Caso Paraisópolis: PSOL protocola pedido para criar comissão externa para investigar mortes

Ação destaca declaração do governador João Doria que "política de segurança pública não vai mudar", mesmo após tragédia na comunidade

Foto: Daniel Arroyo/Ponte Jornalismo

Jornal GGN – A bancada do PSOL na Câmara dos Deputados protocolou um requerimento na Câmara dos Deputados, pedindo a criação de uma comissão externa para acompanhar a investigação da atuação da Polícia Militar de São Paulo na bairro de Paraisópolis, em São Paulo, que resultou na morte de nove jovens e sete feridos.

O requerimento foi entregue à liderança da Casa nesta terça-feira (3). No domingo, policiais do 16º Batalhão da Polícia Militar Metropolitana (BPM/M) invadiram o baile com cerca de 5 mil pessoas, onde a maioria dos frequentadores são menores de idade. A ação causou tumulto generalizado. Os PMs usaram armas de dispersão. Em meio ao pânico, nove adolescentes morreram pisoteados e outros 7 ficaram feridos.

O partido argumenta que, além da abordagem violenta, a ação foi respaldada pelo governador João Doria (PSDB-SP) com afirmações de que a política de segurança pública em São Paulo não iria mudar. “As ações na comunidade de Paraisópolis e em outras comunidades de São Paulo, seja por obediência da lei do silêncio, por busca e apreensão de drogas ou fruto de roubos, vão continuar”, completou o governador um dia após a tragédia.

“Não se pode aceitar, em hipótese alguma, que tais afirmações sejam feitas antes da conclusão e apuração dos fatos ocorridos, um dos motivos pelo qual consideramos fundamental a constituição de comissão externa”, diz o requerimento do PSOL.

O requerimento para a comissão externa é assinado por deputados do PSOL. Pelo regimento da Câmara dos Deputados, existem duas alternativas para a criação do colegiado: um ofício do próprio presidente da Casa, Rodrigo Maia, ou por votação no plenário.

Leia também:  MPF em Curitiba força elo entre sítio e Oi para justificar ação contra Lulinha

O PSOL aponta que não é a primeira vez que uma ação semelhante da PM de São Paulo termina em tragédia, lembrando de um caso, em novembro de 2018, quando uma repressão em um baile funk na cidade de Guarulhos terminou com três pessoas mortas, também pisoteadas.

“Não podemos permitir que perseguições sofridas por ritmos e manifestações surgidas dentro da comunidade negra, como o samba, a capoeira e o rap voltem a ocorrer no país”, diz o ofício. “Assim como o funk, existem outras manifestações culturais que foram perseguidas por serem ligadas a negros, pobres e moradores das nossas periferias.”

A bancada de deputados estaduais na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) também propôs a instauração de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito), sobre a morte dos jovens em Paraisópolis.

“O que aconteceu foi uma tragédia, mostra o despreparo da polícia para lidar com o assunto, a criminalização da pobreza e do funk”, disse Erika Hilton, uma das deputadas da Bancada Ativista, coletivo do PSOL na Casa.

Você pode fazer o Jornal GGN ser cada vez melhor

Assine e faça parte desta caminhada para que ele se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Assine agora

1 comentário

  1. Quantas comissões ainda serão necessárias para entender que Paraisópolis não é um fato isolado? Que o problema não é só a polícia mas a doença mental que aflige a boa parte da população quando refere-se a segurança pública? Que é a cultura escravista que,de antemão,já definiu há décadas quem são os culpados ?^
    Enquanto uma verdadeira abolição da escravatura não ocorrer neste país ficaremos presos as amarras do preconceito e dos interesses dos espertalhões que adoram vender a falsa sensação de segurança com seus equipamentos,rondas,concertinas que só aumentam a segregação e possibilitam o enriquecimento dessa gente.

Deixe uma mensagem

Por favor digite seu comentário
Por favor digite seu nome