27 de agosto de 2026

História alemã é marcada pelo 9 de novembro

História alemã é marcada pelo 9 de novembro

O 9 de novembro é a data mais marcante da história recente alemã. As lembranças vão da alegria ao horror, passando pelo fim da monarquia, pela perseguição aos judeus e pela queda do Muro de Berlim.

Siga o Jornal GGN no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo

Seguir no Google

Um acontecimento que mudou o mundo é lembrado este ano pela 22ª vez: a queda do Muro de Berlim. Menos de um ano depois, no dia 3 de outubro de 1990, a Alemanha estava reunificada, depois de 41 anos de separação. Com o fim da República Democrática Alemã (RDA), o bloco comunista desaparecia de vez do mapa político da Europa. O conflito entre Ocidente e Oriente, marcado pela Guerra Fria e tão determinante para a história do continente, chegava ao fim no 9 de novembro de 1989.

Fim da monarquia

Philipp Scheidemann proclama a República em 1918

O calendário histórico alemão aponta ainda outros acontecimentos de suma importância para a história do país no 9 de novembro: em 1918, o social-democrata Philipp Scheidemann proclamou de uma varanda do Reichstag, em Berlim, a primeira república do país.

“Trabalhadores e soldados, estejam conscientes da importância histórica deste dia. Aconteceu o inacreditável. Um trabalho enorme e cuja amplitude é de difícil avaliação nos espera. Tudo para o povo, tudo por meio do povo! Nada que desonre o movimento trabalhista pode acontecer. Sejam unidos, fiéis e cientes de suas obrigações! O velho e podre – a monarquia – ruiu. Viva o novo, viva a república alemã”, anunciou Scheidemann, selando o fim da monarquia sob o Imperador Guilherme 2°.

A jovem democracia alemã enfrentou tempos difíceis desde o início. Foi no dia 9 de novembro de1923 que o Partido Nacional-Socialista organizava uma marcha em Munique, sob o comando de Adolf Hitler, que dez anos mais tarde chegaria ao poder e levaria o mundo à maior catástrofe da história: a Segunda Guerra Mundial.

Sinagogas em chamas

Estabelecimento judeu destruído no pogrom de 1938

O caminho para a catástrofe passava pela eliminação gradual dos direitos civis dos judeus na Alemanha, o que culminaria no extermínio sistemático, a partir de 1942. Ainda antes do início da Segunda Guerra Mundial, no dia 9 de novembro de 1938, sinagogas foram incendiadas em todo o império alemão e estabelecimentos comerciais judeus foram saqueados.

Aproximadamente 100 judeus foram mortos e 26 mil foram levados para campos de concentração na noite do 9 para o 10 de novembro. O pogrom (massacre genocida organizado) foi chamado cinicamente pelos nazistas de “Noite dos Cristais”, tendo servido como uma espécie de “ensaio geral” para o Holocausto que viria nos próximos anos.

Robert Ley, presidente da Frente Alemã de Trabalho, não escondia os propósitos do partido: “Judá vai e tem que cair, Judá terá que ser destruída! Essa é a nossa crença sagrada”, proclamava o nazista, fazendo com que o 9 de novembro de 1938 se tornasse uma das mais terríveis datas da história da Alemanha.

O fim de uma era

1989: celebrações pela queda do Muro de Berlim

Mais de meio século depois, no 9 de novembro de 1989, caía o Muro de Berlim, para o espanto da população nas então duas Alemanhas – Ocidental e Oriental. Na RDA, de regime comunista, estavam, há alguns meses, acontecendo protestos populares contra o partido do regime, o SED. Milhares de alemães orientais haviam fugido do país pela Hungria ou por outros países do Leste Europeu, onde pediam asilo político nas embaixadas da Alemanha Ocidental.

A pressão para dar uma maior liberdade de viagem aos habitantes da RDA aumentava a cada dia. Mesmo assim, ninguém contava realmente com o que viria a acontecer: quando, numa entrevista coletiva para a imprensa internacional, um representante do governo comunista anunciou que era permitido viajar para fora do país, ninguém mais segurou a população.

As pessoas correram para “pular o Muro” na Berlim ainda dividida. A euforia lieteralmente não tinha mais fronteiras. “Primeiro deixaram alguns passar, depois abriram o portão. E agora pode passar todo mundo, sem documento, sem controle, sem nada. Não tenho nem minha carteira de identidade comigo”, declarava esfuziante um cidadão da Alemanha Oriental, na noite que pôs fim a uma era.

Pela quarta vez, a história alemã era escrita num dia 9 de novembro – dessa vez, um registro de alegria, apesar de todas as dificuldades que se seguiram à reunificação alemã. Pois recuperar a unidade interna demora bem mais do que proclamar uma unidade oficial.

