Revista GGN

Assine

Análise

Um lugar chamado Brasil, por Fernando Horta

Imagem: Fotos Públicas

Eu tenho um amigo que afirma, faz tempo, que o Brasil não é um país. O Brasil é um lugar. Um lugar aprazível, é verdade. Com praias, temperaturas amenas, lindas serras, muita natureza, diversidade geográfica, ecológica, étnica ... Um lugar até encantador, precisamos reconhecer. Mas a verdade é que não somos um país. Quando falam em “nosso país” existe uma diferença sutil no termo “nosso”. O “nosso” quando dito por quem tem um sentido coletivo é um nosso abstrato. Um nosso que quer dizer que não é de ninguém. E mesmo sem ser de ninguém é de todos. É um nosso que não aceita divisão. Um nosso que acredita que sempre cabe mais gente, gente diferente, gente igual, ... gente.

Leia mais »

Média: 4.7 (14 votos)

Jessé Souza: “A classe média é feita de imbecil pela elite”

Foto: Fotos Públicas

Por Sergio Lirio

Na CartaCapital

Em agosto, o sociólogo Jessé Souza lança novo livro, A Miséria da Elite – da Escravidão à Lava Jato. De certa forma, a obra compõe uma trilogia, ao lado de A Tolice da Inteligência Brasileira, de 2015, e de A Ralé Brasileira, de 2009, um esforço de repensar a formação do País.

Neste novo estudo, o ex-presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada aprofunda sua crítica à tese do patrimonialismo como origem de nossas mazelas e localiza na escravidão os genes de uma sociedade “sem culpa e remorso, que humilha e mata os pobres”. A mídia, a Justiça e a intelectualidade, de maneira quase unânime, afirma Souza na entrevista a seguir, estão a serviço dos donos do poder e se irmanam no objetivo de manter o povo em um estado permanente de letargia. A classe média, acrescenta, não percebe como é usada. “É feita de imbecil” pela elite.

Leia mais »

Média: 4.1 (22 votos)

Nilson Lage: ou uma "força oculta" se levanta contra o golpe, ou o Brasil vai ser dividido

Por Nilson Lage*

No Facebook

O Brasil se encaminha para a etapa final de um processo que acompanho e prevejo há anos.
Só a idade provecta, a desimportância pessoal e a mídia restrita que uso permitiram que expusesse minha certeza que, por certa, se confirma – assim mesmo porque me recuso a discutir com os apaixonados, os crentes e os convictos, que fazem dos desejos esperança e contam que alguém os realize.

Só um tarado formalista ou um bacharel brasileiro poderiam aceitar que o que ocorre tem algo remotamente parecido com democracia.

Leia mais »

Média: 4.6 (21 votos)

Moro, Lava Jato e interesses dos EUA

Fotoilustração: Joana Brasileiro

Por Cesar Locatelli

Do Jornalistas Livres

O juiz Sérgio Moro é louvado em verso e prosa pelos meios de comunicação tradicionais, nacionais e estrangeiros. Foi “personalidade do ano” pelo Globo, esteve entre “as 100 personalidades mais influentes” da revista Time, alçado à condição de 13o entre “os maiores líderes mundiais” pela revista Fortune e 10o entre os mais influentes da agência de notícias financeiras Bloomberg.

Leia mais »

Média: 5 (13 votos)

Lula, Gramsci, consciência de classe e bloco histórico, por Charles Leonel Bakalarczyk

Lula afirmou recentemente, em entrevista concedida a uma determinada emissora de rádio, que ele era o resultado do nível de consciência dos trabalhadores brasileiros.

Reproduzi as falas do Lula na rede social do Reflexões à Esquerda, grupo de discussão política com “sede”  em São Luiz Gonzaga (RS).

Meu amigo Flávio Bettanin, organizador do Reflexões à Esquerda, expediu a seguinte manifestação acerca dos dizeres do Lula:

- Eis a causa dos tropeços. O pensamento dominante de uma época é o pensamento da classe dominante (Marx). A condição de classe difere da consciência de classe. Os que adquirem consciência de classe, rompendo o pensamento dominante, superando o nível de consciência imposto, adquirem a condição de organicamente se posicionarem na luta de classes.

Pois interpreto a fala do Lula de forma diversa, não como a revelação direta da "causa dos tropeços" do PT, dos governos Lula/Dilma, da esquerda ou das lutas sociais (no caso, a falta de consciência de classe de Lula).

