Enviado por: JB
Oi Nassif bom dia!
Quando nasci fui abandonado pela minha mãe, pois meu pai me abandonou muito antes de meu nascimento. fiquei interno na Febem ( MG), até os 18 anos , quando junto com outros colegas prestei concurso público e entrei para o Corpo de Bombeiros de Minas Gerais.
Na escola onde eramos interno, não havia grades, cercas, muros ou qualquer outro tipo de sistema que nos levasse a considerar nos presos. Tinhamos a rotina de todos os dias acordar as 06:30 da manhã, arrumar a cama, tomar café, irmos para a aula das 07:00 até as 11:30, na parte da tarde alguns trabalhavam na lavoura, outros faziam cursos profissionalizantes( música, mecanica, cursos no senac, técnico agricolas, marceneiros etc). a noite das 19:00 até as 21:00 eramos obrigados a ficar em salas de estudo.
Isso foi nos anos 80. hoje somos sargentos, tenentes, capitães do Corpo de Bombeiros. O comandante do Policiamento do Mineirão, é o Capitão Cecilio, que foi interno naquela época, o Comandante do Batalhão de Bombeiros na cidade de Divinópolis é o Ten- Coronel Paulo Adriano. somos a prova viva de que se o Estado realmente se importar com o menor ABANDONADO, existem meios sim de ajuda los a tornar cidadãos.
Citei somente a “turma” que entrou para o Corpo de Bombeiros, mas existem muitos outros bons exemplos para provar isso. por incrivel que pareça a Escola onde eramos internos (Escola Febem Lima Duarte), teve uma decadencia vertiginosa a partir do momento em que a politica começou a intrometer nos assuntos internos (troca de diretores por favores).
Comentário
Sem pieguice, o relato do leitor JB é mais comovente do que a dor “insuportável” do professor Renato Janine ou a “Ode à Centopéia”, do Ferreira Gullar, ambas na “Folha” de domingo. E uma denúncia forte sobre os estragos que a politização espúria traz sobre todos os aspectos da vida nacional.
Que maravilha as confidências simples, sinceras, sem o objetivo de causar comoção, explorar tragédias ou fazer média com a torcida.
Dos leitores
Enviado por: Marcelo Nonato
Olá, Nassif.
Esse depoimento só confirma que nada acontece por acaso. Nos anos 80, a Febem de MG foi presidida por Antonio Carlos Gomes da Costa, talvez um dos mais lúcidos educadores brasileiros ligados à causa jovem. Depois dessa experiência na Febem, ele trabalhou para diversos organismos internacionais como UNICEF, OIT e ONU. Foi também um dos autores do Estatuto da Criança e do Adolescente, que substituiu o antigo Código de Menores, de 1927.
Atua hoje como consultor. Seria interessante ouví-lo nesse momento de tanta confusão de idéias e conhecer um pouco melhor a experiência de MG.
Hellen Rose Panizzi
20 de fevereiro de 2007 2:15 pmNassif,
Bom Dia.
Além do
Nassif,
Bom Dia.
Além do caso citado existem muitos outros, que apesar do estigma de serem da ‘ FEBEM’ tinham uma vida voltada para a educação e não apra a punição; até porque a FEBEM de ontem era um instituição educacional voltada para meninos que não estava na companhia de seus pais. Sabe-se por exemplo que na FEBEM de Juiz de Fora funcionava um ótimo grupo de escoteiros.
O certo é que com as politicagens a intituição, onde não acabou, virou presidio mirim.
Enquanto não se ver que criança precida de educação, e não punição; imagino que as coisas não mudam. Há que se ressaltar que quando falo de educação, não digo apenas a formal mas aquela global que ensina, assima de tudo, VALORES.
até,
Hellen Rose
Geraldo G. Brasil
20 de fevereiro de 2007 2:38 pmPrezado Luís,
Esse texto me
Prezado Luís,
Esse texto me faz pensar de novo que um caminho para começarmos a resolver nossos problemas seja mesmo a Educação. No seu sentido mais amplo, bem longe do sentido que os políticos de plantão costumam dar à palavra.
Humberto Nascimento
20 de fevereiro de 2007 3:18 pmNassif, são as opiniões
Nassif, são as opiniões sinceras assim que dizem mais que qualquer discurso elaborado. Uma parte da sociedade perdeu a capacidade de se comunicar com a população. A nossa sorte é que algunas vêm a público e se identificam. Apresentam-se: “eu sou Renato” e “eu sou Ribamar”. Dos homens de visão empobrecida, eu separo as obras. O filósofo desce do Olimpo do saber e o poeta perde a razão de sua sensibilidade. Pensam que são imortais e pregam o fraternicídio. Não lhes foi dado esse poder. A imortalidade de que desfrutam os deuses é estanque, não possuem o viço da divindade. O que é divino está guardado no ventre da alma humana e só de vez em quando verte ou subverte em verbo e poema de um Janine Ribeiro e um Ferreira Gular (Ribamar). Constrangem nosso espírito e nosso sentimento ver a veia poética esclerozar-se e a veia cerebral mutilar-se conscientemente, esta uma razão exangue e aquela uma sensibilidade extorquida.
Mas vamos aos fatos: no dia que um governante paulista decretou que segurança pública é sinônimo de guerra urbana imprimiu uma catarse geral. Agora, como dizia Ganhdi, lembrado por torcedores no Maracanâ, o palco absoluto das emoções, a frase de maior discernimento: “Olho por olho e acabaremos todos cegos”. Só nunca passou pela cabeça de ninguém que seria um filósofo e um poeta a acabarem cegos. JB redime as almas e os espíritos nobres. Isso prova que a saberia e a poesia não abandonam a vida, mesmo que não existam mais filósofos e poetas para iluminar-lhe de vez em quando. Mas há luz ainda…
Alirio Cesar de Alme
20 de fevereiro de 2007 4:41 pmVisitei a FEBEM de Belo
Visitei a FEBEM de Belo Horizonte em 1986. Fiquei impressionado quando me informaram em um berçário que ali havia vários ‘filhos da FEBEM’. As mães, outrora abandonadas, lá deixavam seus bebês. A Instituição ficou pequena diante da demanda crescente. Foi nessa época que soube, por uma amiga, que um Diretor dedicadíssimo, “dava a vida pela FEBEM”, estava sendo destituído por motivos políticos. Eu imagino que a lógica política é essa: Já que não há dinheiro pra gastar com Educação em geral e muito menos com pobre, nomeia-se uma Direção que seja cúmplice da degradação perpetrada pelo Estado.
