19 de junho de 2026

América Latina sente efeitos da queda das commodities

Sugerido por Gunter Zibell – SP

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Do Valor

 
Depois de uma década de ventos favoráveis para a sua economia, a América Latina já vem sentindo os efeitos da queda dos preços das commodities e deve atravessar nos próximos anos um período de incertezas, disseram analistas ao Valor.
 
O cenário virou, e sobretudo os países mais dependentes da exportação de matérias-primas já sofreram no ano passado uma desaceleração moderada de suas economias. O apetite voraz da China por commodities vem caindo na proporção da desaceleração de seu crescimento. Nos Estados Unidos, com a economia em recuperação, a política monetária expansionista do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) vem diminuindo de ritmo e tende, aos poucos, a desaparecer. Enquanto isso, a Europa, outro mercado importante para a região, ainda sofre para retomar o patamar de crescimento de antes da crise global.

 
 
“Estamos vivendo o fim do superciclo [das commodities] que durou uma década”, afirma Alberto Ramos, economista-chefe para América Latina do Goldman Sachs. “Claramente já não há mais o ambiente de oba-oba de 2003.”
 
Esse quadro coloca um viés negativo para os principais produtos exportados pela região. Matérias-primas como minério de ferro, cobre e soja vêm sofrendo quedas desde 2013 e devem continuar em baixa, com reflexos na economia latino-americana. O café vinha na mesma toada, até que o clima no Brasil fez com que as cotações subissem mais de 50% neste ano.
 
“A desaceleração do crescimento em países como o Chile, a Colômbia e o Peru em 2013 foi consequência da queda dos preços das commodities e de fatores relacionados a isso”, afirma Ramos. “Com a expectativa de preços menores, encerrou-se um ciclo de grandes investimentos, sobretudo no setor de mineração”, afirma.
 
Para o economista César Ferrari, ex-presidente do Banco Central do Peru, a tendência é que países cujas economias dependem mais fortemente da exportação de commodities sofram mais daqui por diante. O tamanho do tombo, afirma, dependerá diretamente da força da queda dos preços das matérias-primas que eles exportam.
 
“A volatilidade dos preços internacionais é muito grande. Isso também faz com que o crescimento desses países seja muito volátil”, afirma. “O Peru, em 2009, cresceu 9,8%. Em 2008, cresceu 0,9%. Na Colômbia aconteceu mais ou menos o mesmo, porque os preços internacionais caíram.”
 
Segundo Ferrari, “isso põe em evidência a vulnerabilidade e a fragilidade” das economias latino-americanas, que, “em uma divisão global de trabalho, ficaram com a produção de matérias-primas”.
 
“Talvez o menos comprometido nesse aspecto, ainda que também prejudicado, seja o Brasil, que contra a oposição de gregos e troianos tratou de manter uma política industrial mais ou menos ativa para dar apoio ao seu setor manufatureiro”, afirma. “Mas todos esses países, México, Chile, Peru, Colômbia, praticamente estão em um processo de desmantelamento de sua indústria.”
 
Alguns analistas, porém, vislumbram um cenário mais tranquilo. Para Ramos, do Goldman Sachs, as economias andinas, como Colômbia, Chile e Peru, que vinham crescendo de 5% a 6% ao ano nos últimos anos, passarão agora a crescer a um ritmo de 4% a 5%.
 
“Esse ambiente externo crítico apresenta oportunidades e riscos. Com a aceleração do crescimento nos EUA, e a Europa saindo da recessão, isso tende a beneficiar a exportação”, afirma, colocando essa tendência como um contrapeso ao menor crescimento chinês.
 
Para Ramos, além disso, “setores que têm necessidade de financiamento externo, em um ambiente deteriorado, vão sofrer” com a redução dos estímulos do Fed.
 
Exportadores de petróleo da região, como México, Equador, Colômbia e, principalmente, Venezuela, também têm razões para se preocupar. Num passado recente, as sanções contra o Irã e a maior demanda do Japão – que desligou suas centrais nucleares após o tsunami de 2011 – evitaram a queda dos preços dessa commodity, apesar do esfriamento da economia global. No futuro próximo a tendência é que esses fatores diminuam, com um provável acordo em torno do programa nuclear iraniano e a possível reabertura dessas centrais no país asiático. Além disso, o boom do petróleo de xisto nos EUA também afetará os preços internacionais. “O que vai acontecer é uma situação de maior oferta e menor demanda petroleira. E isso gerará uma queda nos preços que não vimos durante 2012 e 2013”, afirma Ferrari.
 