Leia mais »

Média: 3.3 (7 votos)

Para Le Monde, Brasil se tornou estrela pálida no cenário internacional

temer_redevida_marcos_correa_pr_0.jpg
 
Foto: Marcos Correa/PR
 
Jornal GGN - No jornal francês Le Monde, uma análise assinada pela correspondente Claire Gatinois e publicada nesta quinta-feira (22) classifica o Brasil como uma “estrela pálida” no cenário internacional. 
 
As viagens internacionais do presidente Michel Temer - primeiro para a Rússia, e depois para a Noruega - são consideradas como um ativismo do presidente que quer “mostrar que seu país não está paralisado”, diz Gatinois. 
 
O periódico europeu também diz que Temer tenta, em vão, a convencer outros países que o Brasil não virou uma República das Bananas. Na análise, a correspondente também aponta como sinal da queda do prestígio do país o fato de que nenhum chefe de Estado vem visitar o Brasil

Leia mais »

Média: 5 (5 votos)

Por que Temer ainda não caiu?, por Roberto Amaral

temer_na_russia_-_beto_barata_pr.jpg
 
Foto: Beto Barata/PR
 
POR QUE TEMER AINDA NÃO CAIU?
 
por Roberto Amaral
 
Muitos se perguntam: por que, após tantas denúncias, ditadas e repetidas por fontes as mais diversas, e insuspeitas, como a voz dos ex-sócios, Michel Temer ainda não caiu, quando foi tão fácil depor a presidente Dilma Rousseff?
 
Como se sustenta um presidente sem apoio no voto, ungido ao poder por um golpe de Estado midiático-parlamentar (onde começa a desmilinguir-se seu mando), e desfrutando do desapreço da população de seu país, de quem foge, acuado, escondido no bunker em que foi transformado o Palácio do Jaburu?
 
Vários fatores podem, no conjunto, constituir uma resposta mais ou menos satisfatória. Mas, antes de mais nada, lembremos que, divergências secundárias à parte, mantem-se de pé a coalizão econômico-política montada lá atrás para assegurar o impeachment. O capital financeiro, o agronegócio, as igrejas pentecostais e suas representações no Congresso e nos grandes meios de comunicação, permanecem unificados em torno das ‘reformas’, eufemismo com o qual se designa o projeto, em curso acelerado, de regressão política, social e econômica do País, cujo alcance paga qualquer preço.

Leia mais »

Média: 5 (7 votos)

Os deuses do parlamento, por Ronaldo de Almeida

da Fundação Mauricio Grabois

Sob a proteção de Deus e em nome do povo brasileiro

No artigo “Os deuses do parlamento”, Ronaldo de Almeida, professor do departamento de antropologia da Unicamp e pesquisador do Cebrap, parte das repetidas referências religiosas presentes nos discursos pela admissibilidade do impeachment de Dilma Rousseff, em abril de 2016, para discutir o peso da religião na “onda conservadora” que impediu a ex-presidente.Os deuses do parlamento

Os deuses do parlamento

por Ronaldo de Almeida

Introdução

Está aberta a sessão. Sob a proteção de Deus e em nome do povo brasileiro iniciamos nossos trabalhos.

Assim o presidente da Câmara dos Deputados, deputado Eduardo Cunha (PMDB/RJ), iniciou a votação de admissibilidade do processo de impeachment de Dilma Rousseff, em 17 de abril de 2016. Evocar Deus não foi tão somente um ato de vontade de Cunha pelo fato de ele ser evangélico pentecostal ligado à Assembleia de Deus. Ele seguiu o rito de abertura das sessões do Poder Legislativo, tanto da Câmara como do Senado Federal. Posteriormente, por livre vontade, 52 deputados federais dos 513 votantes citaram a palavra “deus”.

Apesar da diversidade territorial e dos setores de atuação de cada deputado, boa parte do léxico político mobilizado valeu-se simbolicamente dos termos “deus”, “família” e “nação”,1 que operaram como elementos unificadores e transversais, além de apresentarem maior densidade de sentidos do que os termos “democracia”, “Estado de direito”, “cidadania” e todo repertório político liberal moderno.