Luis Nassif
20 de fevereiro de 2007 5:02 pmRaimundo, depois que se
Raimundo, depois que se arrependeu de ter enganado seu amigo, você se tornou um belo pregador. Que a paz esteja convosco!
Luis Nassif
20 de fevereiro de 2007 5:56 pmCláudio, você enxergou alguma
Cláudio, você enxergou alguma motivação menor nesse relato, para ser checado?
Marcus Vinicius
20 de fevereiro de 2007 5:57 pmNassif,
Olha só como nossa
Nassif,
Olha só como nossa população carcerária é o reflexo de nossa sociedade.
Sou Advogado. Milito nas áreas Cível e Previdenciária. Lecionei Direito Previdenciário em uma instituição privada. Na época alguns alunos achavam um absurdo a existência do benefício chamado auxílio-reclusão.
Tentei explicar-lhes que o benefício não era para o detento, pelo menos diretamente. Tratava-se de um benefício à família do preso. Destarte o mesmo poderia cumprir sua pena com tranqüilidade, já que a família teria suas dificuldades mitigadas. Não sei se os convenci.
Tempos atrás, quando se falava na construção de um novo presídio aqui em Uberlândia, cidade com cerca de 600.000 habitantes, boa parte da mídia, políticos e população eram contra, pelos mais variados e imagináveis motivos.
Ocorre que quando foi para construir o Estádio Parque do Sabiá, capacidade para 70.000 habitantes, a coisa de 30 anos atrás, não houve um décimo da resistência. Ninguém levantou a voz pedindo mais escolas, mais saneamento básico, mais hospitais, etc. Afinal, a nossa impressionante esquadra, o furacão da Mogiana, não poderia continuar jogando no velho Juca Ribeiro.
Aqui temos uma instituição, APAC, instituição de proteção e amparo aos condenados e seus familiares.
Meu escritório ajuda a referida instituição, dando orientação aos familiares dos detentos no que tange a terem, ou não, direito ao benefício supramenciondo. A pequena contribuição me valeu a deferência de ser colocado como conselheiro da referida instituição.
Recentemente, ao saber que sua sede havia mudado, fui convidado a visitá-la. Lá os apenados fazem cursos, alguns são alfabetizados, coisas do gênero.
Elogiando as novas instalações, comentei com sua. Presidente, Sra. Zilma, que tinha tido dificuldade para encontrar o endereço, pois, não havia placa indicativa da instituição. A este argumento me respondeu: “… É bom evitar, pois poderia ter problemas com a vizinhança . . .”.
Resumindo: O problema é sério, alguém tem de resolvê-lo, desde que não seja eu, desde que seja longe de mim, etc..
Esta é a média da mentalidade de nossa sociedade. Pelo menos de muitos que se dizem formadores de opinião.
Abraço.
Marcus Vinícius
Roy Frenkiel
20 de fevereiro de 2007 5:57 pmConcordo com o comentario…
Concordo com o comentario… O problema moral so se torna acolhivel, quando se torna pessoal.
Abrax
Roy
Luis Nassif
20 de fevereiro de 2007 5:59 pmRaimundo, que sensível você
Raimundo, que sensível você ficou… Jogou tantas insinuações sobre minha conduta, e agora fica todo sensibilizado só porque descobri que enganou seu amigo?
Urariano Mota
20 de fevereiro de 2007 5:59 pmViva, Nassif. Viva Nassif.
Viva, Nassif. Viva Nassif.
ider martins braga
24 de dezembro de 2013 10:43 amfebem … eu fui contemporâneo do jb na febem ; ./
quando falamos da FEBEM MG… FALAMOS DE ORFANATOS… e não depósitos de marginais, como se acompanha, em telejornais dentre outros meios de comunicação; lá éramos disciplinados e doutrinados para a vida… participávamos da cadeia produtiva, do estado … hj somos policiais , bombeiros ,professores , mecânicos, serralheiros , etc…não podemos ser comparados ,com esses bandidos , ditos menores , que aterrorizam a sociedade… sou policial militar e estou servindo em governador valadares ,estou disponível á um bate papo, para melhor esclarecimento…felicidades
Zeno José Otto
20 de fevereiro de 2007 6:59 pmToda criança quando nasce é
Toda criança quando nasce é um anjo. Quem corta suas asas? São as mesmas pessoas que, anos depois, ficam (e continuam) apalermadas com a violência. Quem planta vento colhe tempestade.
Ricardo L M Casella
20 de fevereiro de 2007 7:00 pmIsto me lembra um outro
Isto me lembra um outro artigo publicado por vc., referente a Previdencia Social, sem dúvida um problema enorme e complexo.Como é que se resolvem problemas enormes e complexos? Do jeito mais óbvio, isto é, por partes(tática aplicada-dentro da mediocridade politica geral, apenas pelo notório Hildebrando Pachoal com sua moto-serra).Tirando de lado a piadinha, bem adequada ao nível geral de nossos politicos, começa-se a se resolver a previdencia por partes, isto é, 1º atraem-se mais informais, depois leva-se em conta fator risco p/ acidentes de trabalho, etc….
Situação semelhante ocorre com o problema do menor – da mesma forma que na Previdencia, por razões politico-sociai$$$, se fala tanto no rombo previdenciário, no caso do menor em que a politica mais baixa e abjeta se envolveu em praticamente todos os estados, simplesmente não há uma politica de recuperação dos menores.Será que não há algumas unidades de referencia???Será que todas elas são depósitos de menores, verdadeiras escolas do crime??
Não acredito , não seria o caso de se observar aonde a coisa não seja tão dantesca.Ou será, que nos lugares aonde isso aconteça, a melhor política dos diretores seja a discrição, pois assim, é menor o risco de os politicos virem a estragar suas unidades.
Marcelo Nonato
20 de fevereiro de 2007 7:00 pmOlá, Nassif.
Esse depoimento
Olá, Nassif.