Nicholas Watson, analista-chefe para América Latina da Teneo Intelligence, tem uma visão mais otimista quanto à região. Segundo ele, apesar das quedas recentes, as commodities em geral permanecem com preços superiores à média histórica. Além disso, a demanda chinesa continua “relativamente forte”. Para ele, a queda dos preços das commodities nos curto prazo afetará mais fortemente as economias que não adotaram medidas contracíclicas para quando chegasse um período de “vacas magras”.
 
“Esse período chegou, e agora estamos vendo um fluxo de capitais indo embora dos mercados emergentes”, afirma. “Então, por exemplo, apesar da queda dos preços do cobre, o Chile pelo menos foi prudente durante os anos de boom. A Argentina e a Venezuela não foram”, diz, em referência ao baixo nível das reservas internacionais desses dois países.
 
Para Watson, a Argentina está hoje vulnerável aos preços da soja porque esse produto se tornou “crítico para a saúde de seu setor agrícola”. “Agora, o governo precisa de safras cada vez maiores para manter as receitas em alta”, afirma. “Isso também indica o perigo de depender de apenas uma commodity, que é um problema que a Venezuela enfrenta também”, diz.
 
O petróleo é responsável por cerca de 96% das exportações venezuelanas. “Se o preço do petróleo cair significativamente, isso jogará a Venezuela em uma grave crise econômica e política.”

 

Redação

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7 Comentários
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  1. César

    25 de fevereiro de 2014 3:11 pm

    apesar da torcida contra…

    Por Luiz Inácio Lula da Silva

    Passados cinco anos do início da crise global, o mundo ainda enfrenta suas consequências, mas já se prepara para um novo ciclo de crescimento. As atenções estão voltadas para mercados emergentes como o Brasil. Nosso modelo de desenvolvimento com inclusão social atraiu e continua atraindo investidores de toda parte. É hora de mostrar as grandes oportunidades que o país oferece, num quadro de estabilidade que poucos podem apresentar.

    Nos últimos 11 anos, o Brasil deu um grande salto econômico e social. O PIB em dólares cresceu 4,4 vezes e supera US$ 2,2 trilhões. O comércio externo passou de US$ 108 bilhões para US$ 480 bilhões ao ano. O país tornou-se um dos cinco maiores destinos de investimento externo direto. Hoje somos grandes produtores de automóveis, máquinas agrícolas, celulose, alumínio, aviões; líderes mundiais em carnes, soja, café, açúcar, laranja e etanol.

    Reduzimos a inflação, de 12,5% em 2002 para 5,9%, e continuamos trabalhando para trazê-la ao centro da meta. Há dez anos consecutivos a inflação está controlada nas margens estabelecidas, num ambiente de crescimento da economia, do consumo e do emprego. Reduzimos a dívida pública líquida praticamente à metade; de 60,4% do PIB para 33,8%. As despesas com pessoal, juros da dívida e financiamento da previdência caíram em relação ao PIB.

    Colocamos os mais pobres no centro das políticas econômicas, dinamizando o mercado e reduzindo a desigualdade. Criamos 21 milhões de empregos; 36 milhões de pessoas saíram da extrema pobreza e 42 milhões alcançaram a classe média.

    Quantos países conseguiram tanto, em tão pouco tempo, com democracia plena e instituições estáveis?

    A novidade é que o Brasil deixou de ser um país vulnerável e tornou-se um competidor global. E isso incomoda; contraria interesses. Não é por outra razão que as contas do país e as ações do governo tornaram-se objeto de avaliações cada vez mais rigorosas e, em certos casos, claramente especulativas. Mas um país robusto não se intimida com as críticas; aprende com elas.

    A dívida pública bruta, por exemplo, ganhou relevância nessas análises. Mas em quantos países a dívida bruta se mantém estável em relação ao PIB, com perfil adequado de vencimentos, como ocorre no Brasil? Desde 2008, o país fez superávit primário médio anual de 2,58%, o melhor desempenho entre as grandes economias. E o governo da presidenta Dilma Rousseff acaba de anunciar o esforço fiscal necessário para manter a trajetória de redução da dívida em 2014.

