Elite do Exército não promove porta-voz de Bolsonaro, que vai para reserva

E, ainda, Alto-Comando do Exército conduziu para assumir o Comando do Sudeste general que foi segurança pessoal de Dilma

Jornal GGN – O Alto-Comando do Exército passou mais um recado de independência ao governo Bolsonaro. Aconteceu na tarde desta segunda-feira (24) em uma decisão importante para a escolha dos dois novos membros do grupo dos 16 generais que ocupam as cadeiras da mais alta hierarquia do Exército Brasileiro.

Disputavam as duas vagas do Alto-Comando o porta-voz da Presidência, Otávio do Rêgo Barros, e dois generais-de divisão: Tomás Ribeiro Paiva, que é comandante da 5ª Divisão de Exército, em Curitiba, e Valério Stumpf, chefe de gabinete do general da reserva de Augusto Heleno (chefe do Gabinete de Segurança Institucional do governo Bolsonaro).

Tomás já estava sendo cotado como nome certo para ocupar uma vaga no Alto-Comando porque foi chefe de gabinete do ex-comandante do Exército Eduardo Villas Bôas. Assim, Rêgo Barros e Stumpf surgiram como concorrentes diretos – os dois são oficiais da Cavalaria.

Inicialmente, os três disputavam apenas uma vaga no topo da hierarquia militar, mas com a ida do general do Comando do Sudeste, Luiz Fernando Ramos, para a Secretaria de Governo, foi antecipada a abertura da última cadeira destinada a turma de 1981 da Academia das Agulhas Negras.

São 400 aspirantes a oficiais formados, por turma, que disputam a vaga de quatro generais de quatro estrelas. A turma de Rêgo Barros, Stumpf e Ribeiro Paiva era a de 1981 e, com a promoção recente de dois generais para o Alto-Comando, completou sua cota de quatro generais de quatro estrelas.

Por conta disso, Rêgo Barros terá que ir para a reserva com três estrelas. A próxima vaga na cúpula militar será disponibilizada em novembro, mas será a vez da turma de 1982 disputar as quatro vagas de quatro estrelas, conforme forem surgindo. Acontecem três encontros anuais, marcados antecipadamente, para completar as 16 vagas do colegiado do Alto-Comando.

Segundo informações da Folha de S.Paulo, o rearranjo feito por Bolsonaro nas alas militares que compõem seu governo desagradou os militares na ativa. Portanto, a decisão de não promover Rêgo Barros, nome que trabalha no coração do governo, indica que a cúpula do Exército deu um sinal de independência em relação ao Planalto.

Na semana passada, Bolsonaro demitiu o general Carlos Alberto dos Santos Cruz, chefe da Secretaria do Governo que bateu de frente com os filhos do presidente Eduardo e Carlos Bolsonaro e os ministros da Educação e das Relações Exteriores, todos influenciados pelo escritor Olavo de Carvalho.

Não parando por aí, Bolsonaro ainda demitiu o chefe dos Correios, general Juarez Cunha, um quatro estrelas da reserva, por comportamento “sindicalista”. Cunha era contra a privatização completa dos Correios.

Bolsonaro ainda rebaixou o general Floriano Peixoto para os Correios e a vaga que ocupava antes na Secretaria Geral da Presidência foi concedida a um amigo pessoal.

A condução do general quatro estrelas e Comandante do Sudeste, Luiz Eduardo Ramos, para a Secretaria de Governo, não foi lida pelos militares da ativa como uma forma de Bolsonaro compensar as mudanças. Pelo contrário, o Exército considera que isso aconteceu porque Ramos é simplesmente amigo pessoal do presidente.

A cúpula do Exército decidiu ainda conduzir ao Comando do Sudeste, para substituir Ramos, o general Marco Antônio Amaro dos Santos. Ele passou cinco anos como segurança pessoal da presidente Dilma Rousseff (PT) comandando a Casa Militar.

Segundo observadores ouvidos também pela Folha, a indicação do general que convivia com Dilma quase que diariamente em suas viagens e pedaladas pelas manhãs, é um recado para o Planalto de que os militares da ativa fornecem quadros para servir ao Estado e não governamentais. Ao mesmo tempo, eles contrariam o discurso de Bolsonaro de “despetização” de quadros no seu governo.

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