“Novo” na politica, Luciano Huck é o que há de mais antigo na TV, por Mauricio Stycer

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Foto: Justo Ruiz
 
Jornal GGN – Citado pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso como o “novo” dentro da política, Luciano Huck tem a habilidade de remodelar o que há de mais velho no mundo televisivo.
 
A opinião é de Mauricio Stycer, crítico de TV da Folha de S. Paulo, que pontua que o eixo principal do “Caldeirão do Huck” é o assistencialismo, “uma tradição da TV de cunho popular no Brasil desde a década de 1960”.
 
Reforma de casas, carros e pequenos negócios, além de “testes de caratér” e também ações “inspiradoras” são as atrações do programa – exibido pela Globo há 17 anos – sempre com o patrocínio de empresas que anunciam durante a atração. 

 
Leia mais abaixo: 
 
Da Folha
 
 
Mauricio Stycer
 
A semana, das mais agitadas, começou com o ex-presidente Fernando Henrique incluindo num mesmo raciocínio os nomes de João Doria e Luciano Huck e a palavra “novo”.
 
Em entrevista a Igor Gielow, na Folha, FHC disse que o prefeito de São Paulo e o apresentador da Globo são figuras que não devem ser excluídas de consideração quando se pensa nas eleições de 2018.
 
“Eles são o novo porque não estão sendo propelidos pelas forças de sempre. Temos de ver como isso se desenrola. Eu hoje acho cedo perguntar quem vai ser candidato. Temos de ver como o processo anda, como a sociedade está absorvendo todo o impacto da Lava Jato.”
 
Um dia depois, na terça-feira (9), na “Veja”, o repórter Mauricio Lima afirmou que Luciano Huck procurou duas escolas de samba, Mangueira e Salgueiro, com o objetivo de ser tema de enredo no Carnaval de 2018 -a uma delas teria oferecido R$ 6 milhões. Huck negou a oferta de dinheiro e afirmou que alguém usou seu nome, sem autorização, para procurar as escolas.
 
No mesmo dia, à noite, na “Piauí”, a repórter Julia Duailibi informou que Huck teve um encontro, em abril, com João Amoedo, presidente do Partido Novo. A conversa, realizada no iate do engenheiro, foi sobre a conjuntura do país e o partido criado por ele.
 
Dias antes, no sábado (6), Huck estreou em seu programa na Globo o quadro “Quem Quer Ser um Milionário?”, uma competição de perguntas e respostas baseado em um formato britânico já exibido em mais de uma centena de países. “Uma jornada pelo conhecimento e pelo saber”, prometeu.
 
Como tudo no “Caldeirão do Huck”, o quadro lançado na última semana mostra a habilidade do apresentador e sua equipe de remodelar, com pompa, o que há de mais velho na televisão.
 
O eixo principal do programa, exibido pela Globo há 17 anos, é o assistencialismo, uma tradição da TV de cunho popular no Brasil desde a década de 1960. Fazendo drama com a miséria alheia, Huck reforma carros, casas e até pequenos negócios, ajuda parentes a se reencontrarem, organiza casamentos -tudo sempre sob o patrocínio de marcas que anunciam no ar.
 
Outro filão, também sem maior originalidade, são os “testes de caráter”. O programa simula situações na rua para ver a reação do público. Por exemplo: um rapaz oferece gatos para adoção em uma praça; a primeira pessoa que topa ficar com um animal é premiada (esta prova foi patrocinada por uma marca de comida para gatos).
 
Em 2014, Huck ensaiou uma virada, decidindo focar “ações inspiradoras” de gente que “pensa fora da caixa”. Definiu um novo quadro como a chance de “potencializar, empoderar, gente que vem transformando a realidade à sua volta há muito tempo e com muito pouco”.
 
Neste ano deu um prêmio “Inspiração” para valorizar iniciativas de cunho social, mas já deixou esta preocupação de lado e voltou com tudo às ações assistencialistas.
 
Já “Estrelas”, o programa de sua mulher, Angélica, passou por uma mudança neste ano -em vez de promover encontros vazios com atores da Globo, como fazia há dez anos, ele agora se dedica a mostrar estas figuras em ações de solidariedade.
 
Questionada pela revista “Quem”, há um mês, sobre como via a possibilidade de o marido entrar para a política, Angélica disse: “Ele já ajuda muita gente e pode ajudar muito mais do que se ele se enfiar na política. A gente não sabe o que vai acontecer lá na frente. Mas não estou a fim de ser primeira-dama, não [risos]”.
 
Ufa… 
 
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