Esse depoimento só confirma que nada acontece por acaso. Nos anos 80, a Febem de MG foi presidida por Antonio Carlos Gomes da Costa, talvez um dos mais lúcidos educadores brasileiros ligados à causa jovem. Depois dessa experiência na Febem, ele trabalhou para diversos organismos internacionais como UNICEF, OIT e ONU. Foi também um dos autores do Estatuto da Criança e do Adolescente, que substituiu o antigo Código de Menores, de 1927.
Atua hoje como consultor. Seria interessante ouví-lo nesse momento de tanta confusão de idéias e conhecer um pouco melhor a experiência de MG.
Abraços,
Sergio Barbosa
20 de fevereiro de 2007 7:01 pmNassif,
Sao dois caminhos
Nassif,
Sao dois caminhos diferentes. Um o que recupera ( Ou recuperava ) aquele menor infrator que cometeu pequenos delitos, que vive na rua, desamparado de familia e que o Estado junto com toda sociedade tem por obrigação moral em recupera-los, como é o caso em questão. Outro, é aquele menor que comete um crime barbaro e que deve ter a prisão por muito tempo longe da sociedade, porque um crime barbaro e hediondo nao tem desculpa e nem retorno. O Estado, por conta dos cabeçoes acaba sendo omisso e covarde. Pagamos impostos altissimos, mas na hora de se fazer justiça empurramos com a barriga até a midia esquecer e os politicos colocarem as barbas de molho.
Fazer justiça, combater a impunidade, investir em educação, distribuir renda, é papo piegas e so vale durante a eleição. No dia a dia, a economia, o mercado financeiro, a falacia do Lula entre outros de menor importancia, abafam a verdadeira realidade que vivemos. Ausencia do Estado !
Antonio Carlos
20 de fevereiro de 2007 7:01 pmLuis
O depoimento do oficial
Luis
O depoimento do oficial JB corrobora exatamente aquilo que todos nós já sabíamos, ou seja , o maldito clientelismo político.
Cabos eleitorais, vereadores, deputados e afins nunca ficam desempregados após perderem as eleições. São “acomodados” em funções que a maioria nem sequer tem noção , muitas vêzes nem trabalham, apenas preenchem o cargo.
Veja a quantidade de cargos disputados neste governo recém eleito, verdadeira “briga de foice no escuro”.Quantos realmente tem capacidade para exercer a função?
Eficiência? Quem importa? O negócio é não deixar o “correligionário” desempregado.
O serviço público, nas mãos desses gênios, tem que ser mesmo da qualidade(?) que é, além dos “desvios de conduta” freqüentes.
Luciana
20 de fevereiro de 2007 7:15 pmAo ler esse relato não posso
Ao ler esse relato não posso deixar de concordar com o fato de que a decadência da Feben é sim decorrente de um conjunto de erros, um deles é tratá-la como moeda corrente para pagamento de favores políticos.
jose aurelio luz
20 de fevereiro de 2007 8:41 pmParabéns Nassif pela
Parabéns Nassif pela abordagem dos temas e pela sensibilidade na seleção dos depoimentos. É gratificante saber que instituições públicas, tão vilipendiadas, suscitaram o florescimento do potencial de seres humanos, sob condições tão adversas, ajudando-os no caminho difícil da auto-realização. Espero que as turbulências da politicagem não destruam o que já se construiu.
Geralmente o discurso dos juristas brasileiros parece-me não longe do daqueles personagens de José de Alencar ambientados no Rio do século XVIII (veja-se, por exemplo, “O Garatuja”). Contudo, não querendo, mísero sapateiro, ir além das sandálias, levanto algumas questões atinentes à delinqüência juvenil, fenômeno das sociedades urbanas modernas, para nos servir de mote de reflexão sobre o Brasil:
1. Não haveria realmente correlação estatística (como postulou um dos seus leitores) entre pobreza e criminalidade? E quanto à correlação entre impunidade e estrato social?
2. Em sociedade onde a educação formal não ensina a pensar criticamente, os meios de comunicação não exercem poder acima do justificável, tendendo à ocorrência da ditadura das famosas “profecias auto-realizáveis”?
3. Por que da assimetria entre a idade de capacitação para o voto e a da maioridade penal? O processo do escrutínio democrático é menos importante, ou não é considerado necessário, para esse processo, ter o indivíduo pleno controle da conseqüência de seus atos?
4. Falta Estado ou falta esforço de todos nós no cultivar valores éticos que acenem filosoficamente para um mundo mais solidário e justo?
sonia regina
21 de fevereiro de 2007 1:16 ampoderia fazer inumeras
poderia fazer inumeras diferenças entre os anos 80 e hoje,mais ficarei com apenas algumas.1 felizes tempos em que mal se ouvia falar em drogas.as familias eram muito mais unidas, os filhos respeitavam muito mais os país ,quando cometiam algum erro bastava que o pai olhase para a criança e ela já entendia o recado,hoje quando o pai chama à atençaõ do filho ele vai pra cima do pai e desce o casete.perdeu se o sentido da vida ,outro dia vi uma menina de no maximo 4 anos batendo boca com a mãe,isto é normal,?é a êvolução.creio sim na recuperação do ser humano até mesmo nos dias de hoje com as cadeias da maneira q são.poderia dar 3 exemplos de pessoas recuperadas ex presidiarios nos dias de hoje,e tambem poderia dar mais 3 exemplos de pessoas na qual eu conheço imrecuperaveis que entram e saeem da cadeia como se fose normal.então qual é o problema?se mesmo nos dias de hoje em que as cadeias são verdadeiros INFERNOS possam recuperar uns e não outros.e em todos os 6 casos em que citei nenhum tinha escolaridade acima da oitava série,e quando sairam da cadeia todos tivera a mesma dificuldade em um emprego,mais engraçado 3 vençeram e não mais voltaram pra cadeia e os outros 3 já estão de volta faz tempo.eu vejo q antes mesmo de de culpar alguem pelos nossos erros devemos ver se não há outra saida fora aquela em que a vida nos apresentou.antes de mais nada uma criança deveria já no prê ter lições de cidadania,convivio soçial,ser apresentado a elas desde pequenas as consequênçias de nossos atos.no japão por ex uma criança aprende a dirigir quando pequena claro q na teoria ,um japônes atropelou uma brasileira no mesmo dia o juiz deu a centença em que ele deveria sustentar aquela mulher pro resto da vida ,sendo q ela teve fraturas nas pernas e teve que colocar platinas.então as crianças ja sabem desde pequenas as consequençias de seus atos,diferente daqui q mal se ensina os jovens a pegar no volante e ainda mais as consequençias em atropelar ou matar alguem.esta é a diferença .ensinar a criança desde cedo,colocando como matéria a cidadania assim como é nescessario o português,matemática etc.não adianta endireitar à arvore depois q cresce torta.esta é minha opinião as coisas são simples somos nos é que complicamos.
