22 de junho de 2026

Lava Jato: abusos judiciários devem ter um fim

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Por Fábio de Oliveira Ribeiro

Num dia a imprensa atacou o Ministro da Justiça porque ele recebeu advogados de empresas supostamente envolvidas no escândalo da Petrobras. No outro, a OAB reagiu dizendo ser prerrogativa dos advogados ser recebidos pelas autoridades.  O Juiz encarregado do processo veio a público dizer que é intolerável o Ministro da Justiça e os advogados tratarem de assuntos relativos ao caso.

A imprensa está errada. Não compete aos jornalistas revogar o Estatuto da OAB ou limitar o poder exercido pelo Ministro da Justiça. A OAB está certa ao defender as prerrogativas dos advogados. A entidade também poderia ter dito que o guardião do art. 133, da CF/88, é o STF e não a imprensa. O Juiz não deveria tomar parte de um debate extra-autos que não lhe diz respeito demonstrando ter interesse no caso que está sob seus cuidados.

O art. 35, I e VIII,  da Lei Orgânica da Magistratura, impõe ao magistrado o dever de:

“I- cumprir e fazer cumprir, com independência, serenidade e exatidão, as disposições legais e os atos de ofício

VIII- manter conduta irrepreensível na vida pública e particular.”

O Juiz não pode impedir os advogados de se encontrarem com o Ministro da Justiça para tratar de assunto que diga respeito aos interesses de seus clientes e que esteja dentro do campo de atuação daquela autoridade. Não pode, fora dos limites do processo em que está a atuar, impedir o Ministro da Justiça de exercer o poder que lhe é conferido pela legislação em vigor.

Um Juiz não exerce função semelhante a de Deputado, Senador ou Ministro de Estado, tampouco é eleito pelo povo para participar dos debates políticos no Congresso, nas ruas e na imprensa. Sua missão é proferir decisões válidas nos processos que estão sob seus cuidados e manter a discrição privada e pública que lhe são impostas pelo art. 35, da Lei Orgânica da Magistratura. No Brasil, o Juiz não pode alimentar a imprensa com informações sigilosas, e não deve, em hipótese alguma, discutir publicamente questões jurídicas com advogados, partes e outras autoridades.

Ao se posicionar na imprensa, fora dos autos como se fosse o único interessado no processo da Lava a Jato, além de possivelmente violar as obrigações lhe impostas pela Lei Complementar 35/1979, o Juiz se tornou suspeito de parcialidade. E neste caso, ele deve se afastar ou ser afastado do processo para que a legalidade do mesmo seja preservada. Se isto não ocorrer, todos os atos que ele praticar ficarão sujeitos a ser anulados pelas instâncias superiores.

Fábio de Oliveira Ribeiro

Fábio de Oliveira Ribeiro, 22/11/1964, advogado desde 1990. Inimigo do fascismo e do fundamentalismo religioso. Defensor das causas perdidas. Estudioso incansável de tudo aquilo que nos transforma em seres realmente humanos.

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16 Comentários
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  1. jofraf

    20 de fevereiro de 2015 5:00 pm

    O Brasil está sob a ditadura

    O Brasil está sob a ditadura do judiciário! Poder tão corrupto quanto os demais, mas há ampla impunidade ( veja o caso Medina; o caso alston, que desbloqueou o dinheiro, juntamente com um juiz do Tribunal em São Paulo – não lembro o nome, acho que Marinho). Este poder não emana do POVO e portanto não é DEMOCRÉTICO, não obstante é o único poder inquestionável!!! Está na hora de acordar brasileiros e dar um basta a este poder! (O MP inclui-se neste poder também).

  2. patinhho medroso

    20 de fevereiro de 2015 5:22 pm

    é issoaí. te de acabar esse

    é issoaí. te de acabar esse basurso de vazamentos e tc e tal…

    e retiar esse juiz do caso, já que foi notoriamente parcial

    e até confessou isso nesta semana.

    senão ele mesmo põe por terra a  operação e é capaz

    ainda de culpar o ministro da justiça

  3. gabi_lisboa

    20 de fevereiro de 2015 5:24 pm

    Cada vez mais acredito

    que o maior problema da corrupção no Brasil não está nos nossos políticos facilmente corrompidos, ou no nosso povo cuja noção de ética é bem maleável, mas na sensação de  ausência de justiça que existe e que tem sido reforçada diariamente pela novela mexicana que se tornou essa operação lava jato. Esse pessoal – juízes, promotores, policiais – envolvidos em desaforos no twitter/facebook, vazamentos seletivos, recadinhos através da mídia e outros comportamentos típicos de moleques me dão vergonha e desalento. Que futuro tem um país com esse pessoal como representantes da justiça?

  4. O Mar da Silva

    20 de fevereiro de 2015 5:33 pm

    A OAB reclamou muito tarde.

    A OAB reclamou muito tarde. Quando o Barbosa, o Gilmar, o Fux e cia lyda atropelaram todas as regras da magistratura não ouviu-se um pio do órgão dos semi-deuses. Será que foi porque a ilegalidade do mensalão não atingiu figuras graúdas?

     

    A única inovação do Moro foi atingir figuras graúdas fora do meio político. Porque ilegalidade, depois do julgamento da Ação 470 virou fichinha.

     

    A OAB teria mais respeito se fosse mais isenta.

