Enviado por antonio fracisco
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Astrônomo Ronaldo Mourão morre aos 79 anos.

O Astrônomo Ronaldo Rogério de Freitas Mourão, de 79 anos, morreu na noite da última sexta-feira, 25. Ele estava internado no Hospital Quinta D’or, no Rio de Janeiro, desde o último sábado, 19, com Pneumonia dupla. O astrônomo que já sofria do mal de Parkinson, também sofreu um Acidente Vascular Cerebral Hemorrágico a cerca de duas semanas.
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Astrônomo Ronaldo Rogério Mourão morre aos 79 anos
Autor de quase cem livros, Ronaldo Mourão era conhecido como uma das maiores autoridades em astronomia do Brasil
De O Povo Online
O Astrônomo Ronaldo Rogério de Freitas Mourão, de 79 anos, morreu na noite da última sexta-feira, 25. Ele estava internado no Hospital Quinta D’or, no Rio de Janeiro, desde o último sábado, 19, com Pneumonia dupla. O astrônomo que já sofria do mal de Parkinson, também sofreu um Acidente Vascular Cerebral Hemorrágico a cerca de duas semanas.
Histórico do Cientista
Ronaldo Rogério de Freitas Mourão era conhecido como uma das maiores autoridades em astronomia do Brasil. Ele foi o fundador do Museu de Astronomia e Ciências Afins (Mast) e pesquisador e sócio titular do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IGHB).
Suas maiores contribuições astronômicas foram realizadas no campo das estrelas duplas, asteroides, cometas e estudos das técnicas de astrometria fotográfica. O cientista tem quase cem livros publicados, além de mais de mil ensaios publicados em livros, revistas e jornais.
Ronaldo Mourão entrou para a Universidade o Estado da Guanabara (atual UERJ), em 1956 e quatro anos depois recebeu o título de Bacharel e Licenciado em Física pela Faculdade de Filosofia, Ciência e Letras. Durante o curso foi nomeado Auxiliar de Astrônomo do Observatório Nacional. No ano da conclusão, lançou seu primeiro livro Astronomia Popular, edição especial da revista Ciência Popular.
Em 2001 lançou “O livro de ouro do universo”. A obra, que é mais uma especialidade da sua área, revela o ceticismo do astrônomo em relação às previsões dos astros. Em uma entrevista, o cientista falou que os astros nunca mentem. Apenas não dizem nada. Essa afirmação surpreendeu muita gente.
Ronaldo Mourão deixa quatro filhos e dois netos. O corpo será enterrado às 15h no Cemitério São Francisco Xavier, no Caju, Rio de Janeiro.
Andre Borges Lopes
27 de julho de 2014 1:42 amAstrônomo e divulgador
Ronaldo Rogério, além de astrônomo respeitado, foi um grande divulgador científico – desses que sabem como explicar em linguagem simples e descomplicada assuntos complexos e sofisticados. Seu livro Da terra às galáxias, lancado em 1977 pela Editora Melhoramentos com uma introdução de Antônio Houaiss, foi uma importante contribuição para popularizar no Brasil, de forma didática, os gigantescos conhecimentos então obtidos pela humanidade nas duas primeiras décadas de exploração espacial. Um livro tão interessante, que já teve (ao que eu saiba) 19 edições e continua em catálogo em algumas livrarias.
Bem antes da chegada da série Cosmos do Carl Sagan, Da terra às galáxias e O colapso do universo (do Isaac Asimov) foram, em plena adolescência, minhas portas de entrada para o fascinante mundo da astrofísica.
Helio J. Rocha-Pinto
27 de julho de 2014 4:15 amInspirador
Ronaldo Mourão e Carl Sagan foram os dois únicos astrônomos que eu conhecia, tanto através de livros como da TV, entre fins da infância e ao longo da adolescência. Sagan, norteamericano, parecia inalcançável aos meus olhos, quase no Olimpo da ciência; mas Mourão era da terra, parecia próximo o suficiente para servir como exemplo. Os textos e narrativas de ambos alimentaram meu sonho juvenil e, ouso afirmar, o de vários colegas que perseguiram a Astronomia entre nas décadas de 80 e 90.
Em 1980, a Astronomia Brasileira ganharia seu primeiro grande telescópio voltado para a Astrofísica, o Perkin & Elmer de 1.60 m, situado em Brasópolis. Havia necessidade de formar pessoal em quantidade suficiente para usar esse equipamento e almejar saltos mais impressionantes (como mostra a discussão atual pela adesão do país à ESO). As universidades e institutos de pesquisa lograram formar um número razoável de astrônomos nos anos que se seguiram, mesmo com toda a dificuldade socio-econômica da década perdida.
