Quem aplaudiu massacre do Carandiru hoje cobra fim da violência, por Drauzio Varella

Massacre é exemplo vivo que foi aplaudido por defensores de carta branca para "matar bandidos", mas, contraditoriamente, foi responsável pelo fortalecimento do crime organizado

Jornal GGN – A exemplo do que ocorre hoje com a estimulação pela gestão de Jair Bolsonaro e o setor militar do governo, assim como as Forças Armadas, sobre as atuais políticas de “segurança” pública, em uma espécie de “carta branca” para “matar bandidos”, o massacre do Carandiru é exemplo vivo da história recente, que foi aplaudido por defensores dessa ideologia, mas, contraditoriamente, foi o responsável pelo fortalecimento do crime organizado.

É o que mostra Drauzio Varella, em artigo para o seu site, intitulado “Estupidez e burrice”. “Ao contrário da repercussão negativa na imprensa brasileira e internacional, muita gente apoiou o massacre. Houve até quem lamentasse a timidez da repressão”, escreveu.

“Quais foram as consequências dessa estupidez coletiva? O nascimento do Primeiro Comando da Capital, organização que comanda com mão de ferro o crime organizado na maior parte do país. Qual a relação entre o surgimento do PCC e o massacre do Carandiru? Basta ler o estatuto da fundação do partido que teria vindo para ‘combater a repressão dentro do sistema prisional paulista’ e ‘vingar a morte dos 111 no massacre do Carandiru'”, continuou.

Leia, abaixo, mais um trecho do artigo:

Não conheci um carcereiro sequer que tenha trabalhado numa cadeia sem facções de criminosos. O trabalho era evitar que alguma delas fosse capaz de eliminar as demais, para assumir o comando. O massacre subverteu a disciplina nos presídios e afrouxou perigosamente o controle do Estado.

Hoje o PCC está presente nos 27 estados da Federação, Paraguai, Bolívia, Colômbia, Argentina, Peru e tenta dominar as rotas de tráfico de cocaína dos países andinos para a Europa e a África.

Não tivessem os governantes dado a ordem para a PM invadir o Pavilhão Nove naquele 2 de outubro, é provável que não existissem quadrilhas com milhares de membros, como as atuais. Os inconsequentes que aplaudiram o massacre, agora cobram medidas enérgicas para acabar com a violência urbana.

A íntegra pode ser lida no site de Drauzio Varella.

2 comentários

  1. Às vésperas da eleição de 2018, Bruno Torturra e equipe faz o vídeo CÓRTEX – PCC, CRIMES DE ESTADO E A POLITIZAÇÃO DO CRIME. COM BRUNO PAES MANSO (jornalista) E CAMILA NUNES DIAS (socióloga), autores do recém publicado “A Guerra – A ascensão do PCC e o mundo do crime no Brasil”, onde trazem dados importantes:
    – Só o estado de SP, desde a época do massacre do Carandiru criou uma massa de encarcerados que passou de 30 mil para 230 mil presos.

    “A GENTE TENTA MOSTRAR NO LIVRO QUE FOI TODO ESSE DISCURSO DE GUERRA, ESSAS ESCOLHAS POLÍTICAS QUE NOS LEVARAM AO CENÁRIO EM QUE ESTAMOS HOJE”
    — CAMILA NUNES DIAS

    “MUITA GENTE ACHA QUE A VIOLÊNCIA DO ESTADO PRODUZIRIA OBEDIÊNCIA. MAS A GENTE PERCEBEU O CONTRÁRIO. A PUNIÇÃO EXCESSIVA PRODUZIU ORGANIZAÇÃO E UM DISCURSO ANTISSISTEMA SEDUTOR”
    — BRUNO PAES MANSO

    http://www.fluxo.net/tudo/2017/12/3/cortex13-pcc

  2. Censura. Sempre ela. Mas se até o STF promove tal prática medíocre e arbitrária, o que dizer das outras elites se cimentaram estes 88 anos de Estado Absolutista Ditatorial Fascista?

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