O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta sexta-feira (14) que pretende declarar o Estreito de Ormuz como território norte-americano, em mais uma escalada da pressão sobre o Irã em meio ao impasse nas negociações para encerrar a guerra entre os dois países.
Durante discurso em uma academia de polícia em Long Island, em Nova York, Trump disse que faria a declaração “em breve”, depois de os Estados Unidos “terminarem de derrotar o Irã”. Segundo o presidente, Washington já teria o controle do estreito por meio do bloqueio naval imposto ao país.
“Em essência, é isso que ele é”, afirmou Trump ao falar sobre o canal marítimo. “Temos o bloqueio. Nenhum navio passa a menos que queiramos.”
A declaração, entretanto, não foi acompanhada até o momento por um anúncio formal de mudança na política externa ou de uma medida jurídica para transformar o estreito em território dos Estados Unidos. Também não está claro como Washington pretende implementar a ameaça, já que o Estreito de Ormuz é uma passagem marítima internacional localizada entre o Irã e Omã.
Aproximadamente um quinto do petróleo transportado por via marítima no mundo costuma passar pela região, o que faz qualquer interrupção do tráfego ter impacto direto sobre os preços internacionais de energia.
Na prática, ainda não há indicação clara de que a declaração represente uma decisão oficial de Washington. O episódio, porém, reforça a escalada em torno de Ormuz e evidencia a dimensão econômica da guerra.
Impasse com Irã mantém estreito no centro da guerra
Como lembra o jornal britânico The Guardian, a nova declaração de Trump ocorre enquanto as negociações entre Washington e Teerã permanecem travadas.
O Estreito de Ormuz está praticamente fechado desde que Estados Unidos e Israel iniciaram a guerra contra o Irã, em fevereiro. Nos últimos meses, o governo norte-americano também ampliou o bloqueio a embarcações e portos iranianos como forma de pressionar economicamente o governo de Teerã.
Trump afirmou diversas vezes nas últimas semanas que os Estados Unidos já teriam vencido o conflito e que o governo iraniano estaria buscando um acordo. O governo do Irã, porém, mantém uma posição distinta e rejeita as condições apresentadas por Washington.
Na sexta-feira, o presidente americano voltou a defender a ofensiva militar e afirmou que os norte-americanos que passaram a pagar mais caro pela gasolina deveriam considerar o aumento um custo necessário para impedir que o Irã desenvolva uma arma nuclear.
Teerã, por sua vez, mantém exigências para a reabertura do estreito. Segundo autoridades iranianas, a passagem só será novamente aberta caso os Estados Unidos mudem sua postura, compensem integralmente o país pelos danos provocados pela guerra, suspendam as sanções e liberem incondicionalmente os ativos iranianos congelados.
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