Ramalho
21 de fevereiro de 2007 1:16 amA cada caso de sucesso da
A cada caso de sucesso da Febem correspondem milhões de outros das famílias bem-estruturadas e milhares de fracassos da própria Febem. Prestando mais atenção, percebe-se que, em verdade, os sucessos da Febem não se devem a ela, e sim a algum gestor excepcional que por lá passou. São exceções que confirmam que a Febem é instituição perpetradora de crimes hediondos contra a juventude brasileira desde que era alcunhada de SAM. Uma amostra de depoimentos tomados de um grupo representativo do universo dos assistidos e ex-assistidos pela instituição provaria este fato. A Febem não é solução, é problema.
Paulo Gonçalves Filh
21 de fevereiro de 2007 1:17 amA mesquinharia comandada pela
A mesquinharia comandada pela desastrosa política desencadeada nos últimos 40 anos, fez da nossa educação uma aberração. Nunca fomos bons de política, é verdade, mas nos últimos 40 anos extrapolamos. Destruimos tudo o que envolvia o atendimento ao povo, que era muito pouco, mas que se tornou insuportável, nos dias de hoje. Precisamos resgatar as experiencias que deram certo, principalmente no campo da educação e proteção dos nossos jovens.
Cida Medeiros
21 de fevereiro de 2007 1:17 amQuando há respeito à vida há
Quando há respeito à vida há desenvolvimento genuíno e todos ganham. O diretor da Febem na época de infância de nosso amigo JB estava genuinamente preocupado com aquelas vidas e o resultado está aí. Quando a preocupação é qualquer outra coisa que não a vida, todos, de certa forma, também sentimos as consequências – e não são nada agradáveis. Diariamente cada um de nós, ao ir ao trabalho, antes de sair de casa deveria peguntar: estarei hoje servindo à humanidade mais um pouco – e fazendo diferença – ou contribuindo para aumentar a poluição social?
gonçalves
21 de fevereiro de 2007 1:17 amOmissão de políticas públicas
Omissão de políticas públicas de inclusão social por parte do Estado, e o não cumprimento da legislação de proteção à Criança e ao Adolescente são as principais causas da delinquencia juvenil.
http://josiasdesouza.folha.blog.uol.com.br/
TCU vê falha do Planalto na reabilitação de menores.
Segunda Feira, 19/02/2007
Há três dias, a pretexto de censurar a tese de redução da maioria penal, Lula atribuiu ao poder público a responsabilidade pela proliferação da delinqüência juvenil. Disse que os menores infratores “são o resultado de um momento longo em que o Estado brasileiro não cumpriu as suas funções.” Auditoria feita pelo TCU informa que, sob Lula, a inépcia no trato com o menor contaminou até mesmo o Palácio do Planalto.
O Tribunal de Contas da União virou do avesso uma iniciativa do governo pouquíssimo conhecida. Chama-se “Programa de Reinserção Social do Adolescente em Conflito com a Lei.” É gerido pela Subsecretaria de Promoção dos Direitos da Criança e do Adolescente, uma repartição que pende do organograma da Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República. Criado sob FHC, o programa tinha o objetivo de coordenar fixar diretrizes e articular o trabalho de recuperação de menores infratores realizado pela União, pelos Estados e pelo município. Resultou num retumbante fracasso. A auditoria do TCU detectou a “falta de uma política de atendimento ao adolescente”, o “baixo grau de articulação entre as esferas de governo”, a “insuficiência de recursos humanos e materiais” e “falta de indicadores de desempenho” do programa oficial.
Entre as recomendações: a destinação de verbas e o envio ao Congresso de um projeto de lei regulamentando a aplicação das medidas sócio-educativas de menores. Decorridos quatro anos, o cenário exposto no relatório dos auditores continua o mesmo. Na última sexta-feira (16), mesmo dia em que Lula referiu-se às responsabilidades do Estado, o Conanda (Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente) divulgou uma nota sobre o tema. No texto (leia), o Conanda, braço consultivo da Secretaria de Direitos Humanos do Planalto, informa que, depois de “um longo debate”, foi finalmente elaborado, em 2006, o projeto de lei de execução de medidas sócio-educativas de menores fora da lei, aquele que o TCU preconizara em seu acórdão. Pede que o Executivo examine a proposta com “urgência”, enviando-a ao Congresso. O Conanda pede também que o governo pare de bloquear verbas orçamentárias destinadas à implementação do ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente). Ou seja, prevalece sob Lula a penúria orçamentária detectada no relatório de 2004. O trabalho dos auditores revelara que, no Plano Plurianual de investimentos para o período de 2000 a 2003, o governo reservara R$ 111,4 milhões para investir no programa de reabilitação de adolescentes. Desse total, só R$ 45,4 milhões (40,7%) foram executados. O resto foi retido pelo Ministério da Fazenda.
Em 2003, ao assumir a presidência, Lula transferiu o programa do Ministério da Justiça para o Planalto. Imaginou-se que o esforço direcionado ao menor infrator ganharia novo impulso. Não foi, porém, o que ocorreu. O assassinato do menino João Hélio Fernandes Vieites, 6, ressuscitou o debate sobre a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos. O tema é recorrente. Ressurge a cada nova brutalidade cometida por um menor de idade. E acaba se sobrepondo a uma discussão que vem sendo adiada há 17 anos. Instituído em 1990, o ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) continua pendente de regulamentação. Reza o artigo 227 da Constituição que o Estado deve dar prioridade ao atendimento da clientela infanto-juvenil. O ECA foi a forma que o legislador encontrou para dar conseqüência ao preceito constitucional. O estatuto criou uma série de procedimentos para reinserir o menor infrator no convívio social. Porém, a falta de regulamentação vem conspurcando os objetivos. Um dos objetivos do Programa de Reinserção Social do Adolescente em Conflito com a Lei, auditado pelo TCU, era justamente o de dar efetividade à ressocialização prevista no ECA. Por ora, deu em nada. O estatuto estabelece, por exemplo, que o atendimento ao menor infrator seria feito em articulação dos governos federal, estadual e municipal. Mas não foram disciplinadas as competências de cada esfera administrativa.