  5. MThereza

    20 de fevereiro de 2015 6:01 pm

    ou a gente dá um rumo ao

    ou a gente dá um rumo ao judiciário ou ele acaba com o Brasil

  6. Alexander

    20 de fevereiro de 2015 6:04 pm

    Corretíssimo o teu texto,

    Corretíssimo o teu texto, Fábio. No entanto, em nosso país vive-se dias de subversão da lei e de um protagonismo absurdo de imprensa, em especial Rede Globo, que pauta a política e pauta até mesmo o Poder Judiciário. 

  7. Alfredo Maria

    20 de fevereiro de 2015 6:05 pm

    Basta ler as decisões
    Basta ler as decisões proferidas pelo Moro ate agora, disponíveis na internet, para saber que ele já condenou os acusados, antes mesmo do processamento das defesas.

  8. hc.coelho

    20 de fevereiro de 2015 6:44 pm

    Taí o pig

    O pig, partido da imprensa golpista, jogou com a bandidagem de sempre,  e seus holofotes, digamos, ofuscam o bom senso de alguns. Este é o resultado. Péssimo. Destrutivo para o país.

  9. carlos de oliveira

    20 de fevereiro de 2015 6:53 pm

    Controle

    O governo tem que controlar a imprensa, tem que controlar o judiciario, tem que controlar o congresso, tem que controlar a oposicao, tem que controlar os empresarios, tem quecontrolar…

    Este governo so nao pensa em controlar-se a si mesmo e fazer uma boa adminisracao.

    A solucao de toda essa confusao passa por um unico ponto: um bom governo.

    Mas para isso precisamos de competencia, artigo em falta neste governo.

     

    1. Fábio de Oliveira Ribeiro

      20 de fevereiro de 2015 8:21 pm

      Não foi isto o que eu disse.
      Não foi isto o que eu disse. Porque você, que não foi eleito pelo povo, quer tanto controlar o governo apoiando a ilegalidade? O que você ganha, quanto ganha, quem lhe paga?

    2. MARCOS FERREIRA

      20 de fevereiro de 2015 8:22 pm

      O PSDB JÁ FAZ ISSO MUITO BEM

      CBN, JOVEM PAN, ESTADÃO, VEJA… É SO PAU NO PT.

  10. Arnaldo Costa

    20 de fevereiro de 2015 7:15 pm

    Judiciário substitui Militares

    O judiciário está substituindo o papel dos militares na ditadura. Altos salários, regalias, poder ilimitado, mandam prender e soltar quem querem. Hoje em dia, qualquer advogadozinho de porta de cadeia vem com aquela frase clássica: “Você sabe com quem está falando?”. 

  11. MARCOS F. L.

    20 de fevereiro de 2015 7:27 pm

    Por quê a imprensinha não

    Por quê a imprensinha não chiou quando os trensaleiros foram absolvidos pelo STF mesmo com provas da participação deles como atesta o MP suiço, se fosse do lado de cá era televisionado ao vivo e todo dia passaria no Jornal Nacional cobrando a condenação sumária dos acusados.

  12. mauro silva 1

    20 de fevereiro de 2015 7:45 pm

    faço um reparo

    o sr sergio moro está impedido de continuar no caso porque, além dos motivos sitados, é responsável pelos vazamentos ilegais das informações sigilosas da ação penal que preside, e não tomou qualquer providência para apurar as responsabilidades pelo dolo o que implica OMISSÃO DOLOSA.

    isso não é teoria do domínio do fato: o sr sergio moro é, de fato, suspeito da autoria dos vazamentos o que explica o porquê da omissão dele na abrigação de apurá-los

    acrescente-se que o sr sérgio moro violou obrigações, diferentemente do “possivelmente” empregado no texto.

    conclui-se que, em verdade, existe apenas objetivo político, e não jurídico nessa malfadada ação penal, tornada deliberadamente nula pela ação deletéria do juiz que a preside.

    pelo cpp, o sr sergio moro, se o judiciário brasileiro não fosse o que é, seria condenado inclusive nas custas desse processo penal, além de ser defenestrado da magistratura como boa parte dos magistrados que comungam da mesma cartilha dele.

    … se o judiciário brasileiro fosse o que não é, mereceria respeito dos cidadãos, e não a desconfiança de sempre.

    1. mauro silva 1

      20 de fevereiro de 2015 8:45 pm

      errata

      leia-se “citados”.

      o vernáculo não merece “sitados”.

  13. carlos afonso quintela da silva

    20 de fevereiro de 2015 8:26 pm

    Muito  bem, mas onde estão as

    Muito  bem, mas onde estão as representações ao CNJ, órgão qualificado para analisar e julgar os atos do juiz Moro? Quanto tempo vão demorar para os advogados e autoridades desacreditadas pelas  reporcagens e fanfarronice do juiz para reagiir adequadamene?  Ademais, a esta altura e para preservar a dignidade do cargo que ocupa o Senhor Ministro da Justiça já deveria ter requerido rede nacional e dado uma resposta dentro da lei ao falastrão, aprendiz de Barbosa, bem como ao próprio cidadão Barbosa, ignorante em matéria legal, pois sobrepõe às atividades dentro da lei do Ministro e dos advogados de acusados,  com sua vontade ditatorial de punir aqueles aos quais está afeto o dever de defender seus constituintes. Não realizassem os advogados sua missão e deixasse o Ministro de atender aos causíidicos, aí sim caberia punição de ambos.

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