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Luis Nassif Online

A partir do impeachment, temas como regulação de mídia e controle democrático do MPF serão prioritários; por Luis Nassif
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Inovação brasileira na odontologia, o controle da mídia por políticos com participação Mafalda Minnozzi e Paul Ricci
No Brasil, a paz é uma mentira, a democracia é uma falsidade e a realidade é deplorável, violenta e constrangedora
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Trabalho após a morte, por Janderson Lacerda

Trabalho após a morte

por Janderson Lacerda

Edgar morreu aos 81 anos, enquanto operava um torno de CNC, vítima de um infarto fulminante. Apesar de ser “Católico Apostólico Romano” (como gostava de dizer) seu funeral não foi realizado por um padre. Isso porque, a Igreja Católica terceirizou o serviço das missas de corpo presente. Por conta disto, um pastor neopentecostal foi enviado; e apesar das diversas recomendações e preces do sacerdote, Edgar acordou no purgatório com o barulho ensurdecedor de uma sirene. Confuso e transpirando muito, viu um homem baixo, barrigudo, de capacete, segurando com a mão direita uma prancheta, aproximar-se rapidamente.

— Levante-se, levante-se! Está pensando que aqui é um SPA?

— Em que lugar eu estou? (Questionou Edgar).

— Você morreu e está no purgatório.

— Eu?

Não, minha mãe! É claro que é você! E olha se quiser ir para o descanso eterno, já vou lhe avisar: terá que trabalhar muito!

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De como a Coreia do Norte inaugurou o mundo multipolar, por Ion de Andrade

De como a Coreia do Norte inaugurou o mundo multipolar

por Ion de Andrade

A Coreia do Norte parece mais um país saído de um universo ficcional inverídico: é uma espécie de monarquia que sobreviveu ao... comunismo. Parecem quadrinhos dos anos cinquenta (ruins). Para além disso, o pouco que nos chega não nos permite firmar opinião clara, mas a imaginamos como um... estalinismo monárquico... (um esdrúxulo conceito). Não sabemos se haverá guerra entre esse país e os EUA. Até aqui não houve e parece que há muito a considerar antes que os Estados Unidos desfiram um ataque preventivo.

Sun Tzu n’A Arte da Guerra diz que os maiores generais não são conhecidos, porque ninguém soube das guerras que eles ganharam sem lutar. A guerra até aqui não havida entre a Coréia do Norte e os Estados Unidos, à qual a mídia ocidental não vem dando qualquer relevância (sinal que é importante), parece estar sendo vencida de forma esmagadora pela Coreia do Norte. Essa “não guerra” está definindo parâmetros cruciais para os próximos conflitos e para o futuro e bem que poderia constar nos livros de história como o evento de inauguração do mundo multipolar. O meu acompanhamento pobre vem sendo feito pelo Google, com “North Korea” e selecionando a “última hora”. Sem querer prever o que virá, a ênfase das notícias vêm saindo da guerra propriamente dita e migrando para os aspectos morais do regime de Piong Yang, sinalizando a meu ver uma perda de temperatura. O episódio envolvendo um estagiário americano preso por lá e devolvido quase morto à família não permite, é verdade, alimentar muitas ilusões sobre o regime. Porém, no contexto das relações internacionais esse “não conflito”, ainda que se converta num conflito de verdade, parece configurar uma virada decisiva na história contemporânea.

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Dallagnol e a ANPR: a defesa desonesta de inexistentes regalias corporativas, por Wadih Damous

 
Dallagnol e a Associação Nacional dos Procuradores da República: a defesa desonesta de inexistentes regalias corporativas
 
por Wadih Damous
 
Fomos, o Deputado Paulo Pimenta e eu, os autores de uma reclamação disciplinar contra o Sr. Deltan Dallagnol, que, como coordenador da tal "força-tarefa" da "operação Lava Jato", vem confessadamente fazendo palestras mundo afora sobre sua atuação funcional, com contrapartida remuneratória. Dada a repercussão midiática da iniciativa, o próprio Sr. Dallagnol e o presidente da Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR), Sr. José Robalinho Cavalcanti, se apressaram em lançar notas explicativas indignadas. O primeiro usa o sítio oficial da Procuradoria da República no Paraná para se defender, ainda que as acusações que contra si pesam nada tenham a ver com a instituição e sim com a deformação de sua conduta pessoal. Já Robalinho prefere a manifestação em tom corporativo, sugerindo que um "ataque" ao Sr. Dallagnol seja um ataque a todos os membros do MPF.
 
