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A falta de delegados em São Paulo

    Por que será? Na Folha de hoje.

Procura-se delegado em um terço das cidades paulistas

Em 206 municípios, policial comparece apenas duas vezes por semana

Dados são da Associação dos Delegados de Polícia de SP; Estado tem 3.413 vagas, 223 continuam sem ser preenchidas

DE RIBEIRÃO PRETO
DE SÃO PAULO

Um terço das cidades paulistas não tem delegados titulares. Isso significa que 206 (31,9%), dos 645 municípios do Estado, só recebem a visita de delegados no máximo duas vezes por semana.

Na capital, as 93 delegacias possuem delegados titulares, mas em 16 delas não há delegados assistentes.

O levantamento foi realizado pela Associação dos Delegados de Polícia do Estado de SP, que diz que essa realidade "impossibilita uma correta investigação criminal".

Quase todas as cidades sem delegados titulares no Estado têm menos de 100 mil habitantes -a exceção é Indaiatuba (98 km de São Paulo), com 201 mil moradores.

A consequência é que, em muitos municípios, parte dos delegados acumula a função em duas ou mais cidades. A Folha encontrou um policial que acumula seis cargos em três cidades.

A Polícia Civil e a Secretaria da Segurança Pública admitem o problema, mas dizem que isso ocorre, em geral, em cidades com baixos índices de criminalidade.

No entanto, ao confrontar os dados da associação com as estatísticas da violência em 2010, nota-se que 131 desses 206 municípios tiveram aumento em ao menos um tipo de crime (homicídio, roubo e furto) em relação a 2009 -49 delas viram o número de homicídios crescer.

"[A existência de cidades sem delegados] É a falência da segurança pública do país", afirma o ex-secretário nacional de Segurança Pública Ricardo Balestreri.

ACÚMULO

O diretor da Associação dos Delegados Haroldo Chaud foi responsável, em 2010, por quatro unidades em três cidades. "É o bico oficial. Não é ilegal, mas é certo que compromete o trabalho de investigação", diz.

"Trabalho em três delegacias diferentes e assumo que não investigo os crimes como deveria. Fazemos um trabalho de "maquiagem" para que a população tenha uma sensação de segurança, mas na realidade não garantimos isso", afirmou à Folha um delegado, sob a condição de não ter seu nome revelado.

No Estado, há 3.413 vagas para delegados. Porém, diz o sindicato, só 3.190 estão ocupadas. A secretaria afirma que os últimos concursos deverão suprir essa demanda.

Na capital, além da ausência de 16 delegados assistentes, há 25 delegacias das zonas norte e leste que fecham suas portas durante a noite e aos finais de semana.

Ou seja, quem procura esses DPs durante esses períodos não recebe atendimento e é redirecionado para uma outra unidade da região.

O objetivo do projeto, conforme a secretaria, é ampliar as equipes durante o dia e fortalecer a investigação.

Esse esquema de plantão nos DPs surgiu em 2009, em caráter experimental, e não tem data para terminar.

(HÉLIA ARAUJO e AFONSO BENITES)

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Se o "motoboy" tivesse ao menos lido a reportagem da folha antes de opinar teria visto que nas cidades que não existem Delegados titulares a criminalidade aumentou sim !

Teria também visto as abalizadas opiniões do Ex-Secretário Nacional de Segurança Pública e de estudioso da USP a respeito dos reflexos que esta situação ocasiona na investigação criminal.

Comentário preconceituoso e precipitado.

 

 

 

seria bom um levantamento das cidades que tem delegado com as que não tem, comparando e avaliando o grau de criminalidade nelas. Apostamos que onde não tem delegado a coisa está melhor! Alguem topa?

 

A falta de delegados evidencia o desastre que é a política tucana de desvalorização dos servidores públicos, levando ao progressivo desmonte do serviço público.

O salário inicial de delegado da polícia civil em São Paulo é menor que o praticado em Estados pobres como Sergipe, isso afeta sobremaneira os trabalhos de investigação e mesmo o controle sobre as equipes da polícia, facilitando a corrupção e a leniência.

Há em nossa sociedade algo, como que um mantra, praticado não apenas pelos governos, mas também pelas empresas, de que o tudo é feito em função do consumidor final, no caso do Estado o cidadão, ou seja, os serviços são organizados em função da satisfação de quem paga pelo produto ou serviço.

Nada está mais distante da realidade quando verificamos a quantidade de reclamações nos procons contra empresas bancárias e prestadoras de telefonia, justamente as que detém grande quantidade de clientes e investem pouquíssimo na melhor tecnologia de atendimento ao cliente: os funcionários adequadamente treinados, motivados e remunerados, e em quantidade coerente com o tempo necessário para o atendimento.

O mesmo se dá com o discurso do PSDB, que adota em São Paulo o lema "Um Estado Cada Vez Melhor", mas corta investimentos em pessoal de forma sistemática, pagando salários incompatíveis com as responsabilidades que o servidor tem, achando que o servidor público por estar em um cargo hierarquicamente inferior deve ser remunerado exatamente como ocorre com a iniciativa privada, e nega algo óbvio, o trabalho do servidor é sujeito a enormes pressões do particular, que muitas vezes não o deseja feito, já que na maior parte dos casos implica a aplicação do poder de polícia da administração, contrário aos interesses particulares e em função do bem comum de toda a sociedade.

O resultado é que no último concurso para o cargo de investigador da Polícia Civil de São Paulo, do total de 1000 vagas disponíveis apenas 500 candidatos conseguiram passar por todas as fases; isso mostra que os baixos salários pagos para um cargo com grandes implicações afasta os melhores candidatos, que deveriam estar trabalhando em função da população e prestando bons serviços, mas que estão evitando esse concurso, que exige nível superior, para prestar outros concursos que mesmo exigindo nível médio pagam salários maiores que o dobro.

O mesmo se dá com os delegados, cargo que em São Paulo inicia com R$ 5490,00, enquanto no Sergipe é de R$ 8460,00, uma evidente aberração, o mesmo se dá em Minas, outro Estado tucano que paga pouco aos seus policiais, incial de R$ 5716,00; em ambos os casos quando analisamos o peso econômico desses Estados fica evidente que os baixos vencimentos somente podem ser aceitos quando considerados como política deliberada de desmotivação e desmonte do Estado.

 

Ventura

Peloamordedeus apaga esse post senão eles vão achar que a desculpa está dada para criar uma OS/Oscip,  terceirizar o poder de polícia, e não fazer mais nada de mão própria na atividade de governar.