    Acumulamos US$ 376 bilhões em reservas: dez vezes mais do que em 2002 e dez vezes maiores que a dívida de curto prazo. Que outro grande país, além da China, tem reservas superiores a 18 meses de importações? Diferentemente do passado, hoje o Brasil pode lidar com flutuações externas, ajustando o câmbio sem artifícios e sem turbulência. Esse ajuste, que é necessário, contribui para fortalecer nosso setor produtivo e vai melhorar o desempenho das contas externas.

    O Brasil tem um sistema financeiro sólido e expandiu a oferta de crédito com medidas prudenciais para ampliar a segurança dos empréstimos e o universo de tomadores. Em 11 anos o crédito passou de R$ 380 bilhões para R$ 2,7 trilhões; ou seja, de 24% para 56,5% do PIB. Quantos países fizeram expansão dessa ordem reduzindo a inadimplência?

    O investimento do setor público passou de 2,6% do PIB para 4,4%. A taxa de investimento no país cresceu em média 5,7% ao ano. Os depósitos em poupança crescem há 22 meses. É preciso fazer mais: simplificar e desburocratizar a estrutura fiscal, aumentar a competitividade da economia, continuar reduzindo aportes aos bancos públicos, aprofundar a inclusão social que está na base do crescimento. Mas não se pode duvidar de um país que fez tanto em apenas 11 anos.

    Que país duplicou a safra e tornou-se uma das economias agrícolas mais modernas e dinâmicas do mundo? Que país duplicou sua produção de veículos? Que país reergueu do zero uma indústria naval que emprega 78 mil pessoas e já é a terceira maior do mundo?

    Que país ampliou a capacidade instalada de eletricidade de 80 mil para 126 mil MW, e constrói três das maiores hidrelétricas do mundo? Levou eletricidade a 15 milhões de pessoas no campo? Contratou a construção de 3 milhões de moradias populares e já entregou a metade?

    Qual o país no mundo, segundo a OCDE, que mais aumentou o investimento em educação? Que triplicou o orçamento federal do setor; ampliou e financiou o acesso ao ensino superior, com o Prouni, o FIES e as cotas, e duplicou para 7 milhões as matrículas nas universidades? Que levou 60 mil jovens a estudar nas melhores universidades do mundo? Abrimos mais escolas técnicas em 11 anos do que se fez em todo o Século XX. O Pronatec qualificou mais de 5 milhões de trabalhadores. Destinamos 75% dos royalties do petróleo para a educação.

    E que país é apontado pela ONU e outros organismos internacionais como exemplo de combate à desigualdade?

    O Brasil e outros países poderiam ter alcançado mais, não fossem os impactos da crise sobre o crédito, o câmbio e o comércio global, que se mantém estagnado. A recuperação dos Estados Unidos é uma excelente notícia, mas neste momento a economia mundial reflete a retirada dos estímulos do Fed. E, mesmo nessa conjuntura adversa, o Brasil está entre os oito países do G-20 que tiveram crescimento do PIB maior que 2% em 2013.

    O mais notável é que, desde 2008, enquanto o mundo destruía 62 milhões de empregos, segundo a Organização Internacional do Trabalho, o Brasil criava 10,5 milhões de empregos. O desemprego é o menor da nossa história. Não vejo indicador mais robusto da saúde de uma economia.

    Que país atravessou a pior crise de todos os tempos promovendo o pleno emprego e aumentando a renda da população?

    Cometemos erros, naturalmente, mas a boa notícia é que os reconhecemos e trabalhamos para corrigi-los. O governo ouviu, por exemplo, as críticas ao modelo de concessões e o tornou mais equilibrado. Resultado: concedemos 4,2 mil quilômetros de rodovias com deságio muito acima do esperado. Houve sucesso nos leilões de petróleo, de seis aeroportos e de 2.100 quilômetros de linhas de transmissão de energia.

    O Brasil tem um programa de logística de R$ 305 bilhões. A Petrobras investe US$ 236 bilhões para dobrar a produção até 2020, o que vai nos colocar entre os seis maiores produtores mundiais de petróleo. Quantos países oferecem oportunidades como estas?