Ao que parece, as notas se serviram da mesma fonte na pesquisa de normas para sustentar a suposta licitude das palestras do coordenador da "Lava Jato". Por isso mesmo, as duas respostas se equivalem na tentativa de iludir a opinião pública. Imaginaram, seus autores, que ninguém correria atrás do conteúdo das resoluções do CNJ e do CNMP por eles mencionadas. Subestimaram a inteligência dos que não aceitam essa descarada defesa do patrimonialismo corporativo, especialmente vergonhoso quando se tem em consideração serem, ambos, integrantes de uma das carreiras mais bem pagas na administração federal.

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A economia brasileira estrangulada, por Fernando Horta

A economia brasileira estrangulada

por Fernando Horta

Não existe meio espontâneo de redistribuição de renda no capitalismo.

Anote esta frase aí, ela é oriunda das teorias críticas do século XIX e foi retomada no final do século XX e XXI com a falência das teorias neoliberais. Mas guarde ela aí que nós vamos chegar a ela mais tarde.

Durante a ditadura civil-militar (1964-1985), uma das mais perversas características econômicas do período foi a concentração brutal de renda feita pelos grupos mais ricos. Este conceito “concentração de renda” é sempre mais fácil de se compreender de forma estática. Num determinado momento, faz-se um estudo dos valores apropriados pelos diversos grupos sociais do montante da renda nacional. Ali se tem uma fotografia da distribuição de renda no país. É muito mais difícil, entretanto, reconhecer os processos pelos quais a renda é apropriada. Os canais que levam a esvaziar os bolsos dos mais pobres e encher os cofres dos mais ricos são escondidos em discursos suaves.

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A pintura de Cícero Dias no CCBB, por Walnice Nogueira Galvão

A pintura de Cícero Dias no CCBB

por Walnice Nogueira Galvão

Ainda não havia globalização e os aviões de passageiros não cruzavam os ares. Ir à Europa levava três semanas de navio, mas a transação entre o modernismo brasileiro e as vanguardas europeias era intensa e fecunda.

A primeira viagem de Oswald de Andrade foi em 1912, e ele retornaria várias vezes. Anita Malfatti fez longos estágios na Alemanha , em Paris e nos Estados Unidos, ficando muitos anos fora. Tarsila do Amaral mantinha ateliê em Paris, indo e voltando. Também Di Cavalcânti frequentava Paris nas décadas de 20 e 30, assim como o mecenas Paulo Prado. Nessa cidade vivia mais um pintor, Vicente do Rego Monteiro. Lasar Segall, com tirocínio no expressionismo alemão, acabaria por fixar-se em São Paulo, bem como o arquiteto Gregori Warchavchik, que vinha da Rússia via Itália. O poeta surrealista Blaise Cendrars, casado com a cantora brasileira Elsie Houston, veio passar uma temporada entre seus confrades brasileiros. Da Suíça procedia o pintor John Graz, país onde os irmãos Antonio e Regina Gomide fizeram sua educação artística: os três revolucionaram as artes menores e a decoração de interiores entre nós. Precocemente, Manuel Bandeira foi para a Suíça tratar sua tuberculose; nesse país fez seus estudos o poeta e crítico Sérgio Milliet. O escultor Victor Brecheret estagiou na Itália de suas origens. O poeta Ronald de Carvalho viveu em Lisboa, onde participou da revista Orpheu, junto com Fernando Pessoa e Mário de Sá Carneiro. Basta pensar em quantos intelectuais e artistas estavam a todo momento por lá, e desde muito cedo. Até deu para um deles deitar raízes. Esse foi Cícero Dias.

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Adeus, Minustah, por Daniel Afonso da Silva

Adeus, Minustah

por Daniel Afonso da Silva

A Minustah – Missão das Nações Unidas para a estabilização do Haiti vive seus últimos momentos. Instaurada em 2004 e ampliada após o terremoto de 2010, ela dará lugar à Minujusth – Missão das Nações Unidas de apoio à Justiça no Haiti a partir de outubro de 2017.

Os membros do Conselho de Segurança entendem – e tornaram norma desde a resolução 2350 (2017) de 13 de abril de 2017 – que o Haiti não representa risco à segurança internacional. Como consequência, consideram que a intervenção no país deve deixar de ser amparada no artigo VII da Carta das Nações Unidas e passar ao artigo VI. E, nesse novo entendimento, projetam a mutação da Minustah em Minujusth.

