A inteligência artificial passou a ocupar o primeiro lugar entre os principais riscos para os negócios no Brasil, segundo um ranking de riscos empresariais elaborado pela Allianz Commercial, seguradora corporativa do Grupo Allianz. É a primeira vez que a tecnologia aparece no topo da lista de preocupações dos executivos brasileiros.
De acordo com o levantamento, embora a IA seja vista como uma ferramenta estratégica capaz de impulsionar a competitividade e a inovação, ela também representa uma fonte crescente de riscos operacionais, legais e reputacionais. A rápida evolução e adoção da tecnologia, segundo a seguradora, têm avançado mais rápido do que a capacidade das empresas de estabelecer estruturas sólidas de governança, acompanhar a regulação e capacitar suas equipes.
Para o CEO da Allianz Commercial, Thomas Lillelund, o destaque da inteligência artificial no ranking reflete o impacto cada vez maior da tecnologia na economia e na sociedade. “Além de oferecer grandes oportunidades, o potencial transformador da IA, combinado com sua rápida disseminação, está redefinindo o cenário de riscos e se tornando uma preocupação central para as empresas”, afirmou.
O levantamento mostra ainda que outros fatores seguem no radar dos empresários brasileiros. Os incidentes cibernéticos aparecem em segundo lugar, com 31% das menções, seguidos por mudanças na legislação e na regulamentação, citadas por 28%. As alterações climáticas foram apontadas por 27% dos entrevistados, enquanto as catástrofes naturais fecharam a lista, com 21% das citações.
*Com informações da Agência Brasil.
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Fábio de Oliveira Ribeiro
26 de janeiro de 2026 7:36 amNão deixa de ser irônica essa preocupação.
O capitalismo primeiro reuniu e mobilizou a força de trabalho se apropriando dos lucros da comercialização dos produtos fabricados (mais valia na terminologia marxista).
Depois, o capitalismo substituiu uma parcela da força de trabalho por máquinas e aumentou a produtividade de cada trabalhador. A mecanização industrial causou desemprego e redução dos salários em decorrência do aumento de competição por emprego.
Por fim, com a automatização (robótica industrial empoderada por IA) a produção de mercadorias passou a prescindir mais e mais do trabalho humano.
Na fase inicial, o empregador se preocupava mais com o galão da fábrica e com as matérias primas estocadas do que com o bem estar dos seus trabalhadores. Na fase intermediária, as máquinas passaram a ter um valor econômico muito maior do que os trabalhadores que podiam ser facilmente substituídos. Na fase atual, o trabalho humano é considerado desnecessário e os trabalhadores no máximo são vistos apêndices biológicos de sistemas de produção automatizados e robotizados.
Em nenhum momento os empregadores se preocuparam realmente com a segurança dos trabalhadores. E muitos resistiram de maneira feroz à introdução de normas estatais de segurança que visavam diminuir acidentes de trabalho e garantir a saúde e o bem estar dos trabalhadores nos locais de trabalho. Mas agora os empregadores estão apavorados com uma tecnologia que pode facilmente se voltar contra eles. Nesse contexto, a única coisa que me parece razoável é rir dos empregadores porque finalmente eles mesmo se tornaram apêndices adoecidos de um sistema de produção que sempre negou a humanidade da força de trabalho e que agora pode até desumanizar o capitalista.