    A classe média brasileira, que consumiu R$ 1,17 trilhão em 2013, de acordo com a Serasa/Data Popular, continuará crescendo. Quantos países têm mercado consumidor em expansão tão vigorosa?

    Recentemente estive com investidores globais no Conselho das Américas, em Nova Iorque, para mostrar como o Brasil se prepara para dar saltos ainda maiores na nova etapa da economia global. Voltei convencido de que eles têm uma visão objetiva do país e do nosso potencial, diferente de versões pessimistas. O povo brasileiro está construindo uma nova era – uma era de oportunidades. Quem continuar acreditando e investindo no Brasil vai ganhar ainda mais e vai crescer junto com o nosso país.

    Luiz Inácio Lula da Silva é ex-presidente da República e presidente de honra do PT

  2. Chico Pedro

    25 de fevereiro de 2014 3:14 pm

    Tivemos uma década de ouro e

    Tivemos uma década de ouro e não soubemos aproveitar…

    Cantamos tal e qual a cigarra da vetusta fábula.

    E o principal.: quem ficou com os maiores ganhos do nosso crescimento rebocado foram os chineses.

    Pelo menos os ufanistas nos proporcionaram momentos felizes de pura ilusão.

    1. Diogo Costa

      25 de fevereiro de 2014 3:26 pm

      O incomensurável déficit cognitivo…

      Não leu o texto e vem cantar de galo!

       

      O texto dá uma paulada sem dó nem piedade no México, no Chile, na Colômbia e no Peru, países que adotaram políticas neoliberais nos últimos 15 anos. O texto é um elogio ao Brasil que, segundo o próprio texto, conseguiu empreender uma política industrial e anti-cíclica, contra a vontade neoliberal de gregos e troianos!

       

      Com uma oposição tosca e patética como esta, que é incapaz de ler sequer um mísero texto que elogia o Brasil e que dá um pau nos países que optaram pelas ‘vantagens comparativas’ e pelo liberalismo, não me admira que o PT siga nadando de braçadas…

  3. Daytona

    25 de fevereiro de 2014 3:19 pm

    “Talvez o menos comprometido

    “Talvez o menos comprometido nesse aspecto, ainda que também prejudicado, seja o Brasil, que contra a oposição de gregos e troianos tratou de manter uma política industrial mais ou menos ativa para dar apoio ao seu setor manufatureiro”, afirma. “Mas todos esses países, México, Chile, Peru, Colômbia, praticamente estão em um processo de desmantelamento de sua indústria.”

    “Para Ramos, além disso, “setores que têm necessidade de financiamento externo, em um ambiente deteriorado, vão sofrer” com a redução dos estímulos do Fed.”

    É que o Brasil sofre de “esquerdeopatia”, e por isso não se coloca de quatro para os rococós neoliberais dos países desenvolvidos(que, por não serem bobos, não o praticam).

    E lá se vai o México, queridinho dos neo-imbecis​, levando consigo seus aliados do Pacífico

    Tópico Motta Araújo free!!

  4. Diogo Costa

    25 de fevereiro de 2014 3:21 pm

    Artigo comprova o sucesso da política econômica atual do Brasil

    Destaque-se neste texto, entre outras partes, a seguinte:

     

    “”(…) Talvez o menos comprometido nesse aspecto, ainda que também prejudicado, seja o Brasil, que contra a oposição de gregos e troianos tratou de manter uma política industrial mais ou menos ativa para dar apoio ao seu setor manufatureiro”, afirma. “Mas todos esses países, México, Chile, Peru, Colômbia, praticamente estão em um processo de desmantelamento de sua indústria. (…)””

     

    Evidencia-se, a toda prova, que os países que optaram pelo caminho do neoliberalismo galopante, dos acordos bilaterais de livre comércio e de apego às ‘vantagens comparativas’ são os mais afetados pelo Crash de 15 de setembro de 2008. O Brasil, ao contrário, optou por estimular uma política industrial interna (com destaque para os setores de autopeças, petróleo, gás, plataformas petrolíferas, compras governamentais e navios). 

     

    Mais do que isto, o Brasil optou por uma política antí-cíclica que preservou o pleno emprego, a distribuição de renda e a diminuição das desigualdades sociais e regionais, além de manter um diversificado mercado de países para nossas exportações (não ficando dependente de nenhum deles em especifico).

