A Dívida Pública Federal (DPF) encerrou julho em R$ 9,288 trilhões, segundo o Relatório Mensal da Dívida Pública Federal divulgado pelo Tesouro Nacional. O estoque avançou 0,22% em relação aos R$ 9,268 trilhões registrados em junho.
A alta ocorreu mesmo com o governo tendo realizado mais resgates do que emissões no mês. Em julho, foram emitidos R$ 198,15 bilhões em títulos da DPF, enquanto os resgates somaram R$ 263,29 bilhões, resultando em um resgate líquido de R$ 65,14 bilhões. A diferença foi compensada pela apropriação de R$ 85,53 bilhões em juros, que elevou o estoque da dívida.
Em termos simples, isso significa que o estoque da dívida não aumenta apenas quando o Tesouro emite novos títulos. Os juros incorporados ao saldo também elevam o valor devido. Em julho, esse efeito mais do que compensou a redução provocada pelo volume líquido de títulos resgatados.
A maior parte da dívida é interna. Segundo relatório divulgado pelo Tesouro Nacional, a Dívida Pública Mobiliária Federal interna (DPMFi) passou de R$ 8,921 trilhões em junho para R$ 8,949 trilhões em julho, uma alta de 0,31%. Já a Dívida Pública Federal externa (DPFe) caiu 2,20%, de R$ 347,71 bilhões para R$ 340,06 bilhões. A dívida externa correspondia a 3,66% do estoque total no fim do mês.
Juros explicam alta do estoque
A composição da dívida ajuda a entender a dinâmica observada em julho. Os títulos remunerados por taxas flutuantes passaram a representar 51,11% da DPF, contra 49,32% em junho. Já a participação dos títulos vinculados a índices de preços subiu de 25,90% para 26,02%, enquanto a parcela dos prefixados caiu de 21,04% para 19,22%.
A mudança também aparece nas operações realizadas no mês. Dos R$ 198,15 bilhões emitidos, R$ 124,11 bilhões, ou 62,64%, corresponderam a títulos remunerados por taxa flutuante. Entre os resgates, os prefixados tiveram peso predominante, com R$ 249,59 bilhões, o equivalente a 95,98% dos resgates da dívida interna.
Outro indicador relevante é o custo da dívida. O custo médio acumulado nos 12 meses até julho recuou de 12,68% ao ano para 12,45% ao ano. Considerando apenas a dívida interna, a queda foi de 13,19% para 13,14% ao ano. Nas emissões em oferta pública da DPMFi, o custo médio também diminuiu, de 14,20% para 14,10% ao ano.
Apesar da dimensão do estoque, o perfil dos vencimentos apresentou uma melhora no mês. A parcela da DPF com vencimento nos próximos 12 meses caiu de 20,07% em junho para 18,91% em julho, o equivalente a R$ 1,757 trilhão. O percentual ficou, portanto, dentro do intervalo de 18% a 22% estabelecido como referência no Plano Anual de Financiamento de 2026.
O prazo médio da dívida também aumentou, passando de 4,01 para 4,05 anos. A vida média, calculada pela metodologia de Average Term to Maturity (ATM), avançou de 6,01 para 6,04 anos.
Reserva de liquidez chega a R$ 1,37 trilhão
Outro dado destacado pelo relatório é o crescimento da chamada reserva de liquidez da dívida pública, conhecida como “colchão” da dívida. Trata-se dos recursos disponíveis em caixa destinados exclusivamente ao pagamento da dívida e dos valores provenientes da emissão de títulos.
Em julho, essa reserva chegou a R$ 1,371 trilhão, alta nominal de 1,89% em relação aos R$ 1,347 trilhão registrados em junho. Na comparação com julho de 2025, quando estava em R$ 988,35 bilhões, o crescimento foi de 38,74%.
O indicador de liquidez aponta que os recursos disponíveis são suficientes para cobrir 7,81 meses dos vencimentos da dívida nas condições consideradas pelo Tesouro. A reserva, portanto, funciona como uma proteção financeira para o governo diante das obrigações de curto prazo.
A distribuição dos títulos também mostra quem financia o Estado brasileiro. Em julho, as instituições financeiras detinham R$ 2,805 trilhões, ou 31,34% da dívida mobiliária interna. A Previdência respondia por 22,73%, com R$ 2,034 trilhões, enquanto os fundos de investimento concentravam 22,23%, equivalentes a R$ 1,989 trilhão. Os investidores não residentes detinham 9,82%, e os investidores do Tesouro Direto, 3,04%.
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