Leia mais »
Média: 4 (1 voto)

Advogados e juristas apontam irregularidades na Lava Jato em vão, por Janio de Freitas


sergio-moro_comenda_-_jose_cruz_ag_brasil.jpg
 
Foto: José Cruz/Agência Brasil
 
Jornal GGN - Em um país no qual a Suprema Corte, a Presidência da República e o Congresso Nacional são questionados, advogados e juristas têm apontando, em vão, as irregularidades cometidas pela Lava Jato na primeira instância judicial.
 
É o país ao contrário, diz Janio de Freitas em sua coluna na Folha de S. Paulo, onde o jornalista também comenta que Rodrigo Janot, procurador-geral da República, planeja propor o “caixa dois sem corrupção”, com a suspensão dos processos contra políticos que receberam e não declararam à Justiça Eleitoral, dinheiro não ligado a facilitações.
 
Para o colunista, tal estratégia traz de volta o favorecimento aos membros do PSDB, que, fora dos governos Lula e Dilma, não teriam como vender facilidades, mas nem por isso deixaram de receber altas contribuições.
Leia mais »

Média: 4.9 (9 votos)

Quatro reformas para o Brasil começar a mudar pela via popular, por Almir Felitte

reformas_tuane_fernandes.jpg

Foto: Tuane Fernandes

Do Justificando

 
por Almir Fellite

A situação social e econômica vivida pelo país não é exclusiva dos dias atuais. Desde o início de sua colonização, o Brasil nunca conseguiu superar uma estrutura social que o coloca no cenário mundial como um país desigual, pobre, violento e democraticamente frágil.

Tal superação somente seria possível com um programa intenso de reformas de base que mudassem radicalmente nossas estruturas agrária, tributária, política e trabalhista, ou mesmo através de um processo revolucionário que subvertesse a ordem capitalista no país. Certo é que, para ambos os caminhos, é necessário que haja uma ampla mobilização popular, a qual, no cenário atual, parece ainda distante de ser concretizada.

Desse modo, para que as reformas de base se tornem uma realidade, é necessário que o povo brasileiro possa reunir condições de se mobilizar e criar um poder verdadeiramente popular. Para isso, algumas estruturas que funcionam como mecanismos de opressão do Estado e das elites precisam ser derrubadas através de pequenas reformas pontuais e específicas.

Leia mais »
Média: 3.2 (5 votos)

JBS: outra catástrofe de terra arrasada?, por Boeotorum Brasiliensis

jbs-lins-divulgacao.jpg

Foto: Divulgação

Por Boeotorum Brasiliensis

Ontem, 20 de junho de 2017, a Globonews mostrou uma reportagem sobre a JBS, a cadeia industrial da carne e a pecuária nacional. Destacou, além da participação da JBS em esquemas de corrupção, outros fatos sobre o grupo, sua atuação e sua situação. Menciona um quase monopólio da carne bovina nas mãos da JBS, o consequente desaparecimento de inúmeros pequenos frigoríficos e a decorrente dependência das fazendas de bovinocultura de corte em relação a um comprador principal, principalmente, mas não só, no Mato Grosso.
 
Descreve a preocupação desses produtores com tal dependência, o que, segundo relatado, implica na deterioração dos preços da arroba do boi vivo. Preocupam-se ainda por um eventual risco de inadimplência da JBS face aos efeitos das penas pecuniárias a que está submetida e, também, por possível aplicação de outras penalidades que possam seguir-se, tanto no Brasil quanto no exterior. Passa, também, pela menção a uma política governamental, ou melhor dizendo, a uma prática espúria de favorecimento via “crédito subsidiado” à JBS que a levou à posição de maior processadora mundial de proteína animal. Em seguida se refere à concentração da pecuária em grandes propriedades, à destruição consequente dos biomas onde ocorre e se instala, da precarização das pastagens dadas como, em sua maioria, degradadas e, também, ao abate de animais não certificados quando à origem.

Leia mais »

Média: 3.2 (5 votos)

Por que a indignação contra a corrupção no Brasil é seletiva?,por Salah Khaled Jr.

temer_-_beto_barata-pr_3.jpg

Foto: Beto Barata/PR

Do Justificando

 
por Salah H. Khaled Jr.

A indignação seletiva contra a corrupção é um fenômeno a ser estudado. O vapor levantado contra Dilma produziu níveis elevados de ultraje moral, enquanto os indícios contra Aécio e Temer não parecem produzir mais do que leves aborrecimentos, como se fossem práticas rotineiras e aceitáveis da vida política.