Autor: Marcel Fürstenau (sv)
Revisão: Alexandre Schossler

 

http://www.dw.de/hist%C3%B3ria-alem%C3%A3-%C3%A9-marcada-pelo-9-de-novembro/a-3775971

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Mais lidas

As mais comentadas

Colunistas

Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

4 Comentários
...

Faça login para comentar ou registre-se.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

  1. Luiz Gonzaga da Silva

    9 de novembro de 2013 10:04 pm

    “Mais de meio século depois,

    “Mais de meio século depois, no 9 de novembro de 1989, caía o Muro de Berlim, para o espanto da população nas então duas Alemanhas – Ocidental e Oriental.”

    Lembrando que em pleno século XXI ainda temos muros separando países e comunidades. Curiosamente alguns, ao contrário de Berlin, foram construidos para impedirem a entrada de cidadãos de países vizinhos, vide muro Israel/Palestina e Estados Unidos/ México. No caso do oriente médio existe também a intenção de segregar os palestinos.

     Temos também os muros naturais como o mar Mediterrâneo que está servindo de calvário para imigrantes africanos que procuram uma vida melhor em países que outrora os colonizaram e exploraram. Enfim, a vergonha  antiga tão explorada politicamente no bojo da Guerra Fria, agora é vista como uma defesa da democracia e da legalidade. Haja estômago para aceitar esse argumento cínico.

     

    E alguns meses mais tarde após a queda do muro que separava berlinenses/alemães , Roger Walters promovia o “The Wall  live in  Berlin Concert”

     

    http://www.youtube.com/watch?v=Ck7VXQSqc-4

    1. Motta Araujo

      10 de novembro de 2013 12:38 am

      Os fugitivos da pobreza

      Os fugitivos da pobreza africana tem como  ALGOZES seus proprios compatriotas, a CLEPTOCRACIA africana, que rouba tudo o que tem algum valor naqueles paises, alguns com enorem riqueza, como Angola, hoje patria de 8 bilionarios,

      incluindo  a bela Isabel dos Santos, filha do Presidente José Eduardo dos Santos e de sua primeira mulher sovietica, os outros são todos personalidades da politica, a elite angolana está construindo condominios fechados de mansões em Luaanda para não se misturar com o povoleu.

      Os portugueses construiram muito mais infra estrutura em Angola que nos 40 anos posteriores à independencia.

      Os colonizadores já foram embora fazem décadas, não vamos culpa-los pelo saque ATUAL das riquezas pelos ditadores africanos, quase todos amigos de certo politico brasileiro que lhes financiou a fundo perdido.

      Os fugitivos que morrem afogados no Mediterraneo foram tangenciados pelos corruptos sobas patricios de hoje.

  2. Paulo Henrique Tavares

    9 de novembro de 2013 11:36 pm

    Poxa, quando vocês vão para

    Poxa, quando vocês vão para de postar artigos, que no final é apenas para reforçar as suposta existência de judeus coitadinhos. O que dizer então da quantidade de vitrine de bancos aqui em SP que são quase que diariamente quebrados pelos black blocs ou pelas tentativas de roubos de quadrilhas especializadas/violentas. Sera que isso é anti-riquismo?

    Já pensou daqui uns 60 anos os banqueiros pedindo ainda mais indenizações devido ao anti-riquismo? que os ricos  coitadinhos banqueiros eram assassinados por mordomos em Mônaco?.

    Apesar da “quebradeira” dos anti-riquistas black blocs, os lucros trimestrais dos bancos não saem da casa dos bilhões. Associar a quebra de uma vitrine a pogrom, por favor, menos!

    Enche o saco!

    1. Paulo Henrique Tavares

      9 de novembro de 2013 11:45 pm

      Apenas aqui no Brasil, 136

      Apenas aqui no Brasil, 136 pessoas (negras e pobres) morrem por dia, vítimas da violência, seja da polícia, seja pelo abandono do Estado, seja pela certeza da impunidade dos traficantes, de um Estado corrupto, racista e classista.

      São mais de 50.000 por ano. Ninguém fala em pogrom.

      Não vejo nenhum judeu se revoltar contra esta injustiça diária. A maioria dos judeus nem sabem nem em que zona fica o Jardim Ângela.

      Enche o saco esta estorinha, muito mal contada, por sinal, de judeu coitadinho. Apresente-me um. Estudei na Usp e só conheci judeu rico. O Mais pobre que conheci fazia licenciatura em matemática, morava em Higienópolis num apartamento de mais de 100 m2.

       

Recomendados para você

Recomendados