Formar-se astrônomo é um desafio, tanto no Brasil, quanto em qualquer local do mundo. Não há quem não “goste de astronomia”… Muitos, muitos jovens, ao olhar a lista de cursos universitários, demoram um tanto os olhos no item Astronomia, e isso não se deve apenas a esta figurar entre as primeiras de qualquer lista alfabética. É que interesse pelo tema não falta. O desafio maior é persistir, pois a carreira é quase unicamente voltada para a vida acadêmica, e os empregos reais, aqueles com direitos trabalhistas, só são acessíveis, em sua quase totalidade, após o pós-doutorado, o que equivale a 11 ou mais anos de formação. É por isso que cientistas divulgadores como Mourão tiveram um papel maior do que aquele que será descrito por qualquer biografia oficial ou necrológio. Eles são modelos para essa juventude que aspira a ser cientista.
Talvez, em algumas décadas, quando se fizer um estudo sobre a paixão que motivou essa geração de jovens astrônomos brasileiros formados nos 80 e 90 a não desistir, três elementos fundamentais serão evidenciados, não necessariamente nessa ordem de importância: 1) a série Cosmos, de Carl Sagan, que estreou em 1980; 2) a passagem periélica do Cometa Halley, em 1986; 3) Ronaldo Rogério de Freitas Mourão, o nosso cientista cabeludo, constantemente requisitado pela imprensa escrita e televisiva a conceder entrevistas e depoimentos sobre os assuntos do Espaço, nosso divulgador incansável, autor de inúmeros livros de Astronomia para público de diversas idades, de coluna semanal em jornais, de uma carta celeste adequada ao nosso hemisfério, de anuários para astrônomos amadores e de um dicionário enciclopédico de Astronomia e Astronáutica, obra de que pouquíssimos, um punhado ou menos, de idiomas têm similar.
Adeus, Ronaldo! Abrace as estrelas por nós!
Marcos K
27 de julho de 2014 9:09 amMais uma notícia que me
Mais uma notícia que me aborrece este ano, porque é mais uma perda irreparável. Foi um dos que me ensinou a gostar de astronomia.
MarcoPOA
27 de julho de 2014 1:27 pmOutra grande perda!
Bob Fischer passava a falsa ideia de que xadrez era moleza, Rogério Mourão de que astronomia era só olhar no telescópio…..fácil, fácil!
Mais um dos nossos gênios se vai!
Alfredo Junior
27 de julho de 2014 2:27 pmAmo ciência, divulgação
Amo ciência, divulgação científica, ao ler física, astronomia, e milhares de outros assuntos, me sinto alguém além do que sou, que faço parte de algo maior, muito maior do que sequer imaginamos, as frustrações que um país como o nosso, em que sucesso profissional e objetivos são espetacularmente atropelados por um sistema que privilegia o roubo, os malandros, a politicagem, corrupção, preguiça de aprender e descobrir e por aí vai, a leitura me liberta dessas situações cansativas e frustrantes, o conhecimento alimenta minha mente e a alma, se eu não posso viajar de fato, os livros me levam. Triste e com sensação de vazio, pois um dos autores que me fizeram descobrir o Céu, as constelações, estrelas, astros, nebulosas, galáxias é o espetacular Ronaldo Rogério de Freitas Mourão, pouquísimos brasileiros, pouquíssimos comentários, poucos os que realmente conhecem sua obra, se morresse um funkeiro ou sertanejo teríamos legiões se lamentando, mas os poucos que leram e tem os livros (alguns raros) desse amante de espalhar o conhecimento, sempre o manterão vivo, sua obra permanece, obrigado Ronaldo Rogério de Freitas Mourão, agora que os Céus que você tanto amou e estudou o receba em um lugar especial, que as editoras relancem alguns clássicos como Atlas Celeste e Uranografia, obras maravilhosas de ajuda para identificar constelações e se maravilhar com o Céu. Deus te acolha e a sua família.
Marcelo Castro
27 de julho de 2014 3:50 pmsem substitutos
Ronaldo Mourão deixa um grande vazio na ciência brasileira. Durante muito tempo a única razão de eu ainda ler alguns jornalões eram artigos de gente como Ronaldo, eram fontes de inspiração e credibilidade. Infelizmente o Brasil não tem substitutos à altura.
Paulo Paiva
27 de julho de 2014 8:02 pmTexto um pouco infeliz no final
O texto é infeliz no final, como se fosse surpreendente um astrônomo que não crê em astrologia!!! – surpreendente seria o contrário – nunca vi qualquer astrônomo defender a “previsão dos astros”. Acho que o jornalista de O Povo Online precisa estudar um pouco mais…..