“O que é de todos não é de ninguém”, anota o relatório do TCU”.
O SR. Antonio Carlos Gomes da Costa, que alem de ter presidido a Febem-MG, foi também um dos autores do Estatuto da Criança e do Adolescente – que substituiu o antigo Código de Menores de 1927 conforme o texto, deve se sentir indignado com essa afirmação e/ou informação do blog do Josias de que até o momento o ECA nunca foi regulamentado.
Henrique
21 de fevereiro de 2007 1:17 amPois é Nacif.
Depoimento
Pois é Nacif.
Depoimento muito interessante. Eu só faria reparos ao que se convenciona chamar de “politização”. A gente não pode se esquecer que a ação dos “políticos” é, de primeira à última instância, “ação de Estado”. Os “políticos” e o “Estado” não são nem melhores, nem piores do que o conjunto do tecido social que os colocou nessa posição e o contituem. Se o desmoronamento da FEBEM-MG é deprimente, a gente não pode se esquecer de outras inciativas que foram solapadas nessas últimas décadas, com extremo apoio da sociedade. Tomemos por exemplo um “politico” dos mais polêmicos, o Leonel Brizola, junto com Darcy Ribeiro projetou os CIEPs para atenderem a população de menores em situação de risco. Cada CIEP possuia uma residência com 16 vagas para esse tipo de criança e adolescente. Ficariam responsáveis por eles Sargentos da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros casados, selecionados por concurso e capacitados (assim como seus cônjuges) para agir como tutores desses meninos e meninas que, entre outras coisas, seriam acompanhados nas atividades escolares. Esse projeto foi solapado antes mesmo que se demantelasse o projeto do CIEP como um todo. Sim, a inciativa foi de um “político” e a destruição foi, também, por “políticos”. Hoje não são poucos os cariocas e fluminenses que olham para o sangue derramado nas ruas e se indagam: “e se eu tivesse apoidado os CIEPs?
Não são poucos, mas, infelizmente, são uma minoria.
reginaldo pinheiro
21 de fevereiro de 2007 11:07 amOlá,
Nassif
A violência
Olá,
Nassif
A violência sempre vai existir. Penso que não é a morte de João Hélio que vai botar um ponto final nesta história macabra. Então vamos parar de analisar o que aconteceu e vamos ao problema central – o Estado deixou de fazer a sua parte. Que tal para começar, como chamou atenção Nassif, relacionar taxas de juros e o crime.
Pensar, também, em uma política de investimento na Educação pública neste país. Pensar por exemplo que a “A função da escola é ensinar às crianças como o mundo é, e não instruí-las na arte de viver”, escreve Arendt. E só para finalizar – digo que o texto de Janine Ribeiro é só mais um texto querendo interpretar a realidade. E digo que os filósofos têm apenas interpretado diversamente o mundo em vez tentar modificá-lo, como diria o velho Marx.
Sancho Brancaleone
21 de fevereiro de 2007 11:08 amNassif, creio que as suas
Nassif, creio que as suas considerações no “Os menores infratores” (na aba economia) são excelentes. Nesse momento, em que alguns malucos atiçaram os ânimos dos medievais, procurando fazer a regressão dos nossos instintos mais deploráveis, a posição do Senador Mercadante e do Governador José Serra são importantíssimas. União, moçada! Vamos mostrar que estamos no século XXI, vamos deixar as diferenças de lado, vamos pensar, ao menos, nos nossos filhos, nas nossas crianças e, logicamente, nas crianças que vemos nas ruas.
O depoimento do JB é inspirador e muito comovente. O post do Marcelo Nonato, lembrando a experiência do Professor Antonio Carlos Gomes da Costa reaviva os nobres guerreiros do passado recente. Muitas vezes, eu penso que não falta nada ao país, que basta trazer as grandes almas, os de boa-fé, os amigos da vida.
Um detalhe, apenas, me fez refletir com mais cuidado: Os Políticos!
Permita-me: Eles não são causa, eles são conseqüência.
*
Um menino de doze anos que costuma colher moedas num semáforo.
Do que ele se alimenta? De doces. Bala,s chicletes, sorvetes, gelinhnos, coxinhas, pastéis, coca cola: quando muito, um hambúrguer ou um currasquinho grego.
Glicose e gordura. Todos são anêmicos. Todos são raquíticos. Todos são amarelados, falta-lhes hemoglobina e sobra-lhes glicose e adrenalina. Claro! Dez em quando roubam bolsas e carteiras, correm dos “gambés” e dos seguranças dos Mac Donaldos. Cheiram cola, fumam craque, dificilmente comem arroz, feijão e mistura.
Quando voltam aos barracos, pais e mães infelizes e desesperados. Até piores do que eles.
Afeto: Muito pouco.
Alimentação: Super deficiente.
Saúde: No mínimo, anemia.
Escola: Sem comentário.
Vestimentas: quase nenhuma.
Calçados: Chinelos ou algum tênis velho de lixão.
Higiene: pouquíssima.
Agora falta completar com o conteúdo bioquímico explosivo. O que falta para a tragédia?
Alguém sabe a resposta? O filósofo não sabe? Que raio de filósofo é esse?
Quer que eu responda, mestre obscurantista?
Resposta:
Doze anos. Aos quatorze ou aos quinze anos, nas entranhas do menino a resposta.
A testosterona explodindo tudo. O pavio! O desejo sexual naturalmente irrefreável.
Uma menina que o apaixone, as mucosas .Um tênis nike, um belo calção, uma camiseta transada.. Sem isso ele não é nada, não ganha sequer um selinho. O mundo num único objetivo. O pau no buraco do muro, a calibração do gatilho. A beleza física, o espelho e a própia imagem, o cabelo revolto, o aroma do corpo, o olhar da menina tragando tudo. As capas das revistas masculinas e os pornôs.