Vale considerar que a eleição do presidente Jovenel Moïse, em 20 de novembro de 2016, e a exitosa composição do seu governo avivaram a confiança na recomposição de suas instituições haitianas. Os desafios seguem imensos. Mas a Minustah virou obsoleta.

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Troca de comando e autonomia da PF são factoides da Folha, por Armando Coelho Neto

Troca de comando e autonomia da PF são factoides da Folha

por Armando Rodrigues Coelho Neto

Os ataques à Presidenta Dilma Rousseff por parte dos delegados da PF deixaram claro o alinhamento ideológico daquela categoria. Sem filtros ou escrúpulos aderiram ao discurso falso moralista, seja por ignorância ou má fé. Ignorância por conta do expressivo contingente de desinformados, muitos dos quais afiados em leis, repletos de diplomas, fartos em arrogância, mas com conhecimento zero da história do Brasil. A propósito, não conhecem bem sequer a história da própria instituição a que servem. Esse contingente sequer lê Diário Oficial. Se o fizesse, saberia quem lhe deu salário, instrumentos legais e materiais para trabalhar. A má fé fica por conta daqueles que sabendo de tudo isso, se entregaram à aventura golpista.

A PF está com a credibilidade arranhada e os mais recentes ministros da Justiça, quando conveniente, ignoram o eficiente papel instrumental dela como capitã do mato do golpe, via Farsa Jato. Preferem incensar, por medo, a Procuradoria da República - farta de convicções e contradições, que de forma direta ou indireta alimenta futrica eterna entre instituições.

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O pacifismo hipócrita dos bem-pensantes, por Aldo Fornazieri

O pacifismo hipócrita dos bem-pensantes

por Aldo Fornazieri

No Brasil basta que um político, um jornalista ou um intelectual seja xingado num aeroporto ou num restaurante para que os bem-pensantes liberais e de esquerda se condoam com o "insuportável clima" de radicalização e de ódio. Todos derramam letras e erguem vozes para exigir respeito e para deplorar as situações desagradáveis e constrangedoras. Até mesmo a nova presidente do PT e parlamentares do partido entram na cruzada civilista para exigir o respeito universal, mesmo  que para inimigos. Os bem-pensantes brasileiros, cada um tem seu lado, claro, querem conviver pacificamente nos mesmos aeroportos, nos mesmos restaurantes e, porque não, compartilhar as mesmas mesas. Deve haver um pluralismo de ideias e posições, mas a paz e os modos civilizados devem reinar entre todos e a solidariedade e os desagravos precisam estar de prontidão. As rupturas na democracia e no Estado de Direito não devem abalar este convívio.

Trata-se de um pacifismo dos hipócritas. O fato é que no Brasil, a paz é uma mentira, a democracia é uma falsidade e a realidade é deplorável, violenta e constrangedora. Deplorável, violenta e constrangedora para os índios, para os negros, para as mulheres, para os pobres, para os jovens e para a velhice. A paz, a cultura e a ilustração só existem para uma minoria constituída pelas classes médias e altas que têm acesso e podem comprar a seguridade social, a educação, a cultura e o lazer. O Estado lhes garante segurança pública.

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Xadrez de como a Globo tornou-se ameaça à soberania nacional

A título de introdução – o que estava em jogo

Como abordamos em vários Xadrez, havia um mundo em transformação, a China e os BRICs irrompendo como poderes alternativos, a crise de 2008 comprometendo o modelo neoliberal. Ao mesmo tempo, uma acomodação da socialdemocracia nos anos de liberalismo, queimando-a como alternativa econômica.

Por seu lado, os Estados Unidos garantiam seu papel hegemônico no campo financeiro e nas novas tecnologias de informação, já que a manufatura se mudou para a Ásia.

É nesse contexto que, a partir de 2002, monta-se uma nova estratégia geopolítica fundada no combate à corrupção. Envolvem-se nela o Departamento de Estado, as instituições de espionagem (CIA e NSA), os órgãos policiais (FMI e Departamento de Justiça) e as ONGs ambientais e anticorrupção.

No plano externo, a intenção meritória de melhorar o mundo. No plano interno, a tentativa de impedir as potências emergentes de percorrer o caminho trilhado pelas potências atuais: no campo político, a promiscuidade inevitável entre campeões nacionais e partidos políticos; na expansão externa, o uso inevitável do suborno para penetrar em nações menores.

