5 de junho de 2026

Negros continuam alvo principal da polícia do Rio de Janeiro

Negros são as pessoas mais abordadas no Rio de Janeiro, independente da situação ou cenário, segundo pesquisa
Ilustração: Miguel Morgado/Relatório ELEMENTO SUSPEITO

Negros são as pessoas mais abordadas no Rio de Janeiro, independente da situação ou cenário, mostrou o levantamento do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (Cesec) da Universidade Cândido Mendes, “Elemento Suspeito”, nesta terça (15).

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A pedido do Centro de Estudos, o Instituto Datafolha conversou com 3.500 pessoas em lugares estratégicos de trânsito e passagem de pessoas na capital fluminense. Entre os que afirmam já terem sido parados para revista das polícias, 63% são pretos e pardos. E em todos os demais cenários, mais de 60% das pessoas são negras:

A Polícia Militar do Rio de Janeiro negou que “há qualquer viés racial na sua atuação e sua missão de combater criminosos armados”. Mas a pesquisa mostrou o contrário, que há mira, que há “elemento suspeito”, e são as pessoas negras.

A comparação do primeiro levantamento, feito em 2003, com a mais atual, mostra que “apesar de algumas conquistas e do posicionamento mais forte da nova geração, o corpo negro segue sendo o elemento suspeito”.

“Entre uma pesquisa e outra, passaram-se cinco governos estaduais (Rosinha Garotinho, Sérgio Cabral, Luiz Fernando Pezão, Wilson Witzel e Cláudio Castro) e 14 comandos diferentes na Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro (PMERJ), que patrulha as ruas da cidade e realiza a maioria das abordagens. Ocorreram, ainda, várias experiências em segurança pública. Houve tempo suficiente para a polícia mudar. Durante esse longo período, também, as câmeras de videomonitoramento, oficiais e particulares, multiplicaram-se em escala nas ruas do Rio e foi testado um sistema de reconhecimento facial de pessoas, entre outros modelos de policiamento.”

O documento, de 60 páginas, também revela que a abordagem racial das polícias no Rio de Janeiro piorou de 2003 para 2021, mas com evidente aumento em 2018, com a intervenção federal no estado, consagrando “a hipermilitarização” das polícias, com 1.535 mortes.

Mas esse recorde conseguiu ser superado em 2019, aponta a pesaquisa, “com o agravamento do autoritarismo e do fascismo declarados, com Jair Bolsonaro na Presidência da República, e com a chegada do governo de Wilson Witzel e sua política de ‘tiro na cabecinha’: policiais do estado mataram exatas 1.814 pessoas em 2019”.

A íntegra do documento pode ser lido abaixo:

Patricia Faermann

Jornalista, pós-graduada em Estudos Internacionais pela Universidade do Chile. Coordenadora de Projetos. Repórter e documentarista de Política, Justiça e América Latina do GGN desde 2013.

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