A menina que vê a globo, que quer ser gostosa, que olha a bund à sombra, que acaricia as coxas, que quer um pau em suas mãos. Quer o garoto namorado com um carro, o quer valente, experiente, ela quer e quer e quer, e ele consegue e consegue e consegue…
E rouba sem importar, e ele por tudo e por todos e por ninguém. E ela por ela, ela que lhe faz o rebolado, ela, ele se mata e mata por ela, ela
ELA QUE LHE FAZ O REBOLADO!!!
Enquanto isso, tem gente que vendo tardiamente que não dá para matar todos os moleques e a testosterona não pode ser freada, pensam nos eunucos e querem capar os meninos. Não querem escola de qualidade, não querem inclusão social, etc…
Capem os seus!!!
Capem a mídia e os seus produtos!!!
Capem seus filhos, Oh materialistas imbecis!!!
Se é que eles já não estão capados.
O fato é que não há como tratar os meninos de rua como homicidas por natureza,. Na verdade, não são psicopatas. São carentes, muito carentes!!!
E as meninas são muito usadas!!!
Apolonio
21 de fevereiro de 2007 12:13 pmAlgo tão absolutamente
Algo tão absolutamente lamentável, tão tragicamente insano em todo esse episódio envolvendo a morte do menino João Hélio quanto a própria morte do menino, é a insensibilidade das nossas elites, dos tomadores de decisão, que ao presenciarem e contribuirem para todo esse represamento da insatisfação da população quanto à situação da criminalidade, declamam sempre a mesma cantilena contra aqueles que defendem o “endurecimento” da legislação penal. É a ladainha que remete às “barbaridades” – ainda que o vivente esteja lá entre os 150 milhões perdidos no fim do mundo e se considere muito mais “civilizado” que os países mais civilizados do mundo (muitos deles com pena de morte). Aí o vivente ainda me vem com essa de que – “mas” em vários países do primeiro mundo não há pena de morte (querendo desviar da trombada que vai ser, ao se deparar com uma possível comparação de penas com o Brasil…de qualquer um deles). Não somos mais ou menos “bárbaros” porque temos ou não uma legislação dura. Somos sim muito bárbaros, terrivelmente hipócritas e cínicos, quando a nossa legislação penal, sendo fruto de um acordo espúrio dentro de nossas elites ridículas, que sofre das dores da culpa de consciência pelo quadro social que pinta no dia a dia, que barram tudo aquilo que a sociedade inteira deseja expressar, dizendo essas bobagens sobre a barbaridade. Isto resolve o quê? Continuamos no mesmo estágio cínico, de quem submete a massa à desgraça do dia a dia e ainda lhe dá falsa lição de moral sobre o que é ou não é barbaridade…É impressionante ao que se recorre para legitimar a nossa verdadeira barbaridade. Toma-se um depoimento de um caso feliz, maravilhoso, porque exceção, para mostrar como seria se assim não fosse, esquecendo-se do quadro geral, dos milhares de casos infelizes que de fato são. É emocionante sim, encontrar alguém que vence quando tudo estava armado para que perdesse. Mas é tão impertinente quanto, analogamente, separar um caso de sucesso de negócio na situação econômica brasileira atual para justificar os juros altos. A barbaridade brasileira é o candidato prometer, a população votar e nada acontecer. É a inexistência de sua expressão cultural no Estado ocupado pelas Elites. Todos temos direito a nos expressar. Renato Janine incluso. Vergonha é essa expressão não se manifestar e ainda ser axincalhada, imoralmente!, com os argumentos débeis que são utilizados. Essa de escorregão…pelamordedeus…fomos todos ao baile e rimos da roupa do Renato Janine, enquanto estávamos todos com os fundilhos rasgados.
Luis Nassif
21 de fevereiro de 2007 1:54 pmUé, mas a ditadura deixou
Ué, mas a ditadura deixou coisas boas também.
Marcos Ribeiro
21 de fevereiro de 2007 2:00 pmBela história. Porém, fica a
Bela história. Porém, fica a pergunta que eu fiz há vários posts, e que as respostas que miram em “juros” ou “no papel do estado” – ou seja, que miram as causas – não versam: o que fazer com os menores infratores de crimes hediodos? É prioridade para a sociedade “recuperá-los”? Não. A prioridade é estancar esse pico de violência. Mas uma coisa não exclui a outra.
Marcelo
21 de fevereiro de 2007 4:58 pmUma das grandes mentiras que
Uma das grandes mentiras que são repetidas a toda hora, principalmente pela mídia, é a que a FEBEM é uma escola do crime.
Quem faz os criminosos é a rua, a desigualdade, a violencia e os lares desestruturados. A FEBEM não é causa, ela é um complicador a mais.
Marcos Roberto
16 de janeiro de 2026 9:34 amDesculpa mas vou descordar.
Me chamo Marcos fiquei na febem do horto BH 1984/86 fui transferido para a Febem de Corinto mg.
Lá fiquei até a instituição fechar
Fiquei na rua tive várias oportunidades de envolver com o crime.
Recebia muitos conselhos dos espetores da Febem e não me envolvi no crime
Vc faz a escolha entre o bem e o mal não é a rua ou a companhia que te desvia do caminho certo é vc que escolhe o que vai ser.
Antonio Carlo Telles
21 de fevereiro de 2007 4:59 pmConheço pouco o trabalho do
Conheço pouco o trabalho do Antonio Carlos Gomes da Costa, mas esse pouco foi suficiente para admirar sua contribuição. Especialmente quando defende um processo de educação que vai muito além das escolas, como a conhecemos. Suas idéias sobre gestão democrática da educação e solução do problema dos jovens infratores são inspiradoras, porque mostram caminhos práticos e simples para a equação “liberdade = responsabilidade”.
Num artigo Severidade e Justiça ele afirma que “quem conhece de perto as entranhas das unidades de internação mais problemáticas dificilmente poderá negar que é nelas que se produz e se reproduz o processo de “educação” da juventude para formas cada vez mais bárbaras de cometimento de atos infracionais, aqueles que, se praticados por adultos, são considerados crimes ou contravenções.” E questiona: ” Como romper com esse ciclo perverso de alimentação e retro-alimentação da violência?”
