TV GGN 20h: Uma análise do plano de vacinação de Pazuello

Acompanhe o comentário de Luis Nassif sobre os últimos acontecimentos na política e economia do Brasil nesta quarta-feira, 16 de dezembro

O programa começa analisando os dados da covid-19 no Brasil, onde Nassif destaca “a explosão de novas notificações” – apenas nesta quarta-feira, foram registrados 70.574 novos casos e 936 novos óbitos no Brasil. Na análise por estados, sete estados apresentam alto crescimento, oito estados mostram crescimento moderado, sete estados estão em patamar estável e cinco estados mostram queda drástica nos registros.

Para discutir o Plano Nacional de Vacinação, Nassif entrevista Ricardo Gazzinelli, coordenador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Vacinas/MCT e professor da UFMG. “Temos que pensar que a situação é extremamente complexa. Estamos vivendo uma pandemia, uma conjuntura nova, e muitas vezes nós não temos respostas novas. Estamos aprendendo tudo muito rápido”, diz Gazzinelli.

“Aliado a isso, temos esse problema dessa politização de muitos aspectos que deveriam estar fora quando estamos falando de vacinação, de controle. Isso deveria ficar mais na mão dos especialistas, de quem entende do assunto”

“De uma maneira geral, esse Plano Nacional de Imunização teve uma grande participação de cientistas, professores universitários, especialistas (…) Ele tem vários objetivos, obviamente que o objetivo final é a imunização da maioria da população e controlar ou mesmo eliminar a transmissão do coronavírus”

“Acho que o primeiro aspecto, que é o mais concreto, é a disponibilidade da vacina. Nós temos que fazer um plano baseado no número de doses de vacinas que nós temos. Se ela é disponível, quando que vai chegar e como vai chegar”

“Teve um acordo da Fundação Oswaldo Cruz com a Astra/Zeneca e a Universidade de Oxford – o Brasil já pagou alguns milhões de doses que devem ser entregues para a Bio-Manguinhos, que vai envasar e distribuir. Só que saíram alguns resultados sobre a eficácia da vacina, e parece que resolveram estender um pouco mais o estudo porque houve um problema de dois grupos (…) Era uma coisa que não estava prevista no estudo clínico”, pontua o pesquisador

“Para se ter certeza da dosagem que vai ser utilizada, parece que o estudo clínico vai ter que se estender por mais uns dois ou três meses”, explica Gazzinelli sobre o caso da vacina da Astra/Zeneca

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“A segunda delas envolve o Instituto Butantan, que parece que finalmente alcançou a quantidade de pacientes necessários para fazer a análise final do estudo, e esses documentos estão sendo enviados para a Anvisa”

“Finalmente, temos a vacina da Pfizer, que foi testada no Brasil mas, dessa vacina, o Brasil não vai ter tanta disponibilidade”, diz Gazzinelli. “Parece que o governo fechou um contrato, ou está para fechar, a compra de 70 milhões de doses – porém, quatro milhões seriam entregues no primeiro semestre, e 60 milhões no segundo semestre”

“A nossa expectativa é que, no primeiro semestre, não teremos que imunizar uma parcela tão grande – e que provavelmente serão o pessoal da área de saúde, o pessoal mais suscetível à infecção (idosos) e alguns grupos vulneráveis, como os indígenas”

Questionado sobre a intercambialidade das vacinas, Gazzinelli diz que as vacinas não são intercambiáveis e “não é desejável que se troque vacina”. Ou seja, se um paciente toma a primeira dose de um medicamento, a segunda dose deve ser exatamente igual. “Quando você vai fazer o teste de uma vacina para ela ser aprovada (…) você testa um protocolo. Se você tomar a dose de uma vacina e depois da outra, você não tem a menor noção do que pode acontecer”, pontua.

Gazzinelli explica que “só vamos saber se a vacina está funcionando de fato é no mundo real. Os experimentos até agora indicam que ela tem uma probabilidade muito alta de funcionar, mas você não vai poder vacinar todo mundo de uma vez. “Mesmo vacinado, você tem que continuar tomando as precauções – você tem que usar máscara, fazer o isolamento, lavar a mão toda hora, você tem que continuar com essas medidas”.

