Os filhos da Febem

Enviado por: JB

Oi Nassif bom dia!

Quando nasci fui abandonado pela minha mãe, pois meu pai me abandonou muito antes de meu nascimento. fiquei interno na Febem ( MG), até os 18 anos , quando junto com outros colegas prestei concurso público e entrei para o Corpo de Bombeiros de Minas Gerais.

Na escola onde eramos interno, não havia grades, cercas, muros ou qualquer outro tipo de sistema que nos levasse a considerar nos presos. Tinhamos a rotina de todos os dias acordar as 06:30 da manhã, arrumar a cama, tomar café, irmos para a aula das 07:00 até as 11:30, na parte da tarde alguns trabalhavam na lavoura, outros faziam cursos profissionalizantes( música, mecanica, cursos no senac, técnico agricolas, marceneiros etc). a noite das 19:00 até as 21:00 eramos obrigados a ficar em salas de estudo.

Isso foi nos anos 80. hoje somos sargentos, tenentes, capitães do Corpo de Bombeiros. O comandante do Policiamento do Mineirão, é o Capitão Cecilio, que foi interno naquela época, o Comandante do Batalhão de Bombeiros na cidade de Divinópolis é o Ten- Coronel Paulo Adriano. somos a prova viva de que se o Estado realmente se importar com o menor ABANDONADO, existem meios sim de ajuda los a tornar cidadãos.

Citei somente a “turma” que entrou para o Corpo de Bombeiros, mas existem muitos outros bons exemplos para provar isso. por incrivel que pareça a Escola onde eramos internos (Escola Febem Lima Duarte), teve uma decadencia vertiginosa a partir do momento em que a politica começou a intrometer nos assuntos internos (troca de diretores por favores).

Comentário

Sem pieguice, o relato do leitor JB é mais comovente do que a dor “insuportável” do professor Renato Janine ou a “Ode à Centopéia”, do Ferreira Gullar, ambas na “Folha” de domingo. E uma denúncia forte sobre os estragos que a politização espúria traz sobre todos os aspectos da vida nacional.

Que maravilha as confidências simples, sinceras, sem o objetivo de causar comoção, explorar tragédias ou fazer média com a torcida.

Dos leitores

Enviado por: Marcelo Nonato

Olá, Nassif.

Esse depoimento só confirma que nada acontece por acaso. Nos anos 80, a Febem de MG foi presidida por Antonio Carlos Gomes da Costa, talvez um dos mais lúcidos educadores brasileiros ligados à causa jovem. Depois dessa experiência na Febem, ele trabalhou para diversos organismos internacionais como UNICEF, OIT e ONU. Foi também um dos autores do Estatuto da Criança e do Adolescente, que substituiu o antigo Código de Menores, de 1927.

Atua hoje como consultor. Seria interessante ouví-lo nesse momento de tanta confusão de idéias e conhecer um pouco melhor a experiência de MG.

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