Ao explicar porque as Febem (s) não deram certo Antonio Carlos afirma que “o fracasso histórico dessas organizações” decorreu de sua “incapacidade de romper com as culturas organizacionais do passado”….A resposta não é simples nem fácil. A verdade, porém, é que não existe outra. O sistema de execução das medidas sócio-educativas precisa ser reordenado em conteúdo, método e gestão.
Há um rico diálogo registrado em 2004 (Escola Sem Sala de Aula) entre o jornalista Gilberto Dimenstein (GD), o empresário Ricardo Semler (RS) e o educador Antonio Carlos (AC), que dá um depoimento interessante sobre sua experiência na Febem. Ele destaca a questão da liberdade como “o dilema central de toda a inovação educacional”. E pergunta: ” Como se deve lidar com a liberdade? A escola vai ser impositiva ou não-diretiva?” E responde contando a história de sua experiência quando dirigiu uma escola feminina da FEBEM..
Reproduzirei um resumo do diálogo entre A. Carlos (AC), Dimenstein (GD) e Semler (RS):
AC – …Era uma escola de meninas infratoras, em Ouro Preto. Eu e minha esposa moramos lá dentro durante sete anos. E aí eu deparei com essa questão da liberdade..Aí praticamos o conceito da liberdade como ATO CRIADOR DAS REGRAS. Então, ao organizar uma atividade, chamávamos as meninas e perguntávamos? “Vocês acham que cada um pode chegar a hora que quiser ou é preciso ter um horário para isso?” E elas raciocinavam junto com o educador e chegavam à conclusão: “É preciso que exista um horário”.
GD -É o famoso COMBINADO.
AC – Vocês acham isso? Acham aquilo? – e fazíamos o famoso combinado. Escrevíamos e pregávamos na parede das oficinas assim: “Este regulamento foi elaborado pelas alunas e pela instrutora do curso de costura e terá a nossa assinatura como prova do nosso compromisso.” E ali, o pessoal, então, cumpria aquilo e alguém perguntava: “E o que vai acontecer com quem chegar atrasado? E se alguém desperdiçar material de propósito? E se fizer isso ou aquilo? Então, assim, surgiam todas as regras. No meio do semestre era feita uma revisão das normas, para não ficar revendo todo dia. E havia revisões muito interessantes. Por exemplo, certa vez, ocorreu que uma menina estava quebrando muitas agulhas. Como as meninas vendiam o que elas produziam e recebiam uma parte do pagamento, a instrutora considerou que deveria descontar o valor das agulhas quebradas no recebimento dela. Ela não estava de acordo e me chamaram para ajudar a resolver a situação. Então, descobri que a menina estava quebrando muitas agulhas porque ela não sabia bem como colocar a agulha na máquina. A menina disse então: “A instrutora tinha de ter me ensinado, porque se eu não aprendi, eu não quebrei POR QUERER. Assim, quando fomos mudar o regulamento, escrevemos assim: “Quem desperdiçar POR QUERER vai ter de pagar o material. Às vezes a menina ficava frustrada e rasgava o tecido ou quebrava a agulha. Esse “por querer” era uma sofisticação das normas. Acredito que trabalhar a noção de liberdade seja um importante dilema das inovações. Ao definir a qual conceito de liberdade a escola está filiada, a comunidade educativa está definindo seu ideal antropológico, seu conceito de ser humano…
RS -…é a própria comunidade fazendo as regras…
AC -…um espaço de autonomia, mas essa autonomia é relativizada pela…
RS – Resistência dos outros.
AC – Pela resistência dos outros, pelo conceito, pelo resultado que se pretende….
Zeno José Otto
21 de fevereiro de 2007 4:59 pmO meu guri
Chico
O meu guri
Chico Buarque/1981
Quando, seu moço, nasceu meu rebento
Não era o momento dele rebentar
Já foi nascendo com cara de fome
E eu não tinha nem nome pra lhe dar
Como fui levando, não sei lhe explicar
Fui assim levando ele a me levar
E na sua meninice ele um dia me disse
Que chegava lá
Olha aí
Olha aí
Olha aí, ai o meu guri, olha aí
Olha aí, é o meu guri
E ele chega
Chega suado e veloz do batente
E traz sempre um presente pra me encabular
Tanta corrente de ouro, seu moço
Que haja pescoço pra enfiar
Me trouxe uma bolsa já com tudo dentro
Chave, caderneta, terço e patuá
Um lenço e uma penca de documentos
Pra finalmente eu me identificar, olha aí
Olha aí, ai o meu guri, olha aí
Olha aí, é o meu guri
E ele chega
Chega no morro com o carregamento
Pulseira, cimento, relógio, pneu, gravador
Rezo até ele chegar cá no alto
Essa onda de assaltos tá um horror
Eu consolo ele, ele me consola
Boto ele no colo pra ele me ninar
De repente acordo, olho pro lado
E o danado já foi trabalhar, olha aí
Olha aí, ai o meu guri, olha aí
Olha aí, é o meu guri
E ele chega
Chega estampado, manchete, retrato
Com venda nos olhos, legenda e as iniciais
Eu não entendo essa gente, seu moço
Fazendo alvoroço demais
O guri no mato, acho que tá rindo
Acho que tá lindo de papo pro ar
Desde o começo, eu não disse, seu moço
Ele disse que chegava lá
Olha aí, olha aí
Olha aí, ai o meu guri, olha aí
Olha aí, é o meu guri
Alfredo
21 de fevereiro de 2007 4:59 pmOntem passando nos canais
Ontem passando nos canais parei na TV Senado: reprisava uma aud. na Comissão de Justiça s/redução da maior idade. Um senador dizia em alto e bom som q/a violencia n/era uma questão de miséria e sim de DNA. Existiam miseráveis bons e ruins e Ricos bons e ruins e q/deveria haver munição e que ele, o tal senador apoiaria o projeto do colega, Senador tal. Tal Senador falou no projeto: a redução ficará de acordo com “PODERÁ”. No proj. de Lei a redução será circunstacial. “PODERÁ”. Gelei, sentir uma sensação de medo, horror e pena. Desliguei o aparelho e fui caminhar…..
