às tropas comandadas pelo governador João Dória, assim como a Câmara de Vereadores paulistana — totalmente ausente na discussão desse crime de especulação imobiliária que transforma aquele bairro em candidato ao nome de Infernópolis — mais uma vez demonstra sua absoluta inutilidade enquanto poder constituído para evitar tragédias como esta. 

    • disse tudo…
      e a quem não acredita, recomendo que dediquem mais atenção às propagandas das novas grandes construtores que invadiram ou ocuparam o vazio deixado pelas construtoras tradicionais de moradias que foram praticamente, 90%, destruídas ou quebradas pela Lava Jato

      no Rio já tem uma a usar “venha morar onde não existe nada de feio ao redor”

      mas existe

  9. How much blood do you need yet, Doria?

    “Tin soldiers and Nixon coming
    We’re finally on our own
    This summer I hear the drumming
    Four dead in Ohio

    Gotta get down to it
    Soldiers are cutting us down
    Should have been done long ago

    What if you knew her
    And found her dead on the ground
    How can you run when you know?

    Gotta get down to it
    Soldiers are cutting us down
    Should have been done long ago
    What if you knew her
    And found her dead on the ground
    How can you run when you know?

    Four dead in Ohio (Whoa!)
    Four dead in Ohio (four)
    Four dead in Ohio (Ah!)
    Four dead in Ohio (How many more?)
    Four dead in Ohio (What?)
    Four dead in Ohio (Oh!)
    Four dead in Ohio (Oh!)
    Four dead in Ohio (What?)
    Four dead in Ohio (Ah)

    Nine dead in Paraisopolis

    How many more, Doria?

  10. + comentários

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