Na esteira de Jock Young, eu diria que o ressentimento das classes médias é um componente explicativo importante para a compreensão do fenômeno. Independentemente de eventuais críticas aos governos do PT (muitas delas acertadas) é inegável que neles houve atenção inédita aos estratos sociais mais vulneráveis, com ampliação massiva do programa bolsa família, ações afirmativas e muitas outras iniciativas de celebração da diversidade.

Leia mais »
Média: 5 (13 votos)

Ao sermos reativos, espelhamos exatamente aquilo que combatemos

Enviado por Luiz Eduardo Brandão

do Justificando

Reação da esquerda pode inviabilizar emancipação

por Camila Sposito

A imagem acima faz soar o alerta máximo: é urgente falarmos de valores na era da pós-modernidade e seus impactos na atuação política. Também é urgente avaliarmos se temos tanta certeza assim sobre quem realmente nos representa politicamente, pois parece que parte relevante da esquerda embarcou de vez na sociedade do espetáculo e se tornou reativa ao discurso fascista da direita, deixando de ser a voz emancipatória que poderia nos guiar para uma alternativa progressista em relação à já moribunda democracia burguesa.

O que ocorre é: ao sermos reativos, espelhamos exatamente aquilo que combatemos. Em vez de superar a lógica do que queremos extinguir, perpetuamos, com sinais trocados. A intenção pode ser outra, mas o impacto social bruto é de aumentar um ambiente inóspito aos anseios de liberdade, seja ela civil, política, econômica, religiosa, etc.

Na foto vemos Kathy Griffin, uma atriz e ativista americana apoiadora do partido democrata, derrotado por Trump nas urnas, segurando o que seria a cabeça do atual presidente dos EUA, decapitada e ensanguentada. Observe por um minuto o que essa imagem lhe evoca antes de refletir racionalmente e montar seu argumento, por favor.

Leia mais »
Média: 3.4 (13 votos)

Reforma trabalhista desmente crise no sistema previdenciário, por Cirlene Zimmermann

reforma_trabalhista_-_antonio_cruz_abr_0.jpg

Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil

Do Justificando

Reforma trabalhista: o projeto que desmente a crise no sistema previdenciário brasileiro

por Cirlene Luíza Zimmermann

A Constituição estabeleceu a dignidade humana e os valores sociais do trabalho como fundamentos da nossa República. Para efetivá-los, previu diversos direitos sociais, entre os quais o trabalho e a Previdência Social, mas também a educação, a saúde e a segurança.

Sem educação, não é possível ter trabalho digno e nem ter a noção da importância de ser previdente. Consequentemente, haverá sérios riscos de não ter saúde de qualidade. Também não se terá assegurado o direito social à segurança em sua faceta privada, ou seja, a garantia de ter o que comer, onde morar e de sustentar a família.

O sistema de seguridade social pensado pelos legisladores constituintes em 1988 é formado pela saúde, pela assistência e pela previdência. Visa garantir à população a cobertura dos riscos a que todos estão suscetíveis nessas três áreas.

Leia mais »

Média: 4.3 (7 votos)

Por que Temer não cai?, por Fernando Horta

Por que Temer não cai?

por Fernando Horta

A razão principal da manutenção de Michel Temer na presidência é Lula. Não é segredo que o ex-presidente apresenta boas chances de vencer eleições (em 2017 ou 2018) ainda no primeiro turno. Diante disto, a direita e a classe média anti-lula (que não diminuiu um centímetro) veem na figura rota e estropiada de Temer um escudo contra Lula. Houvesse uma chance real de um candidato da direita de disputar o pleito e, creio, Temer já teria sido propriamente defenestrado.

Só esta avaliação, entretanto, não é suficiente. Temer perdeu o apoio do capital, tem a Globo contra si, suas reformas impopulares colocam trabalhadores de diversos setores contra o vice-presidente, e tudo isto se manifesta bem nas pesquisas de opinião que dão-lhe entre 3 e 4% de aprovação – com margem de erro de 3 a 4%. Ou seja, o governo Temer é a margem de erro. Depois da decisão do General Villas Boas de desautorizar o uso das forças armadas não se pode dizer que o exército esteja sustentando o vice. Mesmo que Etchegoyen se encontre com a versão norte-americana do 007 (o espião midiático), colocando isto em sua agenda pública.

Leia mais »

Média: 4.1 (17 votos)