Laurencio
21 de fevereiro de 2007 4:59 pmGrande JB! Parabéns. Seu
Grande JB! Parabéns. Seu texto força a admiração. Você levou para o blog o testemunho vivo de que a origem modesta não é a mãe do crime. (Incrível, não é? A ignorância galopante não se conforta com evidências, ela quer provas!) Olha que a situação econômica do Brasil durante os anos 80 era muito pior do que é hoje. Havia naqueles idos um negocio chamado inflação, lembra-se? Alguns não se lembram. Acham que acabou-se com ela no sétimo dia da criação. E, daqui a pouco, a força de repetir, vão jurar que foi o Lula o responsável. Mas enfim, o surpreendente aqui, é que não foi escrito sequer uma linha enaltecendo a força de vontade individual, JB. Falou-se na FEBEM de outrora, no Estado que quando quer pode e até em um famoso educador. Quanto a você JB, foi como dizem nas boas Gerais, lugar de espírito ordenador, segundo o velho Drummond: necas de catibiriba. É isso, caro JB. O partido, o Estado sempre na frente. O indivíduo na rabeira. É tão comum que eles nem percebem o raciocínio torto. Como é que eles dizem na hora do voto? O melhor do Brasil é o brasileiro, não é? Pois é, o melhor da sua história é você.
Laurencio
21 de fevereiro de 2007 4:59 pmGrande JB! Parabéns. Seu
Grande JB! Parabéns. Seu texto força a admiração. Você levou para o blog o testemunho vivo de que a origem modesta não é a mãe do crime. (Incrível, não é? A ignorância galopante não se conforta com evidências, ela quer provas!) Olha que a situação econômica do Brasil durante os anos 80 era muito pior do que é hoje. Havia naqueles idos um negocio chamado inflação, lembra-se? Alguns não se lembram. Acham-se que acabou-se com ela no sétimo dia da criação. E, daqui a pouco, a força de repetir, vão jurar que foi o Lula o responsável. Mas enfim, o supreendente aqui, é que não foi escrito sequer uma linha enaltecendo sua força de vontade individual, JB. Falou-se na FEBEM de outrora, no Estado que quando quer pode e até em um famoso educador. Quando a você JB, foi como dizem nas boas Gerais, lugar de espírito ordenador, segundo o velho Drummond: necas de catibiriba. É isso, caro JB. O partido, o Estado sempre na frente. O indivíduo na rabeira. É tão comum que eles nem percebem o raciocínio torto. Como é que eles dizem na hora do voto? O melhor do Brasil é o brasileiro, não é? Pois é, o melhor da sua história é você.
NARA
22 de fevereiro de 2007 1:31 amNassif,
Na verdade, acho que
Nassif,
Na verdade, acho que a sociedade não quer discutir nada seriamente. Se assim não fosse, vejamos:
Prostituição infantil no nordeste brasileiro – tem que atacar toda a rede e isso pode significar chamar nossas lindas modelos que vendem bumbuns e peitos turbinados a preço de ouro, empresários famosos, donos de revistas e jornais, apresentadoras de TV, todos milionários e poderosos à custa do bumbum e dos peitos que a modelo exibe. Na verdade, o excesso de incentivo ao erotismo faz das nossas meninas pobres as maiores vítimas de gringos que saem do primeiro mundo para consumir de tudo entre nós. É ou não é?
Pirataria – outra droga, aliás, consumida abertamente, e o comércio existe porque tem um monte de gente querendo consumir. E o tal milionário chinês naturalizado? É tudo uma rede! E o Estado Brasileiro simplesmente não se manifesta. Pior, gasta com essa gente!
Mas dá trabalho tudo isso. Não somos a Espanha, que barrou a magreza nos desfiles de moda em nome da segurança de sua meninas. Precisamos de gente com mais vontade de brigar!
Até que surja, vamos continuar lamentando a morte da infância, seja nas FEBEM, no cinto de segurança que expôs a violência do Rio de Janeiro, seja nas praias de Fortaleza, morte silenciosa até agora, meninas invisíveis ao país. Passada a onda, tudo volta à mesmice. Ou não?
Antonio Francisco
22 de fevereiro de 2007 8:49 pmRepito, aqui:
A morte do
Repito, aqui:
A morte do pequeno Vieites foi causada pela indústria da venda de documentos de veículos com perda total. A recuperação e reposição desses veículos no mercado fica muito mais lucrativa quando feita com roubo de carros similares, encomendados a ladrões e pagos a preço de banana.
Carla Duarte
22 de setembro de 2009 10:27 pmGostaria de registrar que
Gostaria de registrar que fiquei muito feliz em saber, que existem pessoas que acreditam nesses jovens, que acreditam que pode haver uma mudança…
tenho um irmão internado, e tenho certeza que ele vai sair de lá muito melhor, tenho fé que tudo vai mudar, e que essa experiência na vida dele, muito amarga, vai deixar cicatrizes, e não considero isso uma coisa ruin.
Pois, uma cicatriz nada mais é que uma ferida curada!!!
Obrigado pelo espaço, fiquem com DEUS…
José Bento amador
16 de maio de 2019 1:49 amEu fui criado na febem praticamente ,desde9ano até 17 anos, passei por diversas escolas fui rigorosamente punido quando cometi erros, mas aprendi respeitar fui bem instruído e educado hoje sou vigilante em uma grande empresa sou bem estudado, tudo que sou e aprendi eu agradeço a escola FEBEM Lima Duarte nesta escola sai um homem bem preparado pra viver a vida aqui fora, alguns se deram mal porque não quiseram mudar,mas os que quiseram mudar hoje são todos grandes cidadoes e agradecidos por ter sido internado na febem,
O homem tem dois caminhos,ele faz escolha.
Maurilio Magela
19 de março de 2024 3:40 pmFui aluno da FEBEM-MG, entre 1966 e 1971. Passei pelo Instituto do menor,na Gameleira-BH, Escola Antônio Carlos, Bom Despacho, Escola Afonso de Morais, Lagoa Santa e Escola Lima Duarte, em Antônio Carlos. Sou Delegado de Polícia aposentado e Advogado. Caso algum contemporâneo queira fazer contato ( [email protected] ).