Município do Rio ficou 26 dias sem homicídios após prisão de milicianos

Segundo órgão do MP do Rio, milicianos representam 1/3 de todos os denunciados; Queimados ficou quase um mês sem casos de assassinatos após prisão de paramilitares

Poço foi utilizado para descartar corpos de vítimas da milícia em Queimados. Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal

Jornal GGN – Nesta quarta-feira (18) e na quinta-feira (19) a Secretaria Estado de Polícia Civil, por meio do Departamento Geral de Homicídios e Proteção à Pessoa (DGHPP), realiza o 1º Encontro Nacional dos Diretores de Departamento de Homicídio do Brasil.

O objetivo é trocar experiências entre as polícias civis de todo o Brasil, mas entre os destaques está a investigação sobre a morte da vereadora Marielle Franco e seu motorista Anderson Gomes.

Em entrevista ao G1, o delegado Antônio Ricardo Nunes, que assumiu a diretoria da DGHPP com a criação do departamento em janeiro, disse que a maior parte dos homicídios no Rio de Janeiro tem participação de milícias.

“Podemos dizer que a milícia, sem dúvida, é a maior organização que comete crimes de homicídios no Estado do Rio de Janeiro”, destacou.

“70% dos homicídios que nós apuramos estão ligados a alguma atividade criminosa, seja tráfico, seja milícia. E desse percentual, nós estimamos que 80%, a maioria dos casos, seja com presença de milicianos”, completou.

O Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público do Rio de Janeiro também aponta para forte participação dos miliciações em crimes no Estado.

De janeiro a setembro deste ano, o MP denunciou 861 pessoas, desse total, 285 participantes de grupos paramilitares. Portanto, os milicianos representam 1/3 de todos os denunciados pelo Gaeco neste ano.

Também em entrevista ao G1, a coordenadora do Gaeco, promotorA Simone Sibílio, destacou que as áreas de atuação das milícias tem altos índices de mortes violentas.

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“Existe uma relação entre letalidade violenta e crime organizado? Evidentemente, existe. Em via de regra, o crime organizado impacta muito no índice de homicídios. Exatamente em relação aos confrontos entre as organizações criminosas. Seja facções rivais do tráfico de drogas, seja aqui no Brasil das organizações criminosas do tipo milícia”, disse.

“Há várias investigações do Gaeco em que nós atuamos e foi exatamente pessoas sendo mortas em confronto entre dois tipos de milícia. Uma tentando pegar o território da outra, isso impacta sempre no índice de homicídios”, prosseguiu Simone.

O chefe DGHPP destaca que logo após a prisão de um grupo de milicianos em julho no município de Queimados, região metropolitana do Rio, o número de homicídios na localidade caiu drasticamente.

“Em Queimados, após a operação que tirou de circulação uma quadrilha que se denominava Caçadores de Ganso, ficamos 26 dias sem mortes. Nós temos dados bem concretos nesse sentido”, disse.

Marielle

A morte de Marielle e Anderson completou um ano e seis meses no dia 14 de setembro. As investigações ainda não estão concluídas. Entre os avanços estão o indiciamento e acusação do PM reformado Ronnie Lessa e do ex-PM Élcio de Queiroz pelo duplo homicídio.

No encontro desta semana, o delegado que comandou a Delegacia de Homicídios do Rio entre 2018 e 2019, Giniton Lages fará uma palestra com o tema “Reflexões sobre novos paradigmas de investigação”, com informações sobre a morte de Marielle.

Ao G1, o delegado Antônio Ricardo disse que não há dúvidas sobre a participação de Lessa e Queiroz no assassinato e ainda defendeu a condução das investigações.

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“O que foi feito nessa fase inicial possibilitou o desmembramento dessa investigação em outras, que já se encontram em andamento, com desdobramentos bem interessantes, e nós certamente teremos resultados muito significativos em breve”.

No seu último dia no cargo da Procuradoria-Geral da República, nesta terça-feira (17), Raquel Dodge apresentou ao Supremo Tribunal de Justiça (STF) denúncias contra cinco pessoas por possíveis irregularidades na investigação do caso Marielle.

“Estou denunciando Domingos Brazão […] um funcionário dele chamado Gilberto Ferreira, Rodrigo Ferreira, e Camila, uma advogada e o delegado da Polícia Federal, Hélio Kristian. Eles todos participaram de uma encenação, que conduziu ao desvirtuamento das investigações”, disse Dodge.

Antônio Ricardo disse que não há irregularidades nas investigações e lembrou que o PM Rodrigo Jorge Ferreira, o Ferreirinha acusado por Dodge de obstruir a investigação, foi preso pela própria Delegacia de Homicídios em maio de 2019.

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2 comentários

  1. coisas como estas tem de ser replicadas, reforçadas e repetidas. Para que saibam que há como mudar. Tem de definir quem comete crimes, quem precisa do caos para prosperar e principalmente quem está por trás destas malignidades sociais. Não adianta ficarem falando que o RJ não tem mais jeito que o problema não é do RJ e sim de sombras operantes. Um câncer quando deixado à própria dinâmica, tende a se alastrar por vias laterais.

  2. Poderia ter ficado mais tempo, se o miliciano chefe, Witzel, provavelmente inconformado com o quadro, liberou o helicóptero da maior milícia do estado, a PM, para atirar na população da Maré.

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