     

    E não é só isso. O Brasil mantém uma vigorosa política de criação, manutenção e aprimoramento de um amplo mercado interno de massas, longa aspiração dos desenvolvimentistas nacionais, com destaque, entre outros, para Celso Furtado.

     

    Este amplo mercado interno de massas, que ganhou destaque a partir de 2005, tem blindado a economia brasileira de choques internacionais, como o atual que por ora presenciamos e que é o maior desde o Crasch de outubro de 1929.

     

    A prova do sucesso do Brasil nestes últimos 05 anos, onde Crash de 2008 tem destronado várias economias ao redor do globo terrestre, é que em que pese a severidade da crise já referida, continuamos distribuindo renda e aumentando a proporção da massa salarial em relação ao PIB. Optamos pela acertada política econômica anti-cíclica, ao contrário da Europa e dos EUA. 

     

    A exitosa política anti-cíclica do governo federal, iniciada com Lula em 2009, e mantida a aprofundada por Dilma, tem vários aspectos. Para ficar apenas num deles, cumpre relembrar a questão do superávit primário da economia (utilizado para pagar juros e amortizações da dívida pública).

     

    Nos 04 primeiros anos do governo Lula, em função da colossal herança maldita herdada, o Brasil teve uma meta de superávit primário de 4,25% do PIB. É um número colossal. Este superávit começou a ser flexibilizado em 2007 (com Guido Mantega, logo após a saída de Palloci do Min. da Fazenda). 

     

    Depois do Crash de 2008, já em 2009, houve uma redução não muito significativa e, a partir do governo de Dilma Rousseff o superávit primário foi drásticamente reduzido para dar conta da política industril e anti-cíclica que se fazia (e que se faz) necessária para enfrentar a brutal crise econômica mundial. 

     

    Para 2014 o superávit primário está fixado em 1,9% do PIB. Esta é uma notícia alvissareira e amplamente positiva para o Brasil. Dilma Rousseff, em matéria de economia política, está à esquerda do governo de Luiz Inácio Lula da Silva. 

     

    Por tudo o que foi exposto (e que é apenas uma pequena parte) é que se tem a confirmação de que o Brasil está no caminho certo, remando contra as teses neoliberais que legaram ao mundo a Crise de 2008. O Brasil está menos vulnerável que os hermanos latinos (aplaudidos dia e noite pela imprensa neoliberal) justamente porque optou por um caminho diverso dos mesmos.

     

    Para finalizar, é preciso dizer também que como proporção do PIB o Brasil exporta mais do que os EUA!

     

    Esta é a nossa salvação e o nosso colchão protetor. É isto que garante ao Brasil enfrentar as turbulências. É preciso manter e aprofundar a construção de um pujante mercado interno de massas. Este é o caminho correto. Este é o caminho atual. Este é o caminho defendido com ênfase por Luiz Inácio Lula da Silva e por Dilma Rousseff.

  5. Leandro_O

    25 de fevereiro de 2014 4:03 pm

    Como se o Brasil não

    Como se o Brasil não estivesse com suas indústrias sendo desmanteladas e vendidas para grupos de fora.

    1. Nicolas Crabbé

      25 de fevereiro de 2014 5:44 pm

      Verdade

      Concordo, Leandro. O fato de o Brasil não estar na mesma situação catastrófica que a Venezuela ou a Argentina, que dependem exclusivamente de commodities para se manter, não significa que a indústria esteja bem.

      Ao aumento do consumo interno, atingido pela inclusão de dezenas de milhões de pessoas na economia de mercado graças às políticas de inclusão social, não correspondeu aumento da produção industrial. Pelo contrário, essa demanda adicional foi basicamente atendida por uma explosão das importações.

      Quando o preço das commodities estava lá encima, ficou a ilusão que tudo estava bem, porque o déficit comercial cada vez maior na indústria era mais que coberto pelas exportações de matéria-prima, um caso emblemático sendo do minério de ferro exportado para a China e transformado literalmente do outro lado do mundo para voltar para cá como aço importado.

      Agora que os preços caíram, vê-se um déficit da balança comercial crescendo a olhos vistos.

      Se do lado social o governo do PT tem feito coisas excepcionais, na condução da economia foi de uma mediocridade lamentável.

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