“Como vamos acompanhar a eficácia da vacina: à medida que for passando o tempo e o número de casos notificados da doença, ou o número de óbitos, ou o número de hospitalizações for diminuindo, você está tendo indicação que está tendo imunidade e a transmissão do vírus está diminuindo”

“Ou seja: você toma a vacina mas tem que aguardar todo o monitoramento, de número de casos e notificações, para aí sim abrir mão dessas medidas”

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Sobre a normalização do quadro, Gazzinelli não acredita que isso ocorra dentro de um ano. “Nós estamos prevendo que a grande parte da população estará imunizada no fim de 2021, ou até mesmo no começo de 2022. E aí você vai ter que acompanhar. Talvez o que vai acontecer é que nós vamos poder flexibilizar um pouco, mas vai ser uma coisa gradativa”, pontua o professor da UFMG.

Nassif explica que o presidente Bolsonaro fez todo o possível para boicotar a vacina, com impacto direto em parte da opinião pública. “(Bolsonaro) criou toda sorte de problemas, de tensões institucionais. E hoje ele vai lá, pede desculpas como se nada tivesse acontecido”

Nassif explica que o presidente Bolsonaro fez todo o possível para boicotar a vacina, com impacto direto em parte da opinião pública. “(Bolsonaro) criou toda sorte de problemas, de tensões institucionais. E hoje ele vai lá, pede desculpas como se nada tivesse acontecido”

Nassif lembra a confissão de dois crimes: “Bolsonaro admitiu que o Queiroz mandava dinheiro para ele, administrava o dinheiro dele. E o Queiroz recebia o dinheiro da ‘caixinha’. Você não precisa de mais nada para comprovar que Bolsonaro estava envolvido em desvio de dinheiro. O segundo ponto foi o (Alexandre) Ramagem, o sujeito do gabinete de segurança da Abin, admitindo que teve reunião com os advogados do filho do Bolsonaro, o Flávio Bolsonaro, mas não saiu nenhum relatório. Isso não muda nada, o relatório é apenas a comprovação por escrito”

“Então, você tem três comprovações de crime, os crimes contra a saúde, e como é que fica? Essa é uma situação muito difícil, é um presidente que normaliza. Ele confessa os crimes, pede desculpa e tá tudo bem. Todas as relações de crimes estão dadas em confissão pública. Ele (Bolsonaro) vai em um programa popular, confessa e ‘tá tudo bem, isso é bobagem'”, ressalta Nassif. “É algo que a ultradireita, desde que começou essa retórica, um dos pontos centrais dessa retórica era isso: você fazia um absurdo, apontavam que era um absurdo, e falavam ‘ah, que bobagem, isso é coisa politicamente correta, isso é a ditadura do politicamente correto'”

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“Essa naturalização dos absurdos chega agora ao ponto que o presidente da República confessa o crime, e daí? Como é que fica esse crime? E agora você tem a confissão. ‘E daí? Ele que pagava minhas contas. E daí? Era homem de confiança’. Ninguém está falando que não era homem de confiança, mas justamente por ser homem de confiança é que você está envolvido nessa manobra criminosa, de um cara receber por rachadinha e pagar suas contas”.

Após problemas técnicos, Ricardo Gazzinelli explica que “vai ser difícil pegar uma pessoa e dizer ‘você é obrigado a tomar a vacina’. Toda reação você tem uma contra-reação”; “Mas eu acho que é muito importante ter o poder de convencimento, e aí a mídia em geral tem um papel muito importante de convencer o pessoal de vacinar”, diz o professor da UFMG, citando ainda o papel dos líderes de comunidades.

“O movimento antivacina existe no Brasil, mas ele ainda é muito pequeno comparado com outros países, e o Brasil sabidamente é um país que tem adesão aos programas de vacinação”

Sobre a mutação do vírus e o trabalho internacional sobre o aumento da ocorrência de pandemias, Gazzinelli explica que “é uma questão que ainda estamos aprendendo, não sabemos como vai ser”, e vai ser necessário acompanhar.

Sobre novas pandemias, o professor da UFMG diz que “é possível que nós vamos ter essas novas pandemias, e isso vai se tornar mais comum. Acredito que nós, talvez, estejamos mais preparados”. “Quando apareceu a pandemia, o Brasil ficou paralisado (…) Um dos pontos que essa pandemia mostrou muito é a fragilidade, a nossa dependência tecnológica”

“O que isso tudo ensinou é a que nossa inovação científica tem que ser fortalecida e muito, para que em uma situação dessa a gente tenha uma resposta muito rápida, e não basta a ação científica – tem que ter o lado das empresas”

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