Por outro lado, o avanço da espionagem eletrônica conferiu um poder imbatível aos órgãos norte-americanos. A pretexto de combater o crime organizado, amplia-se a cooperação internacional, entre MPs e policias federais dos diversos países. Através desse duto, os EUA passam a levantar seletivamente informações contra políticos não-alinhados em diversos países, como Brasil, Portugal, Alemanha, França, Espanha, Coreia do Sul.

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Multimídia do dia

As imagens e os vídeos selecionados.

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Fora de Pauta

O espaço para os temas livres e variados.

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Clipping do dia

As matérias para serem lidas e comentadas.

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'É difícil terminar mandato com 7% de aprovação', disse Temer em 2015

Então vice-presidente fez a avaliação em setembro de 2015 sobre as dificuldades que Dilma teria que enfrentar para concluir segundo mandato 
 
Então vice-presidente fez a avaliação em setembro de 2015 sobre as dificuldades que Dilma teria que enfrentar para concluir segundo mandato
Foto: José Cruz/ Agência Brasil
 
Jornal GGN - Em setembro de 2015, oito meses antes de ocupar a cadeira de Dilma Rousseff, o então vice-presidente Michel Temer afirmou que seria difícil para a petista concluir o mandato com popularidade que tinha na época, de 10%, completando em seguida: "Se continuar com 7% ou 8% de popularidade, de fato, fica difícil passar 3 anos e meio assim". Quem retoma a informação é portal Brasil 247.
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A destruição do patrimônio genético agrícola no Brasil

José Maria Tardin, especialista em agroecologia, alerta que materiais genéticos de plantas nativas estão sendo destruídos, enquanto uma parte é sequestrada e armazenada em bacos de germoplasmas utilizados por trasnacionais 
 
José Maria Tardin: “Patrimônio genético agrícola está sendo seqüestrado das comunidades e armazenado em bancos de germoplasma para ser utilizado por transnacionais”. (Foto: Guilherme Santos/Sul21)
José Maria Tardin Foto: Guilherme Santos/Sul21
 
Jornal GGN - A atuação das grandes empresas agrícolas está provocando a devastação das espécies de alimentos no país, além disso, o patrimônio genético brasileiro está sendo armazenado em bancos de transnacionais, quando deveria ser tratado como um tema de segurança nacional. O alerta é do professor de agroecologia e membro do Conselho Gestor e educador na Escola Latinoamericana de Agroecologia (ELAA), José Maria Tardin, em entrevista para o Sul21.
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Descriminalização reduziu consumo de drogas em Portugal

Em passagem pelo Brasil, o criador da lei, Vitalino Canas, falou dos impactos desde que a norma passou a vigorar, há 17 anos 
 
Crédito Renato Araújo/Agência Brasília
 
Jornal GGN - Com quase duas décadas desde que foi sancionada, a Lei 30/2000 que descriminalizou a posse e o consumo próprio de qualquer droga, contanto que não ultrapasse até 10 doses da substância psicotrópica, diminuiu a carga de atividades sobre o Judiciário e os sistemas de segurança público e penitenciário, levando o Estado a investir mais em saúde para ajudar os dependentes químicos. Quem explica tudo isso é o autor da lei, Vitalino Canas, em entrevista para o Portal J.
 
O magistrado conta que, quando a legislação foi proposta, a população portuguesa ficou dividida. "Eles achavam que descriminalizar era garantir que os traficantes iam ter maior margem para atuar", ressaltando que, na verdade, a lei não legaliza o uso e porte da substância, apenas significa que parte dos consumidores deixam se estar sujeitos a ter de cumprir pena de prisão, dessa forma o foco maior das políticas de segurança ficou sobre os traficantes. Além disso, um dos primeiros impactos registrados após a sanção da lei não foi o aumento do consumo e sim o contrário, com redução dos níveis de doenças transmitidas. 
 
"Até 2000, tínhamos uma tendência pronunciada de um grande aumento de pessoas, consumidores de drogas, que eram infectadas por vírus. A partir de 2000, 2001 essa tendência começou a reverter-se e hoje em dia é absolutamente controlada", explicou.  
 
Canas, que também é deputado em dois órgãos legislativos naquele país, avaliou que dificilmente a ação da prefeitura de São Paulo na Cracolândia, que expulsou os dependentes da região com casos de internação compulsória, conseguirá resultados eficazes e duradouros. "Se a pessoa já está viciada em craque, ou em outra droga igualmente perigosa, só vai libertar-se dessa dependência com a própria vontade. Portanto o internamento compulsivo quando é contra a vontade da pessoa não creio que pode ser totalmente eficaz".
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